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"E o Vencedor É..." à sexta-feira, à tarde, hoje com a Judite França, o António Costa e o Alexandre Borges. Vamos conversar sobre o código laboral, as negociações entre governo e centrais sindicais, com greve geral agendada para dia 11 de dezembro. Mas, Alexandre, vamos começar pelas diferenças salariais entre homens e mulheres que continuam a espantar-nos.

Tal qual. Boa tarde, antes de mais. Continuam, de facto. No próximo domingo, eu não fazia ideia, mas fiquei a saber e é relevante, é o Dia Nacional pra Igualdade Salarial. E o teu primeiro impulso podia ser: "Isto realmente há um dia nacional pra tudo ou um dia mundial pra tudo."

Já percebi que esse foi o teu impulso.

Esse foi o meu primeiro impulso. Quando estás a ler, a percepção é demasiada das palavras. E depois reparas: "Espera, de que é que estamos aqui a falar?" Dia Nacional pra Igualdade Salarial. E depois perceber verdadeiramente o que ele significa. Ou seja, não é apenas um dia no calendário escolhido como sendo, neste caso, 16 de novembro. O que é que significa este dia? É um pouco como o Dia da Terra, que é aquele dia em que se esgotam os recursos naturais, em que já consumimos naquele ano todos os recursos naturais da Terra e a partir dali já estamos em crédito. Já estamos a gastar mais do que a Terra vai conseguir gerar. E esse dia, como sabemos, acontece cada vez mais cedo, no caso do Dia da Terra. Começou em agosto, quando se começou a assinalar isso, penso que já vai em julho, porque gastamos cada vez mais. Aqui o paralelo é este, ou seja, o que a diferença salarial entre homens e mulheres representa são cerca de, segundo algumas organizações, 48 dias por ano que as mulheres trabalham em Portugal de graça. Isto é, se ganhassem a mesma coisa que os homens, tendo em conta o seu vencimento anual, a partir de domingo, elas já teriam trabalhado tudo o que o seu ordenado deveria pagar, mas elas vão continuar a trabalhar até o final do ano. E é por isso que este dia é mais do que uma mera data no calendário. E mais do que o meu primeiro impulso acharia e, portanto, que estava errado. Agora, há números diferentes consoante as organizações e as metodologias. Em todo caso, anda mais ou menos à volta dos 16% essa diferença salarial. Mas há uma organização citada pelo público hoje, o Observatório Gênero, Trabalho e Poder, que diz que esta diferença pode ir ainda um bocadinho mais longe e ser de 17,5%, o que corresponderia, na verdade, a 64 dias de diferença por ano, em termos salariais, o que mandaria este dia pra trás já no tempo, já deveria ter sido assinalado a 29 de outubro. Estamos a dizer que são mais de dois meses por ano, que se devem a vários fatores. O mais chocante, diria eu, talvez, é a questão dos salários diferentes pra trabalho igual, que é perfeitamente absurdo. E depois outros dois, que é a dificuldade de continuar a haver acesso ou o desequilíbrio que há de acesso às mulheres a determinados setores ou a determinados lugares de decisão, que são tipicamente melhor remunerados. E alguns dos setores são, porventura, surpreendentes se virmos os números de 2024 da Comissão pra Igualdade no Trabalho e no Emprego. Por exemplo, é muitas vezes no mundo das artes e do espetáculo e no mundo do desporto, em que estas desigualdades são superiores, nalguns casos atingindo 50% de diferença de rendimento. Os números do Parlamento Europeu, curiosamente, são perfeitamente diferentes disto e muito estranhos, não sei exatamente onde é que os encontram. A média europeia, a diferença é de 12% e Portugal aqui é menor. E Portugal até estaria abaixo da média, com uma diferença de 8,5%, que é uma coisa incrível, quem nos dera que assim fosse. Em todo caso, onde queremos chegar é aos 0%, que é algo que aparentemente só o Luxemburgo conseguiu, isto é, que não exista qualquer espécie de diferença, ou então aqui a nossa Judite já se podia ir embora.

