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Pulmão e coração, terá sido este o segredo da Argentina. Venceu ontem a Inglaterra. Está definida a final deste Mundial 2026. Será um Espanha-Argentina no próximo domingo e com emissão especial aqui na Rádio Observador. Na batalha de ontem com a Inglaterra, a Argentina virou de novo uma desvantagem. Esteve a perder por 1 x 0, fechou a partida com 2 x 1 aos 92 minutos, gol decisivo de Lautaro Martínez. Vamos analisar esta partida e também outros assuntos que marcam a atualidade desportiva com Augusto Inácio, Gabriel Alves, João Pinto e Pedro Henriques. Eu sou o Nélson Ferreira. Muito boa tarde, campeões. Augusto Inácio, foi de coração que a Argentina levou de vencida esta Inglaterra. Muita agressividade neste jogo, foi uma autêntica batalha.
Boa tarde a todos. Aquilo foi mais que um jogo de futebol, levou para ali outras coisas que não deviam ter sido levadas em conta. De qualquer das maneiras, o coração e a alma dos argentinos não é novidade para ninguém, porque sempre foram assim e vão continuar a ser. A mim o que me estranhou foi quando uma equipe se coloca em vantagem, parece que fica temerosa. E foi aquilo que aconteceu. A Inglaterra faz 1 x 0 e depois em vez de continuar a fazer o seu jogo, talvez com outra estratégia, talvez um pouquinho defensiva no sentido de recuar um pouquinho mais as linhas, mas ter bola, procurar o segundo gol, procurar ir à frente, viu-se completamente uma Inglaterra com mais centrais. Houve um momento que jogou com quatro centrais e a defender. E claro que isso deu o mote para que os argentinos assaltassem realmente aquela baliza, com Messi a ser o mestre de tudo aquilo. Fez um jogo fantástico, extraordinário, mas diria que a Inglaterra deu tudo para a Argentina poder empatar o jogo e inclusivamente ganhar, foi o que aconteceu. E se nós repararmos, quando a Argentina faz o 2 x 1, a Inglaterra já tirou o outro central, depois colocou mais dois avançados, a coisa ficou um pouquinho mais equilibrada e já se viu uma Inglaterra a jogar um pouquinho mais à frente. Isto para dizer o quê? Eu tenho esta expressão que gosto muito de dizer: não tenhas medo de perder o jogo, mas também não tenhas medo de o ganhar. E o que é certo é que a Inglaterra teve medo de perder o jogo e quando se tem medo de perder o jogo, perdes mesmo.
Gabriel Alves, Thomas Tuchel foi muito criticado por essas substituições que efetuou. Também respondeu depois em conferência de imprensa dizendo que depois de o jogo acabar, há milhões de treinadores. Pode ter estado aqui a culpa desta derrota da Inglaterra. Mexeu de fato mal Thomas Tuchel?
Boa tarde. Eu peço para fazer aqui uma pergunta ao nosso amigo João Pinto e ao Pedro Henriques, se os espinhos estavam fresquinhos, se estavam bons, se estavam saborosos.
Tudo incrível.
O Malbec colheita 87, que eu deliciei-me com ele, estava fantástico, um néctar dos néctares, colheita de 87, produção Messi. Quanto às bebidas inglesas, eu acho que o alemão terá que ir fazer um curso para barman. Porque obviamente, acho que aquilo tudo que o Augusto acabou de referir está correto, porque tão cedo colocar quatro centrais para defender um magro 1 x 0, obviamente que é a meio caminho andado para, quando nós aqui tantas vezes dizemos, aqui no nosso futebol indígena, nas equipes menores, que quando estão a jogar contra aquelas que são maiores, que põem cá atrás seis defesas, cinco, etc. Que depois aquilo não ressalta, mas às vezes colhe, outras vezes não, mas depois acabam sempre por no último minuto, no último segundo, na compensação as equipes grandes por fazer o gol que lhes vale os três pontos. Portanto, é o futebolzinho, digamos assim. Foi aquilo que a Inglaterra naturalmente ontem acabou por fazer, um futebolzinho que não é digno de candidato a título do mundo. A Argentina, pelo contrário, e eu vou dar aqui uma coisa que acho que é interessante. Lafuente, que é o treinador espanhol, e Scaloni, que é o treinador da equipe argentina, e Lafuente foi professor de Scaloni, é preciso dizer isso.
Há 10 anos.
