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É dia de todas as decisões. Os sócios do Benfica decidem quem vai liderar os destinos do clube nos próximos quatro anos, mas o campeonato continua e hoje é a vez do Sporting jogar nos Açores frente ao Santa Clara. São dois dos temas em destaque nesta edição de "O Campeão É". Eu sou o João Costa e Silva e hoje tenho comigo o João Pinto, o Luís Pinto Coelho e também o Pedro Henriques. Vamos começar pelas eleições no Benfica, isto depois de um recorde de votação no dia 25 de outubro. A esta hora, Rui Costa, Mourinho e o plantel já votaram. João Pinto, começo por ti. Bom dia, adepto do Benfica aqui nesta edição de "O Campeão É". A esta hora já votaram mais do dobro do que na primeira volta, mais de 33 mil sócios. Podemos ainda, se calhar, ao longo deste programa, atualizar estes dados. Vamos ver se ainda chegam. Hoje vamos conhecer o novo presidente do Benfica. Falámos há quase duas semanas sobre esta adesão, se ia ser em maior escala ou não. Tu dizias que tinhas as tuas dúvidas. Olhando para estes números, acreditas que é possível, pelo menos, ultrapassar esse recorde do Barcelona e que está no Guinness? Isto porque o recorde do Benfica e dos 85 mil não consta nesse recorde. Não podemos falar de um recorde porque não foi eleito o presidente.

Olá, bom dia. Antes de mais, eu foco-me muito mais no conteúdo do que na forma. Portanto, acho que este tipo de recordes dizem pouco. São números giros, são coisas engraçadas, mas não me fazem levantar de manhã. Depois, em relação à decisão em si. Já estamos todos muito fartos de processos eleitorais em curso e portanto acho que está na hora de decidir, de escolher, de avançar e de acabarmos com este limbo de andarmos nesta conversa já há coisa de um ano. E depois, aí sim, quem for eleito, seja quem for, e quanto mais eleitor votarem, mais democrática é a eleição, e aí sim, nesse aspeto gosto muito que vá votar muita gente, pelos recordes. E quem for eleito, que se sente na cadeira, que comece a decidir, que não tenha medo dos fantasmas, que abra os armários todos e comece a tomar decisões e a gerir o clube pelo clube e não pelo processo eleitoral. Essa para mim vai ser a grande novidade no final do dia e aquilo que mais quero é realmente este assunto encerrado e vamos para a frente.

Nós falámos aqui muitas vezes das sondagens. Na primeira volta eram favoráveis a Noronha Lopes, depois o resultado foi diferente. O Rui Costa acabou por vencer na primeira volta, ainda que sem maioria absoluta, e daí estarmos nesta segunda volta. Segunda volta que já nos dá umas sondagens favoráveis a Rui Costa. Acreditas que esse é mesmo o desfecho mais provável para a longa noite de hoje?

A palavra provável obriga-me a dizer que sim. Acho que a probabilidade está do lado de Rui Costa. Acho que a probabilidade joga a favor de Rui Costa em todos os cenários. Há muito poucos cenários em que podemos ter Noronha Lopes como eleito. E não vi muitas sondagens, aquilo que eu acho é que o cenário de ver os eleitores do Noronha Lopes a voltarem em força e a conseguirem juntar mais eleitores de manteigas e deste e do outro e conseguirem eleger Noronha Lopes, acho muito difícil, acho mesmo quase impraticável. Mas depois, sabemos que temos aquela coisa dos 50 votos, três votos, 10 votos.

Que vem atrapalhar tudo, não é?

Que vem atrapalhar as contas todas e já fez isso na primeira volta. E tivemos um Benfica que perdeu com o Leverkusen, temos um Benfica que continua sem mostrar muita solidez na sua equipa de futebol masculina sénior e, portanto, isso tem sempre o seu impacto, mas acho que se a probabilidade não for uma batata, acho que sim, ganha o Rui Costa.

Luís Pinto Coelho, na tua opinião, o que está aqui em causa? O João Pinto colocou aqui uma questão em perspetiva, que é este desejo também frente ao Leverkusen, que vem aqui realçar a má campanha do Benfica na Champions, quatro jogos, quatro derrotas. O que está aqui em causa em termos de decisão e o que é que os sócios vão ter em conta para tomar uma decisão e votar em Noronha Lopes ou em Rui Costa?

