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Tudo na mesma, na liderança do campeonato. Sporting e Futebol Clube do Porto venceram os jogos deste domingo, o Futebol Clube do Porto na Madeira, frente ao Nacional, o Sporting em Alvalade, frente ao Famalicão. Duas vitórias por 1 x 0. No Futebol Clube do Porto foi Bendtner a fazer a diferença. No Sporting foi Daniel Bragança. Vamos falar destes dois encontros nesta edição de "E o Campeão É". Eu sou o Miguel Cordeiro e comigo em linha estão o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e também o Pedro Henriques. Gabriel Alves, começo por ti. Duas vitórias pela margem mínima que deixam o campeonato na mesma. Começando pelo Futebol Clube do Porto, o que te pareceu esta exibição azul e branca na Madeira, com uma vitória por 1 x 0?

Boa tarde. Eu começarei pelos dois jogos e direi: ave Bendtner, ave Daniel Bragança, e ave Força Aérea, dois gols de cabeça, o que não é muito usual entre nós, mas a fazerem sentido, e também a chamada de atenção para aquilo que são os lances de bola parada, que também muitas vezes em Portugal são muito mal utilizados. E depois também dar aqui uma nota, quer para um clube, quer para o outro, a falta de Suárez no bicampeão nacional e a falta de Samu no Futebol Clube do Porto. São notas de ausência que se fizeram sentir, faltaram aquilo que se dizem os mordedores. Quanto ao mais, este Futebol Clube do Porto, na Madeira, numa deslocação que é difícil, tem sido difícil para todos, não é só para o Futebol Clube do Porto, porque o Nacional tem tido uma boa capacidade de resposta a determinado tipo de situações deste tipo de jogos, acabou por ser um bloco, mas sente-se que há ali um determinado tipo de falta de ideias bastante vivamente. E é óbvio que marcando primeiro, é difícil tu depois lá ires marcar. Isso é que é verdade. Desde que o Futebol Clube do Porto sofre primeiro, também tem muita dificuldade em lá ir fazer aquilo que se chama na Espanha a remontada. É muito complicado. Daí que quer Sporting, quer Futebol Clube do Porto, faça equipas, e isto porque o Benfica também no Santa Clara sentiu isso.

Sim, também foi a margem mínima.

A margem mínima, e isto cada vez mais. Daqui até o final, daqui até maio, os clubes, aqueles que são os candidatos ao título, vão ter muitas dificuldades. Porque é assim, os treinadores que estão nas equipas pequenas, é matéria-prima que dispõe e com ela adaptam. Não vêm dizer: "Eu preciso do jogador tal, eu preciso daquilo, eu preciso mais este". Não, lá não há cofres, não há sacas azuis. Tem que jogar, tem que ser treinador. Olha como o Carlo Ancelotti diz: "Eu quando chego a uma equipe, moldo-me àquilo que me é dado." Obviamente, Carlo Ancelotti quando chega a uma equipe, tem lá muitas vedetas, muitas estrelas, grandes jogadores, mas também tem carregadores de piano e ele usa-os, porque precisa deles. Os treinadores das equipas pequenas fazem o seu trabalho e dificultam ao máximo os treinadores das equipas grandes. Vamos ter atenção a isso e depois já voltarei, porque eu quero dar nota muito alta a César Peixoto, que está a fazer um grande campeonato, e a todo o Gil Vicente, porque não era crível que isto acontecesse. Não, há ali trabalho, há substância e há resultados.

Já vamos falar desse Sporting-Braga Gil Vicente e desse belo jogo que foi o grande destaque desta jornada. Continuando sobre o Sporting e o Futebol Clube do Porto, o Gabriel Alves já deixou aqui um momento de análise aos dois encontros. Peço-te exatamente o mesmo, Augusto Inácio. O que viste nestes dois jogos? São os dois líderes do campeonato, Futebol Clube do Porto mais destacado, vai com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting. O que te pareceram estas duas exibições? Acontecem depois do clássico entre estes dois clubes e são resultados, como já íamos falando há pouco, pela margem mínima. Estão a cumprir o essencial, conquistar pontos e a descurar um pouco a nota artística, que isso é o mais importante nesta altura?

Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que este era um jogo, não era importante, era importantíssimo para o Futebol Clube do Porto. Depois de dois jogos que iam-se para a Liga, em que o Porto perde cinco pontos, porque perdeu no caso a Pia, empatou com o Sporting e estava já numa situação de desconfiança, este jogo era fundamental que o Porto ganhasse para restabelecer essa confiança, até porque o Porto também tinha ali alguns problemas. Não é no seu 11, alguns problemas daquilo que era a equipa base e que mudou um bocadinho a defesa, mudou também a linha de ataque, jogou o Óscar Piati, o Zeski e o Danis Gol, dois jogadores que normalmente não são titulares. O PP teve andamento, mas diria que o Porto soube aproveitar o seu melhor momento. E o seu melhor momento foi os 15 minutos da segunda parte, em que através de um pontapé de canto do Gabi Veiga, o Bendtner faz o gol. Mas a primeira parte foi muito sofrida, foi muito fraquinha no sentido de criar oportunidades. É verdade que na primeira parte a grande oportunidade é de um pontapé de canto a favor do Nacional, em que o Chuto Ramírez sozinho, em que o Diogo Costa faz uma defesa extraordinária, um instinto fantástico e livrou-se o Porto de não sofrer aí o gol. Mas isto, hoje em dia, os jogos em casa ou os jogos fora, já não se sabe onde é que está o grau de dificuldade, se é jogar fora, se é jogar em casa, porque o Sporting também teve esses problemas. Mesmo jogando em casa sem o Luís Suárez, é um futebol do Sporting completamente diferente. É verdade que o Famalicão na primeira parte ainda tentou lá ir à frente, mas na segunda parte praticamente não saiu do seu meio-campo, foi sempre o Sporting à procura do gol, um Sporting que queria marcar o gol cedo, não conseguiu. Foi a sete minutos do fim e através também de um pontapé de canto de um jogador improvável que marcasse um gol de cabeça, que foi o Daniel Bragança, e que deu os três pontos. Ou seja, as equipas não estão a jogar muito

As equipas estão a jogar para os pontos, é verdade, mas nota-se que a jogar assim, de um momento para o outro, também pode abanquear, qualquer uma delas.

Sim, naturalmente. Pedro Henriques, tu as tuas notas sobre estes dois jogos, mas queria que começasses pelas palavras do presidente do Famalicão. Quanto ao caso, quanto aos lances, explicaste tudo no Sem Falta. Está lá tudo explicado para quem procurar essa explicação. Queria perceber a tua análise ao que diz Miguel Ribeiro, que é o presidente do Famalicão, que diz que o VAR anda à lupa e sempre contra os mesmos.

Pois é, a minha nota de campeão, por isso vou deixar para o fim. Pode ser?

Muito bem.

Porque é mais ou menos uma nota entre 0,01 e 0,02. Portanto, é uma nota altíssima. Mas deixo para o fim essa questão da nota, e agora estou como os outros, deixo para o fim e vou falar, porque somos nove comentadores, ex-árbitros, pelos vistos não percebemos absolutamente nada disto. Trabalhamos em seis órgãos de comunicação social diferentes, com alguns eu nem sequer falo, porque estamos de costas voltadas há muitos anos. E curiosamente, os nove dizem todos que o gol é bem anulado e que o VAR fez o seu papel. E sobre isso, está tudo dito. Sobre a nota, deixo para o fim. Jogo do Porto e do Sporting. Olha, onde não há coração, acha cabeça. E ontem houve duas, a do Bragança e Bendtner. Bragança, lembram-se de 2025, 15 de fevereiro de 2025, lesão grave, 10 meses. Um ano precisamente depois, no mesmo estádio, o Bragança marca um gol de cabeça. A vida realmente tem coisas extraordinárias, às vezes pela negativa, outras vezes pela positiva. Em relação ao Fóco do Porto, aquilo que também acho que realça aos olhos de todos, Bendtner, se calhar, junto com o Fraol, foram mesmo duas extraordinárias aquisições. Bendtner é um jogador fantástico, não é só pelo gol de ontem, mas por tudo aquilo que tem vindo a fazer. O Fóco do Porto é esta característica em 19 vitórias, oito delas construídas com 1 x 0, o que revela talvez uma das características principais do Porto até agora, uma italianização desta equipa, mas pelo sentido positivo, muito sólido a defender. Aliás, é a grande referência do Porto este ano, a solidez a defender. Só tinha sofrido dois gols até, inclusivamente na primeira volta, e depois ganha por 1 x 0, um bocadinho aquele cinismo italiano. Ou seja, eficazes e depois difíceis de sofrerem gols, e isso é das melhores características. Fraol e Rodrigo Mora desaparecidos, mas isso acontece e o Fraol já tem vindo a dar esses sinais há alguns tempos. O Bendtner é o imperador daquilo tudo e o Diogo Costa só fez uma defesa. Puxa, mas que defesa! As tais defesas que dão pontos. Relativamente ao Sporting, eu acho que a única novidade no jogo de ontem foi o Sporting ter marcado demasiado cedo, e isso acho que é pouco normal, porque o Sporting normalmente costuma marcar o gol da vitória um quarto de hora, 20 minutos depois do gol de ontem. E ontem marcou ao minuto 82, é demasiado cedo para aquilo que estamos habituados. Falando a sério, eu acho que é a questão do Bragança que acaba por se sacar, até por esta coincidência que havia precisamente um ano depois, no mesmo sítio, marcar um gol. De todos os jogadores, alguns deles estão em menos boa de forma e claramente, como diz o Gabriel, e bem, quando não estão lá determinadas referências são fundamentais e isso muitas vezes ajuda e de que maneira para as equipas crescerem, no caso do Luís Soares, mas o Luís Guilherme é talvez o caso de ontem, no meu ponto de vista, de maior crescimento. E só referenciar estes números para quando depois as pessoas tentam falar de outras coisas em relação ao jogo. O Sporting teve 70% de posse de bola. Na minha rua, cinco cantos dá um gol. O Sporting teve 14 cantos contra um e remates 22 x 2. Não é fácil, embora o Famalicão tenha tido uma oportunidade de baliza aberta para marcar gol, não é fácil que uma equipa que assume e quer tirar pontos e quer ganhar, tenha só dois remates à baliza e desses dois remates à baliza, um deles é enquadrado. E eu acho que isto resume muito bem aquilo que foi o jogo, sobretudo na segunda parte, que um jogo não muito bem jogado por parte do Sporting, sobretudo no primeiro tempo.

