Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o "Iuvenstoria" das manhãs 360 e esta quinta-feira para a análise aos protagonistas do dia, juntam-se a nós a Filomena Martins, a Judite França, o Pedro Jorge Castro e o Nuno Vinha. Carla.

Bom dia. A campanha eleitoral para as autárquicas começa a aquecer. Há cartazes, meias laranja, promessas, mas antes de chegarmos a 26 de setembro, teremos certamente outros problemas na agenda, nomeadamente os incêndios. Filomena Martins, esperam-se dias difíceis agora, sobretudo no próximo fim de semana. Estaremos a fazer tudo o que é possível na prevenção?

Eu pensava que ias começar pelas meias laranja e não pelos avisos laranja.

Pois é. Optámos pelos avisos.

Então pronto, vamos começar pelos avisos que deviam ser vermelhos e não laranja. Eu quero começar exatamente por aí por causa daquele vídeo de ontem, de António Costa, um vídeo de 1 minuto e 44s no YouTube ontem de manhã, que eu acho que o primeiro-ministro espera que todos os portugueses tenham visto. Peço desculpa. E eu acho que ele espera não só que todos os portugueses tenham visto, e espera que com o qual todos travem os fogos, porque o país está em risco, devia estar em alerta máximo a partir de hoje, em que já estão reunidas todas as condições para os incêndios começarem. São aquelas condições dos três vezes 30, mais de 30 graus, vento superior a 30 km/h e menos de 30% de humidade. Só que mais uma vez António Costa atira tudo, com estes minutos, as responsabilidades para cima dos portugueses. É como na pandemia. Aliás, cada um de nós temos de fazer a sua parte, diz ele. Mas ninguém sabe que parte é que é esta que está a fazer o governo, que é suposto, digo eu, proteger-nos a sério. Quem apanhasse, não sei se vocês viram o vídeo todo, aquilo é pequenino, só umas frases. Achava que o Costa estava a falar de Covid, da pandemia, porque era: evite comportamentos de risco, tenha cuidado.

Portanto, sempre o apelo ao comportamento individual, é agora uma regra.

É isso. Cuide de si, cuide dos outros. Só vendo o vídeo todo, vá lá que aquilo não era muito, é que se percebia que o tema, com o PM a fazer alusões obviamente ao governo, porque nos últimos três anos tinha reduzido 50% dos incêndios e 64% da área ardida.

Só fazer essas contas já é perigosíssimo, porque toda a gente sabe que é cíclico, toda a gente sabe que há meia dúzia de anos com poucos incêndios, depois vem um em que as coisas descambam.

É como se há três anos não tivesse isto tudo ardido, não é? Não tivesse havido os grandes fogos tipo de Pedrógão Grande, de Pedrógão Grande, de Castelo Branco, e de verdade, se não tivesse ardido tudo há poucos anos, agora se calhar já estaria a arder tudo. A verdade é que o ordenamento do território, mandando os terrenos rurais, a falta de gestão florestal, são problemas identificados e que ainda vão levar algum tempo a resolver, e que o comportamento dos cidadãos é importante. Mas ainda há dias o PSD alertou para algo importante, que é o sistema de videovigilância florestal, o tal CICLOPE, que deveria cobrir 1.300.000 hectares do território de Portugal. Está desativado porque, para variar, o contrato acabou, o contrato de manutenção, e ainda não foi renovado. Há torres de vigilância sem funcionar na floresta. Vocês lembram-se que já vimos essa história em algum lado. Esta onda de calor que aí vem e fará com que sábado seja o dia mais quente do ano, provavelmente até se batam recordes de calor, está identificada há dias. Aqui ao lado, em Espanha, andam há uma semana a lançar alertas do IPMA de lá, do AEMET, e da Proteção Civil. E nós temos um videozinho no YouTube do primeiro-ministro, que não se sabe bem se é de Covid ou se é de fogos. Não sabemos o que é que está a ser feito, não sabemos quem é que já está no terreno, não sabemos se estão a ser proibidas todas as queimadas, se há videovigilância e fiscalização. Não sabemos onde é que estão as coisas. Não sabemos se estão a ser anunciadas mesmo coisas novas para as pessoas não arriscarem mesmo, para saber o que estão a ser controladas, para as pessoas terem uma novidade nas recomendações, para perceberem se é um alerta especial. E eu acho que poderíamos mesmo ter antecipado isto tudo com tempo, com pedagogia, em vez de um vídeo do primeiro-ministro no YouTube. E esta incapacidade de tomar decisões e atirar sempre a responsabilidade para cima das pessoas ou das empresas, deste governo, já passou dos limites e espero que não aconteça de o pior por pura negligência. E já agora, onde é que anda o ministro da Administração Interna? Também é uma pergunta, mas eu já não falo mais daqui deste ministro.