Antes mais, bom dia. Eu acho que os sócios vão pelo mal menor, porque Rui Costa não mostra um grande trabalho, isso é inequívoco. Em quatro anos, quer os resultados desportivos, quer os próprios resultados financeiros não são muito bons. Mas eu acho que Noronha Lopes também não cativou, não convenceu, e por isso, entre o que já conhecem e uma incógnita, vão pelo que já conhecem, pelo mal menor. E eu acho que o Benfica nos próximos anos vai ter aqui, se calhar, alguma divisão e os que perderam vão estar sempre na expectativa de aqui e ali poder intervir e atacar a gestão do Rui Costa. As feridas ainda vão demorar a passar. Até se percebeu isso neste último debate, onde me parece que Rui Costa foi demasiado agressivo, ao contrário daquele outro debate em que foi Noronha Lopes que teve essa atitude. Agora Rui Costa parece-me agressivo demais e não tinha essa necessidade, porque tem algum conforto em termos da primeira volta.

Mas não pode ter sido uma estratégia, tendo em conta que Noronha Lopes está nesta posição em que é ele o candidato e Rui Costa é o presidente, de tentar também colá-lo a uma estratégia de é o Noronha Lopes que está ao ataque?

Sim, obviamente que foi uma estratégia da comunicação da campanha do Rui Costa, mas eu vendo de fora, parece-me que foi uma estratégia um bocadinho exagerada. Acho que passou o limite diversas vezes e eu até lançando aqui uma farpasinha, pareceu-me que foi um bocadinho em consequência das declarações do Villas-Boas para sair do bolso de Frederico Varandas e ele apareceu revigorado a atacar de todas as maneiras, a querer sair e a pôr-se um bocadinho em bicos de pés. Acho que foi um bocadinho contraproducente. Acho que não tinha essa necessidade. E depois aquele áudio que passou no final, ele agressivo para Noronha Lopes, aquilo se calhar não foi assim tão interessante para Rui Costa, mas não tenho dúvidas que vai ganhar as eleições.

Muito bem. Pedro Henriques, vou até ti. Rui Costa pode e deve sentir-se confortável com a reeleição, tendo em conta todos os bons indicadores que tem recebido ao longo destas últimas duas semanas e tendo em conta também, se calhar, esta postura que falava Luís Pinto Coelho no debate, se calhar de maior confiança e que lhe permitiu também ser mais agressivo com Noronha Lopes nesta fase final da campanha?

Bom dia. Bom dia. Eu acho que a questão principal é agora que o funil estreitou e tens dois candidatos entre o Rui Costa e aquilo que é a alternativa de Noronha Lopes, eu acho que obviamente que os votantes de Noronha Lopes vão votar no Noronha, os de Rui vão votar Rui, acho que não há aqui transição de eleitorado. A questão estava nos votantes de Mantegas e nos votantes de Luís Filipe Vieira. E relembrar que o Luís Filipe Vieira ficou à frente de Mantegas, mas teve menos votos. Foi depois a tal questão dos 50 pontos, dos 50 votos, etc.

Exato.

E esse é que podia ser o eleitorado, independentemente do que Mantegas disse, que é para Noronha, e que Luís Filipe Vieira disse que seria para Rui Costa. Independentemente disso, essa transição acho que é pouco provável que fosse toda massiva no sentido de ir para o Noronha, porque a alternativa acho que não parece boa. E acho que o Noronha Lopes perdeu-se numa fase inicial, isto é minha perspectiva de fora, em muitos ataques pessoais e muita agressividade. E eu acho que ele tem feito uma estratégia diferente, no meu ponto de vista, focado naquilo que seria o que é que pretende, o que é que não pretende, o que é que é futuro, etc. Podendo até apontar aquilo que não foi conseguido, mas não tentando personalizar tanto no Rui Costa. Ou seja, a dado momento, o que nos era dado a ver, era o Rui Costa e esteve bem quando disse: "Epa, é tudo Rui Costa". E em vez de personalizarem mais no que não ganhámos um campeonato, não fomos não sei o quê, a equipa não sei o quê ou dinheiro não sei o quê. Ou seja, falar exatamente naquilo que não estava bem, as pessoas a dado momento era Rui Costa. O Rui Costa é que era o culpado de tudo. E o que é que era o tudo? O tudo a malta nem se percebia. E, portanto, eu acho que a campanha de Noronha Lopes acabou por não ser uma boa alternativa, uma vez que ele está aqui a disputar em relação ao Rui Costa. E acho, não é uma questão só de sondagens, daquilo que a gente também tem vindo a ver, que o Rui Costa, não vou dizer que esteja confortável, porque isto eleições vale o que vale. Vale o que vale no sentido de darmos certezas absolutas.

