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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador. É mais uma edição de "E o Campeão É", com muitos temas em cima da mesa, desde as eleições no Benfica, a vitória épica de Abel Ferreira na Libertadores e o jogo de mais logo do Sporting. Para analisar estes temas, conto com a preciosa ajuda do Augusto Inácio, do Gabriel Alves e também do Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Hoje temos muitos temas para tratar e vamos desde logo começar a falar da vitória de Abel Ferreira. O Palmeiras deu a volta à eliminatória com o LDU de Quito, está na final dos Libertadores, tinha perdido por 3 x 0, venceu no Allianz Parque por 4 x 0, um jogo que certamente Abel Ferreira vai mais tarde recordar. Augusto Inácio, já ontem tinhas falado aqui de Abel Ferreira, devido aos cinco anos que o treinador português está no comando do Palmeiras, e ele agora mostrou mesmo que 90 minutos no Allianz Parque, a casa do Palmeiras, é mesmo muito tempo.
Boa tarde a todos. É verdade que o Abel já merece uma estátua no Palmeiras ou em qualquer outro clube brasileiro. Quem está há cinco anos num clube brasileiro é realmente um feito. E ontem eu estive a ver o jogo quase até às três da manhã, a ver este Palmeiras com o LDU Quito. E sinceramente, aquele piso, para quem não está habituado, tem algumas dificuldades, como foi o caso dos equatorianos, e o Abel conseguiu incutir na equipa uma capacidade mental de acreditar que era possível dar a volta ao marcador. O que é certo é que aquele gol, logo ao fechar a primeira parte, acho que foi fundamental para reverter a volta do marcador, porque o Abel e a equipa do Palmeiras estavam a ter dificuldades em entrar naquela defesa dos equatorianos. Diria eu também que as substituições resultaram em cheio. O Rafael Veiga foi realmente um jogador muito importante, mas há um jogador que se destacou ao longo do tempo todo. Alan, um médio ala direito, e ele partiu a loiça toda. Não sei se aquilo é sempre assim, mas o que é certo é que aquilo que ele jogou ontem, brincadeira, Deus do céu, aquilo dava gosto ver o homem e o menino com a bola no pé e ele desbaratar e por ali a fora e o pênalti que deu o quarto gol ao Palmeiras é realmente uma jogada fantástica dele sozinho contra o mundo e conseguiu realmente ajudar muito a sua equipa. Por isso o Palmeiras está, é a minha nota de campeão também, está na final da Libertadores mais uma vez, ao ponto de a Leila, em conferência de imprensa, não esconder as emoções. E a presidente do Palmeiras não esconder as emoções e foi dar os parabéns ao Abel em plena conferência de imprensa, tal a emoção que o Abel e o Palmeiras deram à sua torcida, como se costuma dizer lá no Brasil.
Avanti Palestra é também o grito de força do Palmeiras. Gabriel Alves, é destes jogos que se faz o futebol, ou não?
Felizmente que o futebol tem destes jogos. Naquilo que hoje é o futebol negócio, o futebol empresarial, e não podemos sair disso, porque é verdade, e a verdade é a realidade ou o concreto, há que ter este futebol, porque este é aquele que o meu povo gosta. E o futebol é povo. Esta é que é a verdade. Quer queira, quer não. Porque o negócio também é para o povo. As empresas investem no futebol, as marcas investem no futebol, porque há povo. Se não houvesse povo, não estavam lá. Em 2020, para Abel, trabalhar, ganhar, ajudar os jogadores a crescer era o lema quando chegou ao Brasil. 387 jogos. A épica reviravolta, porque ir de 0 x 3 para 4 x 0 é, na realidade, algo que fica. É a tal emoção que acabou por tomar conta do próprio Abel. E eu gosto muito de ver esta emoção a tomar conta do Abel, porque é assim. O Abel não é só treinador, não é um sofisticado, como há por aí alguns muito sofisticados. Não, é uma pessoa, é um homem. E foi pessoa, e foi homem, e foi vencido pela emoção. Ainda bem. Portanto, olha, Palmeiras e Flamengo, 29 de novembro, e vai ali o Palmeiras, depois de 99, 20 e 21, à procura da quarta.
