Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"E o Vencedor É?", na Rádio Observador, com Judite França, António Costa e Alexandre Borges. Vamos hoje falar sobre casos autárquicos que envolvem militantes e ex-militantes do Chega e de como as linhas vermelhas se esbatem perante as necessidades. Também temos uma das notícias da tarde: o fim das negociações sobre o pacote laboral. A UGT abandonou também as negociações. Mas vamos começar pelo discurso da tomada de posse do novo presidente da República e dos apelos deixados por António José Seguro no Parlamento. António Costa, vamos ter estabilidade agora? Vamos cumprir o calendário todo até o fim?

Não sei, nem o presidente Seguro sabe. E esse é o primeiro problema deste primeiro dia. Este primeiro dia é o dia mais fácil da vida presidencial de António José Seguro, porque hoje é só comemorações, jantares e almoços.

Em princípio, o dia oficial hoje já acabou.

Já acabou. Agora vai para as Caldas da Rainha e vai pensar na vida dele.

Ainda vai a tempo de fazer o jantar.

Exato. Vai pensar na vida que tem no resto da vida, que são os próximos cinco anos. Parecem-me duas coisas importantes que disse nesta tomada de posse, que na verdade não trouxe nada de verdadeiramente novo face aos discursos de campanha. Mas dizê-lo desta forma, eu acho que são importantes. Por um lado, a estabilidade, já lá vou detalhar, mas sobretudo, que a estabilidade não é fim em si mesmo, se não der para mais nada. Portanto, o que se percebe, eu acho que é importante que o presidente o diga, porque às tantas, se não acrescentasse esta segunda parte, estava, por um lado, a hipotecar todo o seu mandato à existência ou não de estabilidade, o que seria estranho, porque a estabilidade depende parcialmente do presidente da República, obviamente, mas não depende especialmente do presidente da República. Depende dos partidos no Parlamento, depende do primeiro-ministro, depende de José Luís Carneiro e depende de André Ventura. É destas três figuras que depende a estabilidade política. Alguns, mais maldosamente, poderiam dizer também da Justiça. Enfim, também pode depender da Justiça, é verdade. Tendo em conta os inquéritos que existem, nomeadamente o último inquérito que impende sobre Luís Montenegro. Mas do ponto de vista político, essa estabilidade depende mais dos três partidos e, desde logo, do primeiro-ministro, como é evidente, do que do presidente da República. E isso leva-me à terceira consideração sobre esta tomada de posse, que não é surpreendente. Eu diria que vai ficar mais na história pela saída de Marcelo do que pela tomada de posse do presidente da República, do ponto de vista político. Mas já lá vamos.

Já lá vamos ao supermercado.

Exato. Mas não era isso que eu ia acrescentar. Bem sei que seguramente também podemos ir a outra fase, mas eu gostava, porque eu ligo uma coisa à outra. É muito revelador que António José Seguro tenha tomado posse hoje e o acordo de concertação social na concertação em torno da reforma laboral tenha falhado hoje.

Achas que não é uma coincidência?

Não é uma coincidência. As datas são uma coincidência, seguramente, a concertação da parte do governo para a reunião na data de hoje, não tenho nada que me indique que tenha sido pensada e marcada a pensar no dia da tomada de posse. Mas a verdade é que se nos recordarmos da campanha, talvez a única área, matéria política em que António José Seguro se comprometeu de uma forma um bocadinho mais evidente, foi mesmo no acordo laboral, dizendo uma coisa que, quanto a mim, é muito questionável.

Arriscada também.