Sim, as sondagens são o que são, porque na primeira volta davam vantagem a Noronha Lopes e quem venceu foi Rui Costa.

Sim, nós temos esses exemplos. Sim, nós temos esses exemplos da política com os partidos e tudo mais, que normalmente é olhar para as sondagens e dizer que olha, é assim, mas ao contrário. E portanto, às vezes isso nem sempre funciona, mas acho que neste caso concreto é muito Rui Costa. E termino só com isto, que é dizer o seguinte: espero que até para a própria nação benfiquista e para o próprio Benfica e para o próprio discurso de quem ganhar, provavelmente o Benfica vai entrar no Guinness, vai bater o recorde, mas o que é que interessa a um adepto? O verdadeiro adepto não pode estar focado, e por isso concordo com o João Pinto quando ele colocou esta questão daqui do Guinness. Acho que esqueçam lá isso. Isso pode ser uma consequência. Agora, o que interessa estarmos no Guinness, porque temos uma grande massa associativa e tal, por fora e depois tens quatro rotas nas Champions League. Isso não interessa, interessa é o conteúdo. És campeão, tens pontos, ganhas a taça, o basquetebol, vólei, mas sobretudo o futebol. Isso é que importa para os clubes, verdadeiramente. Isso é que é a verdadeira força. Claro, que depois os adeptos é uma parte importante. Agora, se o Benfica conseguir juntar, bater o recorde, os adeptos é massa associativa fortíssima e depois o resto dentro de campo, isso é que é importante, porque eu lembro-me de ter dito aqui qualquer coisa como isto. O Benfica tinha batido o recorde e depois foi jogar e depois era os campeões do mundo, porque tinham batido o recorde mundial, estavam na bancada e dentro de campo nem campeões nacionais estavam. E é isso que eu acho que tem que ser invertido, que é ter uma massa associativa, seja qual for, e o Benfica aqui tem uma força fantástica, como todos nós sabemos, da quantidade e do apoio, mas o que os associados querem é: "Epá, se calhar valia mais sermos só metade", desculpem a expressão, e depois termos a força toda dentro do campo e a ganhar. E é isso que o Benfica vai tentar.

E se fôssemos só metade, cabíamos todos no Marquês. Exatamente.

Pois. Não, e depois é esta a questão.

Para terminar, Pedro.

Para terminar, estas promessas todas que se fazem. É bom relembrar que não está só focado no próprio Benfica, pois há o Sporting e o Porto também sabem jogar e têm os seus trunfos, etc. E, portanto, por isso é que eu acho que estas campanhas foram todas muito mal feitas na perspectiva daquilo que devia ter sido feito e daquilo que devia ter sido relevado.

E é importante referir que esta sondagem que estou aqui a falar é da CNN Portugal, foi feita para a CNN Portugal e também para a TVI, e foi feita no dia do jogo entre o Benfica e o Bayer Leverkusen, antes de os adeptos conhecerem esse resultado final, que terminou com a quarta derrota do Benfica na Champions. Portanto, pode ter também aqui alguma influência. Vamos avançar, vamos continuar a dar destaque às eleições do Benfica aqui na Rádio Observador ao longo de todo o dia, mas vamos também falar do Santa Clara-Sporting, que acontece mais logo, com o relato aqui em direto na Rádio Observador, a partir das 20h30 da noite nos Açores. Luís Pinto Coelho, o Santa Clara teve um início de época difícil, também a conciliar aqui com a qualificação para a Liga Conferência, que falhou. Agora parece estar a afinar a estratégia e está aqui a meio da tabela classificativa. O Rui Borges fala numa equipa muito competitiva a jogar em casa. Vai conseguir criar problemas a este Sporting?