Pedro Henriques, quero também ouvir-te sobre este tema antes de avançarmos para o debate entre candidatos à presidência do Benfica.
Eu não vou ser tão romântico, porque o Chelsea foi campeão do mundo, o outro final foi para o Paris Saint-Germain. A organização da Liga dos Campeões é uma coisa extraordinária. Claro que sobra muita emoção das bancadas e nesse aspeto os brasileiros são ímpares, mas dentro do campo, qual campo? Um relvado que a gente não percebe bem como é. Os jogadores que realmente mostram a este nível que são bons, mas o Richard Rios também, enfim, veio, faz umas coisas bonitas, mas demora a adaptar-se, etc. Portanto, há que pôr também no devido patamar que adversário é que era, que situação é que era, que futebol é que era. Portanto, eu sou um pouquinho crítico em relação a isso, porque acho que há coisas que não são comparáveis. Agora, a nível de emoção, claro que sim, é isso que a gente gosta. Qualquer pessoa não pode ficar indiferente às emoções que foram ali vividas e, sobretudo, à muita alegria que o povo brasileiro vive nas bancadas e que realmente são os adeptos ímpares nesse aspeto. Agora, a qualidade de futebol é o que é para a competição que é e, portanto, não há muito mais a dizer. Agora, parabéns ao Abel Ferreira. Parabéns, naturalmente, à capacidade que ele teve, sobretudo, de fazer uma coisa que foi aquilo que o Augusto Inácio disse, e o Augusto Inácio passou por lá na primeira pessoa, sabe quanto difícil é um treinador aguentar-se uma época, quanto mais cinco. Portanto, isto é um feito, realmente, que tem o mérito do Abel e dos seus pares, daqueles que o acompanham em termos de equipa técnica. Portanto, isso é os tais parabéns que nós temos dado, mas atenção à qualidade. Portanto, não vamos comparar o incomparável.
O que é certo é que o Palmeiras está na final da Taça Libertadores. Vai ser a terceira vez que a equipe de Abel Ferreira vai jogar esta competição, desde que Abel Ferreira se tornou treinador principal do Palmeiras. Vamos ainda falar no "E o Campeão É?" sobre-
Rafael.
Sim.
Queria só dar uma nota. Dá uma nota à pensa o que muito bem o Pedro acabou de dizer.
Tem que ser rápido.
Sim, somos rápidos. O Leonardo Jardim, que está no Brasil, um dia desses falou muito bem do que é que são as estruturas do futebol brasileiro. Tenho por ele o maior apreço. Não fica só: "Olha, estou aqui". Não, diz o que tem a dizer, é concreto, é objetivo, é pragmático e não fica ali naquele: "Isto é bom, a ver se vem uma boa indenização". Não. Assim eu não quero, é o que ele diz. Para Leonardo Jardim, também todo o apreço.
Olha, Gabriel Alves, aproveito e vou perguntar-te a ti sobre o debate entre candidatos à presidência do Benfica. Rui Costa e João Noronha Lopes estiveram frente a frente, começou morno, ferveu, teve ataques pessoais, arrefeceu, houve ainda um piscar de olho a Luís Filipe Vieira. Sentes que há um vencedor claro deste frente a frente?
Olha, eu pergunto, o Benfica não é uma empresa? Que quer ser uma empresa de futebol? Discutiram-se coisas que são, de facto, aquilo que é importante para uma empresa da dimensão do Benfica? Eu só quero lembrar aqui duas coisas. A primeira, por exemplo, o Real Madrid, que tem a dimensão que tem, que é de sócios. Esse ainda é de sócios. Vai ser posto à venda. Eu posso dizer assim desta forma, porque Florentino Pérez já disse que veio para investi-los. Portanto, o mundo está a mudar. E eu lembro que a UEFA, neste momento, está a iniciar negociações para o período de 2027 a 2033 com o C3, que é a joint venture entre a UEFA e a European Football Clubs, responsável por controle e gestão do marketing estratégico, tendo em vista, portanto, tudo aquilo que vai mudar no futebol em termos interregionais e, obviamente, no caso vertente, na Europa. E portanto, em relação aos direitos de transmissão televisiva, por exemplo, só diria que atualmente também estão em andamento negociações para os direitos de transmissão televisiva da Liga dos Campeões e de outros torneios da UEFA. A agência que agora inicia as negociações com as empresas também está a negociar a venda de direitos após ter conquistado a exclusividade do Team Martin. E depois fala aqui nisto. A UC3 lançou um concurso simultâneo, o primeiro deste género, nos cinco maiores mercados de comunicação social. Cinco maiores mercados de comunicação social: França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. Porque há duas gigantes do streaming, Netflix e Amazon, que vão entrar nisto. Onde é que está o futebol português a tratar disto? Onde é que está o maior clube português a tratar disto? Onde é que se fala disto? Não, fala-se daquilo que se ouviu ontem.
