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O mundo das artes e o poder político recordam Jorge Palma como um ícone e uma das grandes figuras da música portuguesa. O cantor e compositor morreu ontem à noite, aos 76 anos. Deixa uma carreira com mais de meio século.

Jorge Palma foi vítima de uma paragem cardiorrespiratória. O anúncio foi feito pela família através de uma publicação nas redes sociais. A mulher, os filhos e os managers de Jorge Palma pedem agora que o cantor seja recordado pela obra e pelas palavras. Para trás, Jorge Palma deixa uma carreira marcada por inúmeros temas de sucesso, prêmios, condecorações e foi ainda em criança que começou a entrar no mundo da música, quando descobriu no piano um brinquedo. Miguel Pina Andrade.

Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira-discos, reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela mãe, que também tinha estudado música. Entrou para o conservatório com seis anos e nos 70 seguintes viveu e deu lume à música e à cultura portuguesa. Com "Passos Inseguros", estreou-se na língua inglesa em 1972, a solo, com o single "The Nine Billion Names of God", inspirado num conto de Arthur C. Clarke. O pagamento chegou na forma de uma máquina de lavar a roupa e um frigorífico. Na altura, o que movia Jorge Palma eram miúdas, festa, um verdadeiro fora da lei. Embora a carreira comece a ser cantada em 1972, o percurso da música começou oito anos antes, aos 14, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop rock.

Neste momento, com a distância que tenho, vejo que foi uma encruzilhada. Eu podia ter virado por esse caminho, mas não. Eu decidi cortar completamente com a música clássica e com a perspectiva de me tornar menino prodígio. Sofri muito. Se eu tivesse ido por aí, neste momento era uma pessoa totalmente diferente. Era o contrário de mim. Acho que era muito mais sóbrio.

Não foi só que fez a caminhada na música. Nos mais de 50 anos de carreira, Jorge Palma colaborou com outros artistas em projetos como o Palmas Gang, banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos &​ Pontapés, e Flak e Alex Cortes, dos Rádio Macau. Cantou ainda com José Mário Branco, com os Blind Zero e deu concertos com Sérgio Godinho. Após o 25 de abril de 74, regressa a Portugal, começa a trabalhar como orquestrador e no ano seguinte edita o primeiro álbum, "Como uma Viagem na Palma da Mão". Depois deste primeiro álbum, gravou mais três originais e cada um corresponde a um momento da vida de Jorge Palma. No meio, o cantor andou pro lado errado da noite. Jorge Palma assumia publicamente a longa batalha com o alcoolismo. Em 2023, dizia ao público que tinha essa doença, esse handicap. "O Lado Errado da Noite" foi lançado em 1985, incluía o single "Deixa-me Rir". Deixou-se rir e deixou-se ir na vida acadêmica. Em 1990, termina os estudos de piano no conservatório e logo a seguir grava "Só", editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita apenas ao piano canções dos discos das duas décadas anteriores. O álbum mais recente, "O Derradeiro Vida", foi editado em 2023. Dois anos depois, estreou o espetáculo "Três Palmas na Mão", no qual se apresenta em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. Em abril deste ano, foi distinguido com o Prêmio Carreira dos Prêmios da Música Portuguesa.

Muito obrigado a todos que ao longo da vida me têm estudado, ensinado, tratado e curado. Estou a falar, por exemplo