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E o Vencedor é na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador, com a Judite França e hoje também com o Alexandre Borges e a Raquel Abecasis. Vamos falar do Teatro do Bairro Alto, do Museu do Aljube, que mudaram de direção. Também de um estudo do ISCTE para o Expresso, que mostra que 56% dos inquiridos fazem uma avaliação má ou muito má do governo. E ainda sobre este imbróglio com os juízes para o Tribunal Constitucional e deste impasse que parece não ter fim. Começamos por aqui. Raquel, alguém vai ter de ceder? Acho que é um filme com a Helen Hunt, não é?
"Something's Got to Give."
É com a Helen Hunt e o Jack Nicholson, não era? Era isso mesmo.
Sim.
Era.
É isso.
Que ele era obsessivo-compulsivo.
Exatamente. E aqui também parece que temos obsessivos compulsivos.
Eu queria começar por um ponto prévio, que é dizer que eu vi há bocado o Explicador com a Teresa Violante e acho que ela colocou muito bem a questão. A questão é política, não tem nada a ver com quebrar acordos ou o que quer que seja. E depois queria fazer um bocadinho de pré-história. Queria recordar um dia em que António Costa, muito confortável no seu lugar de primeiro-ministro, disse numa entrevista ao Expresso que no dia em que a sua subsistência dependesse do PSD, este governo acabou. E portanto, esta história começou com António Costa. Era bom que o Partido Socialista se lembrasse disso, quando durante oito anos ostracizou o PSD e fez uma opção clara, do meu ponto de vista, por partidos tão extremistas como se pode dizer que o Chega é. E portanto, não se devem agora os socialistas espantar com o PSD poder fazer a mesma coisa. Isto é aquilo que eu acho que objetivamente também deve ser dito, porque parece que agora é que acordamos para opções extremistas e para quebrar consensos da democracia. Não é assim, António Costa foi quem o fez, fê-lo há muito pouco tempo, fê-lo de forma inédita e agora o Partido Socialista está a comer o prato que serviu. Dito isto, eu acho que a legitimidade para a decisão poder ser a de que os três lugares vagos no Tribunal Constitucional possam ficar dois a cargo do PSD e um a cargo da indicação do Chega, parece-me uma opção completamente legítima à luz do dito acordo tácito de há 40 anos, porque neste momento, por mais que isso custe ao Partido Socialista, o Chega é o principal partido da oposição e, portanto, o acordo é que seja entre os dois principais partidos. Acontece que pela primeira vez na história destes 40 anos-
Mas eram só dois à altura, não era?
...o líder da oposição não é o Partido Socialista nem o PSD, é o Chega. E portanto, desse ponto de vista e à luz desse acordo tácito, faz sentido. O que eu acho que acontece? Tendo dito tudo isto de início, percebo aquilo que o Partido Socialista está a fazer e para o qual está a ser pressionado a fazer, porque se o Partido Socialista não der a isto uma resposta, como ameaça fazer, que é quebrar entendimentos com a AD, logo a começar pela questão orçamental, o futuro de José Luís Carneiro é seguramente o futuro de Rui Rio, que como todos sabemos, não foi bom. Porque Rui Rio, perante estas declarações de António Costa, continuou a tentar fazer entendimentos com um primeiro-ministro que fazia gala em ostracizar o partido líder da oposição. E portanto, eu acho que José Luís Carneiro percebe que se ficar de fora desta opção e se quer manter-se com uma liderança credível à frente do Partido Socialista, tem que fazer este tipo de ameaças e é possível que isto aconteça. Assim sendo, eu acho, até pela sondagem de que vamos falar daqui a bocado, que tendo em conta que Luís Montenegro optou por uma estratégia que é não ter um parceiro preferencial e que aparentemente os portugueses concordam com essa estratégia, seria bom que um destes juízes, sendo que são três que estão em causa, pudesse ser da indicação do Partido Socialista para manter o status quo com que ele pretende chegar ao fim da legislatura, até porque o Chega não é um parceiro de confiança e a Iniciativa Liberal não chega à AD para conseguir fazer passar as suas iniciativas. Só queria dizer em relação a isto uma coisa final, é que parece que estamos a virar ao contrário a constituição do Tribunal Constitucional e neste momento o Partido Socialista é maioritário na escolha de juízes que estão e continuarão a estar a fazer parte dos 13 juízes que fazem parte do Tribunal Constitucional. Se conseguir esta indicação Se não fica maioritário na mesma, pelo menos fica equiparado aos juízes nomeados pelo PSD. Portanto, esta ideia de que ai, ai, ai, como dizia a Mariana Vieira da Silva hoje, que vai haver uma transformação na Constituição por causa destas indicações de juízes que vai acabar com o Estado Social, começa já porque essas alterações não são feitas no Tribunal Constitucional, são no Parlamento. E em segundo lugar, não há uma maioria de extrema-direita nos juízes indicados pelos partidos para o Tribunal Constitucional, nem haverá tão cedo. Portanto, acho que são bichos-papões com que não vale a pena também agitar.
