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Ao intervalo da eliminatória entre Sporting e Arsenal na Liga dos Campeões, quartos de final, o Sporting está a perder por 1 x 0. Resistiu 90 minutos frente ao líder do Campeonato Inglês, mas depois um gol, já no período de desconto, colocou o Arsenal em vantagem. Está a vencer por 1 x 0. É tema em destaque nesta edição de "E o Campeão é". Eu sou o Miguel Cordeiro, vou estar à conversa com o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Gabriel Alves, o Sporting resistiu, lutou, tentou chegar ao gol, ameaçou várias vezes a baliza do Arsenal, mas acabou por sair derrotado. E é a primeira derrota do Sporting em casa nesta edição da Liga dos Campeões e continua sem vencer o Arsenal, tem apenas empates e derrotas. Ainda é possível sonhar para a segunda eliminatória e que avaliações fazes desta primeira mão?
Sonhar é sempre possível. É sempre possível, desde que haja competição, desde que haja jogo, que haja sociedade, que haja empenho e haja público que gosta e, naturalmente, o jogo joga-se na alma, como diz o Drummond de Andrade, poeta lusófono. Minuto 91 é um minuto que ensombra. E de fato, o Sporting teve no guarda-redes espanhol, com cinco defesas e duas excepcionais, eu diria, o seu principal obstáculo. De resto, foi uma equipa coesa, uma equipa compacta, que até deixou que o Arsenal dominasse o jogo, mas controlou. Esta é que é a grande verdade. E a verdade é que ao fim da primeira parte há duas bolas na barra, uma primeira do Sporting, a segunda da equipe britânica, e depois há as tais duas defesas cruciais do guarda-redes espanhol ao serviço do Arsenal. Eu vou dar estes dados que são importantes: de 466 milhões de euros, com uma média etária de 25,3, 13 estrangeiros, três internacionais, face a um Arsenal de mil milhões, 230 mil euros, com uma média etária um nada mais velha, 26,5, 17 estrangeiros, 21 internacionais, líder da principal liga europeia. Portanto, é um jogo muito interessante, muito tático, onde a equipe do Arsenal jogou muito naquilo que é exímia, que é nas bolas paradas, mas que o Sporting soube sempre defender, tirando a tal que foi à barra. Mas a verdade é que o Sporting, muito atento, trabalhou muito bem esta partida. Quero deixar aqui duas notas para dois jogadores. Uma é para Morita. Portanto, Gyökeres ontem não jogou, por motivos que sabemos, mas este asiático, que bom jogo fez. Excelente jogo. Eu diria: "Vai-se embora? Vai?" Bom, parece que sim. A verdade é que esta montra de ontem é muito boa para ele. Quanto a Maxi Araújo, mantém-se em cinco estrelas. Olha, o Ben White ainda deve estar com os olhos trocados. Mas que bem que o Araújo esteve. É, de fato, um jogador extremamente interessante. É verdade que este 0 x 0 é uma primeira parte, vai haver uma segunda parte em Londres. É a primeira derrota, como disseste, e bem, do Sporting em casa. É dolorosa esta derrota.
Na Champions.
Na Champions, obviamente. Estamos a falar da Champions. É dolorosa por aquilo que, de fato, o Sporting fez em cima da relva do seu estádio, mas é futebol. E é verdade que Kai Havertz, que é o alemão que entrou, que foi um jogador saído do banco, trouxe qualquer coisa de diferente ao jogo. E o Sporting falhou. Falhou, há ali um erro, o alemão aproveitou.
Augusto Inácio, estiveste nos comentários ontem aqui na Rádio Observador, no relato deste encontro, e foste deixando também alguns destaques. Já aqui algumas notas muito positivas no Sporting. O Gabriel Alves ainda agora falava de Morita, falámos também de Maxi Araújo, que faz uma bela exibição. E nós ontem comentávamos que este jogo parecia um pouco de xadrez, as duas equipes muito a jogar no esquema tático e naquilo que podia ser o erro do adversário. Pode nem sempre ser um jogo interessante de ver para o adepto, mas, de fato, foi um jogo com grande duelo tático e em que Rui Borges conseguiu, durante quase todo o jogo, anular as principais armas deste Arsenal, até as bolas paradas.
