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Termina a paragem internacional, regressa o futebol de clubes. Em Portugal, vai regressar com a Taça para a semana. Há depois provas europeias e só a seguir é que vamos ter novamente o campeonato. São temas para abordar nesta edição do "O Campeão". Eu sou Miguel Cordeiro, comigo Augusto Inácio, Gabriel Alves, Pedro Henriques e Mariana Fernandes. A Taça de Portugal arranca já amanhã com a participação dos grandes. Estamos a falar da terceira ronda, já teve duas rondas esta Taça de Portugal, mas os clubes da primeira divisão entram agora e jogam todos fora. Amanhã temos o primeiro jogo, o Chaves-Benfica, com depois Sporting e Futebol Clube do Porto a jogarem no sábado, o Futebol Clube do Porto com o Celoricense, o Sporting com o Paços de Ferreira. Mariana Fernandes, são jogos de taça, jogam todos os grandes com equipas de escalões inferiores, sendo que Sporting e Benfica com clubes da segunda divisão, Futebol Clube do Porto com uma equipa de escalões ainda mais inferiores. Pode ser benéfico para os grandes que têm tido tanto desgaste ou têm se queixado de desgaste, de acumular jogos, poder jogar com equipas mais inferiores nesta fase, depois de uma paragem de seleções?
Sim, nesta fase em que não só existe esse desgaste acumulado e é muito complicado às vezes fazer uma certa rotação, porque parece que estão sempre a jogar três em três dias entre campeonato e competições europeias. Claro que ter aqui um jogo teoricamente mais acessível, teoricamente mais descomplicado, ajuda, neste caso, os três treinadores dos três grandes, a fazer alguma gestão e até jogadores que provavelmente foram às seleções, mesmo estando já inseridos no grupo de trabalho, mesmo estando já a trabalhar com a equipa, provavelmente continuarão a ser poupados. E estou a lembrar, por exemplo, do caso paradigmático Gonçalo Inácio. Parece-me óbvio que Rui Borges vai aproveitar para poupar Gonçalo Inácio, mesmo que Gonçalo Inácio esteja clinicamente apto digamos assim, para jogar contra o Paços Ferreira, não me parece que Gonçalo Inácio vai ser opção. E isto é um caso entre vários nas três equipas. Portanto, claro, acho que a começar já por José Mourinho amanhã, acho que vai aproveitar, não necessariamente para fazer uma revolução no 11, porque é sempre um jogo para ganhar e é sempre uma eliminatória que tem de ganhar, mas para poupar, obviamente, alguns dos jogadores mais utilizados, mais sobrecarregados e se calhar alguns daqueles que tiveram que fazer também viagens maiores para cumprir os jogos e os compromissos das respetivas seleções nacionais. São jogos que servem para isso. Agora, também já todos nós vimos, e é sempre aquela história de sempre, já todos nós vimos muito tomba gigantes por aí. Ou seja, muita equipa que aproveita isso, porque não tem nada a perder, nem Paços, nem Chaves. Têm nada a perder nestas eliminatórias e acabam por fazer aqui uma surpresa. Não me parece que nesta altura, nesta fase da temporada, principalmente, isso vai acontecer.
Muito bem. Augusto Inácio, é importante para esta gestão do desgaste dos plantéis que estão envolvidos em mais competições, mas é também o arranque de uma fase muito bonita e muito importante para estes clubes. Hora de segundo escalão, hora de escalões ainda mais inferiores, muito mais abaixo, poder estar em palcos onde dificilmente estariam.
Boa tarde a todos. É verdade o que estás a dizer, mas também não deixa de ser verdade que alguns dos clubes que têm esta magia de estar na taça, também não jogam nos seus estádios. Têm que jogar em outros estádios, porque os seus estádios não têm condições e isso até para o clube local e para as pessoas da terra, gostavam de jogar no seu estádio. Mas enfim, as condições são o que são e os clubes têm que optar por outros estádios. Agora, em relação à gestão. A gestão tem muito a ver com aquilo que os treinadores olham, veem e analisam em relação àquilo que foi a prestação dos seus jogadores, principalmente aqueles que estiveram na seleção. O Mourinho, por exemplo, disse que não ia poupar ninguém, porque ele entende que este jogo é um jogo difícil, que é um jogo complicado. Analisou o Chaves durante muito tempo, teve 15 dias para analisar o Chaves e segundo a sua ideia, o Chaves é uma boa equipa, que se jogasse na primeira liga, também não era muito diferente daqueles que jogam do meio da tabela para baixo, está dentro desse nível. E o Mourinho sabe o sofrimento que teve na Vila das Aves, onde ganhou com uma certa aflição. Diria que os jogos de taça são mesmo assim. As surpresas acontecem. E se me perguntares: "Mas quando eu era jogador ou quando eu era treinador, o que é que eu dizia os jogos da Taça?" Eu diria que eram sempre jogos muito complicados. E eu fui eliminado por adversários também muito mais fracos e fomos eliminados. Tem esta magia a taça, é verdade. Agora, a gestão, os treinadores é que sabem o que devem fazer. Em relação ao que a Mariana disse do Gonçalo Inácio, eu também acho que sim, que o Gonçalo Inácio, por exemplo, é um deles, que deve ser poupado pelo Rui Borges, conforme outros também. Mas como o jogo do Benfica é já de amanhã, estou a sintetizar isto aqui no Benfica, porque não me parece que o Mourinho vá dar oportunidade aos mais jovens. Não, atenção, é um jogo para ganhar e o jogo não é fácil.