Pedro Jorge Castro, em relação a este vídeo do primeiro-ministro, será que uma imagem vale mais que mil palavras e será suficiente para a população ficar alerta?

Olha, é engraçado que eu estava aqui a ouvir a Filomena. Ela ficou, de certa forma, baralhada sobre o tema, não é? Se era Covid ou fogos. Eu fiquei sobre o destinatário. A parte final do vídeo, sobretudo, é qualquer coisa. E parecia que António Costa estava a falar ao espelho pra ele próprio. Vou aqui repetir só o final.

Põe som.

Não, não vou pôr som. São poucas frases. Quando ele diz assim: "Tenha cuidado", que é assim, quando começa aquele grande final. Estamos a imaginá-lo a falar ao espelho e a pensar: "Antes que isto dê asneira, estou aqui a gravar este vídeo para não me acusarem de não ter feito nada." Depois: "Cuide de si." E conseguimos imaginá-lo a pensar: "Vou aguentar o cabrito até ao fim do verão, que é um bom saco de pancada se isto correr mal. Mais uma bronca e já ninguém liga, deixo-os continuar a perguntar a velocidade e o carro."

Estás a pensar que o cabrito é para queimar.

Exato. Depois ele diz: "Cuide dos outros". E a gente imagina-o a pensar: "Se a Patrícia Seixas se safar bem, já tenho substituta para o cabrito." Depois: "Cuide da nossa floresta." E aí ele irrita-se, vira-se para o lado, lá para um assessor e diz: "Puxa, que história é essa das câmaras de videovigilância das florestas estarem avariadas? Arranjem lá isso antes do fim de semana que vai estar calor." E depois a terminar: "Cuide do nosso país." E ele já a achar a mala para ir de férias e a pensar: "Pá, se não fosse eu, quem é que ia salvar isto?"

Sim, porque ele não foi de férias a semana passada.

Pronto, ainda viste mais o vídeo que eu.

E pronto, e assim se lê um vídeo, não é? É isso mesmo.

É, sim.

Filomena, com isto tudo, vais dar nota a quem?

Eu não sei do Cabrita, portanto tenho que dar ao vídeo. Tenho que dar ao António Costa, que mais uma vez me tirou a responsabilidade para toda a gente, menos para ele. Ficou ao espelho, como diz o Castro. Portanto, eu mais uma vez pelo vídeo, por ser tão bonito e tão interessante, fico pelo um fantástico quatro, mas pelo vídeo.

Um quatro pelo vídeo. Até nem é tanto assim desta vez pelo primeiro-ministro, é mesmo o vídeo que podia servir para qualquer situação de emergência do país nesta altura.

Aliado ao baixo radar.

Deixa-me só dizer, dou-lhe um cinco, porque acho inacreditável que entremos nesta época de fogos ainda com o Cabrita, com um ministro tão desacreditado, como máximo responsável por isto.

Muito bem, um quatro e um cinco, estão abertas as hostilidades. Vamos mudar de assunto então.

Para as meias.

Vamos às meias. É isso, Judite, é o que tu destacas do cartaz do candidato do PSD para Oeiras, que tem feito correr tantos comentários.

É o detalhe importante. Bom dia, Carla. Eu não vou destacar só as meias, até porque acho que isto é um poço sem fundo e, portanto, não resisti à piada também, peço desculpa. Nós vamos falar de Alexandre, isto para as pessoas contextualizarem, nós vamos falar de Alexandre Poço.

