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Fim de semana de Taça de Portugal. Amanhã há duelo entre Benfica e Sporting, no Estádio do Jamor, 17h15. Vai ter acompanhamento em direto aqui na Rádio Observador. Fazemos a antevisão, até porque os treinadores estão a falar também neste final de manhã. Rui Borges já falou, Bruno Lage ainda vai falar aos jornalistas. João Castro, João Pinto, Luís Pinto Coelho e Pedro Henriques são o nosso painel de hoje. Eu sou Miguel Cordeiro, comigo está o João Costa e Silva.

Bom dia.

Bom dia a todos. João Castro, Rui Borges diz que quer acrescentar mais um troféu ao palmarés, pensa na dobradinha e diz que não quer colocar pressão na equipa, que é um jogo de 50-50. Vês da mesma forma, não há propriamente um favorito para este encontro?

Não, eu acho que não há um favorito. Sporting e Benfica na final, eu acho que nunca há favorito, mesmo quando há uma equipa que esteja numa época menos boa ou numa época que pode até ter ficado em segundo lugar, como aconteceu anteriormente. Acho que é uma final, e numa final tudo pode acontecer, Miguel. O ano passado o Sporting estava a dominar o jogo completamente contra o Porto, comete um erro e o Porto acaba por vencer a final. Portanto, acho que tudo pode acontecer, sobretudo num dérbi, numa final. Obviamente, o Sporting tem a questão de ter sido campeão, mas o Benfica tem toda a sua qualidade, todo o seu orgulho, todo o seu historial também a jogar. Acho que motivação há para os dois lados, o Benfica a querer se vingar e o Sporting a querer fazer a dobradinha e somar mais um título. Portanto, acho que não há aqui favoritos. Há realmente uma semana onde o Sporting descomprimiu um bocadinho mais. Eu acho que foi programado, tantas entrevistas, eu acho que foi para os jogadores relaxarem um bocado, porque sentiu muita pressão dos jogadores por causa do bicampeonato, que se sabia que estava na mão do Sporting na última jornada. Vamos ver que efeitos têm. Espero que tenha resultado e os jogadores entrem descontraídos, mas concentrados, que é diferente. E portanto, que o Sporting esteja com essa capacidade e com essa fome novamente de ganhar. Perante, obviamente, um grande adversário, que não vai deixar o Sporting jogar à vontade, não vai ser jogo fácil para ninguém. A questão é mesmo essa, não vai ser jogo fácil para ninguém, portanto é esperar um grande jogo, que não haja incidentes, sobretudo dentro e fora do campo, e esperar um bom espetáculo. Depois vai ser pormenores, detalhes, bolas paradas, atenção de um, erro do outro, maior pontaria de um, e vai-se acabar por decidir o vencedor muito nesses detalhes.

João Pinto, concordas? É 50-50.

É sempre. Benfica e Sporting é 50-50, quando começa e quando acaba. Depois a malta quando acaba, às vezes esquece e diz: "Era inaceitável perder este jogo." Não, era 50-50. Portanto, faz parte da equação. Agora, concordo, acho que entre a motivação do Sporting de ter sido campeão e algum relaxamento do Sporting de ter sido campeão, e a motivação do Benfica de querer ganhar a taça a quem lhe tirou o primeiro lugar do campeonato, e a desilusão de ter perdido o campeonato, entre esses quatro fatores, há de haver um equilíbrio qualquer e a resolução do jogo vai ter muito a ver com isso. Da maneira como as equipas entram, como estão psicologicamente, se estão com vontade ou não, ou se estão com mais vontade que o adversário. E acho que o princípio do jogo é sempre fundamental. Viu-se isso no jogo da Luz, o Benfica entrou com vontade, mas deixou fugir o Gyökeres e o Trincão resolveu o campeonato muito cedo, e o Benfica não pode cometer o mesmo erro. O Benfica tem que entrar muito concentrado, tem que perceber que o jogo tem 90 minutos e não tem 10, não tem 15. O jogo é diferente daquele jogo que foi na Luz e portanto, desta vez o empate não serve a ninguém e o Benfica tem que também jogar com isso.

Luís Pinto Coelho, adepto do Futebol Clube do Porto, fora destas lutas este ano. Consegues desempatar isto ou continua a ser 50-50 para ti?

