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Começa agora mais um Yuvençorê das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Carla, esta quarta-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e a Filomena Martins. PS e CDU estão a correr em pistas separadas em Lisboa. A Ministra da Saúde foi ao Parlamento, o reitor do Porto também, e o Ministério Público voltou à TAP. Filomena, e tu queres dar uma nota a Pedro Nuno Santos.
Eu quero dar uma nota a Pedro Nuno Santos e provavelmente até à investigação, que demorou três anos para fazer buscas. Não sei bem a quê, porque esta história da indenização de meio milhão de euros volta agora este tempo todo depois, com buscas na sede da TAP, nos escritórios de advogados e sobretudo na Secretaria-Geral do Governo, e chamar a esta operação de "Operação Check-in". É uma operação que o país já conhecia bem, foi dissecada numa comissão parlamentar de inquérito em 2023, depois com um relatório da Inspeção-Geral das Finanças, acabou com uma das maiores crises políticas do governo socialista. Um manual de como perder a credibilidade em tempo recorde. E convém recordar, em fevereiro de 2002, Alexandra Reis renunciou aos cargos de vogal do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da TAP. Ela oficialmente saiu para abraçar novos desafios. Na prática, ela abraçou um cheque. E apesar de a saída ser uma decisão aparentemente voluntária, ela levou aquela indenização bruta de cerca de meio milhão de euros, algo incomum no regime dos administradores públicos, incomum, mas se calhar nem sequer é inédito neste país do jeitinho. E mais tarde, após a polémica e a análise da Inspeção-Geral das Finanças, concluiu-se que parte daquele valor não era devido. Alexandra Reis devolveu €450 mil brutos, que era o equivalente mais ou menos a 266 mil líquidos. A IGF concluiu que o contrato de rescisão violava a lei, era nulo, e reforçou as suspeitas de favorecimento e gestão danosa. Isto tudo está mais ou menos apurado. Portanto, foi uma saída dourada, com um certo verniz de legalidade, mas com muitos pés de barro. Foi política feita com polegares e bonecos sorridentes naquelas mensagens de telemóveis com emojis a abençoar uma saída dourada. E hoje, o que eu pergunto é o que procura a investigação que não esteja já nos relatórios da Assembleia da República ou nesta auditoria da IGF e, sobretudo, por que só agora? É uma investigação que começou em 2022 e agora, três anos depois, com outro governo no poder, outros protagonistas no ministério, telemóveis já devolvidos ao Estado, limpos, formatados, sem vestígios, seguramente. Parece-me uma caça ao tesouro com mapas rasgados. Não é? Não está lá nada. Para encontrar mais que papel carimbado, os investigadores vão precisar de muita sorte, se calhar de um Rui Pinto ou de um milagre, não sei. Pedro Nuno Santos, que disse nunca ter informado as finanças e terá decidido tudo com base naquele polegar erguido no ecrã, e que hoje até sonha com o regresso à política, acaba agora de novo, de facto, confrontado com este gesto. Por isso tu dizes que eu lhe quero dar nota. Foi o gesto que lhe custou o cargo e que ficou para a história, de facto, como um like de meio milhão. Mas entretanto até haverá mais a pagar, porque a antiga presidente executiva, a Christine Ourmières-Widner, reclama em tribunal ainda uma indenização muito maior e que eu acho que lhe é devida, de 5,9 milhões de euros. E a própria TAP continua no centro das turbulências, as buscas dentro coincidiram por acaso, ou não por acaso, com a publicação do caderno de encargos da privatização da companhia. E isto parece uma novela, a TAP, uma novela que nunca acaba, só muda de temporada, daquelas séries que a gente vê que a temporada já vai na 25ª. E no moral desta história, a justiça portuguesa move-se devagar. Portanto, eu também acho que aqui é devagar. Às vezes demasiado devagar. Pode ser que chegue tarde, pode ser que chegue ainda a tempo, e a tempo de responsabilizar titulares de cargos políticos por decisões que custam muito caro ao erário público.
Então, se calhar, a tua nota não vai para Pedro Nuno, vai antes para a justiça portuguesa?
Já não sei, porque este caso de meio milhão pode ser só a ponta do iceberg. Um iceberg de muitos milhões delapidados por aqueles transitórios servidores do Estado, servidores que estão sempre prontos a servir-se também. Eu acho que isso tudo é um caso que, entre a justiça que me parece chegar demasiado tarde, Pedro Nuno Santos e a própria Alexandra Reis não têm ponta para onde se lhe pegue. Portanto, é um caso da minha nota zero habitual. Está tudo aqui mal, não há nada aqui que tenha sido bem.
