O Papa Leão XIV votou nas eleições intercalares dos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro, através de um boletim enviado pelo correio para Chicago, cidade onde nasceu. É a primeira vez que há registo de um Papa em funções a participar numa eleição política.

A confirmação foi feita esta sexta-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé, depois de vários meios de comunicação norte-americanos terem noticiado a participação eleitoral do sumo pontífice. Segundo o Vaticano, Leão XIV “exerceu o seu direito de voto enquanto cidadão dos Estados Unidos sempre que teve oportunidade”, incluindo durante os anos em que viveu no Peru, onde trabalhou como missionário.

“O Santo Padre manifesta a sua convicção de que os cidadãos têm o direito e o dever de participar nos processos democráticos”, acrescentou a Santa Sé.

Antes de ser eleito Papa, em maio de 2025, Leão XIV era conhecido como Robert Prevost. O pedido para receber o boletim de voto por correspondência terá sido feito a 3 de outubro, com o registo de uma morada em New Lenox, no estado de Illinois.

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A votação aconteceu numa altura em que o líder católico tem vindo a recuperar de uma intervenção cirúrgica para remover um tumor cancerígeno no pulmão direito. Leão XIV recebeu alta hospitalar a 17 de outubro e tem retomado gradualmente as suas atividades.

O voto do Papa surge também num contexto de divergências públicas com o Presidente norte-americano, Donald Trump. Os dois têm trocado críticas, nomeadamente devido às políticas de imigração da administração norte-americana, que Leão XIV já classificou como “desumanas“.

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Este ano, Trump também criticou o pontífice pelas suas posições sobre a guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irão, chamando-lhe “fraco no combate ao crime” e “terrível em política externa“. O Presidente norte-americano chegou ainda a afirmar que Leão XIV só tinha sido eleito Papa por Trump estar na Casa Branca. Em resposta, o pontífice disse que não tinha “medo” do chefe de Estado norte-americano.