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"E o Vencedor É" na Rádio Observador. Vamos dar notas aos destaques da atualidade portuguesa e internacional. Quem sabe, sabem os meus convidados de hoje, falo do Nuno Gonçalo Poças e também do José Manuel Mestre. Sejam ambos muito bem-vindos à edição de domingo de "E o Vencedor É". Vou começar pelo José Manuel Mestre, jornalista da SIC, que nos traz um balanço de 90 dias do novo presidente da República, António José Seguro, para falarmos, José Manuel Mestre, de quem é que está a conseguir lidar melhor com o novo ocupante do Palácio de Belém.

Há aqui uma série de enigmas nesta fase deste campeonato. Já que estamos em maré de campeonatos. Bom dia, José Rafael Lopes, José Miguel Santos, Nuno Gonçalo Poças e a Beatriz Noronha, que está a ajudar esta emissão. Ora bem, o que é que temos aqui? Por exemplo, há uma imagem que não passou muito, porque aconteceu mesmo no fim das cerimônias, já as reportagens para os jornais das 20h estavam concluídas ou quase concluídas, já passava das 19h em Lisboa, que é quando a bandeira voltou a sair do mastro onde tinha estado içada.

Estás a falar da cerimónia de 10 de junho?

Exatamente. O 10 de junho é o balanço disto tudo, e eu quero falar dele, porque ele revela muito do estado da arte da política em Portugal. Os militares dobraram a bandeira, como mandam as regras, exemplarmente, e entregaram ao Presidente da República. E António José Seguro recebeu a bandeira, deu ordem para que terminasse a cerimônia e depois foi para entregar a bandeira. Virou-se, um quarto de volta para a esquerda e ninguém recebeu a bandeira, ficou ali aflito: "Vou ter que levar isto para as Caldas da Rainha?" Imagino que lhe tenha ocorrido, mas ninguém quer a bandeira. E retomou a sua posição, foi uma questão de breves segundos, dois, três segundos, e então aí aconteceu aquilo que o Presidente da República não sabia como era. E era o único que não sabia, porque a presidente da Câmara Municipal, que tinha emprestado a bandeira, colocou-se à frente, fez um agradecimento pela presença do Presidente da República ali na Ilha Terceira e, em particular, em Angra do Heroísmo, e recebeu a bandeira para ser a fiel depositária daquela bandeira que estava depositada na Câmara Municipal. Isto é exemplar, é que António José Seguro ainda está a aprender. Explicaram muito bem todo o cerimonial à presidente da Câmara, mas esqueceram-se de explicar previamente todo o cerimonial ao Presidente da República, e ele fez como faz quando lhe entregam alguma coisa, que normalmente entrega à ajudante de campo para que continue disponível para a cerimônia. Mas depois, viu-se que ainda está a aprender a ser presidente, ali e um pouco em todo o resto. Dou um outro exemplo, para chegar à segunda parte deste momento. É que na rua, António José Seguro sorri, cumprimenta, mas parece ter receio de ir longe nas conversas. Há microfones por perto e ele está muito cuidadoso nesta fase. Tudo o que é discurso escrito, viu-se no 25 de abril, viu-se agora, neste 10 de junho, é muito relevante. São normalmente discursos onde diz coisas muito importantes e abrangentes, colocado ao centro, recusando extremismos, pedindo melhores salários, o que é uma forma de dizer que continuará a não concordar muito com este código de trabalho, porque falar em aumento de salários nesta fase é relevante, mas diz muito mais coisas importantes, mas depois foge ao improviso. Evita tudo o que seja improviso. Por exemplo, agora na Ilha Terceira, ele chegou e fez uma declaração inicial, respondeu a três perguntas e nunca mais respondeu a perguntas, exatamente para evitar esse risco. Mas, diria eu, não é o único que está a aprender a lidar com esta situação. Marcelo Rebelo de Sousa foi convidado para o 10 de junho, pelo Presidente da República. Eu, pessoalmente, não tenho memória de um outro presidente da República cessante ter sido convidado para um 10 de junho, mas provavelmente é falha minha, não quero dizer que isso não tenha acontecido. E foi à Ilha Terceira. E enquanto, por exemplo, a bandeira era içada, ele passeava-se na Avenida Central, à distância, como quem segue o que se passa lá, não sabe se há de estar presente ou não. À meia-noite de Lisboa, 23h dos Açores, houve fogo de artifício no dia 9 para 10. Marcelo Rebelo de Sousa, disseram-me, garantiram-me que estava lá, mas estava no meio do povo, no meio da multidão, à procura de um lugar, e andou sempre assim. E depois, no final, fez um elogio, usando aqui uma linguagem que tem uma palavra a meias com o futebol, um elogio estratosférico. O esférico aqui é a nível global do elogio que fez a António José Seguro. Ele que não queria falar de política e já está a falar de política, num elogio a todo o conteúdo do discurso, à atuação do presidente. E isto também revela que o presidente cessante está à procura do seu lugar e revela uma outra coisa, que é obviamente que a nível público, António José Seguro sai muito reforçado com este elogio, mas ele também pode significar duas outras coisas: que Marcelo está contente por António José Seguro evitar Ter o brilho do contato com a população que ele tinha e, portanto, estar confortável no seu lugar e até se permite este elogio, mas, por outro lado, pode significar de alguma maneira que o presidente da República cessante acha que este precisa de um empurrãozinho. E, portanto, estamos todos aqui neste filme. E ainda há Luís Montenegro, que chegou nessa noite de dia 9 aos Açores.