Penso que sim. Penso que pode criar alguns problemas ao Sporting. É uma equipa bem montada, que tem qualidade individual também. E o seu ponto forte, que é aquela transição ofensiva muito rápida, vai colidir se calhar com o ponto menos forte do Sporting, que é a transição defensiva, e aí pode criar alguns problemas. E depois o Sporting vem de um jogo europeu. Depois há uma viagem para os Açores, há um relvado pesado. Tudo isso pode ajudar a equilibrar o jogo. É um jogo que eu diria que é grau dois de dificuldade. Não é o grau máximo, mas é se calhar aqui um grau dois de dificuldade, fora, num terreno difícil, contra uma equipa que tem um bom treinador e tem qualidade no plantel.

João Pinto, o Vasco Matos garantiu que o Santa Clara vai jogar olhos nos olhos com o Sporting. Vamos ter um Santa Clara destemido para este embate e a querer surpreender em casa?

Não tem alternativa. O Santa Clara, quando joga o jogo do campeonato, quer ganhar, é o normal, mas acho que vai haver aqui mais armas que o Santa Clara vai ter do que aquelas que teria noutro dia qualquer. Realmente, a questão do jogo a meio da semana para o Sporting, um jogo muito competitivo que o Sporting teve, pode ter deixado mossa. O Sporting decide jogar ao sábado antes da paragem das seleções e isso pode realmente ter algum efeito perverso na disponibilidade física dos jogadores. Sabemos também que a questão do Sporting, daqueles três atrás do avançado, são jogadores muito rápidos, muito capazes tecnicamente, muito evoluídos, mas que dependem muito da condição física para ter essa mais-valia sobre os defesas. E, portanto, o Santa Clara teve a semana toda para preparar o jogo, teve a semana toda para acautelar os movimentos ofensivos do Sporting, que são, como todos sabemos, provavelmente os melhores do campeonato nacional a jogar contra defesas fechadas. Acho que o Santa Clara tem as suas hipóteses, tem realmente os seus méritos. Não está na melhor fase da época. Já esteve pior, já esteve melhor e agora está ali no meio, como tu disseste, mas acho que é um jogo difícil para o Sporting, se o Sporting não resolver rapidamente, porque depois a questão física entra na equação.

Vem de uma derrota frente ao Braga para a Taça da Liga e de uma derrota para o campeonato frente ao Gil Vicente por 1 x 0, mas já esteve pior. Foi um início difícil para o Santa Clara, que lá se conseguiu reerguer, está agora no meio da tabela. Pedro Henriques, vamos aos teus eleitos para hoje. E claro, quero também perceber o que é que esperas deste encontro de mais logo nos Açores. O Sporting com este jogo a meio da semana e agora hoje num terreno difícil, que é os Açores, pode realmente ter dificuldades?

Quando tu dizes, e quando eu também vou dizer, e como também já foi aqui dito, terreno difícil, não é por ser difícil por ser fora e porque a equipa em casa joga bem ou mal. Claro que isso também conta. É mesmo porque o terreno em si, o relva, é mesmo mau. Eu estreei-me na primeira liga no Santa Clara-Braga. Foi o meu primeiro jogo e já lá vão 25 anos. E o relvado já era mau e continua a ser. É a diferença entre termos as coisas camarárias, da junta de freguesia ou da câmara, e ter um relvado que é do próprio clube. E esse é um problema que o Santa Clara ainda não conseguiu resolver claramente. Portanto, aquilo não funciona. Não funciona sob o ponto de vista de qualidade e isso tem mesmo implicação, sobretudo quando as equipas que tecnicamente são mais evoluídas, e o Sporting é mais evoluído, como é o Benfica, como é o Porto, e que precisam de relvados em grandes condições, porque isso depois vai-lhes dificultar e vai beneficiar quem aparentemente ou pode ter menos posse de bola, ou vai estar numa posição mais defensiva e mais destrutiva, para construir é sempre mais difícil. E por isso vai ser um jogo difícil. Relativamente ao 11, eu acho que o Sporting não vai inventar nadinha e vai agarrar naquilo que tem de melhor e vai colocar aqui. Até por quê? Porque não há nada para gerir. A seguir é Pausa. E, portanto, Rui Silva, Vajani e Maxeruz nas alas, Diomande e Gonçalves nos centrais, Hjulmand com João Simões e depois atrás Luís Soares, o Kenda, o Trincão e o Pedro Gonçalves.