Nessa altura há cinco juízes indicados pelo PS, sendo que um até cooptado mais com o PCP, três juízes indicados pelo PSD e três cooptados. Alexandre, olá.
Olá. A pergunta é assim aberta, não é?
Sim. Posso fazer uma pergunta mais específica.
E agora perguntavas nada a ver com o Tribunal Constitucional?
Achaste que o Jack Nicholson estava bem naquele filme?
Estava muito bem, estamos a recuperar um filme que nem um número redondo de anos faz.
Alguém tem de ceder.
Exatamente. Sim, acho que há aqui um conjunto de falácias que o PS tem apresentado. Desde logo, dá-se esta coisa estranha de que andou-se aqui a marinar há nove meses nisto, seis adiamentos destas eleições como se nada fosse. Isso adianta e de repente dramatiza-se imenso, como se isto de facto fosse a democracia em risco outra vez.
Agora já está o orçamento em causa. A proposta de orçamento.
Exatamente, é mesmo isso. E depois, sim, há essa dramatização. De facto, ouvindo há bocadinho a Mariana Vieira da Silva falar, a história do consenso histórico, do compromisso histórico. Não há compromisso histórico nenhum, é a lei por dois terços do Parlamento, ponto. O problema nem sequer é existir o Chega, o problema é a esquerda toda junta não dar um terço, sequer. Este é o problema. Portanto, não há compromisso histórico entre os dois maiores partidos, porque não é disso que se trata. Calhou haver uma coincidência durante muitos anos em que os dois maiores partidos perfaziam dois terços da assembleia. É só isso. Não é isso que está em questão aqui. E por outro lado, esta coisa de dizer o partido que quer rasgar a Constituição, que é a fala mais infantilista, como se alguém pudesse rasgar a Constituição a partir do Tribunal Constitucional. Como se alguém que está encarregue de interpretar a Constituição pudesse partir de lá. O maior golpe de Estado possível à Constituição, que era alterá-la a partir de lá. Houve sete revisões constitucionais. A última foi há mais de 20 anos. Nós durante os primeiros 30 anos de democracia conseguimos fazer sete. Em alturas mais complicadas de maturidade da nossa democracia. Há 20 que nós não conseguimos mexer. Vamos claramente continuar sem lhe conseguir mexer, porque se tornou uma coisa sacrossanta. E porque a esquerda não deixa mexer na Constituição e pelos vistos agora também não quer deixar mexer em quem a interpreta. Portanto, a esquerda quer controlar os evangelistas e os exegetas, quer controlar também os hermeneutas, quem a pode escrever e agora quem a pode ler também. Também a leitura deste texto só pode ser lido por quem a esquerda entender. E de facto, faz-se o número de fazer crer que o PS vai ser pai recorrido constitucional, quando no mínimo vai continuar a ter quatro juízes. E o número também de tentar fazer crer que o que reflete a vontade do eleitorado em Portugal seria ter uma maioria de juízes PS no tribunal, ou indicados pelo Partido Socialista no tribunal, um segundo número de juízes indicados pelo PSD e quanto muito, isto da parte do PS, haver um do Chega, porque se formos à esquerda, mais ligeiramente à esquerda, Rui Tavares nem entra lá. O Chega nem tem permissão para entrar na assembleia.