Está também ele a aprender a lidar com António José Seguro?

Está, claramente. Tinha estado a complementarem-se no Luxemburgo, um a assinar um verde, o outro vermelho, depois António José Seguro disse que ele quer deixar o governo trabalhar, cumprir o seu programa, e depois voltou a dizer que ele é parte desse sucesso do governo, mas quando chegou, o primeiro-ministro foi jantar e depois não foi ao concerto, nem foi ao fogo de artifício. Ou seja, no Luxemburgo esteve perto, mas aqui já hesitou. E depois da cerimónia do 10 de Junho, onde ele não fala, saíram para um almoço com a população e há uma coisa muito engraçada, é que pararam os dois numa pequena esplanada de um pequeno café, mesmo ao lado do sítio onde corriam as cerimónias, e estiveram ali e o primeiro-ministro fez questão de publicar essa fotografia, ou seja, de se aproximar da imagem do presidente da República. E aqui temos uma coisa, é que Seguro, ao distanciar, ao procurar colocar a presidência num sítio mais distante, nobre, que não está exposta a todo momento a declarações, a tudo isso, está a cativar a simpatia do ex-presidente da República, que quer ser visto ao lado dele, de algum modo, com este elogio, e tem o primeiro-ministro a querer se fazer fotografar e a publicar essa fotografia ao lado do presidente da República. Eu diria que Seguro, num registo de quem está a aprender, conseguiu ser neste momento, muito fruto dos seus dois terços de votos que teve e que procura não desperdiçar a cada passo que dá, mas está a ter claramente o primeiro-ministro e o ex-presidente da República a colarem-se na sua sombra. E isto é uma vitória para o presidente eleito.

Vamos então perceber em termos de notas. Pelas minhas contas, são três.

Não. Eu acho que a nota mesmo aqui é para António José Seguro, que está ali entre o 16 e o 17 nesta fase do campeonato, o que, estando ainda a aprender a ser presidente, é uma nota muito notável, avaliado o que se passou em Angra do Heroísmo e na Ilha Terceira.

Onde foram as celebrações do 10 de Junho, as primeiras desde que António José Seguro se tornou presidente da República, a receber aqui o chefe de Estado, uma nota positiva por parte do José Manuel Mestre. Nuno Gonçalo Poças, tu queres nos trazer como tema a procissão do Corpo de Deus, acredito não tanto aqui a questão religiosa, mas mais a mudança de itinerário que vai ser feita, não vai passar pelo Martim Moniz.

Não passou.

Não passou, precisamente, não passou no Martim Moniz. Por que este tema agora, Nuno Gonçalo Poças?

