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"O Véspera" na Rádio Observador, sempre ao final da tarde, nesta hora das 18h, hoje com André Azevedo Alves, Eunice Lourenço e Gonçalo Duroteia Sebada. Hoje vamos falar das festas de rentrée. Hoje há Pontal no Calçadão de Quarteira para o PSD. Depois, o PS tem Arraial em Olhão no domingo. Também vamos falar sobre a sensação de insegurança na Baixa de Lisboa e sobre o roteiro, não sei se lhe podemos chamar assim, de António José Seguro pelo interior do país. Mas, Eunice Lourenço, bem-vinda, começo por ti e pelo Calçadão de Quarteira, onde hoje haverá discurso e UHF também, concerto dos UHF. É uma banda já antiga. Achas que o discurso vai acompanhar os êxitos dos UHF ou vamos ter novidades?
Olá, boa tarde. É um gosto estar aqui. Eu acho que vamos ter novidades, mas acho porque o primeiro-ministro prometeu que haveria novidades. Ontem, depois daquele jogo um bocadinho particular, digamos assim, que existiu entre a direcção nacional e o PSD Algarve, um jogo em que até participaram os filhos do primeiro-ministro e do líder parlamentar e marcaram golos, Luís Montenegro prometeu novidades para o Calçadão da Quarteira. E como nós contamos na edição dos Preços desta sexta-feira, há uma grande expectativa no PSD e até no governo, que essas novidades consigam sacudir aqui um bocadinho a pressão destas crises e deste coser em lumbrando em que o governo tem estado. Luís Montenegro, de facto, tem usado sempre o Pontal para fazer anúncios. Há dois anos foi o bónus para os reformados, o ano passado a Fórmula 1 no Algarve. Veremos o que é que tem para anunciar este ano.
Se calhar tem novidades sobre o fundo soberano.
Duvido que seja sobre o fundo soberano, até porque não é por aí que vão as expectativas do partido e da AD, que sentem muito a necessidade de apresentar alguma coisa para a classe média, que está a ser muito penalizada com o aumento dos combustíveis, e por muito que o primeiro-ministro fale de uma economia a crescer, as pessoas sentem pouco esse crescimento da economia no dia a dia e precisam de algumas medidas de alívio do peso na carteira. Não sei se é por aí que Montenegro irá. Quererá certamente fazer valer os sucessos económicos que considera que o seu governo tem tido, quererá sacudir ou passar ao lado dos problemas com os exames e com o ministro da Administração Interna, e conseguirá pelo menos aquilo que o Pontal tem conseguido ser sempre, que é um momento de marcação do verão político. Isto certamente, seja qual for o anúncio e qual for o discurso que fizerem.
Estávamos aqui com algumas dificuldades agora no final a ouvir a Eunice, mas percebemos bem o que disse e a mensagem de André Azevedo Alves também queria conferir as tuas expectativas para a festa do Pontal mais logo. Estará já a começar por esta hora, pelo menos estava prometido começar por esta hora, afinal de contas impõe-se um sunset ali no Calçadão de Quarteira. Sem dúvida.
O sunset ali é muito bonito.
Olá, boa tarde a todos. Eu acompanho o que referiu a Eunice, acho que Luís Montenegro vai muito provavelmente tentar, não sei se a expressão correta será desviar as atenções, mas pelo menos aproveitar a oportunidade para tentar atenuar a pressão sobre o governo, que está de facto num período complicado. Eu diria que, aliás, este governo nunca esteve num período que não fosse complicado, mas este período tem sido particularmente complicado. Arriscaria dizer que a medida que certamente não vai anunciar, mas que era a mais importante, era a substituição de Luís Neves, do Ministro da Administração Interna. Essa é que podemos ter mais ou menos garantido que não será anunciada no Pontal. E muito provavelmente aquilo que efetivamente será anunciado, olhando para o padrão de anos anteriores, desde a Fórmula 1 ao fundo soberano, será algo nesse registo de procurar durante um dia ou dois ter, do ponto de vista mediático, imprensa positiva e que se fale menos dos problemas do governo e em particular do caso Luís Neves. Mas parece-me, e falámos disso aliás ontem a propósito da Da peladinha que marcou o dia de ontem, que este registo comunicacional e esta procura de ir assobiando para o lado e ignorando os problemas reais, quer do país, quer do governo, me parece uma estratégia pouco avisada para o governo e para o PSD. Mas no que é esse registo que vamos ter também no Pontal.