Para quem não tem redes sociais, não é?

Sim, ou para quem não vai muito ao Twitter. Eu acho que isto foi uma jogada que esteve mais no Twitter, também no Facebook. É Alexandre Poço, candidato pelo PSD à Câmara de Oeiras, em cartazes que só podem recordar Manuel João Vieira, que agora é artista plástico, era vocalista dos Anapa 2000, que tinha frases também que, pelo menos pela minha geração, nunca serão esquecidas. "Só desisto se for eleito." Prometia um Ferrari para cada português. Alexandre Poço promete pagar uma cerveja a cada português se for eleito. Manuel João Vieira também queria alcatifar o país inteiro. Diz, Pedro.

Judite, pintar os submarinos de amarelo.

Pintar os submarinos de amarelo, já não me lembrava dessa.

E uma bailarina cubana para cada português, e uma dançarina russa para cada português, e um bailarino cubano para cada português. Era mais ou menos isso.

E também dizia que o importante era que-

Estou impressionado é com o conhecimento que o Nuno Vinha apresenta sobre as propostas.

Havia uma que também era muito importante.

Quando alguém promete uma bailarina russa para cada português, tu não esqueces.

Nota do nome dessa pessoa, dessa promessa. Tenho que lembrar.

Ficaria neulo, sinceramente.

Qual era a outra promessa, Judite, que ias recordar?

Não, ele dizia que era importante é que se sacrifiquem vacas ao candidato Vieira. Portanto, isso também era importante, mais importante que os votos.

Como é possível que esse candidato não tenha vencido nada?

Ele nunca se candidatou. Esse é o truque aqui. Três vezes amiou-se a candidatar, sim, nunca se candidatou. Nunca teve as assinaturas suficientes.

Não é o caso de Alexandre Poço.

Não é o caso de Alexandre Poço. Alexandre Poço vai aparecer nos boletins de voto. É deputado do PSD, é líder da JSD. Eu imagino os apartes que a partir de setembro os deputados vão fazer numa intervenção em plenário, quando Alexandre Poço estiver a falar, os outros partidos vão fazer apartes interessantes, e alguns deverão ser desconcertantes. É verdade que Alexandre Poço também não intervém.

Judite, já estás a dar a derrota, dizes que Alexandre Poço vai estar no Parlamento em outubro.

Quem está a dar a derrota a si próprio é Alexandre Poço, em certa medida.

Ele diz que não é uma missão impossível candidatar-se a Oeiras e ganhar, mas claro que é uma missão impossível.

O Tom Cruz ia dizer a mesma coisa.

Com três Altino Morais é impossível. Nem que fosse o Ethan Hawke conseguia. Não tem nenhuma hipótese. Mas está só mesmo contra a criatividade. Eu gostei das justificações que ele deu ao Observador, à Inês Figueiredo, porque ele diz que quer intervir na política, sobretudo esta. Provar que os políticos não são todos iguais e que quer colorir o cinzentismo, é mais ou menos banal, mas dizer que quer intervir na política com códigos culturais próprios da sua geração, isso tem algum interesse. Porque de facto, os políticos levam-se demasiado a sério e ele tem razão numa coisa: os políticos de direita levam-se demasiado a sério. E eu acho que isto eu estou a falar para o líder do seu partido, Rui Rio, que é conhecido, aliás, por ser uma pessoa séria, com pouca flexibilidade para grandes piadas. Não está a tentar vender pela vida. Ele faz uma coisa fantástica, que é toda a gente sabe que ele é candidato do PSD de Oeiras.

Claro, mas ontem ninguém sabia. Eu acho que a campanha a esse nível é boa.

É a essência da campanha, dar a conhecer o candidato.

Claro, já não é uma coisa do Twitter.

Por que raio estás a falar do Poço?

