Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa aqui o programa de análise e avaliação dos temas e protagonistas da atualidade. Hoje, sob o olhar atento de algumas das figuras mais importantes do período dos descobrimentos, retratadas nas paredes deste Salão Nobre da Assembleia da República, onde está instalado o nosso estúdio.
E é sob esse olhar do Infante Dom Henrique, Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral, que a Judite França, a Raquel Bacasis e o diretor-executivo do Observador, Miguel Pinheiro, nos vão dar a conhecer as escolhas que fizeram para este "E o vencedor é...". Miguel, vamos começar por ti. Tens nota para José Pedro Aguiar-Branco, que desta vez conseguiu ser eleito à primeira, presidente da Assembleia da República, portanto, desta vez não houve aqui sobressaltos. A nota é para a reeleição, já esperada, ou para o discurso?
É para a tal tranquilidade de que falava André Ventura há umas horas. Mas convém que as pessoas tenham a noção de que o que aconteceu com a eleição agora de Aguiar-Branco, não tem sido normal. Tem havido muitas situações em que a eleição parece garantida, em que até muitas vezes há todas as condições.
E de repente...
E de repente, começa tudo aos tiros, metafóricos, claro, no Hemiciclo. Já tivemos mesmo muitas surpresas, algumas bem-vindas. Eu lembro-me de algumas surpresas bem-vindas de escolhas para presidente da Assembleia da República que acabaram por cair, graças a Deus, nosso Senhor Jesus Cristo e aos deputados que lá estavam para votar. Aqui as coisas correram com normalidade. Só faltou a José Pedro Aguiar-Branco sete votos. Se formos somar AD, Chega e PS, ficaram a faltar-lhe sete votos. O que é isso perante o histórico que já houve aqui e, por isso, esta tranquilidade, esta previsibilidade é nova. Agora vamos ter que perceber se esta novidade se vai manter ou não. Sendo que aqui também temos um pouquinho o hino a uma impossibilidade de fazer previsões em política. Temos uma previsibilidade, mas se olharmos para trás, José Pedro Aguiar-Branco era suposto ter ficado primeiro, inicialmente quatro anos, era o que estava previsto logo no início dos tempos. Depois, afinal, era só dois anos, porque teve que haver um acordo com o PS. Agora, até pode ser mais do que quatro anos, porque ele tem o primeiro ano e agora se estes quatro se cumprirem, até pode ficar cinco anos como presidente do Parlamento. Por isso, tudo isto está cheio de surpresas. Agora, este pode ser o começo de um novo ciclo em que ninguém quer correr o risco de ir a eleições antes de tempo. Acho que mesmo André Ventura, que tem vindo a ganhar com a ida a eleições, mesmo ele sabe que nós estivemos a jogar à roleta no cassino, podemos ir pondo sempre as fichas todas no vermelho e sai sempre vermelho, mas há sempre um momento em que pode sair o verde.
E quererá ter tempo também para preparar o tal governo sombra.
Sim, e repara. Eu bem sei que dissemos o mesmo quando ele chegou aos 50 deputados. Também dissemos que ele tem 50 deputados, tem que aproveitar o facto de ter 50 deputados. Eu sei que já dissemos isso, mas ele aqui tem uma situação única, é o líder da oposição e por isso, mais do que isso, de facto, só chegar ao governo. E ele tem que calcular muito bem as apostas que faz. Hoje parece que tem aqui um patrocínio do jogo, não tem? Ele tem que calcular muito bem as apostas que faz, porque de facto só lhe justifica provocar, eventualmente, eleições antecipadas, se for para ganhar, porque para correr o risco de perder a liderança da oposição, acho que não vale a pena. E, portanto, estão as condições para que José Pedro Aguiar-Branco fique durante muito tempo. Ele estreou um novo estilo. O que nós tivemos nas presidências anteriores, principalmente do lado do PS, foi o uso da presidência da República enquanto palco de exibição da virtude política e em que tivemos presidentes do Parlamento cujo único programa político era o combate ao Chega. Era para isso que eles lá estavam e eles encaravam o lugar, tanto Ferro Rodrigues como, ajudem-me.
Augusto Santos Silva.