Boa tarde a todos. É verdade, não foi um jogo espetacular no sentido estético de vermos o futebol de uma baliza e da outra, mas taticamente foi um jogo rico. Eu diria que houve alternâncias no jogo, umas vezes o Arsenal por cima, outras vezes o Sporting por cima também. Faltou realmente depois, quando o Sporting estava ou apanhava aqui ou acolá em contrapé a equipe do Arsenal, maior definição, maior rapidez, mais incisivos nesse sentido. O Sporting aí não soube aproveitar. Mas o Sporting esteve muito bem, fez um grande jogo, na minha opinião. Nas bolas paradas, onde o Arsenal é muito forte, o Sporting esteve muito atento e esteve realmente muito concentrado. Diria que Diomande secou completamente o Gabriel Jesus, que podia ser o perigo do Arsenal. Mas o Arsenal está uma equipe resultadista, está uma equipe que joga mais. Não sei se foi por causa de levar o jogo pra Londres ou não, mas é uma equipe que já prefere não sofrer e tentar marcar. E ao contrário das equipes inglesas, normalmente têm os olhos na baliza do adversário. Foi muito calculista, foi muito resultadista, foi feliz porque o Sporting não teve aquela pontinha de sorte que às vezes é preciso ter naquele arremate do Maxi Araújo, que a bola foi à trave, ainda com o guarda-redes a tocar na bola. Mas a grande verdade é que depois o Arsenal também não pode ter pé de cana
A bola foi à trave também. Ou seja, aquilo foi tão dividido que a sensação que fica é que o empate seria o resultado mais justo, mas o Sporting acabou por perder. Soube aproveitar o Arsenal, porque foi ao banco buscar créditos que o Sporting não tinha no seu banco, por isto ou por aquilo, ou por lesões, ou porque não tinha essa qualidade. O que é certo é que o Sporting globalmente faz um grande jogo e não está nada fechado, porque o Sporting, se conseguir marcar em Londres primeiro do que o adversário, vai discutir a eliminatória.
Pedro Henriques, as tuas notas sobre este jogo em que o Sporting sai derrotado.
Cinco pontos de análise para mim, e complementando aquilo que já foi aqui dito e muito bem, começa exatamente por aquilo que tanto Gabriel Alves como Inácio falaram, que é o banco. E realmente eu acho que esteve no banco a solução deste jogo. O banco dos milhões, dos mil milhões, que faz toda a diferença, é aquele banco onde vem o carcanhol e que faz a diferença na qualidade, mas sobretudo no banco propriamente dito dos jogadores suplentes porque, por exemplo, o Gabriel Martinelli foi um deles que saltou do banco e acaba também por ser decisivo. E é aqui que faz a diferença muitas vezes, tal como o Sporting e o Porto fazem diferença em relação às outras equipes da nossa liga, quando vão ao banco e tentam ou mantêm mesmo a tal profundidade no sentido de manter a certa qualidade, fazendo a comparação com a nossa liga ou fazendo aqui a comparação com a Champions League. Isto, portanto, no ponto um. Ponto dois, obviamente que houve algum equilíbrio. O Sporting tem 44% de posse de bola, mas em pontapé de canto, três, quatro. O Sporting até rematou mais, 11, sete, depois depende ali do Chates, que há mais um remate ou outro que há de ser considerado. E em remates enquadrados até teve mais, cinco, quatro. Perdeu, naturalmente, na estatística mais importante que é as bolas que entram. Já foi aqui elogiado e muito bem o Marcus Edwards, sempre com esta nuance. O Sporting fez 11 faltas, o Marcus Edwards fez sete, com outro árbitro teria sido advertido porque infringia completamente as leis de jogo, mas isso não tendo sido ótimo, segue jogo. O Raya, que realmente foi superior, foi até considerado, para mim, não foi o homem do jogo, mas foi considerado o man of the match. O Diomande que, de certa forma, com aquelas tricas que vinham anteriores do Gyökeres, colocou o Gyökeres na linha, esqueceu-se da linha do fora de jogo, que foi ele. Se ele está para cima, bastava ele ter subido, o gol do Arsenal também já não contaria. Este é o se. Obviamente que o Gyökeres fez uma coisa importante. Percebia-se que tinha saído ali de uma forma um bocadinho conturbado e o Inácio esteve lá na primeira pessoa, testemunha isso, que é aquele momento final em que percebeu-se que ele quis lá ficar, tinha que ficar ali, tinha que falar, entre aspas, sem falar com os adeptos, com palmas. Eu acho que isso foi muito relevante e importante, e foi bonito para todos, quer para os adeptos do Sporting, quer para o