Do Poço, exatamente. Estamos aqui falando. É isso, é verdade. Eu acho que essa é a grande vantagem. E a grande vantagem é chegar a uma geração. Exato, autocarros de borla, sim. Eu gosto mais das cervejas, confesso. Uma cerveja para cada eleitor. E também promete uma árvore por cada voto.

E eu aposto com vocês que a ideia das cervejas gratuitas surgiu com o Observador, porque ele em 2020, no Congresso da Juventude, era para a eleição de líder da JSD, ele tomou uma mini com o Pedro Antunes, e eu acho que a ideia das cervejas vem daí.

Convém dizer que Alexandre Poço já teve momentos em que teve ideias muito boas contra Rui Rio, foi contra os debates quinzenais, e foi a voz mais audível no PSD, que foi contra os debates quinzenais. E portanto, Alexandre Poço faz aqui um volte face completo daquela imagem que tinha, que é uma imagem com aquele blazer azul e a camisa azul clara.

Mas ele tinha uma imagem?

Desculpem, mas vamos sair do estúdio e perguntar às pessoas: "Sabe quem é Alexandre Poço?" Quantas é que respondem que conhecem e que viram uma imagem?

Na verdade, algumas.

Desculpem, eu acho que nós olhamos muitas vezes para a publicidade e para a campanha eleitoral, que no fundo é publicidade a políticos e ideias políticas, de uma forma que é: eu gosto ou não gosto, e aquilo dá para mim ou não. A primeira coisa é notoriedade. As pessoas em Oeiras têm que saber que ele existe, que há um candidato do PSD que se chama Alexandre Poço. Porquê? Oeiras é aquele concelho que é Isaltino o ponto. Vocês lembram-se, vocês sabem, e, portanto, este auditório aqui é... Este auditório, não, este grupinho, este focus group não é representativo. Mas será que as pessoas se lembram quem foi o candidato do PSD há quatro anos em Oeiras? Eu tive que ir ver. Ângelo Pereira.

Não era um boneco? Não era aquele que era um boneco?

Exatamente.

Era um boneco.

Exatamente. E teve 8,8% dos votos. Portanto, quando se aceita uma missão destas, das duas, uma: ou é para entrar incógnito e sair incógnito. E Alexandre Poço decidiu, imagino eu: "Epá, pelo menos vão saber quem eu sou. E vão saber que existo, que tenho um nome." E ele se calhar não vai ter mais do que os 8,8% dos votos, mais uma vez fazendo trocadilho, não consegue tirar a votação do PSD lá debaixo do Poço.

Mas eu por acaso tenho algumas dúvidas. Eu acho que o Alexandre Poço vai conseguir ganhar ao boneco de há quatro anos. Àquele boneco que aparecia nos cartazes, imagino eu. Portanto, vai ter uma votação maior do que isso. Mas sim, não tem nada a perder. E há uma coisa, eu acho que a geração dele, eu acho que este é o ponto, eu acho que a geração dele vai achar isto suficientemente engraçado para votar diferente.

Não, novinha, também me parece que pode angariar votos.