Augusto Inácio, quero também perguntar se sentes que há um vencedor claro neste debate ou nem por isso.
Olha, o Gabriel Alves estava a dizer daquilo que não se ouviu ontem. Eu não ouvi nada ontem. Eu só ouvi foram acusações, chores para um lado, chores para o outro, acusações às redes sociais. Enfim, não se discutiu Benfica, não se discutiu projetos, não se discutiu se há um novo estádio, se há obras no estádio, o que é que o Benfica pensa na parte financeira em relação ao futuro, o que é que o Benfica pensa das modalidades, se vai fazer um pavilhão novo, dois pavilhões, o que é que vai fazer no Seixal. Quer dizer, tudo coisas que iam interessar e que era interessante, não. Passou-se o tempo praticamente a fazer queixas nas redes sociais, "sou atacado" e "chamou a minha mãe para o debate" e "o vosso mandante também me atacou". Quer dizer, foi uma coisa confrangedora e sinceramente. Cada vez que o Noronha Lopes tentava dizer alguma coisa do Rui Costa e de atacar no sentido de provocar alguma reação, o Rui Costa tinha sempre duas pedras para lhe mandar a ele. E nesse aspecto, o Rui Costa ganhou.
Pedro Henriques, quero também saber a tua análise a este debate.
Olha, eu acho que teve mais qualidade os quatro jornalistas que cada uma das estações colocaram, que foram mesmo os jornalistas de topo, do que propriamente o debate em si, porque foi aquilo que foi aqui dito. O que era importante aqui era falar-se sobre o Benfica, sob o ponto de vista de, claro, não é dizer que querem ganhar e ser campeões, que isso qualquer presidente quer ser em qualquer clube. É, sobretudo, no sentido do projeto e como chegar lá, porque todos os adeptos do Benfica e todo o Benfica quer ser campeão. Agora, como é que pode lá chegar? E é isso que ficou aqui por discutir e muito da roupa suja. Eu acho que, e termino com isto, eu acho que o importante, porque as eleições ainda não estão fechadas, embora Rui Costa, obviamente, parte na frente. Quem votou Rui Costa vai votar Rui Costa, quem votou Noronha vai continuar a votar. A questão está nestes 25%, acho que se pode dizer assim, dos outros quatro candidatos, mas sobretudo do Luís Filipe Vieira e do Diogo Montanhas, entendendo daquilo que possa ser o sentido de voto de cada um deles, os adeptos podem não votar em função desse sentido de voto. E isso vai ser muito importante e decisivo, porque pode haver aqui uma ideia daqueles que não votaram em Rui Costa, quererem continuar a não votar em Rui Costa, passando esses votos para o Noronha Lopes, porque são aqueles que querem a mudança. E, portanto, eu acho que vai ser bastante interessante ver o resultado das eleições. Agora, termino. O debate teve muito pouco daquilo que era importante, que era discutir o Benfica e como chegar àquilo que todos eles querem, que é ser campeões.
Meus caros, temos de acelerar, o tempo está a começar a escassear. Temos ainda de falar deste Sporting alverca para o campeonato, encontro de mais logo. Augusto Inácio, estas duas equipas voltam a medir forças depois de um duelo para a Taça da Liga, que terminou com goleada por 5 x 1 a favor do Sporting. Este será um jogo muito diferente?