Consigo desempatar. Não vou dar 50-50, vou dar 60-40 para o Sporting, porque me parece que o lado anímico aqui é tremendo. Embora possa haver alguma descontração durante a semana, mas quando a bola começar a rolar, os níveis de concentração vão estar lá, não tenho dúvidas. E o Benfica, primeiro aquele jogo no Estádio da Luz que não consegue vencer o Sporting, deixou marcas. Depois, vai a Braga e faz um mau jogo, por isso o ciclo não é positivo. O Sporting vem de um ciclo obviamente positivo, por isso dou aqui um certo favoritismo ao Sporting. Obviamente que é um jogo muito disputado e com muita qualidade de ambos os lados, com muito talento individual que pode resolver jogos a qualquer momento, mas acho que o Sporting aqui chega melhor ao jogo, mais confiante, principalmente, e o Benfica um bocadinho a duvidar de si próprio, por isso dou aqui algum favoritismo ao Sporting.

Pedro Henriques, tu também és conhecido pelas tuas previsões. Costumas acertar, muitas vezes. 50-50, 60-40, como Luís Pinto Coelho?

50-50, porque isto é a Taça de Portugal, é jogado num palco muito especial, mesmo para jogadores que possam não ter nascido em Portugal ou não ter estado aqui há muitos anos, percebem claramente que ao serem inseridos neste contexto. E quando digo não nascidos em Portugal, nesta perspectiva, não acompanhar a evolução do futebol português e estarem mais recentes aqui em Portugal. Mas rapidamente percebem o contexto daquilo que é, independentemente do Jamor ter ou não ter as tais condições de segurança, etc, o contexto deste estádio. Ouvimos falar aqui vários treinadores Bruno Lage e o próprio Rui Borges já tinham falado sobre isso, que é o jogo que tinha que ser ali. E tinha que ser ali por aquilo que representa para a carreira de qualquer pessoa que esteja inserida no contexto, neste caso não só de jogadores, não só de treinadores, inclusivamente de árbitros, e ontem o Luís Green também falou isso na conferência de imprensa que deu, ou sobretudo na entrevista que deu, que é a importância de ser naquele sítio, naquele espaço. E portanto, eu acho que isso entra mais em jogo do que propriamente, e não discordo daquilo que o Luís Pinto Coelho estava aqui a dizer, obviamente, que há aqui um elã mais positivo por parte do Sporting, que foi campeão, do que em relação ao Benfica, que até terminou com um jogo menos bem conseguido, se é que se pode dizer assim, em Braga. Mas isto na perspectiva de que é um jogo tão especial, com características tão especiais, que quando o árbitro apitar para iniciar, se calhar o ter sido campeão, não ter sido campeão, isso acaba por se desvanecer. O que pode acontecer é depois no contexto do jogo, e aí sim concordo, imaginemos que o Sporting começa a ganhar ou imaginemos que as coisas não estão a correr bem em termos de jogo jogado e se calhar uma equipa que não foi campeã fica sempre mais desconfiada dela própria, porque de repente começa a reviver algo que não correu bem várias vezes ou algumas vezes, ou pelo menos na parte final. A mesma coisa em relação ao contrário, que é o Sporting, mesmo que esteja perante uma situação de adversidade, eventualmente sentir, em termos psicológicos, fomos campeões, nós acabamos por dar a volta e aí sim, depois no contexto do jogo, pode vir ao de cima isso. Mas são equipas que se equivalem tanto, no meu ponto de vista, quer individual, quer coletivo, da qualidade dos jogadores, muitos deles e alguns deles, e o Benfica até nesse aspeto é tendo os campeões do mundo, passaram já por situações tão parecidas, do mesmo nível ou até de níveis superiores, que estão tão talhados, tão trabalhados e tão habituados a estes contextos, seja de ambiente, seja de adversidade, que eu acho que os tais detalhes, os tais pormenores e depois aquilo que às vezes pode acontecer no jogo, uma expulsão, um erro que é cometido, um atraso de bola ao guarda-redes, um guarda-redes falha e às vezes esses fatores acabam por vir ao de cima. Agora vai ser um jogo difícil, concordo com o João Pinto. Eu acho que vai ser um jogo dificílimo, não sei se foi João Pinto, se foi João Castro isso que disse. Vai ser um jogo dificílimo para as duas equipas, embora às vezes no final disto até possa haver uma equipa que de repente ganha de 3 a 0. Nunca se sabe, mas vai ser um jogo tremendo e dificílimo para as duas equipas e vamos ver se sim, se estes quatro fatores que o João Pinto aqui elencou, o que é que aqui vai prevalecer. Descompressão às vezes é bom, tiras o foco, descontrais, estás positivo, ou se realmente o adversário que esteve a viver aqueles sete dias seguidos para ali, se calhar isso vem ao de cima, se a parte física se ressente, se não se ressente. Enfim, vamos ver o que é que vai acontecer. Foram abordagens diferentes, mas isso tinha que ser, porque o Sporting, tendo sido campeão, tinha que fazer isto que fez, se o Benfica era a mesma coisa. Vamos ver o que é que vem ao de cima, mas estou convicto, muito honestamente, que neste jogo, embora às vezes técnico e taticamente não seja o jogo mais bonito do mundo, que vai ser um jogo ao nível das emoções, um jogo muito forte. E termino com isto: espero que depois destes não sei quantos anos, desde 1995 ou 96, que houve aqueles problemas que nós sabemos e que depois nunca mais houve um Benfica-Sporting, espero que realmente o que se passe no exterior seja festa, como a Taça de Portugal tem que ser, com os churrascos, não sei quê, com aquelas coisas todas. Alguém vai sair feliz, alguém vai ficar triste, mas estou com alguma preocupação em relação ao ambiente externo, não das pessoas, 90% delas lá vão, mas daquele nicho pequenino que há sempre.