Eu acho que o Paulo bateu aqui num ponto certo, que é: ninguém conhecia o Alexandre Poço, ou melhor, muito poucas pessoas conheciam o Alexandre Poço. E se a campanha dele teve algum condão, foi de me fazer ir buscar e ir procurar as intervenções dele na Assembleia da República. E eu pelo menos já encontrei duas que me interessaram bastante. E só para vos dizer, no dia 3 de dezembro do ano passado, era dia de declarações políticas a seguir à votação do orçamento. E o Alexandre Poço faz uma declaração, é um discursinho de seis minutos, e que francamente foi um discurso mais interessante sobre aquilo que é as novas gerações e aquilo que é o estado do país, do que alguma vez ouvi o Rui Rio fazer. Eu estou a dizer isto com alguma parcimônia, mas na verdade, dizia Alexandre Poço que há um autêntico rolo compressor a destruir o presente dos jovens, que compromete os projetos de vida, que Portugal continua a ser um dos países mais pobres da UE, que tem sido ultrapassado por países que são independentes há apenas três décadas, como os Bálticos e os países de Leste. Dizia que era preciso um país com muito menos propaganda, porque propaganda não gera um único emprego. E que os jovens, e esta é a frase que eu acho que fica marcada, exigem uma economia que não estigmatize quem investe, quem arranca com o seu próprio negócio, uma economia que não seja soterrada pela asfixia fiscal, que valorize quem cria empresas e quem cria emprego, e que isto é uma condição essencial para manter o Estado social de que o país precisa e de que o país quer. Eu acho que este género de intervenções das meias cor de laranja e dos cartazes engraçados, e vou dar tudo por Oeiras, etc, tem o condão, precisamente como dizia o Paulo, de me fazer ir ver as intervenções de um candidato e perceber mais sobre quem ele é e quais são as ideias que ele tem, porque obviamente que o Alexandre Poço não pretende terminar toda a sua vida política em Oeiras numa derrota mais que certa quase contra Isaltino Morais, certo? E portanto, é aqui que está o ponto. Ele está a usar isto como um trampolim, uma projeção, algo que transformar uma coisa que podia ser muito má, como uma derrota política contra um candidato que é fortíssimo e que tem uma das autarquias, não digo mais bem geridas, mas com maior nível de aceitação por parte dos cidadãos que lá moram, das atividades que existem em Oeiras e daquilo que é o papel da Câmara e o trabalho que faz, transformar isso em algo que possa ser positivo para ele, não agora, mas no futuro. E eu acho que é isso que é exatamente o que serve uma campanha publicitária.

Uma campanha publicitária e uma campanha política, pelo menos neste caso. Sim, Filomena.

Porque no momento em que o PSD decidiu, e bem, digo eu, não apoiar Isaltino Morais, não se esqueçam que isso esteve sobre a mesa, haver ali um apoio, ou seja, não apoio direto, mas não apresentar candidato. A partir daquele momento, quem fosse era para ser atirado para a fogueira. Portanto, isto é uma forma de sair dessa morte certa e aparecer. E portanto, temos autocarros de borla e confiar nas pessoas que têm um metro e vinte e dois.

E as cervejas, não te esqueças das cervejas. Pedro Jorge Castro, é aquela ideia de primeiro estranha-se e depois entranha-se? Pedro.

Não, dentro do ridículo, isto é bastante eficaz, de facto. Aliás, estamos aqui a falar dele e se calhar não estaria nas nossas cogitações se ele não se tivesse exposto desta maneira. É claro que a notoriedade de uma gargalhada não leva ninguém a votar. As pessoas não vão votar nele, de repente, só por isto. Mas isto é um primeiro caminho, é um primeiro passo fundamental para as pessoas pelo menos ouvirem aquilo que vier a seguir. Seria preciso verem coisas absolutamente surpreendentes

Para isto depois ter um efeito no sentido de voto destas eleições. Mas de facto ele não está a concorrer para ganhar a Isaltino Morais agora. Ele está a concorrer para ganhar algum capital político.

Pedro, o que seria algo surpreendente? O Isaltino Morais ser preso por crimes relacionados com corrupção?

Exato.

Achas que isso mudava alguma coisa na eleição em Oeiras?

É que não mudaria, de facto. É muito difícil. Aliás, o fato de, como a Filomena estava a dizer, o PSD ter avançado com esta candidatura depois de ter ponderado apoiar Isaltino, é logo um handicap tremendo. Porque isto será a primeira coisa com que lhe poderão atirar em qualquer debate e até mesmo na rua. Agora, até pela própria linguagem. Basicamente, a forma como ele se dirige às pessoas. Isto até parece o nível de uma campanha de associação de estudantes, ou das Jotas. Mas está a investir no futuro, de facto. É para ficar qualquer coisa nestes eleitores mais jovens, para daqui a uns tempos, quem sabe, isto poder vir a dar frutos se ele não fizer grandes disparates.

Ao longo da campanha, diz tu.

Exatamente. Se as próximas coisas que ele for dizer forem parvoíces não propositadas. Porque aqui o ponto é: as pessoas dão o benefício, porque ele expôs-se a este ridículo propositadamente.