Arriscada, sim, mas é uma posição em campanha eleitoral, ainda bem que o disse, mas o que é questionável é considerar que um diploma que lhe chegue, aprovado pelo Parlamento, se lhe chegar, obviamente, que não tenha passado com o acordo da concertação, dificilmente passará em Belém. Ora, é estranho que valorize mais a concertação que o Parlamento. O presidente da República, apesar de tudo, o Parlamento é um órgão de soberania, a concertação não é. Mas a verdade é que o disse e eu não consigo identificar, não tenho informação para isso, se foi mais António José Seguro com essa posição a dar o poder de decisão à UGT que levou a este não acordo, porque foi evidente que a UGT, até com a proposta que apresentou, não queria nenhum acordo. Se foi a UGT a criar as condições para que António José Seguro tivesse dito em campanha aquilo que disse, que sem acordo, isto é, sem a UGT, não há promulgação. Os dois, um ou outro, vou admitir que um misto de condições, criaram as condições para que se tivesse perdido uma oportunidade, independentemente da discussão qualitativa da reforma ou das medidas em concreto que poderiam ser feitas. Por quê? O país tem salários baixos, tem produtividade baixa, tem riqueza por habitante baixa, tem um desemprego jovem elevadíssimo, é das coisas que temos elevada, quase 20%. Dizer que não precisamos de uma reforma laboral, eu acho no mínimo estranho. Que entendamos que o que temos é suficiente para as condições econômicas que temos, é estranho. Dito isto, o que me leva a considerar que isto sinaliza o que pode ser a presidência de António José Seguro. António José Seguro diz que quer mudanças e consensos, sempre com consensos. Na saúde, nomeadamente, é a área crítica e depois, de uma forma mais genérica, nas áreas que todos consideramos que não estão muito bem, mas na saúde, em particular. Uma reforma da saúde por consenso não se vai fazer, como uma reforma do trabalho por consenso, isto é, com a esquerda e com a direita, todos a concordarem nessa reforma, não se vai fazer.

Será muito difícil, não é?

Eu diria que é virtualmente impossível. Diria que estamos condenados, aparentemente com este sinal nesta decisão da concertação em articulação com a tomada de posse, provavelmente a uma gestão e não a uma mudança nos próximos cinco anos, neste contexto político, estou a dizer, obviamente.

Judite, vamos à tua apreciação.

Eu achei que foi um bom discurso. Achei que foi um bom discurso. Foi um discurso com recados ao governo e à oposição. Recados não no mau sentido.

Mensagens.

Mensagens. É evidente que quando diz que quer acabar com o frenesim eleitoral, já era conhecida essa sua posição. Não é por causa do chumbo de um orçamento que cai um governo e uma assembleia. Acho que fez uma identificação dos problemas geopolíticos muito certeiros, nomeadamente quando questionou as alianças históricas do Ocidente. Fica ali sem se perceber exatamente quanto é que quer gastar, se é a meta dos 5% em termos de investimento na defesa europeia, quando falamos no domínio da NATO, valor com que o governo se tinha comprometido. Enfim, não sabemos exatamente qual é o valor que António José Seguro considera certo, mas depois, no que diz respeito à política interna, a palavra-chave, de facto, é estabilidade e tudo fará para conseguir garantir essa estabilidade. Eu acho de uma enorme bondade alguns dos desejos, nomeadamente este de promover pactos com os partidos, mas é preciso não esquecer que os partidos pensam coisas diferentes sobre os temas e, portanto, não é muito fácil conseguir pactos com partidos que pensam coisas diferentes, por exemplo, sobre a concertação social, sobre a reforma laboral, sobre a habitação, sobre a justiça, sobre melhores salários ou sobre saúde. Portanto, vai ser muito difícil conseguir esses tais compromissos interpartidários que o Presidente da República pediu. Acho que são desejos que dificilmente verão a luz do dia.

Alexandre, vou te deixar para a segunda parte.

Tudo bem, eu entro fresco.

Queres deixar um teaser para a segunda parte?

Arma secreta.

Exato, a arma secreta.

Eu acho que o Alexandre vai falar sobre-

É o sovarreiro.

Não.

Exatamente, é isso. Vê-se logo.

O Alexandre Borges vai falar sobre a secção de frescos. Fica só assim.

Eu ia falar do vinho, mas pode ser, posso ir a essa secção também.