Com certeza que será, porque a Taça da Liga não tem nada a ver com o campeonato. Na Taça da Liga jogam os jogadores menos jogados, dão oportunidade a alguns jogadores da equipe A. B. O Xico também fez muitas mudanças, tem oito lesionados Isto é o jogo de campeonato, em que há pontos em disputa, não há apuramentos. O Alverca está numa situação não muito agradável. O Sporting quer se aproximar do Porto e, ganhando a escola, só o Porto, embora o Porto com um jogo a menos. Mas vai ser um jogo diferente, com certeza. O Sporting não pode estar a pensar no 5 x 0 que deu ao Alverca na Taça da Liga, que vai ser o mesmo no jogo de hoje, porque não vai ser, e o Sporting de certeza absoluta que está atento a isso e está precavido.
Gabriel Alves, rapidamente, que expectativas para este encontro de mais logo entre o Sporting e o Alverca?
São duas equipas em observação, o Sporting naquilo que é candidato ao título, saber qual é o ritmo que tem. Quanto ao Alverca, é saber, em função daquilo que tem vindo a fazer, se veio para ficar ou se veio para estar agora e voltar para onde estava.
Pedro Henriques, vamos também ouvir-te sobre este tema e vamos à tua aposta para o 11 do Sporting.
Sim, eu vou sobretudo falar do 11, porque quando comentaram o Sporting e Alverca da semana passada, da Taça da Liga, eu acertei em 10 dos 11 porque quis pôr o pote, porque o pote joga todos os dias e a toda hora. E quis pôr o pote, mas os outros acertei. Agora é muito fácil, é agarrar em todos os que jogaram, obviamente, e tirá-los fora, no bom sentido da palavra. E portanto, é agarrar em toda aquela equipa, que é a equipa principal, entre aspas, do Sporting neste momento, porque eu acho que os outros são mesmo reforços. Ruy Silva, o Fresneda e o Maxi nas alas, o Diomande a fazer central com o Gonçalo Inácio, João Simões com o Morten Hjulmand e depois Giann Catame, Francisco Tricão, Pedro Gonçalves nas costas do João Mário.
É a aposta do Pedro Henriques para o 11 do Sporting de mais logo. Meus caros, temos dois minutos para o final do programa, portanto, vamos às notas de campeões e aos campeões do dia e às notas de hoje. A começar pelo Augusto Inácio, sendo que há pouco já revelaste uma delas, que é para Abel Ferreira.
Sim, mas eu queria incluir aqui aquele que pareceu-me a mim que é um jovem que pode estar a despontar para ser falado no futebol mundial. Estou-me a referir ao Alan, um jogador que me impressionou muito, sinceramente. Vou seguir este jogador, vou estar atento à evolução deste jogador. Eu acho que não vai estar muito tempo no Palmeiras, mas é só para dar isto na Rádio Observador. Fixem este nome, Alan, do Palmeiras, grandíssimo jogador, na minha opinião, para já.
Gabriel Alves, vamos às suas notas e aos seus campeões.
Para Abel Ferreira, a minha nota por tudo, pelo trabalho efetuado e pela emoção, por ser homem, por ser pessoa. Deixo também para Leonardo Jardim, porque há dias. Portanto, dou 17, 18 ao Abel Ferreira, dou 17, 18 ao Leonardo Jardim, por circunstâncias diferentes, por ser frontal e dizer o que tem a dizer. E deixo aqui uma nota para preocupação. Os jogos das 15h00 na Primeira Liga Inglesa estão a sair, estão a partir. Era algo que era desde os anos 60, não podia haver jogos transmitidos às 15h00. Agora já, que era partir público nos estádios. Olha, o poder da comunicação audiovisual a ganhar. Vamos ver como é que o público reage.
Veremos sim, Gabriel Alves. E fechamos com as notas e com os campeões do Pedro Henriques em 30 segundos.
Sim, nota 10 para o debate ontem das eleições do Benfica, porque esperava que se fosse discutido realmente o como chegar aos objetivos e foi muitos ataques pessoais e acho que isso não ajudou. Nota 15 para o Abel Ferreira, porque está na semifinal, mas agora queremos todos que possa ser para 20, se efetivamente ganhar a final. E portanto, as minhas notas são estas duas aqui, com destaque então para o Abel Ferreira e para este bom feito que foi dar a volta realmente de 03 para o 3-0 para 4-3.
Muito obrigado, Gabriel Alves. Agradeço também ao Augusto Inácio e ao Pedro Henriques e o "Campeão" regressa amanhã à antena da Rádio Observador e fica como sempre disponível em podcast.