Augusto Santos Silva. Não sei porque é que me estou a esquecer desse nome. Tiveram como grande objetivo político usar a presidência do Parlamento para combater o Chega. Não correu muito bem. José Pedro Aguiar-Branco decidiu mudar isso radicalmente. Isso continua a não ser uma posição pacífica. Ouvimos o LIVRE também a queixar-se dessa posição de Aguiar-Branco, mas a verdade é que isso permitiu-lhe, em certo sentido, esta tranquilidade a que nós assistimos hoje. E por isso eu acho que ele merece um 18. O dia correu-lhe muito bem.
A Raquel Bacasis quer falar da nova configuração do Parlamento com recurso a terminologia própria dos nutricionistas, Raquel?
É, porque houve um partido que fez uma dieta rigorosa, chama-se PS, e houve um partido que abusou
Na alimentação e que está muito gordo, que se chama Chega. E isso até visualmente mostra-nos uma configuração parlamentar que nunca vimos, em que o Partido Socialista ocupa agora cadeiras que eram do Bloco de Esquerda e do PC, e o PSD ocupa cadeiras que ocupam todo o centro do Hemiciclo. E depois temos um Parlamento muito pintalgado. Há bocado ouvíamos a Mariana, não é Leita-
Mor d'Água?
Não, a líder parlamentar do Livre.
Isabel Mendes Lopes.
Isabel Mendes Lopes, a queixar-se da forma como está sentada a bancada do Livre, que não lhe permite contactar com os seus deputados, e eu estava a olhar há bocado pro gráfico e de facto eles estão todos em fila indiana da última pra primeira fila, e não são os únicos. A iniciativa liberal está assim também. E isso dificulta muitíssimo a forma de comunicação no grupo parlamentar, que tem que tomar decisões às vezes muito rápidas e trocar informações. Mas isso é o resultado destas eleições que de facto temos, não só esta configuração completamente nova em cinquenta anos, como dez partidos representados no Parlamento, coisa que também nunca houve. Aliás, pelo tempo que demoraram estas intervenções de saudação à eleição do Presidente da Assembleia da República, já conseguimos perceber mais ou menos como é que os timings da atividade parlamentar vão ser, eu diria, penosos em algumas sessões parlamentares, porque ter que dar dez vezes a palavra com tempos, é verdade que os deputados únicos hoje tiveram alguma liberdade de usar o tempo e não será sempre assim, mas vão passar a ser sessões que José Pedro Aguiar Branco vai ter dificuldade em orientar. Mas isso, apesar de tudo, faz parte da vida parlamentar e da capacidade de adaptação. Agora, eu estou curiosa de perceber como é que este equilíbrio, sobretudo dos três principais partidos, vai fazer com o governo da AD sem uma coligação fixa, ia ter que fazer acordos lei a lei, artigo a artigo, se estivermos, por exemplo, a falar do orçamento, com um PS que ainda está ferido, mas veremos como está daqui a uns tempos, e com um Chega que hoje nos mostrou as duas faces que eu acho que vai ter nos próximos meses. Mostrou-nos a face da responsabilidade e do pacifismo na eleição de José Pedro Aguiar Branco e até umas palavras simpáticas, as únicas que André Ventura dedicou no seu longo discurso, talvez o maior de todos os partidos, que acabou de fazer no Parlamento, mas logo de seguida é um André Ventura ao ataque, que já diz que esta é a última legislatura da Terceira República, portanto continua com o seu objetivo de fundar daqui a sabe-se lá quanto tempo a Quarta República, mas que vai tentar fazer isso com bastante habilidade, que ele já no grosso do seu discurso, fez um discurso tipicamente do Chega e de dizer aquilo que vem. E aquilo que vem é, por um lado, mostrando que está disponível para dar a mão à AD nalgumas circunstâncias, mas eu usando uma imagem tauromáquica, que acho que é politicamente incorreta, mas eu vou usar. Quando nas corridas de touros, na altura em que o toureiro se prepara pra matar o touro, ele apresenta o capote vermelho, que normalmente é usado pra fazer a lide, mas lá atrás tem escondida uma espada com que mata o touro. E eu acho que é assim que André Ventura vai tentar tourear Luís Montenegro ao longo de toda a legislatura.