Já tinha trabalhado tudo.

Já estamos a 14 de novembro, por favor.

Novafacela.

Exatamente. Alguém estou a brincar, mas de facto, isto é chocante quando se escutam tantas questões.

Vamos ouvir a Judite também. Judite.

É absolutamente dramático. E eu achei curioso que um dos dados dizia que quanto maiores são as habilitações literárias, maior é o gap. E portanto, pra trabalho mais dito especializado, ainda há uma diferença maior salarial. Acho que, de facto, por exemplo, a nova legislação, o novo pacote laboral podia endereçar estes problemas, coisa que não faz. Não há nenhuma diferença que diga respeito exatamente a esta questão de trabalho igual, salário igual no pacote laboral que o governo tem agora em discussão.

Mas isto também reanima sempre debates, como por exemplo, o debate das cotas. Alexandre, faz sentido, na tua opinião, haver cotas, ou seja, tentar, se calhar não é a forma mais correta de abordar este ponto, mas tentar impor soluções para resolver esses problemas?

Já achei durante muito tempo que não faziam sentido até ter Caí na real. Acho que as quotas são precisas, infelizmente, de forma temporária, porque se esperarmos que a realidade mude por ela mesma, há dinâmicas estabelecidas que vão demorar demasiado tempo a mudar. Portanto, compreendo que as quotas podem ser um instrumento regulatório necessário se quiseres reequilibrar a normalidade. A normalidade era uma coisa que devia acontecer de forma normal, mas não é verdade que se deixarmos as coisas ficar, haverá sempre setores onde será sempre estranho haver mulheres ou onde se sentirão sempre tratadas de forma minoritária ou preconceituosa, porque a maioria é composta por homens. Portanto, as quotas parecem, desse ponto de vista, um mal necessário.

Judite?

Eu também percorri o mesmo caminho de: "Não, quotas, não, isso é horrível." Para nada muda. E, portanto, se não houver uma imposição de regras, a não ser que a gente esteja disposta a esperar mais 50 anos para isto mudar, acho que as quotas podem dar um impulso importante.

Mas podemos dizer que isso ainda hoje é uma realidade, que no pensamento ou na hora de escolher uma pessoa para um determinado cargo, pesa o facto se é homem ou se é mulher?

Claro que pesa.

E se já ter filhos ou não ter filhos.

Sobretudo se estiveres nessa fase da tua vida, na fase de ter filhos ou não ter filhos. E aquilo que nós assistimos, e basta ler, quantas vezes já não lemos histórias de processos em tribunal exatamente porque é uma mãe que é despedida, ou não é despedida, o contrato é que termina. O contrato termina, que é uma forma elegante de dizer que é despedida precisamente por estar grávida ou por estar ainda em processo de amamentação.

Ou que sabemos que é uma questão colocada nas entrevistas de trabalho. Se está a pensar engravidar nos próximos cinco anos ou não. Se não fosse relevante para a entidade patronal, não seria perguntado.

E anotas?

Para a desigualdade, há um zero, que é aquilo a que queremos chegar, os 0% de diferença.

Eu acompanho o zero para essa diferença.

Alexandre, lembra-me só a designação do dia.

Chama-se Dia Nacional para a Igualdade Salarial.

No dia 16.

Uhum, este domingo.

E agora, para teu gáudio e dos ouvintes, vou te dizer também que no dia 16 celebra o Dia Internacional para a Tolerância, o Dia Nacional do Mar, o Dia Internacional da Falcoaria e o Dia Mundial da Filosofia.

Olha, a filosofia é uma questão muito interessante. Permites-me usar isso para fazer uma pequena ponte? Ainda temos tempo.

Alexandre, por favor. Vamos agora.

Eu podia ir pela falcoaria.

Eu achei que tu ias pegar no falcão.

