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O nosso próximo convidado, Alexandre Cortez, baixista dos Rádio Macau, que fez parte também do Palmas Gang. Alexandre, bom dia. Obrigada. Imagino que não seja um dia fácil, mas o Jorge Palma era isto? Era esse amigo, desligado até daquelas coisas que para outros artistas podem ser importantes, como a imagem, o aspecto físico?

Sim, realmente éramos amigos e o Jorge Palma foi uma pessoa muito importante para mim, não só como músico, mas também como amigo, como é lógico. Eu não percebi bem a pergunta, desculpe. Ouvi mal.

Claro. Estávamos aqui a contar um pouco como é que era Jorge Palma enquanto amigo, mas importante, de facto, é recordá-lo como músico. Foi muito inspirador, seguramente.

Sim, foi muito inspirador e acima de tudo, deu-me o privilégio de poder passar algum tempo da sua vida e da minha vida também, enquanto músico a descobrir novos caminhos para as canções dele. Foi um período muito engraçado, muito intenso. O Palmas Gang aparece no Johnny Guitar, que era um clube de música ao vivo que existiu nos anos 90, e foi a partir daí que nós, juntamente com o José Pedro Calú e com o Flak, pensámos também: "Porque não fazer uma banda rock com o trabalho e com os temas do Jorge Palma?" E foi uma descoberta imediata, porque não houve nada para desenvolver, ou seja, aquilo foi imediato. Nós juntávamo-nos, ensaiávamos pouco e quando nos juntávamos, aquilo saía espontaneamente. Portanto, foi uma coisa muito genuína nesse sentido. Obviamente, para além da sua importância como músico, eu não posso deixar de realçar a importância que ele tem e terá cada vez mais, creio eu, não só para o cancioneiro, mas enquanto poeta, porque eu acho que ele realmente era um enorme poeta. E deixa-nos um legado importantíssimo.

E deixa também, Alexandre Cortez, uma influência para novas gerações que entretanto foram surgindo, de cantores e compositores.

Sim, não tenho qualquer dúvida. Da mesma forma como na minha geração foi muito influenciada por cantores como o Zeca Afonso, como o Sérgio Godinho, agora também há novas gerações que vêem no Jorge Palma uma espécie de um ídolo, ou seja, vê-lo como olham se calhar para outros cantores internacionais como o Bob Dylan, por exemplo. Eu creio que o Jorge Palma vai deixar essa marca e seguramente que será indelével, será uma marca que vai perdurar no tempo.

Alexandre Cortez, obrigada por estar conosco nesta emissão especial da Rádio Observador, baixista dos Rádio Macau, tocou também no Palmas Gang, juntamente com Jorge Palma na sala Johnny Guitar.