Vinho e secção de frescos. Para quem está a ir agora ainda ao supermercado, não sabe o que é que há de fazer para o jantar, o Alexandre Borges provavelmente vai dar uma ajuda na segunda parte do "E o Vencedor É". Segunda parte de "E o Vencedor É", com Judite França, António Costa e Alexandre Borges. Alexandre, ficaste para a segunda parte com a tua apreciação sobre o primeiro discurso do novo Presidente da República, António José Seguro.

O novo líder supremo, também temos um novo líder supremo. Sim, olha, o tom mais destacado foi a questão em que a Judite pegava, da frase: "Eu tudo farei por estancar o frenesim eleitoral". E de facto todos acreditamos que esse pode ser o maior valor de António José Seguro, embora tenha em si qualquer coisa de aparentemente paradoxal, isto é, o que há de mais excitante na chegada de António José Seguro é o ele poder não ser excitante. Durante a campanha, André Ventura gostava de comparar António José Seguro ao Melhoral. Dizia: "É como o Melhoral, não faz bem, não faz mal." Mas continuando aqui na farmacologia, é um Omeprazol, é um Gaviscon. Ele deve proteger as irritações do estômago da política nacional contra, por exemplo, o fator Marcelo, que era sempre um estimulante, que era sempre o picante. E neste caso, ou também a metáfora futebolística que deixávamos no ar no fim da primeira parte, ele deve chegar para adormecer o jogo. E de facto é isto que se quer de António José Seguro. Mas o que é verdadeiramente contraditório, brincadeira à parte, é isto que esperamos dele, é um bocadinho quanto aparentemente ele menos for um fator de agitação e, pelo contrário, de facto conseguir os entendimentos, em princípio melhor será, porque não há nenhuma dúvida de que o maior desafio deste presidente é esse, é assegurar a governabilidade.

E hoje explicou bem ao que vinha, não é?

Hoje explicou bem ao que vinha, e espero que seja capaz, de facto, de fazer esse papel, explicando e bem. Quer dizer, que a questão não é que cada um desista das suas convicções políticas, mas de facto é colocar a maturidade democrática acima dos interesses partidários, que nos últimos tempos E não é só pensar em quem provavelmente estamos a pensar. Às vezes também vem dos lados mais inesperados, como do primeiro-ministro que se atirou a antecipar eleições dentro do seu próprio partido por causa de críticas de um ex-primeiro-ministro. Acho que a mensagem é para todos, nesse sentido. Esse é o primeiro desafio, de fato, e que nem tem só a ver com estes protagonistas políticos. A fragmentação pode continuar, como vemos que pela Europa afora continua, como na sequência da crise do Medio Oriente, pode suscitar mais problemas econômicos, pode suscitar um novo êxodo, uma nova crise migratória. Todos os condimentos para continuar a acelerar a fragmentação política estão aí. Esse é, de fato, o grande desafio do presidente. Volto a insistir num ponto que me parece complicado. Realmente, ele durante a campanha comprometeu-se com muito pouca coisa, como dizia o António, foi com a reforma laboral, com o pré-veto à reforma laboral tal como ela existia, mas houve outra coisa que ele disse que me pareceu sempre delicada e que aqui ele voltou a puxar, que é a questão do orçamento, voltar a dizer que não é por o orçamento ser chumbado na assembleia que ele vai derrubar um governo. Eu receio que isto, mais cedo ou mais tarde, vá deixar o governo a governar em duodécimos, porque isto tira de tal modo a pressão sobre qual tem que ser a responsabilidade dos partidos da oposição à negociação do orçamento, que eu receio que a gente vá lá chegar e espero que não seja mais cedo do que tarde.

Quando Marcelo pôs a responsabilidade sobre os partidos, também não adiantou nada.

Bem sei, mas é um equilíbrio. Ou seja, o que Marcelo fez foi um bocadinho o contrário, foi encostá-los à parede e dizer: "Ou isto passa ou eu mando o governo abaixo". Não é preciso, apesar de tudo, estar tanto neste discurso. É que ele voltou, sem que ninguém lhe pergunte, a dizer: "Não é por chumbarem o orçamento que eu vou derrubar o governo". Isso parece-me.