Eu também estava, mas para não ser óbvio, vou pegar na filosofia, que tinha proposto também como tema para aqui, de facto, um pouco ligado a este primeiro.

Que grande ligação.

Um pouco ligado a este primeiro.

É sobre a Daniela Braga.

Quero falar da Daniela Braga. Exatamente. É isso mesmo. Tu não fazes nada por acaso. É por isto, senhoras e senhores. Este homem é bem pago e merece.

Desculpem. E há aqui uma informação adicional que se impõe, porque acabo de receber uma mensagem nesse sentido. É o dia de anos de Raquel Abecasis. Não se dá os parabéns antecipados, que é a nossa comentadora aqui no "E o Vencedor é".

Muito bem, magnífico. Só boas comemorações.

Domingo, ver se não te esqueces de casa.

Só coisas importantes este domingo, é verdade. A Daniela Braga é uma-

Além de ter sido minha colega de liceu.

Sim.

Não é verdade.

Não fazia ideia, mas aqui está, isso diz tudo.

Qual é o nome do teu liceu que deu mulheres tão importantes ao mundo?

Aurelio de Sousa, no Porto.

Um grande abraço para a Aurelio de Sousa no Porto.

Ora bem. A Daniela Braga, também já tive o gosto de conhecer em tempos, quando trabalhava ainda na Microsoft Portugal, justamente no Porto, é uma figura do setor tecnológico português, há muitos anos a trabalhar no estrangeiro, trabalhou em Xangai, trabalhou em Seattle, atualmente está em Riade, na Arábia Saudita, porque a Arábia tem estado a fazer um investimento enorme também nesta área de atrair capital intelectual para a inteligência artificial. Foi consultora da Casa Branca, da administração Biden, para o desenvolvimento da estratégia norte-americana para a IA. Portanto, é disto que estamos a falar. A Daniela esteve cá esta semana para a Web Summit e dá hoje uma entrevista interessante ao público, muito interessante. Em primeiro lugar, queria falar disto, infelizmente, de uma mulher de sucesso num cargo de liderança, certamente porque tem que ser muito boa, provavelmente, para superar todas estas contingências que falávamos antes. E ela é fundadora e CEO da Define, que é a empresa de capital português, de origem portuguesa, mais bem-sucedida no mundo da inteligência artificial, e que lida particularmente com a questão dos dados há muitos anos. Foi pioneira nisto, na recolha, tratamento de dados responsáveis para uso da IA. Isto é, são dados pagos, tratados, anonimizados e supervisionados sempre por mão humana. E é uma entrevista muito interessante, muito desassombrada, eu acho, e que recomendo, acerca do futuro, em que não trata a IA nem com medo, nem com deslumbres. Referindo os perigos que tem, mas também as suas potencialidades, olhando para a sua própria filha com 16 anos e como vê a geração dela olhando para os estudos de uma forma um pouco estranha para nós, quer dizer, para que isso serve. Mas o discurso da Daniela é muito interessante, chamando a atenção para o que tem que mudar no trabalho e o que tem que mudar no próprio ensino, mas com esta perspectiva que é Diz uma coisa que deixaria a minha mãe muito feliz, que é: temos de começar a olhar para a formação, particularmente nas gerações futuras, dando mais importância, por exemplo, à filosofia do que à programação. A verdade é que os aspectos de programação vão ser muito rapidamente cobertos pela própria IA e os setores em que temos de dar mais atenção, de facto, são aqueles que farão a diferença, que são as questões comportamentais, as questões éticas, enfim, tudo o que é verdadeiramente comportamento humano e que poderá sempre fazer a diferença.

Aquilo que é mais rotineiro, aquilo que vem da rotina.

Aquilo que a IA sabe fazer.

Poderá ser facilmente substituído.