Mas tu acharás que é ridículo, eu acharei que é ridículo, ele não achará, seguramente, e há muita gente que não acha.

Lá está. Isto foi ponderado, seguramente.

Não.

Mas é ponderado e ele sabe que é ridículo. Se é para dar nas vistas, vamos dar nas vistas. E que tem um objetivo específico.

Eu acho que é mais interessante do que a candidata da freguesia de Aranhas, Isabel Reis, cujo cartaz dela é: "Eu quero abraçar aranhas." E ela não é do PAN.

Isto não será só do Alexandre Poço. Ele tem ao lado dele o David Justino, que é uma pessoa com alguma experiência e que terá embarcado nisto também e terá dado o seu aval, se não ajudou também a inspirar de alguma maneira. Mas voltando àquela ideia do Paulo, não é só uma fatalidade, o fato de as pessoas não saberem quem é o Ângelo Pereira. Se fores aos outros candidatos do PSD contra Isaltino, para trás, Teresa Zambujo e Isabel Meiros também dizem muito pouco à maioria das pessoas. E esse esquecimento dificilmente se aplicará a este Poço.

Sem dúvida.

Este Poço. Não aparece no cartaz.

O candidato do PS agora nesta eleição em Oeiras é Fernando Curto, que nós conhecemos publicamente, porque tem uma função na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, mas os cartazes lá estão. Eu moro em Oeiras, passo em cartazes todos os dias. Moro no Conselho de Oeiras. Eu não me lembro qual é o slogan de Fernando Curto. Já vi a cara dele várias vezes em vários cartazes. Não me lembro. É qualquer coisa por Oeiras ou mais Oeiras, uma coisa daquelas.

Melhor Oeiras.

Ou quero abraçar Oeiras.

Lembras-te do vamos dar tudo.

Agora, o vamos dar tudo, deitado com umas meias laranja, é assim, não é?

E as propostas concretas? Não se perde depois essa discussão? Em vez de estarmos a falar de propostas concretas, estamos a falar da cor das meias.

Eu olho para isto como um tiro de partida.

A cor das meias é significativa, não é? A cor é contigo.

Eu olho para isto, lá está aquilo que diz o Pedro agora também, vamos ver como é que isto evolui agora e que ideias é que o Alexandre Poço põe em cima da mesa. Eu vejo isto como um tiro de partida a dizer: "Estou aqui, chamo-me Alexandre Poço e vocês vão ouvir falar de mim nas próximas semanas."

E tenho 1,92 m.

E tenho 1,92 m. Eu imagino isto desta maneira: agora que já tenho a vossa atenção, já fiz aqui dois disparates, já disse duas asneiras, já tenho a vossa atenção da plateia, está tudo calado, agora ouçam o que eu tenho para dizer. Enfim, aliás.

Em que autarquias do país é que há discussão a sério, ponderada, geral e globalizada sobre as propostas? Se há eleições que são de reconhecimento pela pessoa só, são as autárquicas e as presidenciais. Não há aqui propostas assim em cima da mesa, a não ser a nível muito local, das pessoas que já são conhecidas pelos eleitores e pelos cidadãos daquela localidade.

Olha que há. Isso pode não passar para a discussão nacional, mas em cada concelho, de facto, as pessoas interessam-se por nomes concretos.

Mas a nível muito micro. Numa câmara como Oeiras, grande.

Só para ir a esse ponto. Ontem saiu a lista das campanhas com orçamentos mais caros, mais altos. Que está publicada na Entidade contra Financiamentos Políticos. E curiosamente, até fui à procura para ver, não está lá o orçamento desta campanha de Oeiras. Portanto, não sei se é algum esquecimento ou alguma falha, ou se fui eu que não encontrei. Provavelmente até foi isso. Mas no ranking aparece Rui Moreira no Porto, Carlos Moedas em Lisboa e depois Isaltino Morais em Oeiras. E tirando Carlos Moedas, que tem estado mais ativo e que está atrás nas sondagens, de Rui Moreira e de Isaltino, ainda praticamente não se viu nada da campanha, que justifique este investimento. Pode ser que ainda venha aí alguma coisa.

