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Este é o Som do Io Vence Soure das manhãs 360. Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade e para isso hoje, além do José Manuel Fernandes, estão conosco o Miguel Pinheiro e o Ricardo Conceição. Já sabe, também nos pode acompanhar em direto através do Facebook, YouTube e no site do Observador. Carla, esta manhã falamos de partilhas, dos lucros e também dos custos na saúde, mas vamos começar com a viagem que marca esta quarta-feira. Volodymyr Zelensky. Ele estará nesta altura a caminho dos Estados Unidos. É uma viagem histórica por várias razões e por isso falamos de um momento histórico. Ricardo Conceição, é contigo. Encontras aqui um vencedor já?

Sim, Zelensky revela uma grande coragem nesta viagem. De resto, ele estará a cumprir uma das missões que pode e deve cumprir nessa altura, que é angariar e garantir o apoio dos Estados Unidos. É muito difícil, ou até mesmo impossível, resistir à invasão russa sem o apoio militar dos Estados Unidos. Hoje começa o inverno, estamos agora numa nova fase da guerra, que poderá ditar um abrandamento nas operações terrestres, mas isso obviamente não evita os bombardeamentos. E já percebemos, nesta altura do campeonato, nesta altura da guerra, já percebemos que Putin vai continuar a atingir infraestruturas ucranianas, sobretudo no fornecimento de água e de energia. Putin tenta com isto vergar os ucranianos pelo frio. Ora, Volodymyr Zelensky também já explicou que pode trazer do Washington o sistema de defesa Patriot, que são mísseis que funcionam como um escudo ativo contra ataques aéreos. Eles foram cruciais, estes mísseis Patriot, no início dos anos 90, na Guerra do Golfo, foram instalados em Israel e foram cruciais, por exemplo, para travar os mísseis Scud iraquianos. Esta viagem é obviamente uma viagem muito arriscada, também do ponto de vista físico para Zelensky. Sabemos que Moscovo, penso eu, não hesitaria em eliminar Zelensky se tivesse uma oportunidade para isso, e deixa também uma cadeira vazia em Kiev durante algum tempo. Mas o presidente ucraniano, penso eu, que colocado perante este dilema da necessidade de garantir o apoio dos Estados Unidos, entre ir e ficar, resolveu ir. Está a caminho. Não pode vacilar neste pedido de ajuda aos Estados Unidos, porque os norte-americanos, e esta é que é a verdade, são os únicos no Ocidente com capacidade para manter um ritmo de fornecimento de armamento, um ritmo de fornecimento de munições. Têm indústria para isso e estoques. E se Zelensky vacilar nesta exigência de garantir este apoio militar, pode não ter material de guerra suficiente para aguentar os próximos meses de guerra. E esta viagem confirma também que Washington é muito mais importante do que Bruxelas ou Londres. Daí esta necessidade de ir aos Estados Unidos. Um 18 para Zelensky. Ele arrisca muito nesta viagem aos Estados Unidos.

E por isso, e independentemente do que aconteça, já é um vencedor esta manhã, ele que estará a caminho dos Estados Unidos. Ora bem, já aqui dissemos que vamos falar muito de partilhas. Miguel, partilhas de recursos dos hospitais da margem sul do Tejo. É isto que para já é apontado como a solução para a falta de médicos.

Certo. Uma pessoa ouvindo o que se está a passar fica convencida, ou pelo menos eu, que sou uma pessoa com algumas limitações, de que isto era uma solução de recurso para o Natal e o Ano Novo. É verdade que temos vindo de solução de recurso em solução de recurso já há muito tempo. Se não é o Natal e o Ano Novo, são as férias de verão, se não são as férias de verão, é uma ponte por causa de um feriado, se não é uma ponte por causa do feriado, é só um fim de semana normal. Mas eu estava convencido, até ouvindo os presidentes de câmara à saída da reunião, como ministro estava convencido que esta decisão do novo CEO do SNS para a partilha de recursos entre os hospitais de Setúbal, Almada e Barreiro era para agora. E que estaria para breve uma solução a sério para este problema, e uma solução corajosa para este problema. Mas olhando depois para os papéis, vemos que isto é para funcionar durante o primeiro trimestre de 2023 e que os resultados daquilo que o CEO do SNS chama de um plano estratégico, isto pelos vistos é um plano estratégico, os resultados deste plano estratégico vão ser avaliados mensalmente pelo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, de forma a definir a atuação nos restantes trimestres de 2023. Então isto é para o próximo ano inteiro?

Se correr bem. É o que ficamos a entender.

Miguel, nunca ouviste aquela invenção portuguesa que é aquela decisão de caráter temporário com efeitos definitivos?