O Rui Tavares agora diz que não há nenhuma questão política.
Então, não é política o quê?
Agora não é político. Porque não pode decidir, como não pode decidir nada. Como o Rui Tavares e o resto da esquerda não têm esse poder, agora não é político, agora a escolha já não é política.
Mas o Rui Tavares, para não variar, ofereceu-se para todos os entendimentos e mais alguns. O Rui Tavares está sempre disponível para o amor nestas coisas, quer estar sempre aberto a formar uma maioria qualquer contra qualquer coisa ou para liderar a esquerda ou o espaço antifascista em Portugal ou aquele tipo de coisa que gosta de dizer. Aqui estava disponível para uma grande conjunção que afastasse o Chega do Parlamento. E portanto, isto é dizer ao eleitorado, de facto, que é assim: "Não, vocês podem votar no Chega, porque não, isto é uma democracia, mas os vossos votos não servem para nada." Exatamente. Vocês podem votar, expressem lá a vossa fúria, o vosso desagrado e tal. Pronto, já aliviaram, já desabafaram. Agora, isso não vai contar, porque da vossa parte isto não pode entrar para o sistema. Quando foi este Tribunal Constitucional, como ele existiu até aqui, que permitiu a existência do Chega, apesar de haver ainda aí umas questiúnculas em torno do Chega, isso não impediu até agora o Chega de se apresentar em eleições. Portanto, isto não faz sentido. Acho que é um desrespeito para com o regime democrático, é de facto falacioso ao longo de toda esta argumentação e não está em questão o gostar ou não se gostar do Chega, era o que faltava. Uma das grandes chatices da democracia é a gente ter de aturar algumas pessoas com quem não concorda nos diversos lugares. E depois há um pormenor também que me indigna um pouco na questão, que é: muitas vezes o Chega é o partido que de facto concorre para desprestigiar, desvalorizar as instituições. A começar pelo comportamento que tem no Parlamento. Mas aqui é este comportamento da esquerda que tem desvalorizado as instituições. O ataque de dizer que isto são os tachos
E que o Chega afinal fala dos tachos e se está a atirar contra os tachos. É, para dizer o mínimo, ridículo.
Olhar para um juiz do Tribunal Constitucional como um tacho.
Dizer que isso é um tacho? Exatamente. Um tacho são aquelas coisas que a gente diz: "Vou pôr uns tipos nesta empresa pública." Uma malta do aparelho partidário.
Um assessor para o economato.
Exatamente. Não é Rita Matias que vai para o Tribunal Constitucional, em princípio. Tem que ser ou um juiz, ou pelo menos um jurista, pessoa de reconhecida idoneidade e mérito, ou mais ou menos as palavras que estão escritas na Constituição. E depois outra coisa que ainda é esperar, está-se a atuar ou estão todos muito influenciados pelo que se passa no Supremo, nos Estados Unidos, ou de repente, de facto, é achar que um juiz porque é indicado por um partido, se vai comportar como a cheerleader, a líder da claque desse partido.
Que não, a prática tem demonstrado que não é bem assim. Vamos deixar para a segunda parte do "E o vencedor é..." a opinião de Judite de Sousa.
Eu já falei sobre isto ontem, não me quero repetir.
Eu sei. Mas sabes que eu gosto especialmente de te ouvir.
Posso ter outra opinião.
Em 24 horas.
Como diriam os irmãos Marx: "Eu tenho estes princípios, mas se vocês quiserem outros, eu tenho outros também."
Também se arranja. Judite, ficámos aqui pendurados. Como já emitiste a tua opinião sobre a questão do Tribunal Constitucional várias vezes, podes só fazer um resumo. Europa-América.
Posso dizer: vão ouvir ontem. Eu acho, e ainda ontem utilizava esse exemplo, porque eu acho que de facto isto é o problema dos três corpos. Só havia dois e agora há três. E quando há três, do ponto de vista matemático, as contas da gravitação são mais difíceis de fazer.
