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O apito está dado, começa agora o Campeão É. Esta sexta-feira, no dia do arranque do Euro 2020, juntam-se às manhãs de 360 os comentadores Gabriel Alves e Luís Vilar e também o jornalista da Rádio Observador, Miguel Cordeiro. Júlio Magalhães, é contigo.

Bom dia. Bom dia, Gabriel. Bom dia, Luís. Bom dia, Miguel Cordeiro. Ora começa hoje o campeonato da Euro 2020. Já vamos falar do que é que vocês pensam do que pode ser este Europeu. Mas, para já, uma pergunta que vos gostava de deixar aos três e que é: esta seleção portuguesa parte pela primeira vez como detentora do título europeu para um campeonato destes. Perguntava-vos se acham que esta seleção portuguesa é mais forte que aquela que ganhou o Europeu em 2016. Gabriel Alves.

Bom dia a todos. Esta seleção é muito forte e precisa de estar, de facto, completamente afinada, porque ela completamente afinada é uma seleção temível. Dentro daquele sistema que vimos naquela primeira fase do jogo-teste frente a Israel, naquele 4.2.3.1, com aqueles três avançados móveis, são de facto três gigantes a jogar futebol, dizendo melhor, numa outra linguagem mais popular. É uma equipa bem equilibrada, é uma equipa cheia de atitude, fisicamente estando bem, ela vai ter uma grande capacidade de intensidade, que é fundamental. E é uma equipa que quando sai em transição é uma equipa perigosíssima, até porque ela não deixando de ser emocional, é uma equipa que sabe calcular as situações. Isso é muito importante saber calcular e não atirar-se de qualquer maneira, portanto, sendo uma equipa só rasgada para a frente. Não, saber controlar espaços, controlar linhas. Portanto, eu acho que esta formação detentora do título europeu, que é a nossa seleção, a seleção de Portugal, sai candidata, favorita não, mas candidata a discutir e a defender este título até onde for possível, isto é, até ao último segundo de cada jogo.

Vamos aguardar. Luís Vilar.

Olá, muito bom dia a todos. Olha, eu relativamente à equipa, acho que a equipa é melhor, acho que os talentos são melhores, estão em melhor fase, estão em melhor momento de forma, estão em melhor momento das suas carreiras. Acho é que o Europeu é uma prova totalmente diferente daquela que foi em 2016, daquela que se prepara para 2020. Trago aqui alguns factos. Primeiro, saímos em sorte ou em azar, o grupo da morte. Este grupo da morte tem as duas últimas campeãs do mundo, portanto Alemanha e França, que são duas das três seleções com mais títulos europeus. Portanto, a Alemanha tem três títulos europeus e a França tem dois. Isto não se avizinha fácil. Outro ponto é que a Hungria é a outra equipa do grupo, curiosamente, é com quem Portugal se estreia, é a equipa que joga em casa, é o único estádio na Hungria que tem 100% da lotação. E curiosamente, em 2016, foi a Hungria que fez mais gols à seleção portuguesa, fez três. Portugal verdadeiramente não tem um histórico positivo nos inícios das fases finais do Campeonato de Seleções. Se olharmos para os últimos, Portugal em 2012 começou a perder com a Alemanha 1 x 0. Dois anos depois, em 2014, no Mundial, perdeu também com a Alemanha 4 x 0. Em 2016 empatou com a Islândia 1 x 1 e neste último mundial, em 2018, também empatou com a Espanha. Portanto, eu diria a jogar com a Hungria, na casa da Hungria, com 100% da lotação, se não ganharmos, ao contrário do que temos feito nestas últimas quatro edições, vamos ter um problema. A Alemanha tem sido um carrasco ultimamente. Perdemos em 2008, em 2012, em 2014. E por último, convém só aqui lembrar um fato que parece pequeno, mas não é assim tão pequeno. O Europeu termina a 11 de julho, portanto começa hoje, dia 11 de junho, mas para Portugal, não. Para Portugal e para as equipas do grupo Portugal só começa na próxima terça-feira, ou seja, para sete jogos, que é o que as edições dos Europeus têm desde 2016, o Europeu para quem está no grupo F é mais pequeno, o que vai fazer com sete jogos em menos dias, que haja menos descanso. Portanto, quem sai do grupo F sai prejudicado, sobretudo sendo um grupo tão forte. Portanto, acho que vai ser difícil. Acredito, obviamente, em Fernando Santos e na sua capacidade de trazer o clima certo para a equipa portuguesa, mas volto a dizer, acho que é um campeonato muito difícil este que nos calhou.