próprio Gyökeres. E depois, os últimos dois pontos, para dizer a questão das bolas paradas do Arsenal. É lógico, o Arsenal é forte nas bolas paradas, mas não é nada forte, porque se fosse forte treinava bolas paradas sem faltas. Quem vê o Arsenal na Inglaterra marcar muitos gols, vê que a maior parte desses gols são todos em faltas e não há leis em Inglaterra e leis na Europa. A maior parte dos casos são bloqueios, obstruções com contato e cargas nos guarda-redes. Ainda ontem se viu isso acontecer. Portanto, as bolas paradas para serem bem trabalhadas têm que resultar em gols sem faltas. E eles cometem faltas praticamente em todos os lances de bola parada. Enfim, a Inglaterra resulta, depois na Europa não sei se vai resultar, porque os árbitros têm outra forma de apitar. E última situação, percebo o que diz o Rui Borges quando não tinha a tal profundidade que podia ter sido dada pelo Luís Guilherme ou pelo Kenda ou por outros jogadores que estão lesionados, mas há uma coisa que o Sporting podia ter ido buscar ao banco, que foi a frescura física. E eu acho que aí o Rui Borges, uma vez mais, não esteve bem, porque tendo o Eduardo Quaresma e sobretudo o Debasto no banco, naqueles minutos finais, já não se pode perder o jogo. E tem que se dar essa frescura que o Sporting não teve. Reparas como aquela bola entra ali no meio dos centrais, se calhar com outros jogadores lá dentro poderia ter feito a diferença. É aqui que eu acho que o Rui Borges, como treinador, tem que evoluir e melhorar, independentemente do banco que tem, porque sistematicamente não esgota as opções que tem e isso res sente, sobretudo, na questão física, na questão da frescura.
Apenas essas curtas mexidas de Rui Borges. Vamos ver como corre agora. Na próxima semana, dia 15, o Sporting joga com o Arsenal em Londres. Ainda ontem, Gabriel Alves, o Real Madrid perdeu com o Bayern de Munique em casa, 2x1, esteve a perder 2x0, mas depois conseguiu reduzir. O Bayern, de facto, apresenta aqui não é um tridente, são quatro os jogadores ali no ataque. São setas completamente apontadas a essa baliza do Real Madrid. E depois temos também Mbappé, que faz uma excelente exibição. Neuer também com várias defesas a impedir que o Real Madrid conseguisse mais gols. Mas pareceu muitas vezes que o Real Madrid tem Mbappé a remar contra a maré. De resto, é difícil lidar com este Bayern.
Olha, eu vi o jogo com muita atenção e agradou-me ver esse jogo. Foi um bom jogo. Mbappé leva o Real Madrid às costas. E portanto, são aqui dois potentados, em termos internacionais. Mas uma é uma equipe, que é a bávara, a germânica, o Bayern de Munique. A outra é um bando com estrelas e estatutos. E, portanto, a diferença. Um jogo onde o Bayern, se não relaxa, poderia ter goleado, mas relaxou a determinada altura. E o bando poderia, por seu turno, ter surpreendido a equipe bávara, não fosse um tal Herr Neuer. Quarenta anos, tantos para este futebolista, tantos não parece. Ele não é só bom entre os postes, não é só aquilo que ele faz na defesa com as mãos. Não, é aquilo que ele movimenta nas dinâmicas da equipa com o seu futebol, pés, o seu posicionamento, a sua ocupação de espaços onde tem que ocupar. Depois tem o Olisé, mas que futebolista de alta qualidade, que portento de jogador, dá gozo de ver jogar. Vulgarizou, pura e simplesmente, um tal de Carreras. Vulgarizou. Ricardo. Olha bem, dizia-se que estava desaparecido. Não, é preciso vê-lo jogar sem bola. É que ele não está desaparecido. Parece que está desaparecido. Ele mexe. É um futebolista que não sabemos se ele é 10, se ele é nove. Olha, é 10 quando é preciso e é nove quando é necessário. E ontem mostrou bem isso. Quanto ao Luís Dias O treinador com quem ele jogou no Liverpool ontem levou mais uma lição de bola e nada. Isto foi um bom jogo, mas é verdade dizer que o Bayern não é todo ouro. Tem uma defesa de vidro e vamos ver se o bando do Real Madrid e as suas estrelas não partem esse vidro em Munique. Certamente que o treinador e os jogadores hão de estar atentos a isso, porque R. Neuer é grande, mas ontem Mbappé acabou por fazer aquilo que é o seu papel, e de que maneira, e muito bem. Uma nota desacreditada para Vinicius, que de facto não é nada perante estes grandes jogadores e como estava com um árbitro que não era lá da Liga Espanhola, andava atrás do seu capitão Valverde para o Valverde ir reclamar ao árbitro. Tristeza.