Sim. Não. Um zero.
O meu polegar, neste caso, é para baixo.
Exatamente. Fica um zero.
É zero. Não tem ponta para onde se lhe pegue.
E José Manuel, o que achaste das explicações que a Ministra da Saúde deu ontem no Parlamento? Ela tem estado sempre no centro de muitas críticas e muita polémica. Conseguiu aliviar a pressão? José Manuel, se calhar estás em mute. Agora sim.
Desculpa, o microfone não estava em mute. Aliviar a pressão vai acontecer quando alguns dos documentos que ela anunciou forem conhecidos, designadamente o estudo que lhe foi entregue sobre a reorganização das urgências e também o decreto de lei, e não um despacho, como se falou em notícias deste fim de semana, relativamente à mobilidade Dos profissionais. No entanto, eu creio que no essencial, talvez inspirada pelo guião da entrevista que ontem de manhã foi dada aqui ao Observador por quem está a fazer o relatório, que explicou muito bem qual era o problema das urgências, não apenas da Península de Setúbal, mas de outras regiões do país, Leiria, por exemplo, Aveiro, Vila Franca de Xira e por aí adiante. A ministra disse algumas coisas que eu acho que já deviam ter sido ditas há muito tempo. Por exemplo, quando temos um serviço de obstetrícia e ginecologia no Hospital do Barreiro, apenas com sete obstetras, é impossível ter urgências. Se as urgências têm que funcionar com três médicos presentes, mesmo que seja apenas com dois, e ainda por cima se desses sete, cinco já não têm idade para serem obrigados a fazer urgências, obviamente que isto tem que ser reestruturado, porque, como de resto ontem de manhã foi aqui explicado, são 15 anos de formação. Quer dizer, talvez daqui a 20 ministros da Saúde, pelo tempo que alguns deles duraram, ou talvez 10 ministros da Saúde, a gente tivesse o problema resolvido se fôssemos formar só obstetras e não os outros médicos todos que necessitamos. Portanto, finalmente isto foi dito. Isto não é o mais simpático nem para alguns sindicatos que andam a pedir a Lua, nem para algumas autarquias locais que até estão em eleições, mas ainda bem que foi dito. Talvez tarde demais, talvez não com toda aquela clareza que, por exemplo, eu recomendo muito que vão ouvir o explicador de ontem de manhã, porque está lá tudo.
E foi muito bem conduzido, deixa-me dizer.
Sim, muito bem conduzido.
Mas isso não é notícia, isso não é novidade.
Mas quando finalmente isso é dito, eu só posso ficar satisfeito. Não lhe vou dar uma nota muito elevada, porque acho que isto já devia ter sido feito há mais tempo para desminar um pouco o terreno. Há muitas outras questões que ela tem que resolver. Há uma diferença grande entre aquilo que se promete e aquilo que se concretiza, e no caso dela isso já aconteceu demasiadas vezes. Mas mesmo assim, depois de tudo que se passou e daquilo que se esperava que pudesse passar naquela comissão, acho que ela se saiu razoavelmente bem. Portanto, leva um 12.
Leva um 12 então pela forma como apresentou as respostas.
Agora falta algum pesquisar. Vamos ver se isto depois não se desbaralha tudo.
Mas para já tens essa nota aqui de expectativa. Já em relação ao reitor do Porto, também esteve ontem no Parlamento, Paulo, esta polêmica também ficou quase uma guerra institucional. Como é que se saiu o reitor?
Eu fico com dúvidas sobre o teor das declarações do reitor do Porto, porque eu já lhe ouvi duas versões em termos públicos sobre esta questão que ele próprio levantou. E a notícia foi do Expresso no dia 4 de setembro, portanto há três semanas. O título era: "Reitor do Porto denuncia pressões para facilitar entradas em Medicina. Ministro da Educação disponibilizou-se para abrir vagas extra." Nós não tendo visto, com que ideias é que ficamos? O ministro pressionou o reitor para essas vagas.
Pois, mas o reitor não diz isso, nem na notícia.
