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Euven Sudré na Rádio Observador, com Judite França, Helena Garrido e Pedro Benevides. Hoje temos muitos assuntos em cima da mesa, vamos ter de correr para conseguir ir a todos. E lembrar também que estamos disponíveis em vídeo, em direto, ou para ver mais tarde no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje vamos tomar nota dos assuntos que temos em cima da mesa. Temos a história de um grupo de trabalho para a reforma do Estado, que precisou de mais de um mês para conseguir três assinaturas de três ministros. Temos as filas intermináveis no aeroporto de Lisboa, que cinco ministros estão a tratar e a tomar conta. Vamos ainda à reação dos advogados de António Costa às escutas sem relevância que foram mantidas no processo. E ainda vamos falar sobre as novas camisolas da Seleção Nacional de Futebol para estrear agora no Mundial de 2026.

Muito eclético este programa hoje.

Mas começamos pelo debate de ontem entre António Filipe e Gouveia Melo. Pedro Benevides.

Olha, foi mais um debate. Eu tenho uma opinião um pouco impopular relativamente a estes debates.

É por isso que te convidamos.

Obrigado. Para as opiniões impopulares. Querem canalizar o ódio dos ouvintes, sou eu. Muito bem. Olha, eu vou usar aqui até uma voz um pouco mais como a tua, que estou a sentir.

Tu sabes que é feio gozar com as pessoas doentes.

Ah, achei que era voz de rádio, peço desculpa.

Pessoas doentes que estão a trabalhar.

Pronto, então as melhores.

Com brio. Obrigado, Pedro.

Não. Por que eu dizia que a minha opinião é um pouco impopular? Porque eu devo ser dos poucos jornalistas que acha que estes debates são debates a mais. Eu nunca concordei muito com este modelo.

Mas estás sozinho.

Eu sinto que a maior parte dos jornalistas, pelo menos os que eu vou ouvindo no comentário, acha que sim, que nós estamos a reforçar a democracia com este tipo de exercícios. Eu tenho alguma dúvida, até porque acho que abdicamos de uma tarefa que é nossa, que é de editar, de escolher e de selecionar. E eu acho que não faz muito sentido colocarmos no mesmo plano todos os candidatos. Nunca achei isso, mesmo quando se discutia a revisão da lei eleitoral e que houve ali aquelas polémicas entre a comunicação social e o Parlamento, com as decisões que eram tomadas. E eu acho que, efetivamente, nós não estamos aqui a determinar quem é que efetivamente tem reais possibilidades de vir a ser eleito presidente da República. Dos outros candidatos, estamos a colocar tudo no mesmo pote. O que significa? Eu não sei, já perdi um pouco a conta.

Vamos em 11, salvo erro.

Sim, hoje é o 12°, não é?

Sim. São 28 ao todo.

Nem a meio vamos e eu estou com a sensação que já vamos com três semanas de debates, ou quatro semanas de debates.

Isso é verdade.

O que eu temo é que isto acabe por anestesiar um pouco os espectadores. Depois, o que acabas por ter neste modelo é a meia horinha em que se debatem dois ou três temas. Não tens um bom debate com os candidatos que verdadeiramente têm hipóteses de chegar à Presidência da República. E isto não é menorizar a democracia, nem é menorizar os outros votos, e até pode haver surpresas. Parece-me que este exercício vai acabar por se desgastar com o tempo. Isto tudo para te dizer que o debate de ontem foi mais um debate. Foi interessante. Voltámos a discutir ali questões que eu acho que são questões de atualidade e que é importante ouvir candidatos à Presidência da República sobre isso, mas também não tivemos propriamente nenhuma surpresa. Não eram candidatos que estivessem propriamente a disputar o eleitorado um do outro. Claro que no caso de António Filipe, nós já sabíamos que ele estava preso a uma série de questões que têm a ver com o PCI e que António Filipe já mostrou desde o início desta pré-campanha eleitoral, que não vai ser um candidato autônomo ou, de certa forma, desligado daquilo que é um candidato típico do Partido Comunista Português, apesar de todas as suas características pessoais e políticas que demonstrou ao longo dos anos. E, portanto, não houve propriamente grandes surpresas neste debate. Eu gostei de ver, porque faço um pouco parte desta bolha que consome este tipo de produtos políticos, mas tenho dúvidas de que o eleitorado tenha ficado esmagado, apesar de as audiências não terem sido más, tenho dúvidas.