Sim, até porque há muitos jovens que até poderiam estar aqui na porta do 11, como Schjelderup e Prestianni, por exemplo. Prestianni está fora e Schjelderup também teve jogos agora pela seleção e o desgaste também se vai acumulando a partir daí. Gabriel Alves, é óbvio que estamos aqui a falar de clubes de escalões inferiores, mas Chaves e Paços de Ferreira, apesar de serem de um escalão inferior, neste caso da segunda divisão, tanto o Chaves como o Paços de Ferreira, são clubes que não vão permitir uma rotação plena, pelo menos do Sporting e Benfica.
Boa tarde. São clubes que têm cultura de Primeira Liga, obviamente é essa a cultura. Agora estão abaixo, mas têm a cultura. De resto, a taça mexe na economia Economicamente, porque é importante para as regiões, para os clubes que recebem os grandes, os maiores mais, os médios um pouco menos, mas esta rotação, daí falar-se muito da festa da Taça. Agora, aqui um fator que foi já abordado e eu vou mexer nele. Esta questão dos três em três dias, todas as equipes ao nível da Europa que estão nos grandes torneios, que são candidatas a qualquer coisa de lugares, de títulos, de boa classificação, está-se sempre a falar nisso. Eu acho que tem que se falar, sim, mas de forma pragmática. E o pragmatismo me vem naquilo que os clubes, estando nesta condição, que se estruturem no sentido de estarem devidamente aptos, apetrechados para responder às necessidades. Porque eu olho ali pro lado, vejo o Barcelona cheio de jogadores lesionados. Olha-se pra Inglaterra, vê-se também em várias equipes essa situação. Olha-se pra Itália, pra França. Portanto, não podemos continuar a fazer disto um chorinho, três em três dias, ou é o árbitro, ou é o chorinho três em três dias. É óbvio que há, e já falamos aqui disso, e eu trouxe aqui um estudo aqui há umas duas semanas atrás, feitos em termos internacionais, com o desgaste das competições, que cada vez são mais para os futebolistas. Mas os clubes que se entendam, as federações que se entendam, que olhem para o assunto e se não dá, não dá. Se dá, apetrecha-se.
Pedro Henriques, a tua expectativa para esta Taça de Portugal, em que, para além dos grandes, claro, e destes jogos que vão ter neste fim de semana, há aqui também vários duelos interessantes e condições para algumas equipes poderem sonhar e chegar mais longe do que chegaram em anos anteriores.