Gabriel Alves, vamos lá a esse Gil Vicente-Braga, o grande jogo deste fim de semana. Teve remontado, o Sporting Braga começou a vencer, Gil Vicente deu a volta, aconteceu já no sábado, mas ainda deixa essa marca na classificação, porque com este resultado, o Gil Vicente sobe para o quarto lugar, o Sporting Braga fica no quinto, Braga com 39, Gil Vicente com 40. Está a ser uma luta acesa no Minho, até porque depois aparecem outros clubes também dessa região. Mas deste jogo, César Peixoto consegue aqui uma master class, podemos dizer assim.

Sim, César Peixoto está a fazer um excelente trabalho. Se calhar, no princípio da sua carreira, nada o indicaria. Mas a verdade é que o César Peixoto trabalha, estuda e mostra depois naquilo que é a prática, toda a evolução e tem tido. Portanto, tem ideia de jogo, tem os jogadores que tem, sabe adaptar-se aos jogadores que tem e adaptá-los àquilo que são as suas ideias. Não só a questão do quarto lugar, mas também não esquecer que o Gil Vicente tem o quinto ataque com 33 gols apontados e tem a quinta defesa com 18 gols sofridos. Portanto, isto são fatores, são números muito importantes, são pragmáticos, são objetivos e naturalmente, não é por acaso que o Gil Vicente está. E tem uma ideia de futebol, tem futebol, esta é que é a verdade, quer jogue com o Benfica, com o Porto, com o Sporting, quer jogue com outras formações. E isso é fundamental. Para já, este Gil Vicente tem sofrido. Eu tenho vindo a falar desde um terço da época, 25, 26. Atenção à Associação Futebol do Minho, que tem as suas equipas muito bem colocadas naquilo que são os primeiros 10. Portanto, não é só já o Braga. Não, há mais equipas, portanto, há trabalho. E esse trabalho é interessante e há futebol, que isso é fundamental. Portanto, para o César Peixoto, uma referência muito forte e para o Gil Vicente, porque obviamente não há só César Peixoto, tem que haver uma boa estrutura do clube, tem que haver uma boa dimensão daquilo que se pretende e daquilo que não se quer. Isso é fundamental. Na vida, primeiro, tens que começar por aquilo que não se quer e depois vais àquilo que queres.

Nós temos a avançar para as nossas notas de campeão com algum tempo hoje. Augusto Inácio, que notas, que destaques tens esta segunda-feira?

Claramente para o Gil Vicente, porque repare numa coisa: o Gil Vicente está a perder em casa com o Braga 1x0 e tem a capacidade de dar a volta ao resultado ao Sporting Braga. Por isso é um grande trabalho que está ali a ser feito, como o Gabriel Alves disse bem. Por isso, para já, para o Gil Vicente, nota 16 pelo excelente trabalho que estão a realizar e vamos ver como é que vai acabar, porque isto vai ser uma luta terrível para o quarto lugar. Queria dar também uma nota 15 para o Petho Narek e para o Bragança, que foram os rostos das vitórias para o Porto e do Sporting e queria dar a nota 16 para o AFS. A primeira vitória que tem no campeonato, 3x0 ao Estoril, que é uma equipa boa e que ganhou categoricamente. Não sei se vão a tempo da recuperação, mas que esta vitória já era muito esperada há muito tempo, era.

Depois de 21 jogos sem vencer, consegue o AFS a primeira vitória do campeonato. Pedro Henriques, as tuas notas de campeão.