E queres dar uma nota?

Quero dar uma nota aos eleitores que religiosamente vão ver estes debates, este e todos os outros que se seguem até quase ao Natal, vou lhes dar um grande 18.

E é uma ótima desculpa para não ir lavar a louça.

Olha, aí está, eu agora tenho que ver o debate para essa desculpa.

Agora quero muito ver o debate.

Quero ver o Jorge Pinto, Catarina Martins, porque eu estava aqui na dúvida.

Hoje não dá para lavar a louça. Helena, foste lavar a louça ou estiveste a ver o debate?

Estive a ver o debate. E diria, eu não concordo muito com o que disse o Pedro em matéria destes debates. Talvez uma pessoa fique um bocado farta, mas um dia se calhar podemos fazer um debate sobre se é interessante ou não é interessante, se há ou não interesse público do ponto de vista jornalístico, fazer este tipo de debates. Dito isto.

28.

Parece-me que o debate de ontem surpreendeu-me pelo melhor desempenho de Gouveia e Melo. Gouveia e Melo conseguiu ser melhor do que nos debates anteriores. Conseguiu a proeza de irritar António Filipe, que eu nunca tinha visto irritado, ele é tão sereno. E tivemos até aquele momento em que "Não me diga que agora já não é comunista", em que António Filipe diz: "Sou, sou comunista". E pôs obviamente em cima da mesa as limitações ou os condicionalismos Ou as convicções de António Filipe, nomeadamente em matérias que António Filipe não queria que se tratassem, mas que são de facto matérias da presidência. Tudo o que é relações internacionais, segurança interna, são de facto matérias da presidência. Eu considerei um debate interessante. Não foi monótono, não foi daqueles chatos.

É que mais valia ir lavar a louça.

É, mais valia lavar a loiça. E sobretudo, um bocadinho a ideia de que Gouveia e Melo tem melhorado, de facto, o ser humano aprende tudo.

É, mas depois a seguir, já meteu outra vez o pé na poça quando voltou com aquela questão do Sócrates, que é uma questão com que ele tem muita dificuldade em lidar. Aliás, qualquer questão que o coloque em causa ou que seja questão de escrutínio a que ele tenha que responder, ele responde sempre muito agastado, como se houvesse ali uma espécie de-

Esse é um problema estrutural que ele tem.

É um problema estrutural que o Gouveia e Melo tem.

E mesmo ontem no debate.

Não sei se é estrutural, mas há um problema que ele tem de corrigir.

Deve ser, porque ainda não melhorou e ele tem tempo para o fazer.

Na entrevista aqui no Observador também se irritou com a questão da maquininha.

Sim, da maquininha.

Ele não se pode irritar com as perguntas.

Irritou-se, sim, completamente.

Eu acho que António Filipe até começou bem, mas patinou logo quando ouviu a palavra Ucrânia. Disse logo: "Mas a pergunta é já para mim? É já para mim por quê?"

Agora alterou a ordem das perguntas.

Alterou a ordem das perguntas. Por acaso não era, era mesmo a vez de António Filipe. Mas que não fosse, o moderador não precisa de fazer pingue-pongue. E não consegue esconder o incômodo que o tema lhe traz. E mais à frente ainda disse: "Mas vamos falar do que interessa ao país?" Como se os temas de política internacional não interessassem ao país, não fossem fundamentais para o momento que estamos a viver.

Sobretudo na conjuntura atual.

Claro. Nós já sabemos que Gouveia e Melo não é um bom orador e na questão laboral fica sempre em cima da ponte, mas de facto sabe falar de temas de geopolítica e grande parte do debate foi centrado nisso. Portanto, eu acho que teve alguma sorte. Depois, a questão em que Gouveia e Melo faz questão de se mostrar um anticomunista dos mais ferranhos, é uma parte que não percebo muito bem, a não ser que de facto aquilo que Gouveia e Melo quisesse fazer era entrincheirar António Filipe no campo ideológico do PCP. Aí já sabemos que não há nenhum militante ou simpatizante do PCP que vá votar outro candidato que não seja António Filipe. Por seu turno, pode haver algumas pessoas da área do socialismo que não querem votar António José Seguro e que então possam equacionar António Filipe. Portanto, eu acho que aquilo que o Gouveia e Melo quis fazer foi entrincheirá-lo ali e dizer: "Não podes alargar a base".