Dizia Lady Di: "Três são demais para um casamento."
Estava a falar de alta teoria matemática e física.
É muita gente para um casamento.
Mas é um bom-
É um belo. São muitos para um casamento, mas neste caso vai ter que ser, porque de facto não se pode excluir o Chega quando ele tem representação que lhe permite estar também representado no Tribunal Constitucional.
Vamos às notas. Raquel, tens nota?
Olha, eu como trouxe aqui a coação António Costa, o grande quebra convenções do regime, vou também quebrar as convenções na nota e vou dar uma nota de PS. António Costa, 3,14159.
PS. Podia ser também, é uma piada, sem mal nenhum, por favor, alguém da Madeira a falar no PS. Alexandre. Eu gosto muito de sotaques, atenção.
Certo. Para mim é um sete para o PS aqui, porque percebo que está a tentar fazer pela vida, mas acho que não há muito mais para dar neste argumento.
Então vamos avançar e já vamos falar do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube. Vamos para o estudo do ISCTE para o Expresso, que, Raquel, mostra que 56% dos inquiridos fazem uma avaliação má ou muito má do governo.
Devem ter falado com Passos Coelho.
Achas? É um dos inquiridos.
Acho que sim, devem ter estado a ouvir Passos Coelho e, portanto, no fundo, refletem nas suas opiniões as críticas que Passos Coelho fez a Luís Montenegro e que causaram tanto mal-estar, mas que refletem aquilo que é o sentimento de uma grande maioria do eleitorado que votou em Luís Montenegro por duas vezes e que votou na AD por duas vezes, à espera que alguma coisa de substancial mudasse. E isso, para já, não se vê. Ouve-se muito nos discursos esta ideia de que é um governo reformador, mas reformas para já nem vê-las. Há uma reforma tranquila que eu quero assinalar e que está também bem espelhada neste estudo, que é: há um setor em que os inquiridos acham que as coisas estão a ocorrer muito bem. Curiosamente, é na educação, que esteve em todos os rankings nos últimos anos do pior setor, que funcionava pior. E de facto, Fernando Alexandre, sem grandes alaridos, tem conseguido pôr em marcha mudanças seguras e tranquilas no setor da educação, que fazem com que as pessoas hoje em dia considerem, de todas as áreas que foram questionadas, que na educação as coisas estão a correr de forma satisfatória. E logo a seguir vem o ambiente.
Não, a proteção ambiental vem antes.
Vem antes.
O ambiente é que vem depois. Separo a proteção ambiental do ambiente.
Sim. Enfim, nós olhamos, vemos as notícias e são dois ministros competentes que sabem o que é que estão a fazer, que têm um plano que não está concluído, porque isto não significa que as pessoas achem que está tudo bem na educação, não é isso. Agora, o que as pessoas percebem é que está a ser feito um caminho. E nas outras áreas todas não percebem. E isso é fundamental que o governo estude bem, e Luís Montenegro estudem bem estes resultados, porque a sua permanência no governo e o apoio que tem ou não tem nos próximos tempos depende de alguma coisa mudar nestas matérias.
Alexandre?
Eu vou à bola e quero ir, mas como o tema era da Judite.
Não, quero ir à Judite, mas como tu ainda vais falar também sobre.
Certo. É que eu vou fazer crítica de sondagem, que é uma outra modalidade. É engraçado o que a Raquel estava a dizer, é bem notado e interessante que a educação e o ambiente, de facto correspondam, não tinha pensado nisso, a dois bons ministros Mas as pessoas não estão muito satisfeitas. Mesmo nesses que são os menos maus, há 33%, portanto um terço, que está satisfeito ou muito satisfeito com a proteção do ambiente, e há 32%, que nem chega a um terço, que está satisfeito ou muito satisfeito com o ensino público. É tudo calamitoso. Eu nunca vi nada assim. O nível de insatisfação no ensino público, insatisfeito ou muito insatisfeito, é de 56%, a maioria das pessoas. Proteção do ambiente, 61%; imigração, 67%. Isto são os bons. Depois, nos outros índices: a habitação, vou falar só dos níveis de insatisfação, 93%; combate à corrupção, 89%; carga fiscal, 88%; custo de vida, 83%; criminalidade, 82%; SNS, 81%. Acho que é bem levantada a hipótese de um inquérito ter sido de pá de escolho. As minhas hipóteses era: isto foi à porta do Estádio da Luz a seguir à partida com o Real Madrid, que fizeram estas perguntas; isto foi à hora de ponta na Segunda Circular. Eu não sei o que é que foi.