O reitor diz na notícia que várias pessoas influentes e com acesso ao poder, estou a citá-lo, fizeram essas pressões. Depois, mais à frente na notícia, ele próprio reitor, entre aspas, descreve o telefonema que o ministro da Educação lhe fez. E diz o reitor: "O ministro gostaria que isto fosse feito, mas eu disse-lhe: eu não o faço, eu cumpro a lei. Se o senhor ministro entende que deve ser feita de outra maneira, dê-me a ordem e eu executo-a." Isto é citar. Eu leio esta descrição do telefonema e fico com a ideia também de que há uma pressão feita por telefonema do ministro para ele fazer uma coisa que ele não queria, ele defensor da lei, mas que o ministro quer que seja feito. Depois o ministro veio logo desmenti-lo, veio chamá-lo de estar a mentir diretamente. O diretor da Faculdade de Medicina do Porto também veio a terreiro, acusou o reitor de mentir por razões políticas, porque não só é do PS ou ligado ao PS, como há agora uma corrida para reitor da Universidade do Porto. Enfim, uma grande confusão. E ontem, no Parlamento, na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, António de Sousa Pereira, o reitor da Universidade do Porto lá esteve. E aqui a versão já é muito diferente. Ele diz que não houve pressões do ministro da Educação, e agora cito também o que ele disse ontem no Parlamento: "Se me perguntarem se houve pressões do ministro da Educação, claro que não. Discutimos a situação, chegamos a um entendimento de que se ia pedir uma informação à Inspeção-Geral da Educação e Ciência, o senhor ministro cumpriu escrupulosamente." Ou seja, a versão que aqui aparece descrita do contacto do ministro, pelo menos indicia uma coisa muito diferente daquilo que foi a descrição do telefonema do reitor ao Expresso, que aparece citado. E estou aqui a isolar esta citação para também não estar contaminada daquilo que podem ser interpretações do jornalista ou da jornalista ou do jornal, das afirmações do reitor. Portanto, houve uma história mal contada desde o início. Acho que o reitor da Universidade do Porto, de acordo com estes dados, quis dar uma passada maior que a perna, quis transformar isto num caso político de facto, quis colocar na mira de linha o Ministério da Educação e acho que a coisa lhe correu mal de alguma maneira. E ontem, de alguma forma, vem acabar por dar um bocadinho o dito por não dito. Isto é triste, que se perca tempo, que se ocupem reitores, diretores de faculdade, ministros em questões destas, quando a ideia que dá, de facto, é que há aqui motivações políticas ou discordâncias pessoais, se quisermos. São as tais motivações pessoais que muitas vezes são, na política, usadas para justificar tanta coisa. Queres uma nota?
Quero, uma nota ao reitor.
E é um reitor.
Olha a responsabilidade.
Cuidado, Paulo, é um reitor.
É um reitor, não é de Coimbra. Mas este não é de Coimbra, se fosse de Coimbra é que era pior. O doutor de Coimbra, não é assim que se diz?
Os doutores de Coimbra.
Os reitores de Coimbra. António de Sousa Pereira, qual é a nota que ele leva a oral, Zé Manel?
É um sete?
Eu acho que a nota de leve oral, não sei se é sete, se é oito. Penso que é oito, mas não tenho a certeza já. Eu acho que isto agora mudou tudo, eu já não tenho as notas.
Sim, claro.
No meu tempo era diferente, como eu costumo dizer.
Mas vamos dar-lhe um oito para ir à oral, porque isto precisa de ser muito mais bem explicado.
Um oito então. O Bruno acompanha a corrida às autárquicas para Lisboa com um desacerto entre o PS ou a coligação de esquerda e a CDU?
O desacerto é do PS. O PS ou a coligação parece estar apavorada com a possibilidade de não ganhar em Lisboa e o pânico, não só em política, mas em política é sempre mau conselheiro. E em vez de se concentrarem em atacar o presidente, o incumbente da Câmara, dedicam-se a atacar João Ferreira e a candidatura da CDU. Dedicam-se quem é que se dedica? O PS e algumas figuras do PS, nomeadamente, por exemplo, João Costa, parece ser o ponta de lança destas estratégias que têm conduzido o PS ao lugar em que se encontra. Curiosamente, também temos assistido ao silêncio dos outros partidos que compõem esta coligação. No que diz respeito a ataques à candidatura da CDU, têm estado estranhamente silenciosos. Parece que já estão a preparar o terreno para uma derrota nas autárquicas e descartarem e responsabilizarem unicamente quem lidera essa coligação. Nós todos já sabemos como é que funciona nas autárquicas, quem preside à Câmara é quem tem mais um voto, já toda a gente sabe disso, mas os partidos são livres de decidir se concorrem sozinhos ou não. Têm essa liberdade, podem fazê-lo por variados motivos: porque querem fazer uma prova de vida, porque acham que é importante também aferir qual é que é a força do partido ou da coligação naquele momento, ou porque têm uma boa solução, têm uma boa alternativa para a Câmara. O que legitima a decisão de um partido, para mim, na minha opinião, é a qualidade do candidato.