O tal candidato-fação que o Marques Mendes o acusou de ser.

A dada altura, ele disse qualquer coisa que tomei nota, como é que era a frase: "Vai ser o comitê central dentro de Belém", ou uma coisa deste gênero. Eu acho que como debatente, Gouveia e Melo tem dificuldades, não é de facto a sua praia, não tem essa facilidade. Está melhor, portanto, acho que tem aprendido.

Ontem foi claramente melhor.

Foi melhor, eu acho que ele tem aprendido e acho que vai aprendendo cada vez que pratica mais, como é natural.

Tem até o fim de dezembro, ainda tem tempo.

São muitos debates.

Ainda só vamos em 11.

É a ação de formação.

Mas há coisas em que o Gouveia e Melo não é claro, e eu não sei se não é claro porque não consegue ser claro ou não é claro porque não sabe. Não tenho a certeza, ainda não sei. E dito isto, vou já dar a minha nota?

Sim, por favor.

Dou um nove a António Filipe e um 10 a Gouveia e Melo.

A Helena não se esquece de dar notas.

Não dei notas. Eu dou um 14, 13. 14 a Gouveia e Melo.

É supergenerosa.

É assim mesmo, Helena. Tens elevadíssimas expectativas para o debate de hoje entre António José Seguro e Marques Mendes?

Tenho. Já vou até preparar-me. Não tens? Eu tenho.

Já foste à Carnaçava?

Não, eu quero ouvir. Eu estou a perguntar. Eu tenho, claro que tenho. Eu até estou quase sem voz.

Só de pensar nisso.

Não, tenho mesmo, claro que tenho.

Eu diria que pode ser um dos debates mais importantes, não sei se vai ser dos mais interessantes.

Daí a hesitação nesse entusiasmo. Eu também senti o mesmo que o Ricardo, já percebi.

Pode não ser dos mais interessantes, mas é dos mais importantes.

Olha, Helena, isso é quase como dizer: "A noiva é bonita, é muito simpática."

Tem uma ótima personalidade, gosta muito da personalidade.

A noiva é muito simpática.

E é.

Mas é que eu, por acaso, acho que este é daqueles debates que faz todo o sentido ver, porque são dois candidatos que efetivamente têm hipóteses reais de chegar à segunda volta e, aliás, eleitorado que pode flutuar.

E portanto, aqui vai ser interessante perceber o que cada um faz para ir morder no eleitorado do outro. E isto pode alterar a dinâmica de votos, como nós sabemos, que o Marques Mendes está empatado com o Gouveia e Melo e André Ventura, e o António José Seguro está bastante abaixo, e pode ser uma oportunidade para António José Seguro ir buscar alguns votos, mostrando-se mais moderado àqueles PSDs que não gostam de Marques Mendes.

Exatamente, mas ser moderado é uma coisa que António José Seguro tem feito desde o início.

Exato.

Supermoderado.

Não sei se é só moderado.

Agora deve dar resultado.

Poderá haver aqui um apelo ao voto útil que António José Seguro já começou no debate com o António Jorge Pinto. Poderá ser um caminho.

Eu acho que sim, que pode haver um apelo ao voto útil da esquerda a António José Seguro, mas eu tenho muita curiosidade em ver, mais do que o apelo ao voto útil, como é que vai ser o confronto entre os dois. Porque nós não estamos a falar de personalidades que tenham visões do mundo radicalmente diferentes.

De todo.

Ou convicções que sejam os antípodas um do outro.

Têm que marcar diferenças de alguma forma.

Sim, e é isso que eu acho que vai ser interessante.

Tem de convencer os indecisos, não é? Porque os indecisos é que são muitos.