Boa tarde. Eu iria sintetizar tudo aquilo que foi dito com três ou quatro ideias também e responder à tua pergunta. Em primeiro lugar, perceber que Paços de Ferreira não é igual a Chaves, nem Chaves é igual a Paços de Ferreira. Paços de Ferreira está em 16° lugar, marcou cinco gols e sofreu nove. O Chaves está em quarto, marcou 10 e sofreu cinco. Portanto, é um Chaves a lutar para subir, um Paços de Ferreira que está a lutar para não descer. E, portanto, nesta fase, embora precoce, o grau de dificuldade, em teoria, pode ser diferente. Claro, depois é a Taça de Portugal, as equipes ganham forças maiores quando, parte emocional, jogam contra um Benfica, contra um Sporting. Relembrar o seguinte em relação aos grandes nesta fase da Taça de Portugal: ganhar é absolutamente normal e ninguém lhes vai dar qualquer mérito, entre aspas. Perder é o caos e compromete completamente o resto da época e da temporada em termos emocionais e psicológicos. E se olharmos para um contexto muito específico, que é o Benfica, em vésperas de eleições, o Benfica ser eliminado pelo Chaves, ui, ui, aí teríamos um caos. Este jogo tem uma particularidade ainda maior por causa desses aspetos. Ganhar é normal e está tudo OK. Portanto, cuidado que se calhar essa Taça de Portugal pode ser complexa e mais complicada, porque estamos a falar de equipes do segundo escalão e o Chaves que está a fazer uma temporada muito boa. Relembremos que quase sempre, nem sempre, quando é as liguinhas, a equipe que vem do escalão abaixo ganha normalmente àquela que vem da liguilha do escalão acima. Por quê? Tem cultura de vitória, passou a época toda a ganhar, enquanto que os outros não. Aqui o contexto é diferente, mas o Chaves tem três vitórias, tem quatro empates, mas de qualquer maneira, tem uma cultura, neste momento, muito positiva, no sentido que está psicologicamente animado. Portanto, é um jogo de grau de dificuldade. Por isso, eu digo, rodar, dar oportunidade a outros, cuidado com isso. E por isso é que o Mourinho em si foi tão cauteloso na maneira como abordou este jogo. E depois, pra terminar, só dizer que obviamente que há este contexto daqui a três, quatro dias, depois vêm as competições europeias, e depois vem logo o campeonato e vai sentar aqui numa roda-viva, a gestão tem que ser feita. Mas repare que este tipo, e concordo completamente com o que disse o Gabriel Alves, este tipo de conversa do três e quatro dias e de sobrecarga começou, ainda não tínhamos começado a Supertaça. Portanto, a malta já estava cansada ainda antes de começar. Acho que tem que se mudar o paradigma e arranjar soluções ou planteis mais tensos, ou mais qualidade, ou então reorganizar os treinos, porque não pode ser como antigamente, que se fazia 15 unidades de treino no microciclo semanal pra depois jogar ao fim de semana. Isso acabou. E os treinadores têm que perceber isso claramente, por isso é que eles, neste momento, e percebem, obviamente, por isso é que estão a mudar o paradigma do treino para corresponder em competição e salvaguardar a questão das lesões.
Muito bem, falar ainda antes. Gabriel Alves, rápido.
Muito rápido. Há 20, 30 anos, 10, 20, 30 anos, desde que entramos nesta, já se dizia lá na Inglaterra que as equipes treinavam em competição, recorda-se?
Sim. Em Portugal há também esse trabalho por fazer. Bem, antes das nossas notas de campeão, olhar aqui pro Brasil e pro Brasileirão. Mariana Fernandes, temos novamente Abel em grande, Palmeiras. Estamos praticamente 10, 11 jornadas do fim e o Palmeiras está a liderar com 61 pontos, mais três que o segundo, que é o Flamengo, e vem agora numa onda de quatro vitórias, ontem 5x1 ao Bragantino. Voltou a estar em grandes este Palmeiras de Abel Ferreira.
Sim, e acaba por ir demonstrando que se não é a melhor equipe no Brasil, porque é sempre difícil ter esse tipo de classificações, é a equipe mais constante do Brasil, a equipe mais regular do Brasil, e se quisermos, com tudo aquilo que eu acho que pode ter de problemática a expressão, a equipe mais europeia do Brasil. Eu acho que Abel Ferreira está no Brasil há tanto tempo e está no Palmeiras há tanto tempo que a dada altura, aquele Palmeiras ou a forma como Abel Ferreira gere a equipe já não é propriamente à moda brasileira, ou seja, já não existe ali, ou já não existem ali aquelas cobranças muito rápidas. Claro que Abel Ferreira será sempre muito mais criticado no Brasil do que seria em Portugal ou noutro país qualquer, mas já não existem aquelas cobranças muito rápidas, porque a verdade é que já se percebeu que mesmo que exista um período um bocadinho mais negativo, mesmo que não consiga ser campeão e que acabe por haver aqui uma reviravolta, Abel Ferreira é o melhor treinador da história do Palmeiras. Aquilo que acaba por acontecer é que a dada altura, com três, quatro vitórias consecutivas, acaba por recuperar e reconquistar esse mérito, não só junto da comunicação social, como também da própria estrutura, que eu acho que só perde Abel Ferreira, ou se Abel Ferreira quiser, ou se o mecatombe acabar por acontecer. Acho que conseguiu agarrar algo que a dada altura, há um ano, um ano e meio, uma ligação que parecia estar muito perto de ruir, parece ter conseguido recuperá-la. E eu acho que se tudo correr bem, se tudo correr dentro daquilo que é normal, será novamente campeão brasileiro.
Vamos às notas de-
E Victor Roque, que foi o palhaço no Barcelona.
Está em grande.
Está em grande.
Está quase a chegar ao lugar de melhor marcador.
Isto dava para outro tipo de conversa. Vamos adiante.
Pedro Henriques, campeão no dia. Pedro Henriques, não te estamos a ouvir. Provavelmente o microfone está desligado. Agora sim.