Sim, evidente. Mas ambos partilham um princípio, que eu acho que é importante, a importância de gerir o futebolista e o grupo, e o futebolista no grupo, para lá da tática. E a verdade é esta: a Argentina ontem mostrou também saber gerir o grupo, saber gerir o futebolista. E não é por acaso que não tendo sido nunca titular, ontem Giuliano apareceu a titular. Apareceu por quê? Porque foi preciso abrir. Há muito jogo interior da Argentina. E a Argentina ontem trouxe qualquer coisa de novo, trouxe uma gestão diferente, um jogo com mais exterior. E a verdade é esta, isto em relação a perder por 1 x 0, a Argentina foi buscar ao banco as soluções que tinha, geriu as soluções que tinha. Obviamente, depois tem, é evidente, aquele senhor chamado Lionel Messi, que tanta gente diz: "Está lá na MLS, aquilo é o futebol americano, aquilo é não sei o quê". Fala-se muito de bola. Quando chega a hora do futebol, está lá Messi. E Messi ontem deu uma lição, de fato, enorme. E a Argentina de grupo, de gestão, como o grupo se gere. Já tinha falado nisso aqui há um tempo. Messi está com o grupo, o grupo está todo com o Messi. E agora é assim, só para rematar. Aquelas duas assistências para os dois gols de Messi, devem fazer parte da aula de cursos de treinadores Porque, de facto, Messi, uma lição, quer no primeiro, quer no segundo gol. A forma como rebentou, é a palavra, rebentou com a trenca posta por um tal de Torrel. Olha, já a apelidado de cobarde deve estar a caminho do despedimento.
Vamos a isso. João Pinto, queria também a tua opinião.
Vamos a isso, João Pinto, com o despedimento? Calma.
Calma.
Não vou ser eu.
Tinha uma pergunta.
Está a saber a um pai.
Tinha uma pergunta para te fazer, não sei se é um pouco da bolha. Estamos na Europa, estamos em Portugal e levamos um bocadinho com esta ideia na imprensa. Parecia que havia um mundo a torcer muito mais por Inglaterra do que Argentina. Não convence este futebol da Argentina, parecia que já estava tudo a torcer por Inglaterra precisamente porque a Argentina vinha numa sequência de virar resultados, de ganhar já perto do final, mas isso faz deste futebol menos interessante do que o de Inglaterra?
Eu acho que a Argentina é uma seleção que normalmente toda a gente simpatiza. A questão foi que a Argentina começou a ter muito colinho, começou a ser muito beneficiada por arbitragem e isso obviamente vira o jogo e vira as preferências. E ontem vimos um Enzo a dar uma cotovelada e a passar em claro, depois vimos um Enzo a fazer uma falta em que não tenta chegar à bola e a passar em claro, e na primeira vez que tocaram no Messi foi logo amarelo. Esse tipo de atuação é que tem virado as pessoas, e ontem a favor da Inglaterra, também se notava muito isso. Agora, que depois o grande culpado acaba por ser o treinador, o selecionador inglês, sim, obviamente. A Argentina tinha que fazer pela vida, fez, teve muita arte, conseguiu fazê-lo, virou o jogo lá dentro, teve muito futebol e Inglaterra acobardou-se, fechou-se cá atrás e não conseguiu. Com o Rashford, com o Saka, com jogadores fabulosos no banco, ele olhou para trás e mete as Torres de Londres todas e aquilo depois correu mal. Acho que sim, que estava muita gente a torcer pra Inglaterra por causa desse efeito arbitragens, mas acho que ficamos todos convencidos que ontem quem merecia ganhar foi a Argentina.
Pedro Henriques, foi um jogo bastante durinho, o árbitro teve muito trabalho. Globalmente esteve bem, na tua opinião, nesta arbitragem desta meia-final?