Que argumentos é que eles vão usar para convencer os indecisos ou para convencer aqueles que estão a pender ou para um lado ou para o outro? Porque efetivamente para os dois, estas eleições estão muito em aberto. Eu também não dou por certo que Marques Mendes chega à segunda volta. Para os dois, eu acho que está muito em jogo neste debate. Portanto, eu acho que este é daqueles que vale a pena ver, torcendo para que eles consigam estar à altura dessas expectativas.

E para algo totalmente diferente, ainda temos aqui um minutinho. Tu queres falar sobre as novas camisolas da seleção?

Quero. Tu queres mesmo pôr no colar aqui na zona do ódio. Eu respeito muito as camisolas da seleção.

O e-mail é pedrinhobeni@gmail.com

@gmail.com. Podem mandar e-mail, podem insultar-me. Qual é o problema? Eu estou muito cansado hoje, estou muito cansado dos debates.

Estás agastado.

Estou.

Mas estás entre os teus.

É de ver os debates.

É de ver os debates e falta aqui qualquer coisa. Falta um futuro.

Anda lá, olha que o relógio não para.

Eu vi o anúncio das novas camisolas que vão ser inspiradas, adivinha em quê? No mar.

Nos mares.

Nos descobrimentos. Nós, enquanto país, estamos agora à beira de eleições, estamos a ouvir a visão de vários candidatos, há imensos que querem muito ir para Belém. Nós, enquanto país, continuamos com uma dificuldade enorme em discutir que país vamos ser no futuro. Continuamos sempre a olhar para o passado. Já não se aguenta esta identidade dos descobrimentos. Eu tenho imenso respeito pela nossa história. Ainda bem que a tivemos, porque senão não sei o que é que iríamos falar, das rolhas? Não sei o que é que iríamos falar, das rolhas de cortiça. E sinceramente, eu acho que este país precisa urgentemente de um desígnio novo. Nós precisamos de olhar para o futuro e encontrar alguma coisa que seja uma ambição, que país é que somos, pelo que queremos ser conhecidos, em vez de ser conhecidos por uma coisa que aconteceu há 500 ou 600 anos. Quer dizer, temos de, respeitando a nossa história, encontrar outra forma.

Temos o Ronaldo.

Temos o Ronaldo, mas o Ronaldo não é um produto do Estado, o Ronaldo é um produto de uma pessoa, ele é fruto dele próprio. Teve uma série de circunstâncias, mas não é toda a gente, todas as famílias que admitem a possibilidade de mandar uma criança com a idade com que ele veio para o continente, viver sozinho e tornar-se um campeão. Nós não somos uma fábrica de campeões. Somos uma fábrica de saudosistas do passado, que olhamos para os descobrimentos e que agora queremos ganhar o Mundial 2026. Lá está um desígnio, mas eu acho que é pouco. Agora não me vais ficar aqui. Agora vou ficar aqui até às 19h10.

É com este discurso otimista que vamos para a frente.

Juntem-se a mim nas redes sociais, por favor.

pedrinhobeni@gmail.com. E agora começamos, Helena, pela história de um grupo de trabalho para a reforma do Estado, portanto, é um grupo que vai pôr isto tudo a mexer e rapidamente, mas teve de esperar um mês por três assinaturas. Conta-nos lá esta história.

Esta história sou eu que te vou contar.

Ah, és tu, Judite.

Eu também achei que era a Judite, por isso é que eu parei.

Eu fui vítima aqui de um complô.

Da Judite com a Helena.

Judite de França, conta-nos a história.

Então eu conto a história. Três ministros demoraram mais de um mês a reunir assinaturas para nomear consultores para o grupo de trabalho da reforma do Estado.

É uma história que está no Público.

É uma história que está no Público, a piada está feita e pronto. E é só isto.

Faz-se a si própria assim.

O ministro da Reforma do Estado, que quer agilizar procedimentos, combater a burocracia do Estado, não consegue combater a burocracia dentro dos próprios ministérios. É notícia do Público, como tu dizes, e conta que este grupo de trabalho foi criado para avançar com a reforma do Estado e que foi reforçado com três consultores. E no despacho de nomeação, lia-se: "O grupo de trabalho é uma estrutura que se pretende ágil." Só não é ágil a fazer nomeações. Eu acho que mais vale rir, porque são precisas três assinaturas de três governantes, que é o ministro da Reforma do Estado, o ministro da Presidência, por fim, o ministro das Finanças, claro, o ministro das Finanças sempre. O ministro das Finanças teve, só o ministro das Finanças, teve os despachos para assinar durante um mês na secretária, ali parados.