Na bomba de gasolina à segunda-feira.
Exatamente. Isto foi feito entre 27 de fevereiro e 8 de março, que corresponde perfeitamente à primeira semana da guerra. Não que agora esteja melhor, mas imagino que seja este impacto na vida das pessoas, porque há aqui algumas perguntas notáveis. Por exemplo, a pergunta da situação económica, 50% entendem que piorou ou piorou muito. Bem sei que as pessoas lidam com as suas percepções e com o bolso, mas em rigor, em termos económicos, as pessoas neste momento ganham mais do que há um ano, há mais emprego do que há um ano e o país, apesar de tudo, apresenta algum crescimento económico. Não estou a dizer que esteja maravilhoso. Como diz, as reformas estão zero. Mas do ponto de vista económico, em comparação com há um ano, isto até vai. Mas a minha pergunta preferida, desculpa se me permites, é: Portugal tem ido pelo caminho? Eu gostaria mesmo que os autores deste estudo nos explicassem a cientificidade por trás desta pergunta. Portugal tem ido pelo caminho errado, certo? O que é Portugal? É o governo? É o presidente? É o Parlamento? São os tribunais? É a comunicação social? São as empresas privadas? É a população? No caminho certo em que plano? Da vida em geral? Da economia? Da justiça? E depois, desde quando? Porque não está na pergunta e estas coisas costumam ser um pouco mais explicadas. Eu tenho ideias: para mim, Portugal tem ido pelo caminho errado desde Alcácer Quibir. E como hipótese de resposta, eu admitia, para perguntas tão concretas como esta, hipóteses de resposta, por exemplo, isto só neste país, antigamente é que era bom, ó chefe, isto vai de mal a pior. Admitiria estas alíneas.
Cedite.
Eu já não tenho muito a acrescentar, mas só para dizer que acho, de facto, que em alguns setores o governo até podia ter feito coisas extraordinárias, que não era capaz de ter melhor nota, e a habitação é um deles. Enfim, não há muito a dizer sobre aquilo que se possa fazer na habitação. É um problema que tem à vontade-
Décadas.
Sim, mas da forma como tem estado, tem uma década, pelo menos 10 anos e, portanto, não é de agora. O custo de vida, é óbvio que é uma perceção que as pessoas têm de que vai piorar. Porque com aquilo que estamos a passar, é evidente que vai piorar. Os dados não incluem as medidas mais recentes que o governo tomou. Ainda assim, não sei se fariam alguma diferença as medidas mais recentes a propósito da guerra entre os Estados Unidos e o Irão. Não sei se faria alguma diferença. Agora, a insatisfação é elevada noutras áreas em relação ao governo. Por exemplo, na questão da corrupção, não entendo muito bem como é que ela entra aqui. Quer dizer, pelo menos com este governo, não tem havido propriamente. E depois, com a questão da criminalidade, o que significa que os inquiridos não têm a perceção do Luís Montenegro em relação à criminalidade. Eu entendo aqui é que a criminalidade está tudo ótimo e o governo a encara como negativa. E dentro do próprio PSD, dentro dos próprios eleitores do PSD, de facto, há 71% dos simpatizantes do partido que estão pouco ou nada satisfeitos com a atuação do governo na área da criminalidade. Portanto, aquilo que eu depreendo deste estudo é que, de facto, pode ter sido a saída de um jogo do Benfica.
Queres dar uma nota?