Gonçalo Durão Theobald, e a tua expectativa também para a Festa do Pontal de logo?
Viva. Olá a todos. Eu devo dizer que o que me parece mais inovador ou diferente neste Pontal é que é a primeira vez que o PSD chega ao verão com sondagens a dar-lhe, nalgumas delas, o terceiro lugar. E, portanto, parece-me que precisam de fazer, mais do que anúncios, uma reflexão muito séria sobre aquilo que lhes está a acontecer, porque me parece que é um partido num estado entre a ilusão e a apatia, e caberá a Luís Montenegro essa empreitada de mudar esse estado de coisas. Eu devo dizer que se o governo e o Luís Montenegro se limitarem a fazer anúncios ou medidas estrela, como a Fórmula 1, que diz muito pouco a muito pouca gente, ou um hospital específico numa região do país como é o Algarve, é certamente mais importante que a Fórmula 1, mas precisa de ter uma mensagem muito mais nacional. E por não ter tido isto ao longo do tempo e ao longo dos últimos anos, torna-se muito difícil antecipar o que é que Montenegro poderá dizer. O que é que fará? Fará um balanço sobre o PTRR, sobre os apoios que chegaram às pessoas que sofreram com as tempestades do inverno. Manterá um tom combativo entre o PS e o Chega, o que também não é uma coisa que traga grande novidade. De facto, ou Montenegro sacará algo da cartola que não estamos a antecipar, porque não me parece que o país e o governo tenham margem orçamental, como tiveram noutros anos, para aumentar pensões ou anunciar reduções de IRS. E, portanto, ou eu estou com uma enorme falta de criatividade em imaginar o que possa vir, é possível. Isto depois de estar muitos dias de sol e de praia, também tem esse defeito, ou de facto sou eu que estou condicionado pela falta de estratégia e de mensagem global e nacional que Montenegro nos tem acompanhado. E apesar de ter expectativa, não espero verdadeiramente grandes novidades.
E querem dar já uma nota por antecipação? Eunice Lourenço, tens alguma nota de antecipação para este Sunset em Quarteira?
Tenho. Eu apesar de há muito tempo, com alguma pena minha, ou muita pena minha, não estar aqui na antena do Observador com o Pedro Benevides, gosto de cumprir aquilo que chamamos a doutrina Benevides.
Exato.
E tentar dar notas positivas. E a minha nota é um 13 para o PSD Algarve pelos 50 anos da Festa do Pontal. Que não aconteceu sempre ao longo destes 50 anos, que teve várias crises, vários sobressaltos, que chegou a ter de ser paga pelo líder Marcelo Rebelo de Sousa com um cheque do próprio bolso.
Cinco mil contos, não era?
Sim, cinco mil contos, à volta de € 25 mil, mas que permanece e vai marcando a chamada rentrée política e a minha nota vai para o PSD Algarve. Um 13.
André?
Eu vou acompanhar a Eunice, não vou pontuar Luís Montenegro por antecipação. Não seria uma classificação positiva, mas acho que devemos esperar pelo discurso e vou acompanhar a pontuação. Acho que é uma boa ideia, não tinha pensado, mas é uma boa ideia ao PSD Algarve. Acho que de facto merece 14 valores pela festa.
Também este ano a Festa do Avante faz 50 anos, andam ambas com a mesma idade. E o Gonçalo Durão Theobald, tens nota?
Eu dou um 18 a este quase comeback dos UHF, parece-me uma excelente iniciativa.