Aquela minoria ruidosa.

Minoria que vai lá só para o gargalo.

Muito bem. Amanhã temos esta final da Taça. Vamos dedicar também a edição de "E o Campeão É?" deste domingo em 100% à Taça de Portugal. Vamos já seguir às nossas notas. Só falar aqui muito rapidamente do campeão italiano, Luís Pinto de Coelho, o que te pareceu este Nápoles? Conseguiu a vitória, o Inter também venceu, mas o Nápoles estava à frente por um ponto e é campeão com 82 pontos, o Inter fica com 81. O que te parece deste desfecho que coloca também McTominay como o melhor jogador da Série A?

Sim, eu gosto. Eu prefiro sempre as equipas do Sul de Itália do que do Norte, por isso prefiro sempre o Nápoles ao Inter e fico contente. Acho que é justo, acho que o Antonio Conte é um treinador vitorioso e por onde passa vai deixando sempre a sua marca. Se calhar agora vai sair do Nápoles, vai para outra equipa, volta à Juventus e se calhar a Juventus vai voltar a lutar pelo título, mas acho que é inteiramente justo. Embora o Inter também, eu acho que o desgaste das competições europeias e da Liga dos Campeões ao mais alto nível, acolá deixou a sua marca e perdeu ali um ou outro ponto que foi fulcral. Mas acho que é uma vitória inteiramente justa do Nápoles, que é apenas o quarto título do Nápoles. O que é muito revelador também do quanto é difícil as equipas do Sul de Itália serem campeãs, porque o dinheiro abunda no Norte, na Juventus, no Inter, no Milan, por isso muito mérito para o Nápoles.

Temos de acelerar. A conferência de Bruno Lage já seguirá à 13h30 e temos 30 segundos para cada para notas e campeões do dia. Luís Pinto Coelho, podes já avançar.

Sim, vou dar ao Nápoles, obviamente, um 20 para o Nápoles e para o Antonio Conte, que vai deixando a sua marca por onde passa. E é um treinador que não fica muito tempo nos clubes, mas deixa sempre a sua marca e os seus títulos no palmarés.

João Castro?

A minha nota era também para o Antonio Conte, nota 20, por tantos campeonatos em Itália, realmente um excelente treinador e fico contente do Luís Pinto Coelho dizer que gosta mais de clubes do Sul do que do Norte. Temos que retirar esse áudio e guardá-lo.

Em Portugal é o contrário.

É, sei.

Vai isolar essa parte. Gosto mais de clubes do Sul do que do Norte. Vamos isolar.

Vamos tirar a parte de Itália nessa afirmação. João Pinto.

A minha nota ia ser o Nápoles, ia ser o Antonio Conte, e até ia ser a declaração do Luís, mas já me roubaram isso tudo e, portanto, vou ter que dar aqui a nota para a antevisão da final da Taça, para todo este burburinho que há à volta, para todos os amigos que se vão juntando e vão metendo a cerveja no congelador à espera desse dia de amanhã e dessa bela tarde de futebol.

Pedro Henriques, fechamos desse lado.

Sim, a minha nota de campeão, nota 17 para a final da Women's Champions League, a final da Liga dos Campeões é hoje às 19h, em Lisboa, em Alvalade. Com esta questão, para além da árbitra, que é croata, vamos ter um português, é o Tiago Martins, que é o vídeo-árbitro desta equipa de arbitragem, que vai ter um fim de semana em grande, hoje na final da Taça da Champions League e amanhã como vídeo-árbitro do Benfica-Sporting. E portanto, acho que também estamos de parabéns em termos de arbitragem por termos um vídeo-árbitro nesta competição internacional e estou muito expectante para este jogo também.

E Pedro, aqui respeito nenhum, o homem tem que estar em frente à televisão e nem descansa 72 horas. Acho que é um bocado abusado. Temos de chamar a ACT. Muito bem, está feita esta edição de "E o Campeão É?", estamos de regresso amanhã para fazer essa antevisão da Taça de Portugal. Benfica e Sporting medem forças amanhã às 12h15. Há relato em direto aqui na Rádio Observador.