Exatamente. E que parte disso eram questões que nos ultrapassavam antes, que é mesmo a parte intelectual que possa ser repetida, replicada e exponenciada pela IA, assim será feito. Ela, aliás, até diz algo de interessante comparando, como muita gente compara, o que se passa com a IA com uma nova revolução industrial. Falávamos disto há dias, da questão do perigo da bolha. A Daniela não vê aqui uma bolha, não vê isto como um novo metaverso, mas de facto como uma nova internet, o novo smartphone, mais do que isto, enfim, um novo salto. E referindo outra questão que me parece interessante, que é dizendo: na velocidade que vivemos hoje, as revoluções acontecem em 10 anos, já não acontecem de século a século como antes. Mas ela refere uma revolução industrial um pouco ao contrário. Há questões manuais que vão ser valorizadas no futuro, assim que passarmos este grande furor da automatização.

Tens uma nota para a Daniela?

Tenho. É um 19, só porque eu não tenho estudos para mais. Mas para dizer, acho que precisamos de muitas Danielas e de muitas Danielas Bragas, e de olhar para estes temas verdadeiramente, pensá-los mais do que fazer grandes declarações sobre o nosso potencial para acolher espaços de coworking de IA.

E como no domingo vai ser o dia da falcoaria, a Falcoaria Real de Salvaterra de Magos está aberta das 9:00 às 12:30, depois das 15:00 até às 17:00, e domingo já não chove tanto, fica aqui uma sugestão para o fim de semana para ir ver os falcões a Salvaterra de Magos. Segunda parte de "E o Vencedor é", com António Costa, Alexandre Borges e Judite de França.

Isso.

Olá, Judite.

Tudo bem?

Estás bem? Tudo bem?

Sim, ao fim de não sei quantas horas.

Ainda não se conhecem bem.

Não, por acaso nós não nos conhecemos bem. Judite, vamos falar de coisas sérias.

Vamos.

Código Laboral.

Vamos falar do Código Laboral, porque houve novidades recentes. O governo quer repor os três dias de férias ligados à senioridade, aqueles que tinham sido eliminados na altura da Troika. Também elimina a simplificação dos despedimentos nas médias empresas, repõe os 40 dias de formação anual para todos os trabalhadores e altera os procedimentos nas licenças de amamentação. Problema: é o que mantém. E o que é que mantém? Mantém o banco de horas individual e a possibilidade das empresas recorrerem a outsourcing após um despedimento coletivo. E isto são as duas, como se costuma dizer agora, linhas vermelhas que as centrais sindicais não admitem. E portanto, esta questão do regime do outsourcing, só para se perceber, basicamente é: nos 12 meses após um procedimento de despedimento coletivo, a empresa pode recorrer a outsourcing para fazer exatamente a mesma coisa para a qual despediu aquelas pessoas. É mais ou menos razoável que as centrais sindicais não aceitem isto. E portanto, aquilo que fica claro é que isto não é suficiente para desmarcar a greve geral.

António.

Olha, peço desculpa pelo atraso involuntário.

Ninguém sabia.

Ninguém tinha dado por isso.

Eu gosto de fazer uma pontuação em alguns-

Nós não te denunciamos, António

Foi a minha pontuação. Mas vamos lá ver. O governo chega tarde a esta negociação. É difícil perceber que depois de tantos meses com o diploma em cima da mesa, porque o diploma, este anteprojeto, está em cima da mesa desde junho. Não tem sido muito discutido. Eu, apesar de tudo, aqui no "E o Vencedor é", já tive a oportunidade de chamar uma ou outra vez a atenção para o que parecia já à data, há algumas semanas, o potencial de conflitualidade política e obviamente social, veremos, mas política em torno deste projeto.

Os ingredientes são lá.