Estava a tratar do orçamento.

Estava a tratar do orçamento de Estado e, portanto, não podia fazer uma assinatura.

Então vamos à tua nota.

Eu vou dar um 10 ao ministro Gonçalo Matias, porque acho que ele deve estar desesperado com o que encontrou. Ele não estava à espera disto, de certeza. Estava à espera de mau, mas menos mau. E portanto, como está a desesperar com a burocracia, eu vou lhe dar um 10. Ânimo.

E a Helena Carrido. Acho que agora sim, acho que agora vou acertar. Quero falar sobre...

Deixa-me só dar aqui um palpite. Nós podemos sugerir uma solução. Levem os despachos para a reunião de Conselho de Ministros, é tudo mais rápido.

As pessoas já lá estão.

Façam 15 minutos de assinaturas.

É que o problema aqui nem é só a burocracia, é como é que se explica que o ministro tenha um despacho já assinado por outros dois ministros durante um mês em cima da secretária. Não se compreende. A não ser que seja ele que quer arrastar aquele processo propositadamente.

Para pagar menos um mês.

E há a possibilidade de assinar eletronicamente.

Hoje em dia, ainda por cima.

Basta ter um leitor de cartões, o código do cartão de cidadão.

Nem é preciso isso. Basta teres o código no cartão de cidadão.

Foi isso que eu acabei de dizer.

Não precisas ter leitor de cartão.

Ah, não?

Não.

Ainda é mais fácil.

Nós quando sairmos daqui explicamos.

E a chave móvel?

É a chave móvel.

Chave móvel digital.

O Ricardo hoje está doente, vocês têm que me dar desconto.

Eu não conheço mais nenhum programa em que o moderador apanhe tanto como no IVToral.

Ó Ricardo, foi hoje por estares meio doente.

É isso. A bater no doente. Olha, Helena, tu queres falar sobre as filas interminais?

Judite, queres assegurar a emissão? Vai lá.

Ó Pedro, podes fazer isso? Vamos começar outra vez. Helena, tu queres falar sobre as filas intermináveis no aeroporto de Lisboa. O governo diz que as filas são um embaraço, mas há cinco ministros a tomar conta disso.

Ora bem, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito-Santo, disse isto em Macau, no encontro das agências de viagem, que é um encontro que eu lembro-me que ainda jovem jornalista cheguei a viajar.

O encontro da APAVT.

O encontro da APAVT é famoso. Cheguei a fazer a cobertura de alguns desses encontros. Em Macau, diz que estas filas são um embaraço para o governo e que só tem de pedir desculpa. E revela que há cinco ministros a tratar deste tema e o tema não se resolve. E o extraordinário é: promete que no verão está resolvido, identificou a raiz dos problemas. Há três raízes para o problema. Falta de agentes da PSP, uma dificuldade e uma instabilidade no ponto de vista tecnológico, sobretudo nas e-gates. Precisamos sempre aqui de uma coisa meio em inglês. E em terceiro lugar, uma maior lentidão do sistema. E para resolver estes problemas, nós pensamos assim: "Bom, vamos contratar mais polícias."

Ou atualizar o sistema.

Ou melhorar o sistema.

Informático.

Informático, contratar uns informáticos, não sei. Não, não é isso. Vão redesenhar a zona das partidas e das chegadas. Contratar mais polícias que nos parecia o óbvio. Não, não é. É redesenhar a zona das partidas.

Pôr o sistema informático a funcionar.

Polícias, o sistema eletrónico não está a funcionar e também vai abaixo muitas vezes. Então o que é que vão fazer? Vamos fazer obras para criar mais duas filas e em princípio, assim pode ser que se resolva.

Ou nós não percebemos isto bem, ou há aqui qualquer coisa que não funciona.