Pedro, isso está em valores absolutos ou não?

Não sabemos quanto é que eu estou. Estava €316 mil para o Rui Moreira, €285 mil para o Isaltino.

Mas também estamos a falar das autarquias com os maiores orçamentos do país e das mais ricas.

Não, certo. Mas aqui o ponto até é outro. Marcelo Rebelo de Sousa fez uma campanha presidencial por menos de um décimo destes valores e nestes dois casos em concreto, estamos a falar de candidatos que dificilmente serão beliscados pelos adversários.

Isso é interessante, essa parte. Por que se gasta tanto com eleições?

Nem toda a gente tem a exposição de Marcelo Rebelo de Sousa. Vamos fazer o ponto de situação.

Uma eleição que é muito de danço.

E fazendo a ligação aqui entre Marcelo e Alexandre Poço, lembram-se quando Marcelo candidato à Câmara de Lisboa deu um mergulho no Tejo?

É verdade.

Foi ridículo. Conduziu o táxi. Lá está, é preciso agitar as águas. O que eu não perdoo é que a campanha de Alexandre, líder da JSD, não se tenha lembrado do slogan: Poço quero e mando.

Essa podia cair muito mal. Vamos à pontuação e às notas. Judith de França, dás nota a Alexandre Poço?

Dou, eu dou um 13 a Alexandre Poço, porque fez-me rir, por um lado. Parteu-me de rir, sobretudo com os memes, porque depois à volta destes cartazes já nasceram muitos memes. E acho que a ideia de falar à sua geração pode ser interessante e, portanto, dou um 13.

Um 13. Nuno Vinha, a tua nota?

Eu pelo mérito que ele teve de pelo menos despertar a curiosidade para ir saber quais são as outras posições sobre ele. E já agora, Paulo Ferreira, ele assinou um requerimento sobre tauromaquia a questionar a Ministra da Cultura sobre porque é que havia discriminação contra a tauromaquia. Portanto, atenção a isso, eu acho que já lhe vais tirar mais um ou dois valores.

Já desceu um ponto.

Já desceu um ponto. Portanto, também fui ver, mas pela forma como ele conseguiu captar a minha atenção, que é para isso que serve a publicidade, na verdade, eu dou-lhe um 14. E já agora, quanto aos memes da Judite, eu acho que o melhor deles é o cartaz dele: "Vou dar tudo por Oeiras". E alguém fez um meme com o corpo do Luis Alcione a dar tudo por Alheiras.

Paulo Ferreira.

Que ele é de Mirandela e dar tudo por Alheiras é fantástico.

Antes que isto comece aqui a desandar.

E também por me fazer rir. Olha, dou-lhe mais um valor, o valor que vamos tirar ao Paulo Ferreira da tauromaquia, ponho a mim, porque me tem feito rir. 15.

Eu parto do 14 que ia dar, retiro-lhe um ponto por causa da tauromaquia, portanto fica o 13 da Judite pelo arrojo e por saber rir dele próprio, de alguma maneira.

Pedro Jorge Casas.

Eu tenho aqui um 12, mas que é a dividir. É para ele, sim, claro, por ter alinhado nisto. Para a Viridustine, bastante mais experiente, porque está associada a isto, e para a Agência Mapa, creio que é assim que se chama o nome da agência, que mostra esta criatividade e que de facto é aquilo que mais sobressai aqui e que nos faz estar aqui a falar do raio do Poço.

Pedro, mas é 12 a dividir por três, quatro. 12 mais 12 mais 12.

Não, é um 12.

A distribuir notas. Filomena, resistes a dar uma nota ao Alexandre Poço?

Não, não resisto, de maneira nenhuma. Neste momento, claramente um 14 para o Alexandre Poço, apesar do curtos já ter ficado nos anos 90. Vamos lá falar nisso.

Um 14. Agora não temos tempo, eu estou com negativa porque já passei a hora certa. Voltamos amanhã. Até lá.

Até amanhã.

Até amanhã.