Mas custa-me a perceber que seja na 25ª hora e depois da marcação da greve geral pela CGTP e da adesão da UGT, que o governo esteja disposto a ceder nestes pontos e depois de tantas reuniões multilaterais em sede de concertação e bilaterais com os vários parceiros. O que me parece? Que o governo terá facilitado na relação com a UGT e nomeadamente com a tendência social-democrata dentro da UGT. Eu creio que as mudanças que o governo está disponível para fazer diria que são um bom princípio de negociação Eu creio que também é importante dizer: a greve geral não esgota necessariamente a negociação e para o governo é evidente que é importante chegar ao Parlamento com algum tipo de acordo, politicamente. Eu devo dizer que também não valorizo excessivamente as declarações dos candidatos presidenciais, como se fosse muito importante o que eles dizem nesta altura em campanha sobre o que fariam ou o que farão se estiverem em Belém e forem confrontados com um diploma que não tem o apoio da concertação social, mas para chegar a eles, passa no Parlamento.

Teve que sair do Parlamento.

Aprovado. O que dizem hoje parece-me que é muito tático e a pensar na sua própria eleição e em não criar grandes ondas. Até Luís Marques Mendes, que obviamente é apoiado pelo governo, tem mais dificuldade em lidar com este tema. Seria estranho que o governo cedesse em tudo, porque se cedia em tudo, então era melhor não ter apresentado reforma nenhuma e nenhuma mudança. Se o governo considera que, por exemplo, nós temos um nível de produtividade face à média da União Europeia bastante afastada, na ordem dos 80%, 82%, 83%. Temos uma taxa de desemprego jovem elevada, por comparação com a taxa geral de desemprego. Temos um número de contratação coletiva, um peso da contratação coletiva infelizmente baixo. Isto é, a discussão entre setores e dentro de empresas, entre trabalhadores e sindicatos é muito inferior àquela que deveria ser, e esse deveria ser o fórum privilegiado para a discussão. Nós aprendemos todos e percebemos as virtudes disso com a Autoeuropa. O banco individual, de resto, foi trazido até pela Autoeuropa quando veio para cá, porque trouxe modelos de gestão e de funcionamento laboral e que resultaram muito bem na Autoeuropa estes anos todos.

E que tudo a ter acordo entre a comissão de trabalhadores.

Comissão de trabalhadores e a empresa. E isso é o que é desejável. Esta proposta tenta dar espaço à negociação para promover a contratação coletiva. Eu acho que também é ilusório achar que a produtividade portuguesa vai aumentar de forma mágica, só porque se muda isto. A produtividade depende de muitas coisas, depende de capital, depende de gestão, depende de formação, depende da inovação, depende de muitas coisas. Creio que a esta altura do campeonato, a greve vai transformar-se num teste de capacidade política ao governo, mais do que sobre o código laboral propriamente dito, porque as cedências que a Judite acabou de enunciar são importantes. A greve vai servir para o governo perceber se é capaz politicamente, e para os sindicatos. Os sindicatos vão perceber se têm força ou não.

Para os dois lados perceberem quanto valem.

Perceberem a força, quanto valem. E portanto, a adesão à greve, seja no setor público, seja no setor privado, vai ser o teste que se fazia antes, que se fazia com o Orçamento de Estado. O Orçamento de Estado era o teste para se perceber qual era a força política do governo para avançar com medidas ou não. Esvaziado o Orçamento de Estado de medidas de política, esta greve geral vai servir para isso.

Eu tendo a achar, para não repisar nada do que já disseram o António e a Judite, que do outro lado, de facto, está alguma coisa um pouco estranha, um pouco inesperada. Não vejo também nada de tão particularmente chocante, apesar de tudo, nestas medidas, que exigisse uma greve geral das duas centrais sindicais depois de 12 anos e que seria apenas a quinta em democracia. Não vejo, apesar de tudo, nada assim de tão aviltante que não pudesse ser discutido à mesa. A UGT diz agora, depois desta contraproposta do governo, que apesar de tudo catalogou como sendo muito pouco, mas apesar de tudo, disse: "Ok, vamos nos reunir e falar, e diálogo, diálogo, diálogo, e só se isto falhar é que temos greve", o que me parece um bom princípio, porque do ponto de vista da CGTP, a greve parece mais do que o último recurso, modus operandi. Tendo a olhar para isto mais como prova de vida dos sindicatos e se calhar, particularmente da UGT neste momento, e de quanto é que representam, de qual é a sua força, de facto, no meio laboral por oposição a um avanço do que é o Chega, do que é esse tipo de movimentos inorgânicos, qual é essa tendência ainda não materializada no caso do Chega em nada, em nenhuma força sindical, mas de facto perceber o que pode ser a UGT e a social-democracia agora.