Ora, bom dia. Antes de começar por aí, porque pra mim há coisas que faltam por dizer. Faltam por dizer no sentido da minha opinião, não quer dizer que isso seja muito importante, mas depois dos 55 minutos do gol do Gordon, até o minuto 90 mais dois, vocês já sabem que eu gosto de números. A Inglaterra teve 12% de posse de bola. A gente sabe que não é por teres posse de bola que ganhas os jogos, mas uma seleção que marca um gol a uma equipa e que depois tem 12% de posse de bola, e não estamos a falar nos últimos cinco minutos ou 10, porque aí a gente podia entender, como diz o João Pinto, que se metesse as Torres de Londres, porque faltavam cinco minutos ou 10. Não, é ao minuto 55. Isso é só surreal. E portanto, pôr o foco nas questões da arbitragem, quando tens um selecionador que fez as substituições que fez, eu acho que é só estúpido, independentemente dos erros que possam acontecer. E é por colocar os erros na arbitragem em algumas situações com razão e outras não, e são muitas as que não, em que quando eu vejo as pessoas a dizer: "O jogador no jogo passado saltou os placares publicitários, foi comemorar com os adeptos, tinha que ver amarelo". É só quem não sabe as leis, isso não é verdade. Já acabou. Era assim, mas já acabou. Para já, podes comemorar o gol fora do campo e só levas amarelo quando saltas os painéis publicitários e comoras com os adeptos, ou vais comemorar com os adeptos, ou trepas vedações, quando elas existem, quando daí resultam problemas de segurança, tipo vais fazer isso com os adeptos adversários, de repente começam a mandarem-se cadeiras e coisas afins, ou há um tumulto porque as pessoas a comemorarem o gol contigo e a segurança é posta em causa e vem por ali meio de pessoas e levam com mais outras pessoas. Aí é que levas amarelo. E é por causa desta narrativa em que eu vi na internet malta a pôr linhas a dizer que o Messi está fora de jogo. Meus amigos, já nem são os assistentes que fazem os fora de jogo, é a inteligência artificial. A malta não sabe que os assistentes agora têm uma coisa no ouvido que se o fora de jogo for acima de 10 centímetros, a inteligência artificial dispara offside, e se for entre zero e 10 centímetros, diz delay, que é pro assistente deixar ir até o fim. E o árbitro assistente depois deixa ir até o fim, depois faz a interpretação, se é fora de jogo ou não. Já nem sequer é o árbitro assistente que levanta a bandeirola. Eu ainda vejo jogadores a reclamar com o assistente quando é ou não é fora de jogo, vejo malta a pôr linhas na internet e é esta cultura estúpida de se tentar cavar em cima de erros, que também houve, que é colinho e é arbitragem, que os argentinos estão, como é que se diz? Mel na sopa, uma coisa assim qualquer. Ou seja, por quê? Porque é exatamente o que aconteceu com Portugal no Euro 2006. Joguem bem ou joguem mal, interessava é trazer a taça pra Portugal. E isto dá ânimo, isto dá energia, sobretudo em culturas como é a portuguesa ou como é a argentina.
Os latinos.
O que é que ganhou? Ganhou a garra, ganhou a atitude, ganhou a postura, ganhou a vontade, o acreditar. Se calhar, pôs muito mais coração do que se calhar até a organização. E depois, obviamente, os erros também cometidos, como já foi aqui falado. Há uma coisa, e termino com isto, que dou razão ao selecionador inglês. E vou pôr aqui uma frase que eu gosto muito, que é: durante 90 minutos, milhões de pessoas sabem exatamente o que um treinador deve fazer, mas essas mesmas pessoas passam anos sem decidir o que fazem com o resto da sua vida e com os pormenores da sua vida. E, portanto, é um bocadinho isso. Toda a gente faz o Totoloto, depois à segunda-feira. É lógico que houve erros, ele tem que os assumir, provavelmente não vai continuar à frente da seleção, mas realmente ontem, se há uma coisa que fica certa é: a Argentina mereceu claramente ganhar e a Inglaterra tem grande parte de culpa naquilo que foi a vitória da Argentina.
Sem dúvida, parece claro para todos. Tinha aqui dois assuntos que marcam também a atualidade, mas os quais não vamos ter grande tempo para abordar. O regresso de Cardoso Varela ao Futebol Clube do Porto O caso de um atleta que, entre aspas, desertou e que foi agora recuperado. E há também esta notícia do fim do Boavista. Não fez o pagamento aos credores e terá que encerrar todas as atividades. Augusto Inácio, avanço contigo e com a tua nota de campeão, se quiseres dar um lá mire a algum destes assuntos que está também a marcar a atualidade desportiva.
Claramente que vou dar nota zero a toda esta situação que o Boavista está a passar. Eu joguei no Futebol Clube do Porto durante muitos anos, vivi no Porto durante 31 anos e sempre tive aquela simpatia pelo Boavista, porque é um clube, entre aspas, de bairro, mas muito honesto, muito correto, considerado inclusivamente o quarto grande e foi campeão com o Jaime Pacheco em 2000, 2001.
Um dos cinco campeões nacionais.