Eu estou como aquelas pessoas que levam a família de férias e abrem a mala do carro e dizem: "E agora, como é que eu vou arrumar isso tudo nesta mala?" Nós temos muitos temas.

Temos pouco tempo.

É uma forma subtil de dizer: Alexandre acelera.

Super subtil. Pareceu-me importante o elogio à questão do 10 de junho e das comunidades simbolicamente. Essa é uma das coisas boas que Marcelo fez, foi a questão do 10 de junho ser sempre celebrado junto das comunidades portuguesas. E não só o papel das comunidades e de tudo o que isso significa, da ligação de Portugal ao mundo e das pessoas que estão fora, e até sobre o discurso importante sobre o que é a emigração, o que é a imigração, o que é o papel do país, mas também na ligação à lusofonia. Estavam lá praticamente todos os chefes de Estado dos países lusófonos, pelo menos de cinco deles. Ligando aqui à grande entrevista que o António fez ao Pedro Passos Coelho a semana passada no "Eco", a um dos pontos importantes dessa entrevista e pouco falado, parece-me ser.

Grande entrevista e entrevista grande.

Lê como quiser. Mas eu concordo com o Emas. Concordo com o Emas.

Foi 5 para o campamento.

Não podia deixar de fazer essa piada, não resisti.

Eu concordei que a semana passada até referi o número de caracteres, acredita.

É verdade.

Mas um dos pontos, e até por ela ser tão completa, de que foi pouco falado, é a análise que Pedro Passos Coelho faz aos desafios da Europa. Aí nem são os desafios, são mesmo os problemas, digamos. E no caso concreto de Portugal, da questão como toda a Europa precisa, e Portugal em concreto, se tem virado pouco para os palops e da importância que tem até em futuro potencialmente energético. Já estás aí? Está bem, então vai ter que ser. Olha, pronto, então, para mim, para o discurso, enfim, para todo este dia, António José Seguro é um 14.

14. António, só a nota.

Pois, eu dou um 13, António José Seguro.

13.

Eu dou um 15.

E tivemos a despedida de Marcelo Rebelo de Sousa, que à chegada ao Parlamento chegou adiantado, chegou um bocadinho antes da hora.

Muito cedo.

Teve de fazer tempo, foi ao supermercado.

Ao supermercado, à papelaria e a um antiquário.

Enquanto António José Seguro chegava solenemente ao Parlamento. Merece alguma nota?

É, merece má nota, porque não faz sentido aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa fez. Podia ter esperado noutro sítio, de certeza que era possível ter chegado mais dentro da sua hora ou podia ter esperado no carro, podia ter esperado onde quisesse, mas é o dia de António José Seguro. Sinta paciência. É o dia de António José Seguro. E Marcelo Rebelo de Sousa sabe que enquanto anda no supermercado e vai à papelaria e anda ali em ziguezagues a atravessar a rua de um lado para o outro, em frente à Assembleia da República. Roubou, roubou ali um bocadinho da cena de António José Seguro sem necessidade.

António?

Pois, não foi um momento particularmente oportuno. Eu ia dizer feliz, foi oportuno, mas enfim. Mas acaba num retrato desta presidência.

É o que é, não é?

Para o bem e para o mal, é um retrato desta presidência.

Alexandre, seção de frescos e vinho tinto, prometeste?

Exato, de vinho tinto, neste caso, é para António José Seguro, que é a graça ao detalhe, no banquete para o chefe de Estado, ter sido servido vinho da sua produção. Mas não gosto.

É preciso ter confiança.

Para já, é preciso ter confiança.

Será que vendeu?

Pois, é isso. É que de um modo ou de outro, está a vendê-lo. É uma ação de relações públicas.

Eu sei, não gosto. Já provei e não gosto.

Desculpa. Não. Mas se o senhor presidente quiser enviar-me uma caixa para experimentar, eu farei aqui a crítica.