Vamos a notas?

Notas. Eu dou 10. Eu só vou olhar para as centrais sindicais?

Gosto sempre do ar surpreendido.

Eu fico sempre, eu sou sempre amedrontado.

Este é um programa que se dá notas.

Eu dou 11 ao governo por este esforço.

Um 11.

E é uma nota muito baixinha, porque eu acho que o esforço é tarde e provavelmente vai aceitar pouco.

11 para o governo. Era o que eu estava a pensar depois da surpresa, dar em relação às centrais sindicais. Dou 10 à UGT, porque por enquanto vamos ver no que é que isto dá. No caso da CGTP, vou fazer greve e não dou nota.

Pronto, está bem. Daniela Braga. Já falámos da Daniela Braga hoje.

É sexta-feira.

Já lá vamos, não é?

As pessoas estão cansadas. Já falámos de Daniela Braga a fechar a primeira parte do Vencedor É. E agora, Judite de França.

E eu vou dar 10 ao governo, porque acho que isto é pouquinho.

Ok

E tu queres falar de janelas?

Eu quero falar de janelas.

O que se passa com as janelas?

Passa-se que-

Vamos abrir uma janela para o programa das janelas

Só para as pessoas perceberem, isto ficou conhecido como o programa das janelas, mas é um programa de apoio a edifícios sustentáveis e que não tem só a ver com janelas. Bastava que as pessoas pusessem bombas de calor em casa, painéis solares, basicamente que investissem à cabeça vários milhares de euros em obras de eficiência energética em casa, ficando depois à espera de receberem os respetivos subsídios do fundo ambiental. Ora, mais de dois anos depois de encerradas as candidaturas, repito, as candidaturas já foram encerradas há dois anos, há mais de 9000 candidaturas que ainda estão em avaliação, há 23.000 que foram pura e simplesmente rejeitadas e cujos candidatos não concordam. E depois houve 3000 desistências, porque pura e simplesmente, e segundo diz a Provedoria da Justiça, que tem recebido queixas desde 2023 até agora, a dada altura, tem uma frase que é: "O processo de submissão não pode traduzir-se para o cidadão comum numa tarefa quase impossível." Portanto, já submeter a este programa é uma tarefa praticamente impossível, porque é excessivamente complexo, tem muitos formulários, tem muitas portas e janelas, muita documentação, muita documentação de apoio, que obrigam as pessoas a perceberem de coisas que as pessoas não percebem e basta aquilo estar mal preenchido para vir para trás e saltar fora. Agora, há 9000 que ainda estão em avaliação. Desde 2023 que estão em avaliação. E isto é um programa do PRR, isto é feito com dinheiro do PRR. Este governo de esquerda herdou o problema do governo passado, mas isso para as pessoas que estão à espera desse dinheiro e que tiveram que investir à cabeça, não interessa nada.

E isto, António, agudiza a desconfiança que o cidadão tem em relação a estes programas, que até são bem-intencionados.

Pois, mas eu tenho muitas reservas a este tipo de programas, porque vamos lá ver. Se há uma dinâmica em que as pessoas, o mercado, os agentes económicos, as famílias, neste caso, vão fazer essas mudanças, porque estamos para aí, é os carros elétricos. Eu acho que há outras condições que são necessárias garantir para que esse processo se faça quando se entra neste tipo de programas. Normalmente criam-se efeitos perversos. Estes, por exemplo, as pessoas metem porque estão a contar com o programa, legitimamente, foi aberto.

Ele existe.