Miguel Cordeiro.

Eu concordo com o que foi dito até agora. Acho que, de facto, Portugal tem aqui uma boa seleção e indo direto à pergunta, acho que temos melhores jogadores nesta equipa. Tenho dificuldades em achar que tínhamos melhor equipa do que em 2016. O que eu quero dizer? Temos melhores individualidades, temos melhores soluções para cada uma das posições, mas a nível de equipa, acho que ainda não se está ao nível que estava em 2016, até porque apesar de em 2016 Fernando Santos ter assumido como candidato e afirmou que só ia sair de França no dia 11, a verdade é que aos olhos dos adversários, Portugal não era assim tão candidato quanto isso. Foi Fernando Santos que acreditou e foi aquela equipa coesa que tivemos, unida com diferentes soluções, mas com jogadores ainda não tão em destaque como temos agora, que conseguimos ser campeões europeus e também de empate em empate até à final, até esse novo empate e depois ao gol do Éder. Para este Europeu Considero que temos aqui uma equipa com muito boas individualidades. Temos, em várias posições, jogadores que podem ser considerados os melhores do mundo. Estamos a falar de Rúben Dias, que pode ser considerado um dos melhores centrais do mundo, se calhar, o melhor. Temos Cristiano Ronaldo, nem vamos entrar nessa discussão. Temos Bruno Fernandes, um dos melhores médios do mundo. Ainda temos Cancelo, que faz também uma época incrível. Portanto, temos aqui várias soluções e jogadores que são figuras nos seus clubes, são jogadores em destaque nos seus clubes, e é isso que difere um pouco daquilo que aconteceu em 2016. Olhando para a competição em si, concordo muito com o Luís Vilar. De facto, Portugal surge aqui no grupo da morte, neste grupo com França, com Alemanha, a jogar em casa contra a Hungria, a cidade anfitriã, num estádio com 70 mil pessoas, com 100% de lotação, onde vai depois também jogar contra a França. Depois vai jogar a Alemanha num estádio também com lotação, neste caso, 22% da lotação no Allianz Arena. E de facto vai ser um grupo muito difícil. Acho que se Portugal passar esta fase de grupos, e para isso tem, na minha opinião, obrigatoriamente que ganhar esse primeiro jogo contra a Hungria, porque se não ganhar à Hungria, fica tudo muito difícil. Acho que depois de passar a fase de grupos, aí Fernando Santos sabe, com a manha dele, como é que há de fazer para fazer Portugal seguir em frente.

Já agora, também vos dava a minha opinião. Para vos dizer que, em boa verdade, acho que esta seleção não é tão boa como a de 2016, como equipa. Enfim, isto é discutível, como é óbvio, vocês percebem mais disto que eu. Mas em 2016 tínhamos o Nani, o Quaresma, o Bruno Alves, jogadores mais maduros, jogadores que levavam a equipa mais pra frente. Hoje temos o João Félix, o Rafa, o Bernardo Silva, jogadores mais franzinos, muito bons de bola, é verdade. Tenho visto a seleção e parece que não cola tanto como colava aquela de 2016. Estes jogadores são jogadores que gostam de ter bola, de jogar a bola, mas o Fernando Santos é um treinador que gosta de jogadores que não percam posições, que estejam sempre concentrados, que estejam sempre empenhados em ajudar os laterais, a ajudar os centrocampistas. E acho que em 2016 havia mais isso, de jogadores mais fortes, mais posicionais e depois mais rápidos.

Mais pragmáticos também.

