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Está em andamento o encontro entre Portugal e México, Mundial de Sub-17, no Qatar. Está zero a zero. O jogo segue com 12 minutos. Vamos falar desta participação portuguesa neste Mundial de Sub-17. Tem corrido bem até agora. Vamos ver como corre este encontro dos oitavos de final. E acontece num dia em que foi anunciado que Cristiano Ronaldo e Donald Trump vão estar na mesma sala, na Casa Branca. Encontro entre o presidente dos Estados Unidos da América e o capitão da seleção portuguesa. Vai acontecer esta tarde. São temas em destaque nesta edição de "E o Campeão É". Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo estão o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Bem-vindos. Gabriel Alves, vamos começar pela seleção de Sub-17, porque acaba de ser assinalado grande penalidade para Portugal, minuto 13. Tem sido uma boa participação de Portugal nesta competição. Agora vamos ter uma grande penalidade, mas estamos nos oitavos de final, entramos já na situação de mata-mata, já tinha sido assim no jogo anterior. E tem sido uma boa prestação destes rapazes.

Uma boa prestação, campeã da Europa, no mata-mata afastou a Bélgica por 2 a 1, segunda do grupo B, atrás do Japão. Equipa de talentos, uma equipa de promissores jogadores, que obviamente em competição vai crescer. Mas não vai chegar só o crescimento ao nível de seleção. Estes futebolistas que vêm de clubes, esta juventude tem que ter espaço, porque se não tiver espaço, fica só. Fica só esta história dos campeonatos, que fica no museu da federação, fica no nosso museu que gostamos de futebol. Mas eles têm que ter espaço para jogarem nos seus clubes, no futebol, naquilo que são as competições nacionais, e depois crescerem para chegarem ao topo das competições internacionais, para lá destas seleções jovens, que são muito importantes, são traves mestras para o seu desenvolvimento. Mas é preciso mais, e é preciso que haja uma cultura desportiva e um plano desportivo nesse sentido.

Augusto Inácio, tens acompanhado também esta participação portuguesa neste mundial?

Tenho. Boa tarde. Tenho acompanhado. Portugal teve duas vitórias, depois perdeu com o Japão por 2 a 0. Ganhou a Bélgica 2 a 1, tem a seu favor uma grande penalidade.

É isso mesmo, vai ser agora.

Vai ser agora.

Portugal vai ter uma grande penalidade. Estamos no minuto 15, México-Portugal. Um jogador português acabou por sair lesionado depois deste lance. Vai autorizar a marcação da grande penalidade. Camisola seis de Portugal, vai correr, vai bater e Portugal está na frente. Está na frente frente ao México e, portanto, Augusto Inácio, começa bem. Quintas marca este gol para Portugal.

Sim. Em relação ao valor da equipa, é escusado dizer, como o Gabriel Alves acabou de referir, há ali grandes talentos. A equipa parece que funciona como uma equipa também, que os talentos só para si não chega. Mas depois nós nas camadas jovens somos muito bons, realmente somos muito bons. Mas quando chega para o lado profissional, às vezes os clubes preferem olhar lá para fora e gastar bom dinheiro do que dar oportunidades a estes miúdos que têm muito valor. Eu acho que não é só uma cultura desportiva, acho que faz falta também coragem para que os nossos treinadores também apostem um pouco naquilo que são as mais-valias nestas camadas. E enquanto a gente olhar lá para fora e não olharmos cá para dentro, vamos desperdiçando talentos e depois o talento acaba por sair barato lá para fora e vende-se lá fora e depois é que se torce a orelha e diz: "Ei, afinal este jogador esteve nas nossas quadras e nós não soubemos aproveitar." É sempre assim, claramente que o jovem português é bom, mas precisa de continuidade, porque se não tiver continuidade, vamos só dizer: "Olha, foi bom quando tinha 17 anos. Falta o resto para ser ainda melhor."

Pedro Henriques, a tua opinião sobre esta participação de Portugal no Mundial Sub-17?