Certo, sim. Esse já é o ponto de partida. Antigamente era o ponto de chegada, agora é o ponto de partida.

É como aquelas pontes em Alcântara que dão acesso às docas, são provisórias de caráter definitivo. Estão lá há 30 anos, mas são provisórias.

Eu fico pasmado com tudo isto. Aprecio a tua tranquilidade e calma, a tua habituação a tudo isto.

Eu já aqui vivo há uns tempos.

Já cá anda há muito tempo. Mas se nós formos buscar um CEO do SNS para isto, se a grande visão estratégica do novo CEO é esta, se a grande coragem política para mudanças e reformas do novo CEO é isto, é fazer com que os utentes dos hospitais tenham sempre um cartãozinho com eles pra saberem que horas são. Entre a meia-noite e às 08:00, isto é desta maneira. Carla, a definição é a seguinte: o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Centro Hospitalar Barreiro Montijo assume o nível um do plano de contingência definido pela comissão de acompanhamento entre as 08:00 e as 20:00 de um determinado dia, e o nível três entre as 20:00 do dia 30 e às 08:00 do dia do-- é disto que nós estamos a falar. Miguel, não sabes o que é o nível um e o nível três?

Não puxes por mim, José Manuel.

O Júlio vai explicar.

Vamos preparar o mapa pra isso.

Não, eu acompanho aqui o Miguel Pinheiro e o Ricardo, mas a mim o que me confunde mais ainda é o facto de, a propósito disto, ter que haver reuniões entre autarcas e o ministro da Saúde, porque os autarcas são os defensores dos seus munícipes e, portanto, estão preocupados. Esta urgência, neste caso, esteve fechada seis dias, pelos vistos. E o que se pergunta é: há um ministro da Saúde e há um CEO, como dizia o Miguel Pinheiro, mas depois têm que ser os autarcas a pedirem reuniões de urgência ao ministro para contratarem médicos e tarefeiros.

O que parece é que Fernanda Araújo está a reunir-se com as equipas dos hospitais e Manuel Pizarro com os autarcas. À política o que é da política, à medicina o que é da medicina.

A nota negativa também que dou tem a ver com isto. Ou seja, se é pra pedir a contratação de médicos e tarefeiros para os hospitais, pra que é que há reuniões dessas com os autarcas? Porque isto é uma questão que o Ministério da Saúde tem a resolver nos hospitais e nas urgências. Mas em Portugal faz-se depois estas reuniões, as televisões aparecem, a comunicação social toda. Depois dizem uma série de coisas, de boas intenções, que vão resolver o problema, mas a nota negativa é mesmo para isto. Quer dizer, é resolver o problema. Bem sei que o ministro da Saúde e o novo CEO estão a chegar pra arrumar uma casa que não sabemos se terá arrumação possível. Mas é preciso trabalharem e resolverem o problema. Não é preciso andar em reuniões com autarcas para resolver este assunto. E, portanto, a minha nota negativa é mesmo essa: ou resolve-se por contratar médicos e tarefeiros. É uma premissa do Ministério da Saúde, que tem que o fazer, tem que resolver os problemas dos hospitais e das urgências, ou contrata médicos e tarefeiros ou não contrata. Não é preciso os autarcas andarem a pedir reuniões e andarem eles a dizer ao ministro ou ao CEO, ou a quem quer que seja, que é preciso contratar. Toda a gente sabe que é preciso contratar. E, portanto, contrate, sem vez de andarem aqui em reuniões pra trás e pra frente, que depois não resolvem nada e por isso vamos ter, provavelmente, vamos continuar a ter ao longo do ano, ao longo agora do Natal e do fim de ano, que é a época mais difícil, porque há muita gente de folga, de férias, etc.

E nós sabemos que nascem pessoas no dia de Natal.

No dia de Natal. Aliás, até já pusemos aqui em questão há bocado, ainda bem que se faz esta pergunta, se vai haver o bebê do ano ou o primeiro bebê do ano.

Vai, mas vai chegar atrasado.

Exato.

Eu ainda sou do tempo em que a ministra da Saúde, António Costa, sim, surgiu durante a pandemia, porque um hospital privado secundário, não era um dos grandes hospitais privados, era um secundário. Fechou as portas durante a pandemia. E por que os privados fecham a porta e recusam a assistência durante a pandemia? E agora temos hospitais públicos, uns atrás dos outros, a fechar as portas das urgências e a não atenderem pessoas. E a esquerda não diz nada. Marta Temido, onde está? Não está indignada com os hospitais públicos a fecharem as portas na cara dos doentes e a recusarem a assistência? Então, afinal, se há um privado que faz isso é porque só pensa no lucro e agora os públicos fazem isso todos os dias e não há indignação de Marta Temido? Onde está Marta Temido? Por favor, regresse e venha nos dizer o que pensa sobre isso. Venha cá esclarecer.