Mas há a dúvida. Em princípio, terá oferecido, não é?

Em princípio, sim.

Temos que ir ver ao Portal Base.

É isso. E, por acaso, eu percebo o gesto simpático.

Mas é uma ação de marketing.

Mas é uma ação de marketing. É como o Trump, já viram a questão dos bonés. Aquele absurdo de ele aparecer de boné a anunciar uma invasão e o início de uma guerra.

Mas aqui é uma garrafa de tinto ou branco, por acaso não sei, não faço ideia.

Foi com cabrito, deve ter sido tinto.

Mas é ação de marketing. É a chamada ativação de marca, Ricardo Conceição. O Trump está a vender os bonés a $55.

É?

Não sabias? Aquilo é da marca dele. Diz USA e de lado diz 45, 47.

Eu não sabia, mas pensando nisso são as presidências. Mas hoje em dia quando as pessoas compram boné nos Estados Unidos, não é da marca do Trump. Isso é importante.

Ok, pronto, aqui está Eu estou cá para fazer também este serviço público de informação. Sobre a secção de frescos que dizias do supermercado, não sei. Isso não vou pontuar. Pode não ser o momento mais feliz do Marcelo, é verdade, mas não sei se foi de propósito ou não. Acredito que não. Acho que ele acaba por ficar vítima, às vezes um bocadinho preso no seu próprio labirinto, do papel de solitário que fez.

E ainda temos aqui três minutos para os três.

Para os três. Um minuto para cada um.

Para falarem sobre o fracasso das negociações do pacote laboral. André, queres dar uma nota?

Eu por acaso não ia a isso, mas se fizeres muita questão.

Torna o teu comentário ainda mais rápido.

Pois, olha. Ainda bem que sublinhaste isso. Eu dou um 10 à ministra do Trabalho, porque, na verdade, ela não é a principal responsável. A UGT não queria este acordo. O país precisa desta reforma ou de uma reforma. É com este sentido, não quero agora abrir a discussão sobre a natureza medida à medida, mas a verdade é que também conduziu mal o processo. E isto começou mal, depois nunca mais foi capaz de retomar a agilidade política para conseguir chamar a UGT ou até criar condições para tornar mais difícil o não da UGT, no limite, e acho que obviamente sai também deste processo mal.

Alexandre, é verdade, começou muito mal o processo, mas depois da forma como isto acaba, já até me custa encontrar a culpa na ministra.

Sim, não é?

Exato. Dá-se até a coincidência estranha das palavras escolhidas pela UGT e pelo PS. Ambos falaram a mesma palavra que eu não entendo muito bem, que é pressa. Mário Mourão saiu antes do fim, saiu 20 minutos mais cedo, a dizer que o governo está com pressa, então que vá com pressa a vida dele, mais ou menos isto.

Com pressa ao fim de sete meses?

Ao fim de sete meses.

Isto só demorou tanto tempo porque houve duas eleições.

Exatamente.

Senão já estaria terminado.

Ninguém perguntou qual é a pressa.

Exatamente. Histórica frase do nosso novo primeiro-ministro. O anteprojeto da reforma foi apresentado ainda em julho, em final de julho do ano passado, portanto, falar de pressa. Tivemos três semanas de reuniões diárias agora.

Não quis e pronto.

É isso mesmo. E esta coincidência, depois o João Torres que ouvíamos há pouco no noticiário, então ele dizia: "O governo quer alterar de forma tão apressada a legislação". Portanto, esta coincidência preocupa-me, mas vamos dizer que é só uma coincidência. Agora, não é toda a missão do Presidente da República, mas seria interessante se o Presidente da República conseguisse ajudar a recomeçar esta negociação, esta conversação.

Eu ia dizer exatamente isso. Um Presidente da República que está tão ansioso em conseguir fazer pontes entre os partidos, entre o governo, era bom resgatar este fim de negociação e reabri-la, tentando que a UGT tivesse uma posição mais flexível do que tem demonstrado.

Alexandre, ainda queres falar sobre...?

