O proTEJO defendeu esta terça-feira limites legais ao consumo de água e energia dos centros de dados e uma avaliação ambiental conjunta dos dois projetos previstos para Abrantes, alertando para a pressão sobre a bacia hidrográfica.

Em comunicado, o Movimento pelo Tejo – proTEJO, com sede em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, exige que a autorização dos projetos Hyperion, em Alvega, e EDC One, junto ao Pego, ambos no concelho de Abrantes, seja precedida de um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) cumulativo.

“O Tejo já não tem margem para ser a torre de arrefecimento da inteligência artificial europeia. Quem quiser instalar-se na sua bacia tem de provar, primeiro, que não vai precisar da sua água”, sustenta o movimento numa tomada de posição esta terça-feira divulgada.

O proTEJO defende ainda que os promotores revelem a tecnologia de arrefecimento e o consumo de água previsto, que sejam fixados limites máximos vinculativos de eficiência hídrica e energética e publicados os dados de desempenho de cada centro de dados.

Segundo estimativas do movimento, os dois projetos poderão consumir, em plena capacidade, entre 3,6 e 22,2 milhões de litros de água por dia, consoante a tecnologia de arrefecimento adotada, informação que, segundo o proTEJO, ainda não foi divulgada pelos promotores.

De acordo com o movimento, esta procura de água surge numa altura em que a Agência Portuguesa do Ambiente prevê um agravamento da escassez na bacia do Tejo entre 2028 e 2033, período que coincide com a entrada em funcionamento prevista dos projetos, estando já parte significativa das massas de água superficiais e subterrâneas abaixo do “Bom Estado”.

Em matéria energética, o proTEJO estima um consumo conjunto máximo de 4.380 gigawatts-hora (GWh) por ano, tendo por referência uma capacidade conjunta de 500 megawatts (MW), quase 29 vezes o consumo anual de eletricidade do concelho de Abrantes.

O movimento reconhece “o valor da modernização digital e da atração de investimento para o Médio Tejo”, mas considera que os projetos devem ser avaliados juntamente com outras pressões presentes ou previstas sobre o Tejo, entre barragens, açudes, regadio e transferências de água entre bacias.

O proTEJO reclama ainda sessões públicas de esclarecimento em Alvega e na Concavada, uma reavaliação do enquadramento dos projetos na Zona Livre Tecnológica do Pego e que uma futura legislação nacional salvaguarde a possibilidade de os municípios imporem condições ambientais mais exigentes.

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Portugal dispõe desde 2024 de legislação que obriga os centros de dados com uma procura de potência instalada de pelo menos 500 quilowatts a divulgar informação sobre desempenho energético, incluindo consumo de energia e água, mas o diploma não estabelece limites máximos vinculativos para esses consumos.

O Governo aprovou em abril o Plano Nacional de Centros de Dados, que considera estas infraestruturas estratégicas para a economia e soberania digital e prevê medidas para facilitar e coordenar o investimento, determinando simultaneamente o cumprimento das regras ambientais aplicáveis.

Em Abrantes estão anunciados dois projetos de grande dimensão. A EDC One prevê investir 7 mil milhões de euros junto ao Pego, numa primeira fase com 300 MW e entrada em funcionamento apontada para 2028.

O segundo projeto, da Hyperion II Renewables Services, recebeu em maio parecer municipal favorável a um Pedido de Informação Prévia para uma área próxima de Alvega e do Pego, com 200 MVA de potência de ligação à rede, estando a entrada em operação prevista para 2029.

Os promotores dos dois centros de dados solicitaram entretanto mais capacidade de ligação à rede elétrica, estando os pedidos em análise, disse à Lusa a ministra do Ambiente e Energia.