A nota vai pra cá, hein, Miguel?

Pois é, preciso dar uma nota. A nota vai pro CEO do SNS, que tem que fazer muito melhor do que isto. Muito melhor do que isto. Portanto, vou dar um sete, mas vou dar um sete a sentir muito generoso.

Porque o Natal está à porta. É isso mesmo, acho que é um bom critério. José Manuel, o Miguel Pinheiro já falou há pouco no bom, o mau e o vilão da discussão que houve ontem no Parlamento sobre a contribuição especial. Queres encontrar aqui um vencedor?

Não, infelizmente não há nenhum vencedor aqui. Enfim, apesar de tudo, alguns partidos fizeram intervenções mais sensatas, o PSD, a Iniciativa Liberal

Por regra, ontem foi uma espécie de corrida ao populismo anti-ricos, digamos assim, qualquer coisa que dê lucro. Recentemente, escrevendo sobre estes temas, um economista que eu costumo ler, que é o Ricardo Reis, que escreve no Expresso e que é um dos nossos melhores economistas, actualmente está em Londres. Os nossos melhores economistas habitualmente não estão em Portugal. Ele diz que em Portugal há uma coisa que é uma ideologia de expropriação do sucesso e que isso guia a nossa política fiscal há muito tempo. Eu acho que ele tem toda a razão e isso ficou muito evidente no debate de ontem. O Miguel já falou um bocado de alguns aspectos no Vencedor É. Eu, por exemplo, fiquei absolutamente colado à cadeira quando vi o novo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais a considerar que isto de castigar empresas que vão ter melhores resultados este ano, ainda por cima um imposto retroativo, que é algo super discutível, ainda por cima um imposto que vai muito para além das recomendações da União Europeia, ainda por cima um imposto que se vai aplicar a empresas que não beneficiaram do mesmo tipo de benefícios que tiveram aquelas a quem a Comissão Europeia queria dirigir este tipo de impostos especiais, dizer que isto é cumprir Abril. Como se criar impostos extraordinários fosse cumprir Abril. O grande problema de todo este tipo de impostos, os vários problemas que eles colocam é que para já são extraordinários e depois ficam. Este, por exemplo, era para ser um ano, já vão ser dois. Vamos ver o que é que fica para o futuro.

Lá está, José Manuel, são ações provisórias de caráter definitivo.

Exatamente. E depois, há sempre esta perceção, esta ideia de que isto não tem consequências, quer dizer: "Não, isso não faz mal, são windfall taxes, lucros que caem do ar, os empresários vão perceber e não vão deixar de investir por causa disso." É obviamente que vão deixar de investir. Nós somos um país onde um dos maiores dramas é a falta de capital e falta de investimento. Ninguém investe quando há incerteza sobre o futuro. Somos um país com uma das maiores taxas de IRC da Europa. Toda a gente já sabe que uma das armas competitivas que existe na Europa é ter impostos mais atrativos para poder ter cá investimento e empresas. Foi um dos segredos da Irlanda. Nós aparentemente só queremos reformados e portanto só baixamos os impostos aos reformados, que isto é uma coisa que depois funciona muito bem, faz aumentar os preços das casas, faz as pessoas felizes, mas vêm para cá os reformados da Europa. Não vem o investimento que gostaria de vir, que precisaria de vir. E a cereja em cima do bolo disto tudo, e a prela que é a minha nota, naturalmente, é para a Isabel Rial do PAN, que achou que isto não era suficiente, e então também era preciso proibir os prémios este ano aos gestores da banca. Uma boa parte dos rendimentos anuais, não é apenas da administração, é dos quadros superiores e às vezes até dos quadros intermédios de muitas empresas, é precisamente através de um regime de prémios, rendimento variável, que está indexado, regra geral, aos resultados. E portanto, ela acha que o melhor é acabar com isso, com a parte de risco que esses gestores e esses quadros assumem quando fazem os seus contratos. Isto é, mais uma vez, populismo. É apenas explorar aquilo que é um dos vícios dos portugueses, tão bem notado por Camões, cuja palavra das Lusíadas é a inveja. E de facto, é muito certeira, talvez mais certeira que muitas das outras, que era bom que continuássemos fiéis a elas.

Então a nota?

Neste caso, a minha nota vai para Isabel Rial.

Rial.