Sim. Falaram já aqui do caso Livermore na sexta-feira, ou não? Eu perguntei se vocês concordam.

Não falámos. Já tocámos, mas não.

Ok, vou tentar.

A namorada de Bruno Mascarenhas.

Exatamente, ao que se sabe. Portanto, sexta-feira foi exonerada do cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, Mafalda Livermore, que teria sido proposta, foi candidata pelo Chega e foi proposta por Bruno Mascarenhas, vereador do Chega, na sequência de uma reportagem na RTP. Há vários casos, a senhora terá vários imóveis que são alugados sem contrato e sem condições, muitos deles a imigrantes.

Espaços com 10 metros quadrados.

Exatamente, que depois pagam à Silvia Paixão, que é uma amiga dela, que também é militante do Chega. O Ministério Público também está a investigá-la por possível usurpação de funções e procuradoria ilícita, porque ela tem dado consultoria jurídica e, pelos vistos, é só formada em Criminologia. Também olhem a ironia. Mas está a estudar Direito. Entrou para Direito em 2024. Isto deve ser Bolonha, cada vez mais rápido isto. Entras em 2024 e em 2026, em março, já podes estar a exercer. Aparentemente, foi uma moeda de troca, diz a Sábado, para o Chega ir fazendo aprovar as propostas do executivo na Câmara Municipal. Carlos Moedas, por exemplo, defendeu na altura, justificou que a pessoa está pela competência no cargo e tal, estas coisas. Agora, acontece, não necessariamente o mesmo, que ainda não temos razões para suspeitar, mas em Coimbra também já não há linhas vermelhas. Isto é, Maria Lencastre, que era vereadora do Chega, desvinculou-se do Chega em janeiro, passou a vereadora independente e agora foi nomeada pela Câmara para a gestão de uma escola profissional, o Instituto Técnico Artístico Profissional, acerca do qual a Ana Abrunhosa diz que precisa de ser reformado, isto e aquilo.

Eles andam aí, portanto.

Eles andam aí. E é curioso, porque em Coimbra também, neste caso, a maioria PS só tinha cinco vereadores e esta vereadora andava também a fazer aprovar tudo, basicamente. É engraçado porque a nossa indignação com os consórcios com o Chega termina. Isto é, são concessões à extrema-direita e são inaceitáveis até ao dia em que somos nós a fazê-los. Quando somos nós a fazê-los, já não há problema. Estas pessoas têm imensa competência para o cargo e não tem nada a ver com equilíbrios politicopartidários a nosso favor. Isto diz, por um lado, mal, eu vou já terminar, até porque não me ias dar outra hipótese. Diz mal de quem traça as linhas vermelhas e depois a elas cede quando lhe dá jeito, mas também diz mal um bocadinho do Chega. Isto é, que é o partido antissistema, muito antissistema, até ao dia em que o sistema lhes abre a porta. Basta o sistema abrir a porta, o Chega deixa de ter um problema com isto.

António?

Um minuto só para dizer que na próxima sexta-feira cá estarei e vou trazer seguramente o tema da subsidiação do ISP. Todos concordamos, aparentemente.

É pá, ainda bem.

Não me parece que seja uma grande medida.

Já me roubou o tempo. Era isto que eu queria.

É um tema que o Alexandre adora.

Uma grande medida, mesmo que seja muito necessária no curto prazo, porque cria aqui distorções de mercado muito difíceis de aceitar. Veremos na sexta-feira como é que está o petróleo.

Vamos ver se os nossos ouvintes aguentam até sexta-feira. Subsidiação do ISP.

Mandem um e-mail.

Não, o Alexandre gosta muito deste tema.

Não sei quem é que vem mais na sexta-feira, mas eu vou pedir para trocar, para estar aí contigo.

Estamos a falar, o António está a olhar para nós.

Estou a pensar o que me reserva a sexta-feira.

Estamos a falar de descontos nos impostos, nos combustíveis. Amanhã há mais, e o vencedor é logo pela fresca.