E a CDU avançou primeiro com João Ferreira, muito antes do PS ter dado o nome de Alexandra Leitão.
Foi uma jogada inteligente. Não ficou à espera. Não se pode dizer que não gostaram do candidato apresentado pela coligação de esquerda.
Antecipou-se mesmo para não se ver envolvida nessa discussão.
Exatamente. E porque queria apresentar uma candidatura alternativa. E aquilo que tem provado quanto à legitimidade e até à inteligência desta decisão, tem sido a qualidade do candidato e da prestação de João Ferreira. O que é que o PS faz perante isto? Começa a atacar não só João Ferreira, não só a candidatura, mas a dizer que é o candidato preferido da direita.
Da direita do Observador, para variar.
Sim.
Eu ouvi da direita, não sei se-
Isso é a séria do José Manuel.
Então ainda agrava mais. Eu acho que o PS, em vez de se dedicar a perceber qual é o candidato da esquerda preferido pela direita, devia preocupar-se em que Alexandra Leitão fosse a candidata preferida da esquerda, porque se fosse a candidata preferida de toda a esquerda, certamente ganharia as eleições a Carlos Moedas. Portanto, em vez de estar a disparar contra João Ferreira e a disparar contra quem elogia João Ferreira, eu acho que os elogios a João Ferreira têm sido unânimes, porque ele tem tido uma boa prestação. O que a direita ou a esquerda vai dizer perante a prestação nos debates de João Ferreira? Vai dizer que tem estado mal, só porque se disser que está bem, isso de alguma forma prejudica Alexandra Leitão? Alexandra Leitão é que tem a responsabilidade de se apresentar como uma alternativa válida a Carlos Moedas. Esta decisão da CDU de se apresentar sozinha pode prejudicar, obviamente, mas pode prejudicar a candidatura da coligação liderada pelo PS.
Pode prejudicar a esquerda no sentido da divisão de votos, porque aqui o somatório posterior não conta.
Pois não conta, mas Alexandra Leitão, se se apresentar com força suficiente.
Não precisa dos votos do PCP para nada.
O exemplo disso é Carlos Moedas. Houve uma candidatura da Iniciativa Liberal nas últimas eleições autárquicas e Carlos Moedas mesmo assim conseguiu ganhar.
Se a Iniciativa Liberal se tivesse juntado a Carlos Moedas podia ter maioria.
Na verdade, não sabemos se juntos teriam tido esse resultado. Isso é só uma aritmética dos resultados. E a mesma coisa se passa aqui. Agora, aquilo que tem justificado a decisão da CDU tem sido o desempenho de João Ferreira, que tem sido bom. O que o PS quer? Queria que fosse fraco o candidato da CDU. Bem, azar, não tem sido. E quem analisa isto não pode dizer que tem sido mau, só para fazer um frete.
Mas isso é sempre o preço por ter, que o preço por não ter. Se não se faz essa avaliação, eles não avaliam positivamente, porque é de esquerda, é comunista, por aí fora. Dizem bem.
Não, está a ser condescendente ou está a ter outros interesses maquiavélicos de prejudicar.
Não vale a pena.
Só vale a pena a nota.
A nota é para o PS e para este certo pânico revelado pelo bom desempenho de João Ferreira. E é um cinco.
Um cinco então para o PS, pela forma como está a olhar para ou a comentar a corrida às eleições em Lisboa. E o "Vens Ora É?" regressa mais logo na Tarde Política.
Tarde Política que agora é conduzida pelo Ricardo Conceição. O e o "Vens Ora É?" tem versão alargada. Começa logo a seguir ao Jornal das seis. Esta quarta-feira as notas vão ser dadas pelo Judite França, a Raquel Bacis e pelo Alexandre Borges.