Esse é o meu primeiro ponto. O Corpo de Deus foi há uma semana e meia, duas semanas, mais ou menos. Semana e meia, talvez. E de facto, o tema passou ao lado. De repente, recuperou-se de alguma maneira, ele surgiu no espaço público. Enfim, sob um ponto de vista que eu compreendo e que até sigo, e acho que esse debate é bastante importante. Mas esse seria o meu primeiro ponto, que é por que não se ergueram vozes logo naquela altura? Eu confesso que não reparei. Embora eu seja católico, eu não adoro procissões, muito menos em Lisboa, e portanto não acompanhei, mas imagino que as mesmas pessoas tenham acompanhado o tema agora que já se tivessem apercebido dele há mais tempo. E portanto, esse debate provavelmente devia ter sido feito antes e se calhar com melhores frutos para o futuro. Seja como for, a igreja deu uma justificação que nós, com algum otimismo e até alguma esperança, devemos de alguma maneira ser levados a acreditar nela, que foi uma opção como outra qualquer, que pretendeu levar a procissão a outros espaços da cidade e, portanto, que não foi uma opção deliberada de evitar o Martim Moniz em concreto. Hoje a Helena Mata escreveu um artigo que está no site do Observador sobre o tema e, na verdade, este é um assunto que nos vai prendendo muitas atenções à medida que vários acontecimentos vão passando relativamente ao Martim Moniz, não relativamente ao Martim Moniz em concreto, mas à eventual existência, e esta é uma discussão que já tem muitos anos, de blocos territoriais, sobretudo nas grandes cidades, em Portugal e por essa Europa fora, que de alguma maneira estejam providos de uma espécie de ordenamento jurídico à parte, vamos chamar assim benevolamente. E esse, de facto, é um problema. Nós já vimos estes filmes todos acontecer lá fora, de facto, na Bélgica, em França, na Holanda, no Reino Unido, bastante E seria um péssimo sinal se Portugal, tendo já visto por essa Europa inteira como é que as coisas foram acontecendo e o estado a que chegaram neste momento, se nós estamos a partir, como normalmente partimos, com algum atraso, seria interessante que nós pudéssemos não cometer os mesmos erros e, portanto, tentar não acabar da mesma maneira. E nisto tudo, a Helena Matos também refere aquele episódio e dá uns tempos em que o movimento de extrema-direita quiseram ensar um porco no espeto para o Martim Moniz, que é uma atitude manifestamente provocatória. Mas também é verdade que se nós de alguma maneira começarmos a evitar determinados territórios em concreto para, no fundo, fugir a que determinadas coisas possam eventualmente ser encaradas como ofensivas para as comunidades que lá vivem. É quase como se fosse o mesmo problema ao espelho, é uma espécie de, não de provocação, de sinal contrário, mas é uma defesa que eu acho que não tem grande justificação, ou pelo menos não devia ter. E este é o ponto essencial no meio disto, e é precisamente no centro, que entre uma coisa e outra, aquilo que ainda nos devia balizar é o facto de nós vivermos no mundo ocidental, na Europa e em Portugal, em concreto, em sociedades, e eu acho que isto ainda é mais ou menos consensual, onde as liberdades existem, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão, todos os direitos e liberdades, e de que todos os cidadãos, independentemente dos seus credos, das suas ideologias, das suas origens, das suas raças, seja lá do que for, são tratados exatamente da mesma forma aos olhos da lei e em conjunto temos um dever de respeito pelas liberdades dos outros e, portanto, muito mais ainda, quando estamos a falar de tradições que os países têm. Essa também foi uma mensagem do Papa esta semana, curiosamente, quando se referiu que todos nós, de alguma maneira, já fomos imigrantes, mas ao mesmo tempo em que apelava que os próprios imigrantes cumprissem as regras dos países que os acolhem, que se integrassem, que fizessem um esforço de aceitação e de integração. E essa mensagem também é muito importante. E portanto, eu hesito muito na avaliação que podia dar disto, na nota em concreto, porque vou dar aqui o benefício da dúvida à Igreja com a sua tentativa de alargar o espaço de procissão a outros espaços da cidade, mas vou deixar aqui um 7. É um bocadinho um ar do tempo que se vai respirando e de facto há se calhar alguma incapacidade nossa coletiva de não começarmos a aprender com os erros dos outros.

Nota 7 deixada pelo Nuno Gonçalo Poças sobre este tema da procissão do Corpo de Deus em Lisboa, que alterou o percurso na Baixa. É, aliás, uma questão habitual, acontece praticamente todos os anos estas alterações da procissão do Corpo de Deus em Lisboa. Temos ainda alguns minutos nesta edição de domingo de "E o Vencedor É?" e José Manuel Mestre, há umas notas para distribuir do outro lado do Atlântico sobre o Campeonato do Mundo. Não estás a gostar dos jogos, é isso? Ou algo mais além do futebol?