Já agora até aproveito pra te perguntar como é que interpretaste as palavras de André Ventura quando disse que esta legislatura será a última da Terceira República.
Exatamente, é pois é exatamente isso. Por isso é que eu dizia que ele mostrou as duas faces com que se vai apresentar ao longo desta legislatura. Por um lado, tentando dar um ar de responsabilidade e exigência, e, portanto, eu acredito que abrindo a possibilidade de alguns entendimentos e de viabilizar algumas das propostas do governo, mas isso não vai sair barato a Luís Montenegro. E, portanto, eu diria que Luís Montenegro vai ter que estar sempre com um olho no Ventura e outro no Cigano, porque o Ventura é também o Cigano que vai tentar atraiçoá-lo assim que perceber que chegou a sua oportunidade. Quanto tempo é que isso vai durar? Eu também acho que não será pra já. Acho que estes primeiros tempos vão ser tanto quanto mais ou menos pacíficos, evidentemente que sempre animados aqui nos debates parlamentares, mas eu acho que claramente esta não é uma legislatura em que Luís Montenegro se possa sentir ou a AD se possam sentir confortáveis demais, porque o risco e o perigo está sempre ali atrás da esquina.
E o que é merecedor da tua nota?
O que é merecedor da minha nota é o Parlamento. É este Parlamento que hoje tomou posse e estes deputados que hoje tomaram posse, esperando que nos tragam muitas e boas tardes políticas. Eu acho que em democracia a novidade também é uma coisa que desperta sempre a nossa atenção e, portanto, eu dou um 18 ao Parlamento que hoje tomou posse e aos deputados que hoje tomaram posse.
E temos o privilégio de estar aqui hoje, em emissão especial desde bem cedo, das 07h até às 20h. Judite França, estás não só com a cabeça aqui, mas também com a cabeça ainda na entrevista que o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo deu ontem à noite na TVI e na CNN.
Estou, porque acho que foi uma boa entrevista. Não foi uma entrevista fácil e, perante essa entrevista feita daquela forma, o almirante saiu-se melhor do que eu estava esperando. Talvez a minha expectativa não fosse muito alta. Já ouvi dizer que tem sido voz comum dizer que ficou em cima do muro, e eu acho que não. Acho que nos principais temas mostrou que tem opção e que sabe o que quer. E acho que mostrou não ter todas as certezas, o que é bom, porque ninguém as tem. Não é o Presidente da República que tem todas as certezas, nem tem que as ter. Mostrou ter algumas opções assentes e eu acho que isso é uma vantagem. Uma delas é ser um presidente menos interventivo, um presidente que nem o governo de António Costa teria mandado abaixo e teria aceitado que Mário Centeno ocupasse o lugar de primeiro-ministro, porque entende que os portugueses votam para o Parlamento. E é um bom entendimento, e eu concordo com essa interpretação. Achei muito curioso, e acho que ninguém saberia disso, que admitiu ser pró-vida e quer que a lei da eutanásia volte ao Tribunal Constitucional, o que eu também acho que é a atitude mais sensata, tendo em conta a quantidade de vezes que já foi emendada e a complexidade do tema. Portanto, agora que volte ao Tribunal Constitucional e que depois, quando regressar a Belém, irá promulgá-la, pelo menos foi isso que eu entendi. E acho que falou bem para o seu eleitorado do centro, acho que falou para o sítio onde agrega mais votos. E também acho que apesar de ter dito que daria posse a um governo majoritário do Chega, mau era que não desse. Se for um governo majoritário, está dentro das regras do jogo da democracia, portanto, o Presidente da República tem que dar posse. Mas não quer o Chega na campanha, não quer o apoio do Chega, não quer o apoio do André Ventura. Agora, não menosprezou nenhum voto, porque também nenhum voto é de menosprezar, muito menos aquele eleitorado que votou.
Muito menos 1.400.000.