Helena, são cinco ministros a tomar conta disto. Portanto, se calhar o problema é nosso.

Pois é, eu penso que só pode ser nosso, porque de facto aquilo que nos parece mais óbvio. E mais, há notícias, não sei se deram conta também, que há um despacho do governo a definir como objetivos para as filas, tem de baixar 30 minutos a espera média de 30 minutos para 20 minutos. Está resolvido, se há um despacho.

Há uma forma muito fácil de resolver isso, é abrir as portas.

E deixar entrar toda a gente. Obviamente que a polícia está bastante zangada, as associações e os representantes da polícia estão bastante zangados com este tipo de conversa. Aquilo que não se consegue perceber é o que se está a passar para não se perceber que há um problema que é preciso ser resolvido com soluções práticas.

E urgentes, já agora.

Exatamente, e urgentes. E um dos problemas é a ANA. A própria ANA tem responsabilidades no problema que está criado no aeroporto, mas o secretário de Estado, em contrapartida, elogiou imenso a ANA e então sobre o aeroporto até disse que ficariam agradecidos se a ANA antecipasse um bocadinho a construção do aeroporto. Tudo isto está virado do avesso e depois de três ministros levarem mais de um mês para assinarem um papel, nós termos cinco ministros a tratar as filas do aeroporto, não sei se não há...

Com soluções erradas.

Com soluções um pouco óbvias.

Isto dá vontade de rir para uma pessoa como eu, que já teve aqui uma primeira parte em que desabafou, já ficou um bocadinho mais leve e agora já se consegue rir dos problemas. Mas isto é uma coisa grave do ponto de vista de segurança, é uma coisa grave do ponto de vista até de matarmos a galinha dos ovos de ouro. Isto é uma coisa que afeta o turismo, a imagem. Se começa a espalhar a ideia de que chegas a Lisboa e ficas três horas enfiado numa coisa terceiro-mundista, as pessoas preferem outro destino. E tu não estás a matar a galinha dos ovos de ouro porque estás a tentar sacar todo o ouro que ela tem lá dentro. Não, estás a matá-la porque estás a deixá-la morrer à fome. Isto é absurdo.

Há uma nota, Pedro, queres dar alguma nota a isto?

Sim, há uma nota muito forte e muito boa para os passageiros, infelizmente, que têm de aguentar isto.

Eu já vou pedir a nota à Helena. Judite.

Eu não dou uma nota positiva como dá o Pedro Benevides, mas o Pedro Benevides é obrigado a dar notas positivas neste programa.

Doutrina Benevides.

É uma doutrina Benevides. Eu dou uma negativa ao facto de não se entender como é que para uma solução que parecia tão óbvia, encontram uma outra solução que não faz sentido nenhum. Eu não entendo. Eu acho que talvez estes cinco ministros conseguissem explicar, mas assim eu não entendo e, portanto, dou uma negativa.

E tu, Helena?

Eu dou um cinco, aos cinco ministros.

Pedro, vamos para outro tema. Estamos a conseguir ir a todos os temas e eram muitos.

O Ricardo é sempre muito eficiente.

Sempre a despachar.

Eu ia atacá-lo, mas ele está muito bem. Força aí, Ricardo.

Apesar de enfermo e com a voz limitada, cá vamos.

É uma voz ótima, ouve-se muito bem na rádio.

Tu queres falar sobre a reação dos advogados de António Costa às escutas sem relevância que foram mantidas na Operação Influencer.