Sim, até agora tem corrido relativamente bem. Perdemos 2 a 1 com o Japão e ganhámos 2 a 1 à Bélgica, não presto ordem, e 6 a 0 a Marrocos. Aliás, foi assim que começámos. E agora entramos naquela fase do mata-mata e portanto a partir de agora os erros pagam-se caros, aquilo que todos nós sabemos nestes momentos. E aqui não basta olhar só para o ranking, olhar só para a seleção em si, porque sabemos que há seleções que ao nível das equipas A às vezes não são do topo, muitas vezes em sub-17, em sub-19, são equipas de altíssima qualidade e depois há sempre surpresas, sobretudo quando se misturam algumas equipas africanas, cujo nestas idades a parte física conta muito ainda. E a altura, o peso, tudo isso conta muito em relação a criar desníveis numas equipas com as outras. Hoje em dia a FIFA já tem isso mais ou menos regulamentado, estão ainda aparecendo aqueles jovens de 17 anos que já foram pais há 10, mas isso são outros pormenores que às vezes ainda acontecem em provas deste nível. De qualquer maneira, Portugal neste momento está na frente, o gol do benfiquista Rafael Quintas, de pontapé de pênalti, é uma seleção que eu acho que tem todas as hipóteses. Eu sou defensor da formação, mas também não sou defensor acérrimo da formação como sendo a resolução para todas as questões. E basta pôr jovens a jogar na nossa Liga 2 e percebem que claramente estarão a lutar normalmente para não descer de divisão, porque são ligas muito competitivas em que a experiência conta muito e portanto tem que haver aqui uma mistura. Quem tem talento, não tem idade, como eu costumo dizer, mas a experiência também conta. De qualquer maneira, é uma seleção que tem aqui jovens valores e oxalá alguns deles, porque jogam nos principais clubes, tenham espaço também nas principais equipas, mas não é preciso também queimar etapas, porque quando queimamos etapas, às vezes estamos a prejudicar a carreira do jogador e portanto passar por sub-17, sub-19, as equipas B, isso tudo faz bem, faz parte do crescimento. Depois há um ou dois que eventualmente é realmente um fora de série, mesmo com 17 anos já pode jogar nas equipas A, mas isso é o não normal. O normal é não se queimar etapas e deixá-los percorrer essas etapas até chegar aos patamares mais elevados.

Esta tarde, na Casa Branca, Cristiano Ronaldo vai tornar-se o terceiro desportista português a ser recebido, Cristiano Lopes foi recebido na Casa Branca quando venceu a maratona nos Jogos Olímpicos de LA. También, Nani Infanta foi recebida em 2024 com a equipa dos Boston Celtics e agora Cristiano Ronaldo vai estar presente na Casa Branca esta tarde. Pedro Henriques, o que tens a dizer e se queres entrar na discussão que foi criada há umas semanas também por Cristiano Ronaldo sobre quem é mais conhecido.

É importante percebermos que o chefe de Estado americano vai receber o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. É neste contexto da representatividade da própria Arábia Saudita que aparece também o Cristiano Ronaldo. Ele não aparece lá por acaso. É lógico que ele, há pouco tempo, se calhar potenciou ainda esse encontro, porque uma pessoa como o Donald Trump está no topo do mundo em diversos aspectos, pelo bem e pelo mal, e vivem também de egos bastante inflamados. Quando alguém diz que é muito importante, como o Cristiano Ronaldo fez vários elogios em relação a Trump, isso chegou-lhe aos ouvidos e obviamente isso potenciou. Se o Cristiano Ronaldo tivesse um discurso tipo Mariana Mortágua, se calhar a coisa não iria correr bem, ele não iria ser recebido. Isto para dizer o quê? Para dizer que está aí uma potenciação para que essa recepção seja feita. Agora, vale o que vale, as pessoas olham para o lado negativo, porque o Trump é isso ou por aquilo, e porque o Cristiano Ronaldo não devia lá ir, por causa dos valores. O fato é que o Cristiano Ronaldo é talvez o português mais conhecido e mais famoso que nós temos no mundo, é galáctico, planetário. O Trump, quer queiramos quer não, pela nação que representa e por todo o contexto em que o mundo está, é também uma dessas pessoas famosas. E eu fico sempre feliz e orgulhoso quando os nossos portugueses se destacam, porque garantidamente se eu dissesse mal do Trump, ele não me iria receber. Por alguma razão é. Portanto, eu acho que estamos sempre a olhar para o Cristiano Ronaldo e tentar ver o lado menos bom, porque não foi ao Dragão, por isto e aquilo. Vejam o lado bom, aquilo que ele fez, aquilo que ele faz, aquilo que ele representa e aquilo que é a importância que ele tem no mundo. Isso é que pra mim é relevante e importante.