Por acaso até os jogos, do que eu vi, ontem vi uma seleção de Marrocos surpreendente, com uma energia que deixou o Brasil baralhado, mas não é dos jogos, é da política. Aliás, eu escrevi aqui para falar de dois presidentes, um mundial, o primeiro-ministro e um cerimonial, foi a mensagem que te enviei sobre as coisas que queria falar.

Ou seja, Donald Trump e Infantino, presidente dos Estados Unidos e o presidente da FIFA.

Ora bem. O mundial que liga logo com Donald Trump. Aliás, nos Açores, por exemplo, António José Seguro fez referências à necessidade de saber preservar a soberania nacional e, portanto, deixou aqui um recado para o governo, mas também um olhar cuidadoso para o que se passa do outro lado do Atlântico ao falar de soberania, da necessidade de todos os dias, em todos os pontos, ser defendida a soberania. Estava seguramente a pensar também no que pode passar-se na Gronelândia, e os Açores têm aqui este ponto melindroso, que exige cuidado, mas António José Seguro chamou a atenção para a forma como se lida com a soberania. Depois, na parte deste mundial, há o contrário disso, que é um homem ajoelhado perante Donald Trump, a troco das receitas que o mundial pode dar à FIFA. Esse homem é o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que conseguiu arranjar um prémio da paz para Donald Trump, da FIFA para Donald Trump. Conseguiu ultrapassar os melhores humoristas americanos na capacidade de fazer humor e depois deixou que Trump fizesse duas coisas ridículas. Uma foi mandar o melhor árbitro de África para casa, dizer que não pode entrar nos Estados Unidos. A outra foi dizer que a seleção do Irão só pode entrar para jogar e tem que sair imediatamente, foi intrometer-se com o treinador do Irão, que só podia ir aos jogos. É verdadeiramente anedótico isto. O futebol é um mundo à parte, sabemos um pouco isso. Dou-te um exemplo: a federação levou a seleção nacional a ir despedir-se do primeiro-ministro e fez saber que não havia perguntas no Palacete de São Bento. Não há perguntas. Eu não sei onde é que a Federação Portuguesa de Futebol manda no direito dos jornalistas fazerem perguntas. Alguém tem que explicar também a estes senhores que Quando muito, não há respostas. Agora, fazer ou não perguntas não está no poder da Federação Portuguesa de Futebol. É curioso, o presidente da República também entrou para cumprimentar Mota Amaral, está muito bem contado no jornal "Expresso", que estava a aguardá-lo no passeio que ele fez pela Baixa de Angra do Heroísmo, e depois de entrarem cinco ou seis jornalistas, a segurança barrou a entrada aos outros. Portanto, há aqui uma certa tendência na sociedade, não só na americana, mas isto depois passa-se à nossa, mas onde atinge os limites na América, de achar que alguém pode mandar em tudo, nas liberdades, nos direitos. E portanto, eu só queria dizer é que tenho aqui duas taças enormes para oferecer, com um zero de nota, uma para Gianni Infantino, a outra para Donald Trump. Quem sou eu para isso, mas na minha qualidade de cidadão do mundo, não posso calar-me e tenho de lhes dar zero, um zero absoluto.

Dois zeros é um resultado que ainda não vimos no Mundial para já nos jogos que foram jogados. Dois zeros, um zero zero.

Infelizmente as seleções são muito mais ousadas.

Pode ser um prenúncio para Portugal, José Rafael.

Vais apostar num zero zero entre Portugal e República Democrática do Congo?

Não sei, mas agora tu disseste isso.

Não quero ser eu a dar azar à seleção. Espero que Portugal. Senão, depois zero perguntas, zero respostas e Portugal empata também com a República Democrática do Congo. Ninguém quer isso. Ninguém quer também, Nuno Gonçalo Poças, este tipo de posições, parece-me, de Gianni Infantino.

Se calhar não, mas o futebol teve sempre uma relação muito próxima com a política. Foi sempre um grande espetáculo usado.

Com o poder.

Sim, com o poder. Exato, se calhar a expressão é mais essa. E este também não foge a isto. Agora, é verdade que as coisas também se agravaram muito ao longo dos anos. Já o último mundial no Qatar, envolvido em todas as polémicas que nós conhecemos.

