Nova semana, nova fornada de sondagens. Desta vez, os estudos de opinião confirmam a liderança do PS nas intenções de voto, enquanto o Chega se mantém como segunda força política e deixa a AD, partido do Governo, relegada para uma preocupante terceira posição. Sabemos que se tratam de retratos momentâneos, mas ignorá-los seria miopia política. Façamos o exercício analítico: o que seria do Partido Social Democrata se este desfecho se consumasse nas urnas, com o PSD a cair para terceira força política atrás do partido de André Ventura?
Caso esse terramoto eleitoral aconteça, o PSD ver-se-ia diante de uma encruzilhada com três caminhos táticos possíveis, cada um com custos de sobrevivência brutais:
1. O Bloco Central de Salvação: Seria a solução que recolheria maior simpatia no espectro da esquerda nacional. Perante uma vitória do Chega sem maioria parlamentar estável, o PS e o PSD formariam uma aliança pós-eleitoral (formal ou de incidência) para impedir a governação do Chega. Mas qual seria o preço real para o PSD? O risco de diluição ideológica e a perda definitiva do eleitorado de direita.
2. A Coligação de Direita: Nos dias seguintes ao escrutínio, o PSD aceitaria viabilizar ou integrar um governo liderado por André Ventura. O histórico “não é não” de Luís Montenegro cairia por terra (provavelmente juntamente com o próprio líder). Neste cenário, a direita governaria, mas com uma inversão de papéis histórica: o PSD passaria a assumir o papel secundário de “muleta” do Chega, uma espécie de CDS invertido na nova geografia do poder, com todo o respeito pelo partido de Nuno Melo, que muito respeito.
3. O Modelo da Tolerância (Deixar o Chega Governar): O partido laranja optaria por fazer ao Chega aquilo que a oposição faz hoje ao atual executivo. O PSD ficaria na bancada, viabilizando orçamentos ou propostas pontuais através da abstenção, sem comprometer a sua assinatura num acordo de governação. Seria um jogo de desgaste, gerido na esperança de uma rápida erosão do governo populista.
A viabilidade de qualquer uma destas saídas esbarra numa variável que ameaça mudar por completo o paradigma da política nacional: Pedro Passos Coelho. O antigo Primeiro-Ministro reentrou formalmente no tabuleiro como o rosto expectável para redefinir o rumo e a futura estratégia dos sociais-democratas. A sua herança e o seu posicionamento atual baralham as contas de Luís Montenegro, cuja sobrevivência depende inteiramente da forma como conseguirá estancar a sangria nas urnas.
O antigo Primeiro-Ministro é visto por muitos como o grande salvador do PSD, o D. Sebastião laranja. E, sejamos honestos, talvez fosse mesmo o único capaz de unir toda a direita: PSD, Chega, IL e CDS.
O real problema de um eventual terceiro lugar do PSD não é apenas numérico; é de identidade. Se o partido abdicar da capacidade de marcar a agenda e apontar as grandes reformas estruturais do país, resigna-se à condição de coadjuvante. Uma coisa é certa: se o regresso de Pedro Passos Coelho se consumar, nunca será para figurar como vice-líder ou sombra de André Ventura. O xadrez do PSD está aberto, o xeque-mate pode vir de onde menos se espera e os blocos começam a alinhar-se.