Mais pragmáticos, mais focados na baliza. É por isso que ele gosta também tanto do Gonçalo Guedes, que não tem as qualidades técnicas do João Félix, do Bernardo Silva, do Diogo Jota, etc. Mas depois é um jogador que é rápido.

Uma seta.

Uma seta e depois mantém posição, ajuda, é disso que o Fernando Santos gosta.

Júlio, havia mais carregadores.

Não sei, é discutível, claro, estou só a dizer isto.

Sim, havia solistas, mas havia carregadores de piano, não é?

Exatamente. E esta seleção não me parece que tenha tantos.

Havia gente que trabalhava naquela equipa.

Humildade e maturidade.

Sim, esta equipa deste ano tem aqui um pouco, eu acho que duvida de si própria enquanto equipa. Os jogadores sabem que são bons jogadores, mas enquanto equipa, duvida de si própria. E este jogo contra Israel foi um pouco isso. Ou seja, Portugal faz um jogo com muitos remates, 24 remates, tem mais posse de bola, acerta quase todos os passes, 90% de precisão de passe nesse encontro, mas sofre aquele síndrome do ketchup que o Ronaldo imortalizou já aqui há uns anos, de só depois de chegar ali ao gol é que eles percebem: "Ok, já conseguimos marcar e estamos mais descontraídos". Até esse momento, há ali muita dúvida de si próprios.

Uma coisa que esta seleção precisa, na minha opinião, em função daquilo que tivemos a oportunidade de observar, é uma circulação de bola mais rápida, muito mais rápida do que aquela que está neste momento a operar. E tendo essa circulação de bola, obviamente, mais rápida, naturalmente que provoca outro tipo de estragos na estrutura dos adversários.

Esse é o problema, Gabriel, se me permite. Esse é o problema que eu venho sentindo na seleção portuguesa desde que Fernando Santos entrou. Fernando Santos é um treinador que parece que prepara o processo defensivo muito mais do que o processo ofensivo. Terá as suas razões, obviamente, e deixar o talento resolva a outra metade do jogo. O que acontece? Eu noto que Portugal é incapaz de acelerar o jogo, mas não é de agora. E no futebol, o que manda são as variações de intensidade, não são necessariamente a qualidade técnica. Portugal tem que saber jogar lento quando tem que jogar lento e tem que saber acelerar muito com criatividade quando tiver que fazer. Eu acho que Portugal tem tido muita incapacidade em fazer esta segunda metade.

Neste momento, até me parece que o único jogador que leva mesmo a equipa pra frente em velocidade é o Renato Sanches. Não sei se vocês estão de acordo.

Sim, mas é preciso é a circulação, a bola é que tem que circular.

Mas em 2016 também foi mais ou menos assim.

Sim, a bola tem que circular.

Estava inserido numa equipa onde havia Nani, havia Quaresma. E deixem-me dizer uma coisa também, que é: se nós fôssemos sem Cristiano Ronaldo para este campeonato, não éramos obviamente candidatos, tem um peso extraordinário este jogador, mas o Cristiano Ronaldo já não é o mesmo de 2016 também.

É verdade. E há uma coisa que me parece importante aqui, é se Fernando Santos saberá o que fazer, e naturalmente ele é que o viva, é que treina. Acho que o Bruno Fernandes, na minha opinião, tem que aparecer mais na marcação dos livres, porque é estilista na matéria e é importante que ele surja, dado que estamos a ver que o Cristiano, nesta altura, não só a nível da seleção, mas também a nível de clube, não está com aquela precisão que tinha. E Bruno Fernandes também precisa dessa confiança. Eu acho que este Europeu pode ser muito importante para a equipa, o papel que o Bruno Fernandes vai desempenhar pra equipa e para ele, Bruno Fernandes, também.

E que dá a ideia que ainda não conseguiu encontrar bem esse papel. Mas já agora pergunto-vos quem é o vosso principal favorito. A França é apontada, e de facto tem uma equipa que dá pra fazer duas seleções, mas eu não sei porque este ano, além de Portugal, claro, que nós apostamos todos, eu só aposto muito na Itália. E vocês?