Com certeza. Sim, quase. Sobretudo porque nenhum voto se dispensa e nenhum eleitorado é pior que outro eleitorado. Portanto, acho que fez bem. Foi muito claro na questão da defesa, que também acho que era importante. Confesso que de tudo, mas que não tem a ver com a entrevista, não percebo a escolha do Rui Rio. Acho que o Rui Rio tem demasiados anticorpos. Acho que o Rui Rio não tem um eleitorado hoje em dia que seja um eleitorado que diga: "Está ali o Rui Rio como mandatário. Vou votar." Acho que não, acho pelo contrário. Portanto, não entendo essa escolha, confesso. E acho que do ponto de vista daquilo que ouvimos dizer sobre a justiça, exatamente porque se fica colado a Rui Rio, não é o melhor para Gouveia e Melo, mas isso não tem a ver propriamente com a entrevista. Como já me estavas a fazer sinais
Não, estava a dizer que podes continuar. Já que encaramos por completo o sinal horário das 18h e o arranque do noticiário, já que são, nesta altura, 18:08.
A Assembleia da República está mais atrasada que nós.
É verdade.
Mas eu também não tinha muito mais para dizer.
Não, eu já agora vou aproveitar para dar aqui a palavra à Raquel Abecasis e também ao Miguel Pinheiro.
Ia dar a minha nota.
Vamos à nota.
Eu dou um 16 a Gouveia e Melo, que é uma nota altíssima.
Pronto, e agora ia perguntar à Raquel Abecasis e ao Miguel Pinheiro, antes de fazermos aqui uma atualização das notícias em destaque a esta hora, perguntar que apreciação fazem daquela entrevista de Henrique Gouveia e Melo, se partilham desta análise aqui expressa pela Judite França.
Sim, eu acho que foi uma boa entrevista. Acho que nós temos sempre que fazer um esforço quando vemos estas entrevistas, nós que passamos a vida a analisar e a dar notas aos políticos e às entrevistas, temos que sempre fazer um esforço de nos pormos no lugar do eleitor típico e não do analista político. E eu acho que do ponto de vista do eleitor português, que já de si, pelo menos a acreditar no que dizem as sondagens, mostra grande preferência por este candidato presidencial, eu acho que o almirante Gouveia e Melo, que ontem vimos a responder às perguntas da Sandra Felgueiras, que fez uma boa entrevista, e fez perguntas difíceis e colocou-lhe situações concretas.
E foi a muitos lados.
Acho que eliminou aquele argumento que ouvimos muito no comentariado e até nos adversários, de que ninguém sabe o que ele pensa, nunca fez política, ninguém sabe como é que vai fazer ou vai decidir. Acho que se apresentou um homem seguro e certo da razão pela qual se candidata e com respostas assertivas. E acho, sobretudo, que aquilo que os portugueses mais veem no almirante Gouveia e Melo é o anti Marcelo.
E isso ficou muito clarinho.
Isso ficou muito clarinho e ficou muito clarinho, do meu ponto de vista, numa coisa essencial, caso ele venha, de facto, a ser eleito presidente da República, que é: nunca se deixou levar para o terreno de condicionar o seu futuro mandato. Deu sempre respostas prudentes. Aliás, acho que ele a certa altura, não sei se usou esta expressão, mas disse mesmo que não queria dar respostas que pudessem comprometê-lo na decisão em cima do momento e de acordo com o caso concreto. Por outro lado, também não fez uma coisa que é muito habitual, muitas vezes vermos em entrevistas a candidatos presidenciais, que é eles fazerem uma espécie de programa de governo. Acho que ele conseguiu habilmente dizer ao que vinha sem se querer fazer passar por alguém que se candidata a um poder executivo.
Que não é.
Que não é. Aliás, voltou a reforçar isso, não lhe compete a ele governar. Hoje estou mais generosa, portanto vou lhe dar também um 18.
Miguel Pinheiro, foi o tema, de resto, o bom, o mau e o vilão. O bom pra ti esta terça-feira, Gouveia e Melo, consideras que teve uma entrevista irrepreensível. Não sei se te queres ainda focar na entrevista ou nas reações, por exemplo, a de André Ventura. Registou coisas positivas e negativas.
Não me quero repetir a mim próprio, o que seria mau, mas também não quero repetir a Judite e a Raquel. Estou genericamente de acordo com o que elas disseram. E de facto, a grande curiosidade com que eu fiquei daquela entrevista foi no efeito que ela vai ter no Chega, em André Ventura e no eleitorado do Chega.
Mas que são duas coisas diferentes, não é?