Gabriel Alves, o que esperas deste encontro?

Olha, eu começo por dizer que em 2018, Marcelo e Trump, presidente português e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, encontraram-se. E Trump nesse encontro chegou a evocar o nome de CR7. Porque pergunta de Ronald Trump a Marcelo, na altura, se CR7 poderia candidatar-se a presidente da República, ao que Marcelo Rebelo de Sousa retorquiu: "Portugal não é como os Estados Unidos da América." De fato, não. Mas a verdade é que Ronald Trump já tinha, portanto, conhecimento que existia um CR7, um Ronaldo, naquilo que era o âmbito do futebol. Por acaso, esse Cristiano Ronaldo é português, é do futebol português e, portanto, é da seleção nacional, tem espalhado futebol em Inglaterra, na Espanha, na Itália, agora na Arábia Saudita, e eu diria, através desses clubes e também, acima de tudo, pela sua seleção nacional pelo mundo todo. E obviamente que isso é a bandeira de Portugal que está ali, e isso é importante não escamotear, porque Ronald Trump é o presidente dos Estados Unidos. E não é de deixar de dizer que ainda há bem pouco tempo, também uma figura portuguesa na Europa deixou uma camisola, foi António Costa, de oferta, e está nas fotografias, a Ronald Trump. Portanto, aquilo que é Ronaldo tem interesse em conhecer Ronald Trump, eu penso que Ronald Trump também teria interesse, e tem interesse em conhecer Cristiano Ronaldo. E aí veremos depois o que é que sucede após este encontro. Quanto à questão da Arábia Saudita, se o príncipe da Arábia Saudita leva Ronaldo, é a consideração que tem por ele, obviamente, senão, provavelmente ou não levava ninguém, ou levava outro qualquer.

Sim. Ainda um outro tema, Augusto Inácio, gostaria de ouvir sobre isto, até pela tua experiência enquanto jogador. O caso Rafa Silva. Começa a ganhar aqui alguns contornos um pouco mais estranhos. Hoje, Rafa Silva não se apresentou no treino, na concentração, terá apontado para dores nas costas. O Besiktas quer que o jogador siga para o hospital para fazer análises, para confirmar tudo isto. Esta novela está a ficar feia entre o Besiktas e o Rafa Silva.

Onde é que eu já vi este filme? Deixa dizer que os jogadores, quando estão aqui no Campeonato Português e depois têm propostas para ganhar, acima de tudo, bom dinheiro, porque o Campeonato Turco não é melhor que o Campeonato Português. Para ganhar um bom dinheiro, e têm toda a razão, se quiserem optar por essa via, é natural que procuram a sua independência financeira em relação a um futuro. Mas depois de estarem nesse clube, neste caso o Rafa no Besiktas, depois já é aquele problema. Eu não sei quem tem razão ou quem não tem razão, mas há uma coisa que eu sei: o Rafa tem contrato com o Besiktas de três anos. E se o Rafa alega agora que o clube não está estável, já é o quarto treinador que tem, já é o terceiro presidente que tem, se foi prometida uma equipa pra lutar pelo título, para fazer figura nas competições europeias, tudo isso, isso não foi cumprido, o Rafa pode ter, se calhar, um outro modo de tentar mostrar a sua insatisfação do que com essas atitudes. Porque com essas atitudes, é evidente que cria-se um clima desconfortável. O Rafa é um jogador que os adeptos do Besiktas gostam, mas claramente quando começa a entrar por essas vias, até os próprios adeptos que gostam do Rafa vão ficar contra ele, porque há formas de tentar mostrar a sua insatisfação. O faltar ao treino ou não faltar ao treino, se há razões para isso ou sei, não sei. Agora, eu acho que pode haver aqui outro tipo de problemas. Não é só o problema desportivo, mas às vezes as pessoas não querem dizer, eu posso colocar na equação, não estou a dizer que é verdade ou que não é verdade, também alguns problemas particulares que se calhar ele não quer revelar E não sei se isso pode ser um fator de desestabilização mental em relação àquilo que o Rafa está a tentar fazer. Agora, enquanto o Rafa estiver sob contrato sob o Besiktas, o Rafa, como profissional, tem que cumprir com essas obrigações e depois resolver as coisas de uma outra forma. Esta, para mim, é a forma pior que pode acontecer.