Todo acordo. Estou de acordo, completamente. Somos dois.

Eu pela França estou mais preocupado com a equipa que a França não tem do que com a equipa que a França tem, porque se olharmos para o talento que a França deixou de fora, logo aí começamos a pensar: "Bem, mas que talento é este então que ficou dentro?" Esse é o primeiro problema. Acho que depois os outsiders estão todos muito equilibrados desta vez. A França é a única que me parece favorita, mas depois há os outsiders. Eu continuo apaixonado por duas seleções que têm que dar muito mais ao futebol e que não deram. Uma, obviamente, por razões históricas, a Inglaterra. A Inglaterra tem vindo a fazer um trabalho interessante na formação já há uns oito anos para cá.

Mas não concretiza, Luís. Só tem concretizado.

É verdade. Eu não concretizo e parece que não tenho ADN desta competição. E a Bélgica. Eu quero saber o que esta geração que está a sair consegue fazer, porque se não for nesta, eu acho que essa geração perde-se, com muita pena minha.

Perdeu-se. E ele?

Para mim, candidato é França. Acho que é claramente a equipa favorita. Acho que este Europeu é basicamente a França mais 23 equipas. E nesse lote de 23 equipas há muitos outsiders. Portugal não é um outsider, é um dos candidatos. E depois, nesse lote de candidatos, já falámos aqui da Itália, da Inglaterra, da Bélgica. Sim, são todos possíveis candidatos.

E há sempre a Alemanha.

A França tem uma equipa que nem sequer faz sentido, olhando para aqueles convocados. Com muitas soluções e portanto, acho que numa fase a eliminar, a França pode, de facto, vacilar, mas nunca se sabe. Acho que chegando essa altura da fase a eliminar, aí sim, vendo também com quem é que estes candidatos vão ter que se encontrar. Porque de facto, se de um dos lados imaginemos ficar uma Bélgica, uma Inglaterra sem grandes adversários, podem facilmente chegar à final. Mas até chegar a essa fase a eliminar, acho difícil prever já quem pode ser o campeão.

A abrir hoje a Itália vai ter um bom teste.

E há sempre a Alemanha.

Sim, pois é. Sempre esse facto. E há a despedida de Low também. Obviamente, o treinador que tem vindo nos últimos vários anos à frente da seleção alemã. A Itália tem hoje um bom teste na abertura, sendo uma equipa hoje completamente diferente daquilo que era desde que Mancini, Roberto Mancini, assumiu o cargo. Eu só dou aqui um dado que me parece que é importante reter. Não sendo aquela formação tão cínica e defensiva que era, hoje é uma equipa muito mais virada para contextos ofensivos, uma equipa em 4-3-3, muito mais bem organizada e com excelentes jogadores também. Eu lembro que nos últimos oito jogos, não sendo a tal equipa defensiva, não sofreu golos. Isto é importante, nos últimos oito. E no tempo de Mancini, em 32 jogos, leva 23 vitórias, sete empates e duas derrotas, portanto, não tem nada a ver com aquela formação que não se qualificou para o Mundial de 2018. Portanto, é uma equipa completamente diversa. E atenção, tem frente à Turquia, que é uma formação muito emocional, com uma defesa muito forte, com transição, também é uma equipa que sai muito em transição, muito emocional, regula-se pouco, portanto é uma equipa muito expansiva, que pode ser bom ou mau, depende das situações de jogo, aí é muito mais controlada a formação italiana. Mas a verdade é esta, que a Itália tem, além da equipa, grandes intérpretes. E será um bom teste este jogo de abertura para ver o que é de facto, em grande competição, ao nível do campeonato, o que é esta Itália de Mancini. Vamos aguardar, até porque a partir de hoje temos muito que falar sobre o Campeonato Europeu e curiosamente nenhum de nós falou da Espanha. Vamos ver o que esta Espanha vale também. Parece que está descartada neste momento de qualquer favoritismo. Queria-vos propor aqui outro tema que tem a ver com um sócio do Benfica que meteu Luís Filipe Vieira em tribunal. Luís Vilar, continuamos com estes problemas do nosso futebol. Isto tem pernas para andar?