Eu quero falar especificamente de uma coisa que os advogados de António Costa pediram no comunicado que lançaram hoje e que a mim também me parece mais ou menos óbvio, que é: é preciso que alguém explique o que é isto que se está a passar. Porque as escutas hoje que foram divulgadas na revista Sábado, com um título que já agora, todo ele é aterrador, que é: sei o que disseste ao telefone durante três anos, é uma coisa que arrepia ao mesmo tempo. E efetivamente, sabes o que é que foi dito ao telefone durante três anos. A questão aqui é Tanto quanto sabemos, António Costa não estava a ser investigado. Ele foi apanhado naquelas escutas. Já houve muita polêmica sobre isto. Aliás, já houve um governo que caiu na sequência desta operação, o governo de António Costa. E desde então continuamos a discutir. Creio que foi a semana passada, estávamos a discutir os limites, até onde isto pode ir. E esta semana fomos surpreendidos com a publicação dos resumos de 50 escutas onde o primeiro-ministro foi ouvido. Ele não estava a ser ouvido. Ele foi ouvido por acaso. Entretanto, já percebemos que há aqui outras notícias que saíram, porque obviamente os jornais fazem o seu trabalho, nomeadamente a história de Isabel dos Santos ter ido fazer queixa ao melhor amigo de António Costa, por causa do governador do Banco de Portugal da altura. Sabemos que o atual secretário-geral do PS terá feito pedido de macunha para um emprego. Tudo certo. São notícias. A minha questão é: como é que nós lá chegamos? Nós chegamos lá porque o Ministério Público andou a fazer escutas e nós ainda não percebemos exatamente com que objetivo, quem é que estava a ser investigado. Isto é o quê? Isto é pesca de arrasto? Começas a escutar indiscriminadamente e vêes o que é que sai, o que é que vem na rede? Isto para mim é um pouquinho aflitivo.

As escutas têm que ser validadas por um juiz.

Certo, mas por exemplo, neste caso de António Costa, como os advogados de António Costa disseram hoje, e bem, nada disso era matéria para se estar a fazer investigação. E, no entanto, elas continuam a aparecer e agora tivemos este comunicado da Procuradoria a dizer que vai processar a revista Sábado, porque só os arguidos é que têm acesso.

Não, neste caso é que há escutas em que nem os arguidos, aliás, os outros.

Nós demos.

Que tiveram acesso.

Sim, nem os arguidos.

Mas a PGR, a questão é: como é que as coisas passam? Quem é que passa a informação para os jornais? A PGR não quer fazer um exercício no Ministério Público para perceber o que se está a passar lá dentro?

Eu não sou jurista, que é a frase do programa.

Porém.

Porém, o que causa aqui perplexidade é para que servem estas escutas. Obviamente que as escutas revelam alguns problemas do regime.

Desculpe, Helena. Em teoria, se eu estiver errado, por favor, envie um e-mail para pedrinhoben@observador.com.

Tendo em conta o teu histórico hoje, é provável que estejas errado.

Se a escuta não tem relevância para o processo, deve ser destruída.

Ora bem, era esse o meu ponto.

Porque é que elas existem?

Diz disto.

Não, é isso. Por que elas se mantêm, se não são relevantes?

Era isso que eu antecipava que acontecesse. Elas não são relevantes, devem ser destruídas.

E, no entanto.

Se elas se mantêm, o que o Ministério Público pretende? Aquilo que nós retiramos, aliás, a partir até do que o Pedro Benevides disse, o que nós retiramos destas escutas é que o regime tem aqui alguns problemas. O regime está doente. Vemos alguns problemas de como estão ali a nu, como é que funcionam os partidos enquanto agências de emprego, com as cunhas para dar emprego ao presidente daqui ou ao militante dali. E vemos também como é que funcionam os movimentos de poder. Mas o que o Ministério Público pretende com isso? Resolve depois o problema? Consegue depois resolver os danos que isto provoca no regime?

Vamos à nota.

É que são danos no regime mesmo.

Vamos à nota. Pedro.

Como é que consegues dar uma nota positiva, Pedro?

Vou passar-vos a palavra.

Vais dar uma nota à figura da justiça ou àquela senhora vendada com uma balança?

Mas força, eu sei que têm ambas uma nota para dar a tudo isto que está a passar.

Eu ao Ministério Público dou um sete, recomendando que reflitam sobre aquilo que estão a fazer.

Lito, tu não te pronunciaste.

Vou me abster.

Abstenção. Pedro.

Eu vou dar um 15 à defesa de António Costa, porque acho que fizeram hoje umas boas perguntas que me suscitaram este comentário, que eu achei muito bom comentário, portanto, vai um 15 para eles.

Aí está. Doutrina Benevides. Amanhã há mais. "E o Vencedor É?" nas manhãs 360 da Rádio Observador, depois das 08h30 da manhã e claro, ao final da tarde, também aqui na tarde política.