Também já estiveram no Rock in Rio. Eunice, ainda temos aqui três minutinhos, que hoje estou de mãos largas. Não, até arranjo mais, quatro minutos para uma turné pelo interior, já que estamos a falar dos UHF, uma turné pelo interior de António José Seguro, que está em Paredes de Coura. Eunice?
Estou aqui. Voltou de Paredes de Coura, onde esteve o ano passado como candidato. Fez uma turné ao longo desta semana pelo interior, onde fez várias coisas e eu acho que uma das diferenças que se percebe em António José Seguro é que ele é mesmo um homem do interior e a maneira como fala é de quem conhece, de facto, o interior. E eu queria, sobretudo, salientar o que ele disse sobre incêndios e prevenção de incêndios e como pegou no que dizem os relatórios para dizer o que é preciso avaliar. E também pegar no que disse hoje, na Batalha, a propósito das tempestades. António José Seguro hoje disse que quer voltar ao relatório que a própria presidência fez depois da sua presidência aberta sobre o que se passou com as tempestades deste ano, para avaliar o que foi feito até agora e perceber o que é urgente fazer. Eu acho que tudo isto, sobretudo estes dois exemplos, demonstra uma forma muito diferente do exercício do mandato presidencial. Uma forma que eu diria que é de avaliação e de factos contra políticas de percepções. E eu sei que há já muita gente com saudades do intervencionismo de Marcelo Rebelo de Sousa e a apontar algumas ausências de intervenção de António José Seguro, mas eu lembro que ainda estamos nos primeiros cinco meses de cinco anos, portanto, ainda é muito pouco tempo.
Achas que ainda está na volta de aquecimento?
Sim, acho que por um lado ainda está na volta de aquecimento e todos nós também estamos no período de habituação. A diferença é muito grande. Eu valorizo este tipo de intervenção, de pegar em factos, de fazer relatórios, de voltar às situações, não as deixar esquecidas até à próxima que aconteça. E acho que António José Seguro, há uma fotografia que publicamos no Expresso desta semana, que é uma fotografia da Lusa, de António José Seguro a jogar snooker ou bilhar em Foz Côa. E eu acho que António José Seguro, provavelmente, no bilhar como na vida, é mais de jogar à tabela do que de tacadas diretas.
Bilhar às três tabelas.
Com o benefício da dúvida de estarmos no início e com uma visão muito positiva sobre este tipo de avaliação da ação governativa, quero dar 15 ao presidente da República.
Um 15, a fechar a primeira parte de...
Sou uma mãos largas.
Exato. De "O Investidor É", hoje com a Eunice Lourenço, o Gonçalo Durotheu e a Cevada e o André Azevedo Alves, e uma nota também para a Eunice, que nesta primeira parte conseguiu dizer apenas duas vezes, fazer duas citações apenas do Expresso, onde é editora de política. Também é uma tradição já aqui do Investidor. Também alinhas nesta nota positiva?
Alinho na nota positiva, embora não tão positiva. Eu alinho completamente relativamente à contenção no uso da palavra. Eu certamente não me incluo no grupo de pessoas que têm saudades do estilo de exercício das funções de Marcelo Rebelo de Sousa e, portanto, aprecio francamente mais o perfil e a maior contenção, muito maior contenção e parcimónia de António José Seguro nas suas intervenções. E nesse sentido darei também uma nota positiva. Mas relativamente ao conteúdo, nomeadamente desta última intervenção, temo não poder ser tão elogioso, porque me parece que o registo vai muito no sentido de um conjunto de generalidades que são mais ou menos consensuais, é quase aquela ideia de António José Seguro é a favor das coisas boas e contra as coisas más. Portanto, Portugal deve reforçar a ciência, a inovação, a coesão territorial, etc. Mas acrescenta relativamente pouco. Isto dito, é bastante cedo. Acho que o primeiro teste de fogo, e já referi isso aqui na antena do Observador, o primeiro teste de fogo para António José Seguro vai ser Luís Neves, ou seja, se Luís Neves continuar em funções, não sair do governo, eu acho que António José Seguro começa muito mal a presidência, sairá fragilizado o presidente e a autoridade do presidente deste episódio, até com base no que foi a campanha de António José Seguro e as razões que levaram muitos eleitores a votarem em António José Seguro. Portanto, esse para mim será o primeiro teste de fogo para António José Seguro. Isto dito, até agora aprecio a contenção no uso da palavra e portanto vou dar também uma nota positiva, vou dar 13 valores, não tão positiva, e aguardo essencialmente, neste momento, pelo desfecho do caso Luís Neves, que eu acho que também será muito relevante para a margem de atuação e para o que vai ser a presidência de António José Seguro.