Não, já estou. Estava à espera que me chamasses.
Vamos lá.
Então vamos lá. Esta questão do Rio Ave que jogou com o Futebol Clube do Porto. O Futebol Clube do Porto faz um gesto que eu acho que é bastante interessante para ajudar o Rio Ave. Não cede tudo propriamente dito em termos de receitas, mas cede grande parte. Tudo o que é logística e segurança, obviamente, que é do Rio Ave, que vai jogar em Barcelos, mas o fato é que tudo que é o dinheiro dos bilhetes e sobretudo a questão televisiva, vai ser para o Rio Ave. Claro que depois, em troca, o Rio Ave cede 5 mil lugares, isto é, bilhetes vendidos para o Futebol Clube do Porto e provavelmente ainda mais. Portanto, há aqui uma permuta, mas o fato é que o Rio Ave diz que com aquilo que vai ganhar por algo que se calhar nunca teve e nunca vai ter, vai permitir equilibrar as contas financeiras para esta época inteira. Para nós percebermos a importância que muitas vezes também tem o futebol no desenvolvimento local, quando os clubes grandes, como é o caso do Futebol Clube do Porto, tem este gesto, para mim, muito interessante e bonito, acaba por fazer o que fez, que é parte desse dinheiro ceder ao Rio Ave. Portanto, nota 18 para esse jogo, nota 18 para o Rio Ave por estar onde está e para o Futebol Clube do Porto pela atitude e gesto bonito que teve.
Augusto Inácio.
Olha, eu vou dar nota 17 para o futebol feminino do Sporting. Empatou ontem dois a dois no Rosengård, na Suécia, tinha ganho três a zero em Alcochete. Passou para os oitavos de final da nova Europa Cup e acho que foi um resultado extremamente positivo. Mas também queria dar a nota 20, tanto para o PSV como para o Luuk de Jong. O Luuk de Jong saiu do PSV campeão, veio para o Futebol Clube do Porto, mas o clube não esqueceu o Luuk de Jong e por isso vai homenageá-lo e vai ficar eternizado com um azulejo no Passeio da Fama. Fez 338 jogos pelo PSV, marcou 186 gols, é um ídolo para aquela gente e o PSV reconhece isso. Por isso, é um bom exemplo para muitos daqueles que passam nos clubes e às vezes são esquecidos. O PSV não esqueceu. Nota 20.
Gabriel Alves.
Olha, a minha nota hoje vai para um estudo da La Liga, em Espanha, que nós devíamos olhar, devíamos abordar, que é os clubes que usam a formação. Formados em Espanha valem hoje 1 bilhão e 460 milhões. Portanto, isto é preciso ter em nota, é mais 400 milhões que a Premier League. A Premier League tem 1 bilhão e 76 milhões, a Bundesliga 419 milhões, a Série A 396 milhões e a Ligue 1 francesa 322 milhões. Jogam 20% em média, portanto, dos jogos deixam 300 milhões em cofres. Repara, no Athletic Bilbao, 60% de jogo, Real Sociedad 47%, Barcelona 45%, Espanyol de Barcelona 39%, Celta 38%. Portanto, isto são números, de fato, excelentes e são números astronômicos. Mas as taxas de transferência, por exemplo, em Inglaterra, não serão assim, porque a verdade é que são inflacionadas e não têm tantos talentos. Os mais jovens, menos dinheiro, gera outro tipo de gastos e é um orgulho em Espanha, os pipocas adoram. Isto está originário, diria, mais talentos, mais gente a jogar.
E fica essa nota para esse estudo.
E eu dou nota ao trabalho La Liga, porque acho que é um estudo excelente, portanto, fica para mim com 17.
Para fechar, Mariana Fernandes.
Um 18 para Ariarne Titmus, parece um nome que ninguém conhece. É quatro vezes campeã olímpica na natação e decidiu acabar a carreira hoje aos 25 anos, sem problemas de saúde, sem problemas físicos, sem nenhuma lesão. Decidiu apenas que a vida fora da natação e fora das piscinas neste momento é mais importante para ela do que continuar a carreira. Faz um bocadinho lembrar a Ash Barty, que aos 25 anos também que há uns anos decidiu acabar a carreira quando era líder do ranking no ténis, tinha acabado de conquistar o Open da Austrália. Tem essa particularidade de serem as duas australianas, terem acabado a carreira as duas com a mesma idade, 25 anos, e mudam aquele paradigma de tentar conquistar tudo e conquistar cada vez mais, e dão claramente prioridade à vida pessoal e àquilo que querem fazer fora do desporto.
Muito bem, está feita esta edição de "E o Campeão É".