Olha, não sei se tem pernas para andar, mas há aqui alguns contornos que são engraçados. Primeiro, o sócio Jorge Matamoros, que foi quem interpôs esta ação no Tribunal da Comarca de Lisboa, fê-lo contra Luís Filipe Vieira, portanto não fez contra o Benfica, fê-lo contra Luís Filipe Vieira. Ele é um sócio com 27 anos, não deixa de ser cunhado do antigo candidato à presidência do Benfica, João Noronha Lopes, e fê-lo porque acha, e que tem provas, de que foram infringidos o artigo 44, nomeadamente o número 4, número 10, não interessa aqui, em que diz sucintamente que os membros dos órgãos sociais não podem estabelecer com o clube e sociedades que tenham participação relevante, relações comerciais. Portanto, aqui o que Jorge Matamoros diz é que Luís Filipe Vieira tem aqui um interesse entre a Promovalor, que é uma sua sociedade, e o Sport Lisboa e Benfica. Esta é uma suspeita de há muito tempo, e não é só com o Luís Filipe Vieira, é com todos os presidentes em geral. Aliás, eu sempre me questionei como é que uma sociedade anônima desportiva que tem 500 milhões de euros em ativos, que tem uma receita de 300 milhões de euros ao ano, tem um administrador que não tem ordenado. Isto faz muita confusão, muito sinceramente, como é que o administrador de uma empresa destas não tem ordenado? E há muitas suspeitas em trocas de empreitadas por transferências de jogadores, clubes que acabam por conseguir a transferência de jogadores com ofertas mais baixas. Isto é uma suspeita de long time, não é de agora. Agora, há uma forte diferença entre o que é uma suspeita O que é um facto e o que é um terceiro aspecto, que é o mais importante, que é um facto comprovado, e é isso que tem que fazer. O que me espanta, Júlio, e vou já passar a palavra no meio disto tudo, é que quem vem em defesa é a direção do Benfica, não é o Luís Filipe Vieira. Quer dizer, se quando a Promovalor vai ao Parlamento falar sobre a dívida que tem ao BES, parece que quem lá está é o presidente do Benfica, agora, quando o Luís Filipe Vieira é acusado, quem o defende é a direção do Benfica. Eu acho que isto começa a ser estratégico, portanto, eu fico pasmado, sobretudo com o comunicado em que a direção do Sport Lisboa e Benfica está profundamente indignada com mais um atentado à dignidade da instituição. Não foi contra a instituição, foi contra Luís Filipe Vieira, que é diferente, e espanta-me que seja a direção a sair em defesa, porque é a Mesa da Assembleia Geral que tem interesse que sejam garantidos os estatutos. Portanto, no mínimo, o que se esperava é que a Mesa da Assembleia Geral viesse a ter curiosidade e interesse em perceber que provas tem este sócio de 27 anos, porque se as provas realmente se consubstanciam em alguma coisa, então os estatutos do Sport Lisboa e Benfica não estão a ser cumpridos. E essa é a principal missão da MAG, da Mesa da Assembleia Geral. Por isso, espanta-me que seja já de antemão e sem consulta prévia das provas, que a Mesa da Assembleia Geral, ou que neste caso a direção do clube, não é bem a mesma coisa, mas é quase, venha em defesa do cidadão Luís Filipe Vieira. Isso para mim é que é de pasmar.

Miguel.