Ainda assim, 13 valores é uma daquelas notas que dá para ir descansado para o fim de semana, pelo menos mais aliviado.
Para já, sim.
Gonçalo, também tens uma nota para António José Seguro?
Bom, nós falámos disto, salvo erro, na terça-feira, a propósito da... Enfim, nesse sentido eu acompanho o que o André disse, ou seja, eu claramente não tenho saudades daquele estilo mais histriónico e um pouco ativo ou demasiado ativo de Marcelo Rebelo de Sousa, portanto, aprecio esta contenção e esta institucionalidade, digamos assim, de António José Seguro, mas acompanho, quer dizer, no final do dia, todas estas declarações são bastante vagas e que de facto não desagradam a ninguém e isso não é necessariamente bom. Portanto, eu acompanho a nota que, salvo erro, é da terça-feira, que foi um oito ou um nove, algo assim. Portanto, claramente António José Seguro precisa de ir ao oral para ser mais assertivo nestes temas.
E vamos então já ao tema que também queres trazer hoje, a sensação de insegurança na Baixa de Lisboa.
Certo. Talvez um pouco de contexto ou porque quis trazer este tema. Esta semana foi baleada uma turista sueca na Rua Augusta, em Lisboa, e na sequência deste crime, porque é disso que se trata, vários autarcas da cidade, nomeadamente presidentes de junta de freguesia, aliás, isso é uma notícia d'O Observador, desta vez não é do Expresso, alegam ou falam sobre uma sensação de insegurança real. Convém perceber, de facto, o que aconteceu. Esta pessoa, esta mulher foi baleada na sequência de um desacato entre grupos de venda de louro prensado. Portanto, não são, na prática, vendedores de droga. Precisamente. A própria PSP, no fundo, o que diz é que isto, na prática, é uma fachada para o tráfico de droga que existe há muito tempo em Lisboa e que ninguém parece ter interesse em atacar. A mim parece-me que no debate público se perdeu mais tempo não a discutir os factos daquilo que aconteceu e medidas para que coisas deste tipo não se voltem a repetir, mas mais as reações às declarações de Carlos Moedas. E, portanto, eu vou fugir a qualquer comentário sobre as declarações de Carlos Moedas e vou-me focar naquilo que eu acho que se deve centrar o debate nestes temas de segurança, que são as medidas para combater isso mesmo. Se nós olharmos para os números do RASI, e na terça-feira também falámos sobre isso, a propósito de outro tema, percebemos que, de facto, há uma redução da criminalidade grave e violenta, tanto no país como em Lisboa. Mas quando olhamos para o detalhe destes números, o que vemos é um aumento do crime de tráfico de droga e naquilo que se trata de apreensões de haxixe, esta aumentou mais de 100% no espaço de um ano. Isto devia-nos obrigar a pensar, porque se parte do problema está identificado em determinadas zonas da cidade, em determinados grupos da cidade que se dedicam a estas práticas criminais, a pergunta que eu faço é: havendo uma maioria no Parlamento, que eu não sei se há, mas havendo uma maioria no Parlamento que esteja de acordo com a criminalização da venda de louro prensado, isto teria um quadro penal que hoje ultrapassaria o vazio que vive. E, portanto, estas pessoas que se dedicam a este tipo de práticas deixariam de ser consideradas como vendedores ambulantes de coisas ilegais, para serem tipificadas naquilo que se trata de crime de tráfico de droga. Esse parece-me ser um primeiro ponto. O segundo ponto, e isto acho também importante-
Há uma proposta da Iniciativa Liberal nesse sentido.