Vamos ter também um jogo hoje de uma equipa portuguesa, o Sporting Braga joga com o Betis. Pedro Henriques, o que é que esperas deste encontro? Não sei se tens também um 11 provável para este Sporting Braga.
Tenho. Aliás, há uma certeza, infelizmente para o Braga, que é o Zalazar não poder jogar, assim como também não joga o Barísic. Eu acho que esta é a grande baixa. Relativamente ao Braga, eu acho que a eliminatória está em aberto e como disse o Ricardo Horta, o Betis é um dos favoritos à conquista desta Liga Europa, tal como nós, Braga, na opinião de Ricardo Horta. E acho que sim, acho que o Braga tem que apostar muito e também como disse, e foi dito por treinadores, não são 90, são 180 minutos e eu acho que esta eliminatória é muito disso. Em relação ao Braga, Horníček, Lagerthal, Niakaté, Pumbby, Vitor Gomes, Moutinho, Hreljac, Diego Rodrigues, Ricardo Horta, Paul Víctor e Gabriel Martins. Ou seja, não há uma grande diferença em relação ao último jogo apresentado em Moreira de Cónegos, sendo que o Zalazar é mesmo a grande ausência deste jogo.
Augusto Inácio, o que esperas deste jogo com o Sporting Braga? E aproveito também o embalo para te pedir o campeão do dia.
Em relação a este jogo do Sporting Braga com o Betis, eu vou-te dizer que vai ser um jogo muito dividido. O Braga tem uma equipa extraordinária, mas o Pellegrini, que é treinador do Betis há muitos anos, conheci-o como treinador do Villarreal há uns anos atrás também. Diria que monta muito bem as suas equipas e está muito identificado com esta equipa do Betis, que tal e qual como foi dito, são candidatos a ganhar esta competição, mas é jogos divididos, é imprevisível de saber o resultado, embora eu gostasse muito que o Braga ganhasse e vou já dar nota 20 para o Braga, que ganhe sempre, que as equipas portuguesas ganhem sempre, que é sempre a minha nota que eu dou, mas também queria dar nota 20 aos adeptos do Sporting e ao Gyökeres. Ontem foi realmente um momento sublime. Foi realmente o Gyökeres que ficou lá no relvado quando acabou o jogo, a aplaudir os adeptos, os adeptos a aplaudir a ele. É assim que tinha que ser e fiquei muito feliz, muito contente mesmo com esta receção, pelo menos na saída, quando acabou o jogo. E o Sporting tinha perdido o jogo e mesmo assim o Gyökeres foi ovacionado. Ainda bem que foi assim. Nota 20 para os adeptos do Sporting e para o Gyökeres também.
E nós vimos também no estádio, eu estava ao teu lado, esse aplauso para Viktor Gyökeres. Gabriel Alves, campeão do dia.
O meu 20 vai já para essa conjugação Gyökeres, povo do Sporting, povo do Sporting, Gyökeres. E quem adoraria, adorava, estava já com o guião para fazer uma novela, teve que a pôr no lixo, porque viu dignidade, respeito, sociedade profissional que se recomenda, em que o futebol é um bom divulgador. Muito bem, 20 para o povo do Sporting, 20 para Gyökeres. Quero deixar aqui também uma nota alta a este Olise. Eu estou doido com este jogador. É fabuloso. Eu não vou dar nada, vou esperar para continuar a ver, depois tenho que lhes dar distinção, certamente. E quero deixar aqui uma nota forte para, queremos que o Braga, obviamente é nosso e que se bem frente ao Betis. Eu fiz o último jogo com o espanhol do Betis. Não está tão bem como já esteve, mas não dá para falar disso agora. Só quero deixar aqui uma nota para o dérbi hoje da Champions entre o Barcelona e o Atlético de Madrid, este dérbi Flick-Simeone. Eu não me admirava nada que o Simeone ganhasse o jogo.
Um clássico do futebol espanhol entre o Atlético de Madrid e o Barcelona. Pedro Henriques, para fechar.
Sim, nota 20, por um lado, para a memória do senhor Formação, Aurélio Pereira, faz um ano que faleceu e ao mesmo tempo que perdemos o Mircea Lucescu, o tal lendário treinador romeno que morreu aos 80 anos. E portanto, para estes legados que ficam, cada um com as suas características e personalidade, nota 20, porque é destes grandes homens que o futebol também foi e é feito, e há de sempre ser feito.
Está feita esta edição de "E o Campeão É...".