Quer dizer, usem lá o dinheiro para coisas que sejam produtivas e baixem os impostos e isso vai permitir que as pessoas façam as suas opções e metam o dinheiro-

Entende-se que era possível esse tipo de incentivo, mas por via fiscal.

Sim, por via fiscal, como uma descida transversal. Eu não gosto nada e acho que o Estado multiplica. Nós de vez em quando damos comissões, que vão descobrir a quantidade de incentivos fiscais, a quantidade de programas especiais para este produto e para aquele. Não multipliquem, o Estado não tem capacidade depois para responder. Há aqui um problema de capacidade de resposta. Criou-se uma expectativa, que é depois legitimamente exigida por parte de quem acede ao programa, quando, na verdade, o Estado devia ter uma relação simples, transparente, mais eficaz, menos onerosa. E em vez de se estar a devolver o que tirou, é melhor que não tire à cabeça e que cobre menos impostos, que as pessoas tenham mais condições para elas próprias fazerem as suas opções, em vez de multiplicar. Às vezes eu próprio critico, causa própria, no caso o Eco, quando fazemos este título: o governo dá. O governo não dá nada. O governo está a devolver o que nós pagamos. Qualquer governo, este e outros. Não multipliquem programas que permitam que os ministros, sejam A, B ou C, apareçam a dar coisas e a dizer que são muito bonzinhos porque dão coisas. Não tirem antes.

Mas as janelas são caras, António.

Pois, são caras.

Sabes quanto é que custa uma janela?

Sei. Também sei quanto é que custa uma janela.

Daquelas bem boas.

Daquelas muito boas, são muito mais caras.

Com oscilobatente, foi uma palavra que demorei imenso tempo a perceber.

Simplifiquem.

Que é muito útil.

Para não ser radical, haverá em determinadas circunstâncias, necessidade de criar algum tipo de programa para apoio, porque do ponto de vista de política pública, seja janelas, isto para mim serve de exemplo.

Claro.

Como outra coisa qualquer. Simplifiquem, não compliquem. Usar fundos comunitários para isto é complicar. Por quê? Porque nós não podemos todos dizer, todos os dias, para utilizar uma expressão muito cara ao André Ventura e ao Chega, que é: "Anda tudo a roubar, isto é tudo fácil e é dinheiro para..." Portanto, obviamente, tem que haver regras e quando se põem fundos comunitários envolvidos, tem que haver processo, tem que haver regras, tem que haver prova e vem. Quando dá também do Orçamento de Estado, também. Mas apesar de tudo, quando o dinheiro é do Orçamento de Estado, é mais simples. É resposta do governo português, do Estado português. Quando tem que fazer, porque tem mesmo que fazer, façam programas simples para não criar estes problemas.

Temos de ir àquele ponto sempre surpreendente deste programa, que é a nota.

Vais pedir à Daniela? Não, pedes à Judite.

Daniela, Judite.

A sério?

Estive à vontade.

Eu vou dar um rotundo quatro ao governo por não conseguir fazer um programa, pura e simplesmente.

António, queres dar alguma nota?

Sim, dou um cinco à multiplicação de programas.

Alexandre, o oscilobatente merece de algum... É como esta nova do gás, o e-lar, é assim que se chama o incentivo.

E-lar. Também ficou entupido.

É muito parecido com isto. Sem surpresa. Acho que segue a mesma lógica direcionista do governo nestas coisas e complicada. Portanto, é um cinco também.

Fica o cinco. Bom, amanhã há mais. Não é por ser fim de semana e o Vencedor Pára. Não pára. Sete dias por semana. Amanhã é um pouquinho mais tarde de manhã, é às 10h30.

Eu estou a gravar no domingo.

Então fica já com o recado.

Tens muita coisa para celebrar no domingo.

É que domingo a Raquel Abecasis faz anos.

Muito bem. E é o Dia da Falcoaria e da Filosofia. E o Dia Nacional para a Igualdade Salarial.

E o Dia da Tolerância. Isto é serviço público.