Sim, uma tem a ver exatamente com aquilo que disse. Eu acho que os dirigentes, de uma maneira geral, não deviam dar tiros de pólvora seca. Deviam aproveitar os momentos em que eventualmente querem fazer críticas e devem-as fazer, porque ninguém está acima da crítica ao setor da arbitragem, seja o árbitro, seja o videoárbitro, mas fazê-lo com base de sustentação, isto é, em circunstâncias e situações em que eventualmente tenham sido realmente prejudicados. Não foi o caso de ontem. Foi para isso que em 2017 começou a surgir o videoárbitro em Portugal. Eu não posso aceitar que um lance que é percebido de fora de jogo e que se o árbitro assistente tem levantado a bandeirola, que não teve essa capacidade para ver, a situação do gol nem sequer se colocava e que depois tem uma falta atacante clara e óbvia, porque é para isso que o videoárbitro existe. O Pedro Santos, que o joelho acerta claramente na coxa e na parte de trás do joelho do Max Araújo, e é isso que faz com que o jogador do Sporting não tenha a possibilidade de ficar com o controle após a bola e que a perca para o Brahim Babá. Eu não posso aceitar que um lance com fora de jogo e com falta atacante acabe em gol. É para isso que o videoárbitro apareceu. E depois, mais grave, nem é a crítica e a análise, porque até poderíamos dizer: "Bem, é uma opinião contrária sob o ponto de vista da análise do lance." E contrária não é à minha, é contrária aos nove ex-árbitros, que são comentadores de arbitragem, que todos deram como muito boa a intervenção do videoárbitro. É a suspeição que uma vez mais se lança, não só para o setor da arbitragem, com esta questão de que se fosse ao contrário, se fosse para outro clube. Ou seja, sistematicamente estão a dar duplos tiros de pólvora seca, porque estão a matar o próprio futebol, porque suspeitam uns dos outros. Eu acho que estas pessoas todas em geral, não estou a falar especificamente da situação de ontem, são daquelas pessoas que quando se veem ao espelho de manhã, desconfiam da própria imagem, porque vivem exatamente neste limbo. E é essa questão que eu tenho que criticar claramente nesta crítica que foi feita ao videoárbitro, que veio para ficar e veio para alargar o protocolo e para ser mais interventivo. No País de Gales, dia 28 de fevereiro, até por causa desta questão que aconteceu este fim de semana com o Bastoni, aquela questão da simulação e do segundo cartão amarelo e da expulsão, o protocolo do videoárbitro vai ser inclusivamente alargado para dar mais poder e capacidade de intervenção, porque não é estar a tornar a coisa mecânica nem tecnológica, é agarrar nas tecnologias e se elas existem, ajudar a corrigir para que o jogo seja jogado pelos jogadores e seja essa a verdade desportiva do jogo e não com base de erros tomadas decisões. E é por isso que o protocolo vai ser alargado. Nota zero para todos aqueles dirigentes que sistematicamente atacam os árbitros e a arbitragem, sobretudo lançando suspeições que não podem ficar impunes. E espero que haja mão pesada também para este tipo de declarações. Todas.

Gabriel Alves, para fechar.

Gil Vicente e César Peixoto, 16. Está tudo explicado no decorrer do programa, de facto, por aquilo que veem, portanto, o rendimento e o desempenho. Para Alisson, o jogador que era do Sporting, está emprestado ao Naples. Agitador. Agitava aqui, marcava aqui. Ontem também entrou, estava a perder o Naples 2x1 em casa. Agitou, marcou. Que golaço, que maravilha! Olha, 14 para o Alisson. E muito bem o António Conte a pôr o Alisson no trilho. Tem que crescer. Para Diogo Costa, 17. Há bocado não falei nele, mas falo agora e quero dar 17. Seleção nacional, jogou com o Porto em primeiro lugar, obviamente, e a seleção nacional, naturalmente, é um grande guarda-redes. Esses é que são os grandes guarda-redes, não é aqueles dengados que fazem 20 defesas e depois no jogo a seguir, enfim, logo se vê. Não, este dá pontos, é isto. É isto um guarda-redes de nível mundial. E Diogo Costa, internacional português, é isso. Olha, para a pessoa que é presidente do Famalicão, de nome Miguel Ribeiro, zero. Ele provavelmente anda a ouvir aí o Mourinho, que também diz dos árbitros, isto, aquilo, aqueloutro. Mas Mourinho é Mourinho, já se sabe, tem uma cena internacional, europeia, já é assim há muitos anos. Senhor Miguel Ribeiro, olhe lá por si e na Associação de Futebol de Minho, que olhem por ele, porque a Associação de Futebol de Minho está, de facto, a fazer um bom trabalho. Não há mais.

Está feita esta edição de "E o Campeão É...".