O próximo mundial vem para cá. Portugal, Espanha e Marrocos.

Pois, é que não vem para cá e começa logo tudo mal. Mas eu acho que antes disso, se calhar, até uma coisa que parte aqui um bocadinho mais do futebol para a sociologia da coisa e para aquilo que nós somos a partir deste tipo de desportos e de eventos. Eu acho que nós somos mais ou menos todos ainda de uma geração em que o Mundial eram as melhores seleções do mundo nos seus apuramentos, eram relativamente poucas, e nós sabíamos que todos os jogos iam ser bons, porque de facto eram os melhores que lá estavam. E esta coisa toda da abertura com seleções, de repente, ninguém sabe muito bem o que está ali a fazer o Curaçao e o próprio Qatar, há ali uma série de coisas que nós não percebemos muito bem como é que acontecem ou sabemos.

O alargamento permitiu o apuramento.

Pois, e que permite, ao mesmo tempo, fazer com que terceiros classificados de grupo sejam apurados e muitas contas. É quase uma espécie de concurso de talentos em que, no fundo, não pode sair ninguém triste. Parece aqueles concursos de talentos para crianças, em que não se pode dizer: "Tu não cantas nada, vai-te embora". Então dizemos: " És muito querido, trouxeste uma saia de folhes impecável. Um beijinho à mãe, agora adeus". E eu acho que isto diz, de facto, um bocadinho mais de nós, que nós levamos o entretenimento a uma escala, parece que entrámos aqui num processo de stupidificação geral, coletivamente, em que nada nos move a não ser o próprio do entretenimento em si e ao mesmo tempo vão acontecendo coisas que, na relação com o poder, no jogo político, são de facto um bocadinho mais importantes do que isso. Mas o importante é vender vuvuzelas. Agora já não há vuvuzelas, se calhar. Ainda bem.

E bilhetes.

Isso ficou em 2010, os bilhetes.

Foi 2010, na África do Sul. Pois foi. Horrível.

Querias acrescentar, José Manuel Mestro?

E vender bilhetes a preços milionários também. Porque aqui essa ligação ao poder do futebol é muito.

Mas que pagam.

Exatamente. A troco de dinheiro. Este mundial vai bater todos os recordes, ultrapassar os Jogos Olímpicos e Infantino só vê claramente o dinheiro. Já agora, já que estamos a falar do primeiro jogo, Portugal, que foi a última seleção a chegar, tem aqui uma oportunidade de ouro, que é: se ganhar os primeiros dois jogos, pode dar-se ao luxo de descansar a equipa no terceiro jogo. Foi assim na Alemanha. Lembram-se quando Portugal pôs a equipa a jogar com a Alemanha?

Sim. Os suplentes.

A segunda equipa ganhou por 3 x 0. Sérgio Conceição, o pai do "espia-brasas" desta seleção nacional, na altura fez esse brilharete enorme de marcar os três gols, se eu não estou em erro. Ora, aqui isso abre uma hipótese que é Portugal estar menos tempo na América, descansar a equipa no terceiro jogo e partir para o jogo a seguir com uma situação física vantajosa desse ponto de vista. Portanto, Portugal tem aqui, se ganhar já este jogo e o outro a seguir, e digamos que este calendário, Portugal ser o primeiro do grupo, seria quase tremendamente escandaloso que não fosse. Mas nós temos tido algumas surpresas nestes primeiros jogos. Tivemos o tal Qatar que empatou com a Suíça, tivemos agora Marrocos a mostrar que está ali para muito mais do que se possa pensar e vamos ver se Portugal consegue afirmar-se. Agora, que tem condições, se jogar com 11 jogadores sempre, a questão é muito essa, particularmente agora aqui no futebol, porque eu acho que jogam com 10 e mais qualquer coisa na maior parte dos jogos e há gente que fica presa a missões que normalmente podia ter muito mais liberdade se Portugal tivesse 11 jogadores, nem que fosse aí metade do jogo com a mesma capacidade física do adversário.

11 jogadores terá Portugal, certamente. As escolhas recaem em Roberto Martínez. As dos temas de hoje e das notas foram do Nuno Gonçalo Poças e do José Manuel Mestro, a quem agradeço. Fica por aqui a edição de hoje de "E o Vencedor É".