São, mas acho que André Ventura está desejoso de apoiar Gouveia e Melo, porque não tem uma boa alternativa, em primeiro lugar. Em segundo lugar, porque, obviamente, o eleitorado do Chega, sempre que vê uma farda, fica em êxtase. Portanto, acho que tendencialmente existe ali uma sobreposição. É evidente que Gouveia e Melo representa uma crítica ao regime e, portanto, aquilo cola. André Ventura não tem uma boa alternativa, sabe que o eleitorado tem uma tendência natural para gostar de Gouveia e Melo e, além disso, claro, se ele puder aparecer como um dos vencedores da noite das presidenciais, melhor ainda. Ele já teve agora as legislativas antecipadas, nas autárquicas, se conseguir vencer numa autarquia, já vai ser um ótimo resultado. Se conseguisse ganhar Sintra ou qualquer coisa desse estilo, se fosse uma capital de distrito, Faro, qualquer uma dessas coisas tornaria a noite eleitoral numa coisa ótima pra André Ventura, se depois logo a seguir, nas presidenciais, conseguir continuar a surfar essa onda. Mesmo que fosse uma vitória por empréstimo, claro que com Gouveia e Melo seria sempre uma espécie de vitória por empréstimo, mas também seria bom pra ele. Acho que André Ventura está desejoso de arranjar um caminho que lhe permita o apoio mais formal ou mais informal. A entrevista de ontem tornou isso um pouquinho mais difícil, porque Gouveia e Melo traçou uma linha na areia muito funda em relação a André Ventura. Teve ali quase na indelicadeza.
Não quer ver André Ventura em ações de campanha, por exemplo.
Sim, ele poderia ter dito a mesma coisa de outra forma. Notou-se que existe, acho que também não é repulsa, é demasiado, mas existe ali uma vontade muito grande de evitar qualquer tipo de confusão com André Ventura. Isso torna mais difícil. André Ventura tem esta dificuldade, o eleitorado do Chega. Claro, há vários tipos de eleitores do Chega. Há aqueles eleitores mais núcleo duro, que terão ouvido ali coisas de que não gostaram mesmo nada. E depois haverá, enfim, quase 1,4 milhões de pessoas, como a Raquel dizia há bocado, isto tem vários círculos concêntricos. Mas haverá muita gente ali para as quais aquilo que Gouveia e Melo disse não é suficiente pra as afastar. Não apenas o que disse sobre o Chega, o que disse sobre imigração, claro, são coisas muito diferentes daquilo que pensa o eleitorado do Chega, mas também a verdade é que os eleitores do Chega, como qualquer outra pessoa, só podem votar naquilo que está no boletim de voto. Quer dizer, podem ir lá pôr outras coisas, mas depois o voto não vale, só pra não haver dúvidas. E portanto, eles vão ter que escolher entre quem? Seguramente entre Gouveia e Melo e Marques Mendes. Vamos ver que outras escolhas é que virão aí, mas pelo menos ali, não me parece que pros eleitores do Chega haja grandes dúvidas. Entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, eles vão querer Gouveia e Melo. E por isso, acho que Gouveia e Melo correu ali um risco, se tivermos de olhar apenas do ponto de vista da eficácia eleitoral. Eu não estou a falar de princípios, não estou a falar de alta política. Estou a falar de baixa política, mercearia política, o voto. Ele correu ali um risco, mas se calhar, foi um risco calculado. Se calhar foi um risco calculado e não vai pagar um preço por isso.
Porque a mercearia podia também ser outra.
Não, claro. É que é preciso ver que um presidente precisa de 50 votos mais um. Portanto, é um cobertor muito grande. E a dada altura, claro, se ele não tivesse sido tão vocal no afastamento do Chega, se calhar eleitores do PS iam ficar a pensar: "Espera aí, será que eu corro aqui o risco?" Se calhar, foi a medida certa, não. Como eu digo, não tenho a certeza, estou curioso pra saber nos próximos tempos.
Mas que foi calculado, foi.
Certo. Os próximos capítulos ajudarão a perceber e a ter uma leitura mais fina desta entrevista a Henrique Gouveia e Melo. Fica por aqui o vencedor e já a seguir, daqui a cerca de minuto e meio, vamos fazer uma ronda pelo que de mais importante se vai passando pelo país e pelo mundo.