Isabel Rial do PAN. E vou voltar ao meu chumbo direto, é o meu quadro, já não dava há muito tempo, portanto, tem que ser esse.

Estiveste a resistir e hoje chegou outra vez o chumbo direto. Miguel, queres ainda falar da cerimónia, que estivemos a falar em empresários, da cerimónia que decorreu no Museu Berardo, no ainda Museu Berardo, vai ser até o final do ano, em que Berardo esteve presente. O que te chamou a atenção?

Estamos a falar em empresários, portanto, vamos mudar de assunto, vamos falar de Joe Berardo.

Vamos falar de Joe Berardo.

Penso que era isso que querias dizer, falar de uma coisa totalmente diferente. Sim, ontem o país teve que sofrer mais uma aparição pública de Joe Berardo. Supostamente terá sido a última cerimónia pública daquele que tem ainda hoje o nome Berardo. Eu passei por lá no outro dia e fiquei espantado porque achei que já lá não estaria o nome e fiquei desagradado com o facto de ter que me deparar com o nome em letras garrafais ali, mas pelos vistos é agora que isso vai acabar, agora no final do ano o museu passará a ter um novo nome que ainda não se conhece. Mas houve uma cerimónia, um beberete para o lançamento.

Um drink.

Um drink de fim de tarde para lançar um catálogo.

Com direito a pipes?

Acho que sim. Vá lá que Joe Berardo não falou aos jornalistas, segundo vi no Expresso, foi a conselho dos advogados Aqui está um bom conselho dos advogados. Também não ficou para o drink, foi mesmo só assistir ao lançamento deste catálogo, que tem ainda por cima uma entrevista a Joe Berardo, feita pela diretora do museu, onde Joe Berardo diz isto sobre as suas coleções de arte: "Sinto que no meu caso é uma forma de compensação emocional. A arte é quase como uma recompensa espiritual." E realmente nós temos que ter uma grande dose de paciência para suportar tudo isto, mas está quase.

Faltam 10 dias.

Está quase. Vamos ter força, companheiros. Está quase a acabar.

Queres dar uma nota?

Quero, quero dar um 20 ao novo nome do museu, mesmo não sabendo qual é, seja ele qual for, espero não me arrepender disto.

Vai ser o Museu Cristiano Ronaldo.

Eu receio que te vás arrepender.

Para já, vou arriscar. Eu sou uma pessoa que gosta de arriscar.

Assim num momento de fé, um 20, sem saber o nome. José Manuel, também queres pontuar este drink?

Não queria pontuar o drink, queria pontuar um artigo que é publicado hoje no Expresso, um artigo de Francisco Capelo. Francisco Capelo é muito menos conhecido que Joe Berardo, mas Francisco Capelo foi a pessoa que durante alguns anos, depois zangou-se com Joe Berardo, afastou-se, entraram em rutura completa, mas foi a pessoa que organizou a coleção. É alguém que, ao contrário de Joe Berardo, percebe realmente de arte, comprou muitas peças que depois valorizaram muito, porque tem, como se costuma dizer, olho. Mas ele chama a atenção para um aspecto muito importante, é que nestes anos todos, todas as avaliações que foram feitas à coleção Joe Berardo, foram por regra feitas por um comerciante de Miami, de quem Joe Berardo é cliente, pecam por exagero e serviram sempre os interesses de Joe Berardo e o Estado nunca se impôs como se devia impor, designadamente pedindo avaliações às empresas que sabem da matéria, como as grandes leiloeiras internacionais. Só para ter uma ideia, ele também já fez uma avaliação, por iniciativa própria, com Raquel Henriques da Silva, que é uma figura conhecida deste mundo em Portugal, e considera que meia dúzia de peças, ou um pouco mais, 15 peças, valerão metade do que vale a coleção Berardo, que essas 15 peças podem valer 220 milhões, o que quer dizer que a coleção toda estará nos 440. Ora, a última vez que apareceu um valor, talvez para enganar os bancos, foi de 750 milhões. Portanto, para ter uma ideia, isto é sempre inchar o ego do Berardo, tentar ver se ele nunca vai pagar tudo o que deve, como é óbvio. Nunca nada foi feito como deve ser até ao fim. Portanto, eu, como já dei um quatro, já dei um chumbo direto, vou dar desta vez um 15, uma nota generosa a alguém que vem contar um pouco das histórias dos bastidores. Portanto, este Fernando Capelo e ao artigo que ele hoje escreveu.

Francisco Capelo.

Francisco Capelo, exatamente.

Sim. Um 15 então para Francisco Capelo. Era quase a nota mais alta, um 18 ainda de Volodymyr Zelensky neste "E o Vencedor É". Até amanhã.