Exatamente. E é uma pena ver, como outros grandes clubes também, os Belenenses, os Salgueiros, Académica. Mas o Boavista, porque eu esperava que o Boavista resolvesse os seus problemas e acabou por não resolver e deixa-me realmente muito triste.
Tens nota?
Nota zero para quem foi o culpado do Boavista chegar a este ponto. Não sei quem, mas para quem foram os culpados, nota zero. E queria dar nota 18 para a Argentina, em especial para o Lionel Messi. Ele aparece neste mundial de uma forma que eu diria mesmo que se ele não estivesse em campo, a Argentina não se estava à volta a muitos dos jogos que deu. E o Messi é realmente aquele diferenciado, que marca a diferença e que demonstra realmente uma frescura para aquela idade que ele tem e a envolvência do jogo que ele tem, que marca realmente a diferença. Nota 18 também para o Lionel Messi.
Gabriel, vamos ao teu campeão.
Olha, cinco para Bellingham. Eu sou um torcedor do Bellingham, mas ontem não.
Fechou o jogo com o Caldu, são adversários.
Exatamente, e pela sua exposição. Não gostei, cinco para Bellingham. Entretanto, dou 20 ao Lautar. De facto, há uma entrevista no final do jogo. Muito pouco futebol, mas muita humanidade. Muita humanidade fantástica. E realmente o futebol também tem...
São lentos.
Ou se fosse as pessoas, porque além do jogador, ele é pessoa. Quero dar aqui também uma nota, pelo menos 18 ao Messi, obviamente. E queria dar aqui uma nota interessante e chamar a atenção para aquilo que não foi feito a finalíssima entre a Argentina e a Espanha, porque uma era campeã da Europa, outra campeã da Copa América. Olha, às vezes escreve-se direito por linhas tortas e aqui está. E não sei se é estas questões da FIFA e da UEFA. A UEFA e a FIFA parece que não se entendem. Naturalmente, é uma situação que é muito desagradável. Mas olha, eu vou continuar com o meu Malbec, porque me sabe realmente muito bem. E como dizia um amigo espanhol ontem, com quem falava à noite, vamos ter no domingo um confronto entre Argentina e Espanha, vamos ter um confronto entre uma seleção e uma equipa.
Vamos ter também acompanhamento aqui ao segundo na Rádio Observador. João Pinto, o teu campeão de hoje?
O campeão de hoje é o jogo de terceiros e quartos lugares entre Inglaterra e França, no sábado. Nós que estamos na mediania e que gostamos das coisas meio cheias, vamos nos divertir a ver um jogo extraordinário entre uma Inglaterra triste e uma França cabisbaixa. E portanto, vamos a isso.
Parecia um fado. Só faltava começares a cantar um fadinho, João Pinto.
É que realmente esse jogo é...
Esse jogo é uma tristeza.
É um jogo um bocado triste, realmente. Aliás, devia-se acabar com isso, mas ao mesmo tempo é preciso classificar para os seis lugares, etc. Mas é um jogo um bocado triste.
Pedro, o teu campeão.
Sim, o meu campeão tem a ver exatamente com aquilo que já se prevê que possa vir a ser a final do mundial, só para reflexão, e nota claramente. Não sei se dou negativa. Dou um nove, um 10, não sei bem. Bilhetes do mundial para a final, entre 6.130 a 34.100 euros, portanto, na especulação. Está barato. E depois esta coisa extraordinária, que é o intervalo da final do mundial, vai ter 30 minutos e vão cantar o hino nacional americano.
E vai ter Justin Bieber e outros artistas.
Me faziam isso antes do início, porque eles não podem interferir naquilo que é exatamente o que está preconizado nas leis de jogo, que o intervalo não deve exceder os 15 minutos. Isto é regras da FIFA. Bem, eu acho extraordinário aquilo que é, no fundo, o Trump. Adoro que ele tenha--
Vais dizer que é só estúpido.
Não, exatamente. Eu adoro que ele tenha sempre uma opinião sobre tudo, e sobretudo sobre regras de futebol, que ele finge compreender e que percebe, mas realmente é algo extraordinário como é que a FIFA permite adulterar uma coisa que está escrito nas leis de jogo e que nem sequer é a organização que decide. É extraordinário, realmente é só estúpido. Tenho mesmo que dar nota negativa, nota nove, como a FIFA se pôs aos pés, neste caso, e nem sei se é da América, é mesmo do Donald Trump.
É de Trump. Fechamos a edição de hoje de "O Campeão é Amanhã". Estamos de regresso depois do Jornal da Uma.