Acho que são notas muito negativas. Luís Montenegro passar à tangente com 5 valores em 10, quando ainda há pouco ganhou eleições, não deixa de ser estranho.
Curioso. Queres dar alguma nota?
Quero dar um oito ao estudo.
Ainda vamos ao Teatro do Bairro Alto e ao Museu do Aljube, Alexandre.
Enfim, tentando ser breve.
Vais mesmo ter de ser.
Eu vou ter de ser, não é? Não vou tentar. Eu estava a fingir que tinha livre-arbítrio. Com a esquerda uma pessoa nunca termina o seu vínculo, a sua comissão de serviço, nunca não se renova um contrato. Tu és saneado, pura e simplesmente. Correm contigo. E depois, então no setor da cultura, imediatamente chovem as cartas abertas, pelo qual eu tenho não só o maior respeito e simpatia, como me arrogo também, de vez em quando, fazer parte dele, mas chovem imediatamente as petições, os abaixo-assinados, as cartas abertas.
Estás a falar da Rita Rato?
Afirmo. A Rita Rato.
No Museu do Aljube.
Exatamente, no Museu do Aljube, e a Francisco Frazão, no Teatro do Bairro Alto. Dois diretores de dois equipamentos da EGEAC, a Empresa de Gestão dos Equipamentos Artísticos e Culturais da Câmara de Lisboa, que não foram reconduzidos nos seus lugares. Há que dizer que Rita Rato estava lá há seis anos, dois mandatos. A Francisco Frazão estava há oito. Não pondo minimamente em questão o trabalho de um ou de outro, e isso que fique claríssimo, confesso que não vi nem um, nem outro. Portanto, não é de todo isto, e dizem que tinham bons números. No caso de Rita Rato, é complicado comparar, porque o museu é muito recente. Rita Rato. A esquerda só acha que uma decisão é política quando não tem a ver com ela, ou que é ideológica. Quando Rita Rato transitou diretamente, ou quase, do Parlamento, deputada do PCP, para diretora de um museu, foi um concurso público, fora de questão. Mas que critérios foram tidos em conta? Eu estive a ver a formação. Ela não é formada em museologia, nem em arte. É Ciência Política e Relações Internacionais. Parte do pressuposto que todo o melhor conhecimento dela de peças do museu vinha da história do comunismo, imagino eu, de um certo convívio. Portanto, não era daqui. É obviamente uma escolha que tem por trás critérios ideológicos, em que o júri, neste caso, entendeu que uma pessoa estaria mais habilitada se tivesse esta sensibilidade política, o que é um critério, porque a prisão do Aljube existia desde a Idade Média, teve muitas naturezas, foi prisão feminina no século XIX, chegou a ser prisão política ainda no tempo da Primeira República. Portanto, decidir que o museu deveria centrar-se só no Estado Novo, é uma decisão política. E depois outra coisa, Rita Rato foi reconduzida em 2023. Já a câmara era de direita. Alguém reparou nisso na altura? Houve na altura uma carta aberta a dizer: "Houve aqui imenso fair play político nesta questão." Não. E depois, a EGEAC tem 25 equipamentos culturais. Há duas pessoas que não foram reconduzidas. Portanto, a pergunta é: vale mesmo a pena rasgar as vestes de cada vez que estas coisas acontecem? Há mesmo o entendimento de que a cultura não deve ser ideológica ou de facto é sempre ideológica e, portanto, mais vale aceitar que deve haver uma certa rotatividade nestas coisas?
Foste incrível.
Obrigado.
Só falta mesmo a tua nota.
Vou consolado com essas palavras para o fim de semana. A minha nota é para a indignação instantânea que acontece nestas coisas, que eu compreendo que até pode ser de coração, mas acho que devia ser um pouco mais racional. É um oito.
Um oito. E o "Vencedores" regressa amanhã, não para nem ao fim de semana, mas amanhã um pouquinho mais tarde, é depois das 10:30, nas manhãs "360" de fim de semana. E amanhã as estrelas de "O Vencedor É" são o Luís Rosa e o Henrique Borné.