E vamos estar para esta emissão especial do Desporto contigo, Pedro Henriques, nos comentários, mas também com o João Castro e o Filipe Coelho. O relato é do Alexandre Luna Pais, desde Santa Clara-Sporting, com início marcado para as 20h30. A emissão especial aqui na Rádio Observador começa às 20h10. Queria deixar ainda aqui um destaque para o grande jogo de ontem entre Estoril e Arouca na Amoreira. O Estoril que, pelo segundo jogo consecutivo, marca quatro golos depois de ter goleado o Rio Ave na última jornada. Agora 4 x 3 frente ao Arouca. Um grande jogo a abrir a jornada 11 do campeonato. Não sei se algum de vocês quer deixar um comentário a este jogo, se viram ou não. Luís, João.

Até talho caminho. Era o meu campeão, era um dos meus campeões hoje.

Então podes avançar, vamos a isso.

Exatamente. Essa nota 18 para esse Estoril-Arouca. Quatro, três, um jogo com sete golos, 29 remates, muitos erros defensivos, é verdade, mas golos muito bonitos, belas jogadas. E não fossem as bancadas cobertas por panos, isso seria uma excelente propaganda para o futebol português. Portanto, sim, concordo contigo, um belo jogo para começar a jornada.

E são oito golos em dois jogos. Não deixa de ser interessante uma equipa como o Estoril ter esta capacidade de marcar tantos golos.

Sim, também é porque joga exposto e porque opta por ter um futebol ofensivo e tentar ganhar os jogos, mesmo sofrendo três golos querem marcar mais. Isso realmente é bom para quem vai à bancada. Se calhar não é muito bom para o treinador no dia que não decorra bem, mas para já ele tem demonstrado muita vontade, para não alinhar pelas palavras dele.

E fala muito bem português, o Yann Cariou.

Exatamente, e fala muito bem português. E uma nota 20 para o dia eleitoral do Benfica. Obviamente, que tudo corra muito bem, sem incidentes. Já houve um, mas espero que seja só o início de mais nada e que finalmente acabe o processo eleitoral em curso e comecem os dias de fazer e decidir.

Quanto ao incidente, referes-te à questão da suposta mensagem enviada pela candidatura do Rui Costa aos presidentes das casas de Benfica.

Já estamos com queixas daqui e dali, já estamos com queixas e vídeos. Não há dia de reflexão, há dias de confusão.

Exatamente. Luís Pinto de Coelho, não sei se queres falar também deste Estoril-Arouca. O Arouca é a pior defesa do campeonato, já leva 30 gols sofridos.

Sim, é um ponto fraco, obviamente, do Arouca, que é sempre um saco cheio em quase todos os jogos. Tem qualidade ofensiva, mas defensivamente a equipe está muito mal, mas foi uma bela jogatana. Acho que o Estoril é uma boa equipe, tem um bom treinador, tem bom plantel. É uma boa equipe e foi um bom começo de jornada, obviamente.

As tuas notas?

As minhas notas, eu vou dar dois 18 para dois atletas portugueses. Um 18 para o Neemias. Eu penso que o João Pinto, na semana passada, trouxe aqui também o Neemias, e eu queria voltar a trazer o Neemias, porque está a fazer um início de época brutal. Titularíssimo no Celtics, a impor-se com números incríveis e é já uma referência do desporto português. E depois também um 18 para o Francisco Cabral, o nosso tenista especialista na variante de pares, que esta semana vai ter mais uma final ATP e já é top 20 do mundo. Temos aqui um tenista que é dos melhores do mundo na variante de pares e quem sabe nos fazer sonhar, por exemplo, com uma medalha olímpica, ele também quando faz dupla com o Nuno Borges combina muito bem e está num momento de forma incrível, top 20 do mundo e vai subir esta semana. Tem aqui uma final também de um ATP 250, por isso também um 18 para ele, uma grande época do Francisco Cabral.