Eu olhando para este caso, vou pegar aqui na expressão do Luís Vilar, que tem vários dados curiosos. O primeiro dado curioso que eu vejo aqui é o nome, Jorge Matamoros. Se não fosse divulgado que era cunhado do Noronha, eu diria que podia ser familiar do Pinto da Costa apenas por esse apelido e pela expressão tão imortalizada pelo presidente do Futebol Clube do Porto. Mas de facto, temos aqui algumas situações, e olhando para os estatutos do Benfica, temos aqui várias questões que podiam levar à saída do Luís Filipe Vieira, essa destituição, vamos dizer assim, porque o que nós temos neste caso é uma mistura entre impeachment e habeas corpus, ou seja, uma tentativa de impeachment ao Luís Filipe Vieira, através de um processo judicial, ou então um habeas corpus ao Benfica, porque Matamoros diz que esta ação judicial serve para libertar o Benfica, para deixar o Benfica livre dessa pena, que neste caso seria Luís Filipe Vieira. Portanto, é esse misto entre impeachment a Vieira e habeas corpus ao Benfica. Ele fala nesses benefícios em assuntos pessoais, fala em utilizar o dinheiro do Benfica para pagar a funcionários da Promovalor e até coloca em causa as últimas eleições. Jorge Matamoros diz que houve fraude no voto eletrónico, na forma como os votos foram contados, fala em votos que não foram contados. Portanto, toca aqui em várias questões, basicamente ataca em todas as frentes com esse objetivo de tirar Luís Filipe Vieira da liderança do Benfica. Parece-me bem que se procure seguir aquilo que são os estatutos dos clubes e a lei, mas, ao mesmo tempo, estamos a falar de situações que só surgem quando os clubes estão em má situação desportiva. Garantidamente, se o Benfica tivesse uma boa época, tenho quase certeza que não surgiriam casos destes.

Gabriel Alves.

Eu queria exatamente por esta parte final do Miguel. Por que isso não aconteceu, por exemplo, nas temporadas anteriores? Foi-se para eleições, por que isso não surgiu na altura, portanto, em que havia e podia ser motivo, até inclusivamente, de debate? De resto, o Luís também tocou que há aqui uma forma generalizada em termos de grupo, digamos, que eu penso que o futebol português tem que ser, naturalmente, retirado deste manto, porque isto não merecia, de forma nenhuma. Quanto ao mais, penso que sendo uma questão de justiça, que a justiça clarifique. Clarifique e esperemos que clarifique com rapidez, porque isto tem que ser clarificado a bem do futebol português, porque senão, naturalmente, eu penso que há presidentes que neste momento sorriem, há outros que se sentem mais descansados e até podem dizer: "Afinal não é só comigo."

Para fechar, temos que recordar aqui Neno. Luís Vilar.

Olha, causou-me uma tristeza muito grande, porque foi aquele dos guarda-redes que eu cresci a amar o futebol. Eu lembro-me do Vítor Baía no Futebol Clube do Porto, lembro-me do Ivković no Sporting, que foi assim que eu aprendi a amar o futebol, e lembro-me das brigas de Neno com Silvino, da boa disposição mais tarde de Neno na liderança dos balneários e dos clubes, nomeadamente o Vitória, e é com muita saudade e com muita pena que eu vejo esta notícia hoje.

Gabriel, 15 segundos, faz favor.

Choque completo. Era um homem muito forte no desporto, na posição que ocupava como guarda-redes e na sociedade. Era um homem que amava a vida e a sua profissão. Condolências à família.

Miguel Cordeiro.

Eu infelizmente não consegui ver Neno a jogar, por causa da minha juventude no que toca a esta questão. Recordo-me muito vagamente de o ver jogar já na fase final e, portanto, recordo Neno aqui como um homem do futebol, um homem que sabia estar no futebol, sempre com esse sorriso, um grande contador de histórias, cantor também, como fomos vendo. Condolências também à família e aos amigos. Um grande homem do futebol que faleceu.

Se vocês não se importarem, hoje então não vos peço notas. Concordamos todos em dar 20 valores a Neno, porque também representava muito do fair play no futebol que o Neno representava.

Absolutamente de acordo.

Vocês concordam?

Completamente de acordo.

Ok. Bom dia. Bom Campeonato Europeu. Assinam? Pronto, está assinado. 20 para o Neno neste fechar deste programa hoje. Até segunda-feira, bom fim de semana. Temos muito a falar do Europeu. Um grande abraço a todos e bom dia.

Grande abraço. Bom futebol.