Sim, e na praça pública, não é? A forma como está a acontecer tudo isto, com declarações ora do Besiktas, ora dos representantes de Rafa Silva. Vamos às nossas notas de campeão. Pedro Henriques, começo hoje por ti. Campeão do Dia.

Já que Portugal está a ganhar 1 x 0, não estava nas minhas previsões, mas vamos dar 15 porque as coisas estão a correr bem, mas ainda falta muito jogo, obviamente. Mas eu, por acaso, hoje o meu destaque, até foi um dos temas aqui, foi e é a questão do Cristiano Ronaldo, pelo fato de estar a ser recebido onde está neste momento a ser recebido, pois há já muita coisa de informação, até fazem comparações mentiras entre os títulos que o Cristiano Ronaldo ganhou, que resolveu 25 e depois o Trump não ganhou nenhum título, mas entretanto ele ganhou duas eleições e o Ronaldo não ganha nenhuma. Depois comparam os filhos, ambos têm cinco filhos, o Ronaldo tem 1,87 m, ele tem 1,88 m, então fazem comparações mentiras relativamente um ao outro. Mas o facto é que eu vou dar uma vez mais uma nota alta, pode ser 15, 16, não importa. Nota alta ao Cristiano Ronaldo por aquilo que ele sistematicamente representa. E estamos sistematicamente a falar quando é que está embora, e está a mais na seleção, isto e aquilo. Vão ter muitas saudades do Cristiano Ronaldo. Espero que ele depois, fora das quatro linhas, nos seus negócios, continue ligado ao desporto e sobretudo a Portugal, porque o Cristiano Ronaldo marcou claramente uma geração e é perceber que desde que ele está na seleção, nós não falhámos mais nenhum Europeu, não falhámos mais nenhum mundial e as coisas não são por acaso. Nota 16 ao Cristiano Ronaldo, por mais este episódio hoje, que não sendo assim muito relevante e importante, revela bem a sua relevância e importância para o país e no mundo.

Gabriel Alves.

Nota 18 para Ronaldo, pelas razões invocadas por Pedro Henriques. Mas eu vou dar aqui uma nota para reflexão. Nacional Futebol Liga, Liga Desportiva Profissional de Futebol Americano dos Estados Unidos, vista pelos americanos como uma celebração de cultura desportiva. Jogou-se o Commanders Dolphins no passado fim de semana no Santiago Bernabéu, que gerou impacto de 150 milhões de euros na capital, 90% ocupação hoteleira. Foi o primeiro jogo. Restaurantes, bares, na ordem das 21.078.610 pessoas no estádio assistiram. 42 mil turistas vieram para Madrid, vindos de vários países e obviamente dos Estados Unidos, também com grande impacto. Este impacto, 170 milhões de euros. Os ingressos eram entre 80 e os cinco mil euros. Munique em 2022, Londres em 2023, já havia havido no Brasil, tinha sido um grande impacto. Portanto, estejam atentos. E já agora, falemos do que é turismo desportivo. Estamos num país de turismo.

Sim, temos que avançar, Gabriel.

O turismo desportivo gerou mais de 8,3 bilhões de euros em 2024. Tome nota.

Augusto Inácio.

Nota cinco para este caso do Rafa, que realmente não dignifica nem a ele, nem ninguém. E por isso nota bastante negativa. Nota 20, como eu costumo dar sempre às equipas portuguesas, neste caso é a Seleção Nacional de sub 17, que por acaso está a ganhar 1 x 0, o jogo não acabou, mas já era uma nota de força, como eu costumo dar. E também nota 18 para o Cristiano Ronaldo. Mais uma vez, Cristiano Ronaldo leva a bandeira portuguesa às costas, vai estar na Casa Branca. E eu diria que para aqueles que só têm defeitos e que só veem defeitos no Cristiano Ronaldo, tomem lá mais este defeito. Coitado do rapaz, vai à Casa Branca. Nota 18 para o Cristiano Ronaldo. Parabéns.

Está feita esta edição de E o Campeão É. Atualizar o resultado, 28 minutos, México 0, Portugal 1, Mundial sub 17.