Bem, eu sou um privilegiado ao fim de semana, porque eu só recebo notas positivas da vossa parte. Pedro Henriques, não estragues isto.

Não, não estrago. E vou falar num aspecto que as pessoas ainda não se aperceberam e começou ontem logo no jogo do Estoril com o Arouca, mas se calhar vão se aperceber quando for o jogo do Sporting, depois do Benfica e do Porto. Os árbitros estão em protesto, obviamente, não estão a fazer greve. E uma das formas que têm de assinalar esse mesmo protesto é com algumas medidas. Por exemplo, uma hora antes há uma reunião técnica, a equipe de arbitragem só lá vai o quarto árbitro, portanto a equipe de arbitragem não vai lá. E quando o quarto árbitro for convidado a falar sobre aquilo que é a organização do jogo, ele não vai dizer absolutamente nada, isto não tem nada para dizer. Eles vão sair do balneário mais cedo, vão para o terreno do jogo, portanto não vão acompanhar, não vão subir com as equipes, não levam a bola do jogo. A bola do jogo fica lá no palanque. Isto, no fundo, é as equipes quando chegarem ali ao túnel, vão ter que se enrascar no sentido de ir lá ter com a equipe de arbitragem. Obviamente que isto é quase uma coisa simbólica, porque o impacto é relativamente nulo quanto ao jogo e à própria organização, porque depois são logo julgados na liga, mas de qualquer maneira a ideia é exigirem o tal agravamento das sanções disciplinares para todos os agentes, para que não perdure esse tal sentimento de impunidade, para quem usa os ataques aos árbitros como estratégia para tentar condicionar, pressionar ou coagir. Há aqui uma tentativa dos árbitros, para já, de forma mais simplificada, tentarem mostrar o seu desagrado quanto a esta situação que o futebol português neste momento está a acontecer e portanto eu neste aspecto vou dar uma nota 18, porque é importante também a equipe de arbitragem dar um sinal. Isto não tem nada a ver com aquilo que as pessoas vão para as redes sociais: "Ah, mas eles têm é que apitar bem e não expulsar nada". Não tem nada a ver com isso, tem a ver com estas pessoas, que são aquelas mesmas pessoas que não percebem que o futebol português não pode viver no momento em que está e no estado em que está com estes ataques, críticas e acho que, como eu costumo dizer, desculpem mas acho que está tudo maluco. A começar pelo debate do Benfica, o último debate, realmente, aqueles insultos e depois aquele microfone fechado, a começar por esta coisa que está acontecendo entre os três presidentes, de críticas e de guerras. Aliás, dia 6 de dezembro, se não estou em erro, vai ser a reunião de presidentes. Eu acho que não vai correr bem. Bem pelo contrário, a nível da liga. E, portanto, o reflexo disto pode ser o Porto, o Benfica, o Sporting. "Ah, perder, fomos prejudicados". Não, isto é prejudicar e rebentar com o futebol português. E acho bem que os árbitros também deem aqui um sinal, para além de treinarem e serem melhores e mais competentes, não está em questão, deem um sinal de que estão muito desagradados com esta situação. E atenção aos bancos técnicos este fim de semana, porque vai ser mesmo de tolerância zero para aquilo que são os cumprimentos que os árbitros muitas vezes vão deixando o bom senso. Acho que vai mesmo acabar o bom senso, que é para os bancos começarem a sentir que realmente a coisa não é fácil. E vejam o futebol clube do Porto pagou agora 10 mil e tal euros por uma série de multas por causa do último jogo.

Ficamos por aqui nesta edição de "O Campeão é". Amanhã estamos de regresso a partir das 11h30 e com muito para analisar. Um grande abraço a todos.