Certo. E portanto, caberá à Iniciativa Liberal, no final do dia, conseguir obter os apoios necessários no Parlamento para a criminalização disso, porque me parece que é fundamental. Mas depois há outras medidas que não podem ser ignoradas. Acho que é fundamental mais câmaras de videovigilância. Há bons exemplos em Portugal que mostram que a introdução destas câmaras de videovigilância, não só na gravação, mas até na vigilância propriamente dita, reduziu em muitíssimo o crime nessas zonas. A Amadora é um exemplo disso. Determinadas zonas da Amadora que desde 2017 têm câmaras de videovigilância, viram os números do crime nessas zonas onde há essas câmaras reduzirem cerca de 23%. Portimão é outro bom exemplo. E se olharmos lá para fora, cidades como Londres, Glasgow ou Roterdão, que tinham problemas muito graves de violência associada ao tráfico de droga, com medidas como mais câmaras de videovigilância, aquilo a que se chama de fiscalização dirigida, ou seja, no final do dia não é mais policiamento, mas é no fundo fazer targeting dirigido a grupos que já se sabe que naquelas ruas, naquelas zonas das cidades já fazem isso. E, portanto, acho que temos que centrar o debate nas medidas e no que fazer para que mais ninguém seja vítima de uma bala perdida na Baixa de Lisboa e menos nas declarações de Carlos Moedas, porque me parece ser o menos importante no meio de tudo isto.
Eunice Lourenço, qual é a tua opinião sobre tudo isto?
Eu trabalhei vários anos na Baixa de Lisboa e lembro-me, há 20 anos, a insegurança da Baixa não tem nada a ver com o que é hoje. Eu, a partir das 20h, não me sentia nada confortável em atravessar a Baixa de Lisboa. E portanto, é verdade que há, quer comerciantes, quer juntas de freguesia, que assinalam o sentimento de insegurança, mas os factos não apontam para um crescimento enorme de situações criminais. É, de facto, preciso olhar para as soluções, seja a videovigilância, seja outra coisa, que os presidentes de junta ainda esta semana ouvi a presidente da Junta de Santa Maria Maior assinalar isso para a questão da iluminação. E quer a videovigilância, quer a iluminação, dependem da Câmara Municipal de Lisboa. E, portanto, acho que Carlos Moedas teve uma intervenção infeliz, no mínimo, neste assunto. A um episódio lamentável, acrescentou um Uma tentativa de se armar em juiz ignorando os factos, que é aquela pessoa que foi levada a juiz por estar envolvida no episódio. Não foi possível estabelecer uma ligação entre ela e o tiro que atingiu a turista sueca.
Acabou por ser detido na sequência de um caso de violência doméstica.
Sim, foi detido por um caso de violência doméstica. E a troca de tiros pode estar também relacionada mais com a violência doméstica do que com a questão da droga. Tudo isso também é preciso apurar. Tudo isto pra dizer que Carlos Moedas tem responsabilidade em fazer diminuir a percepção de insegurança no centro da cidade, porque dois dos fatores que podem ajudar a aumentar o sentimento de segurança, que são a videovigilância e a iluminação, dependem sobretudo da Câmara de Lisboa.
André Azevedo Alves, mas as declarações de Carlos Moedas não acabam por aumentar mesmo o sentimento de insegurança?
Nas declarações de Carlos Moedas, há uma tentativa, que aliás, Carlos Moedas já tem patenteado noutras ocasiões, de correr atrás do prejuízo que Carlos Moedas e outras figuras no PSD sentem que se estabeleceu relativamente ao Chega. Ou seja, há a percepção, quer na questão da imigração, quer na questão da segurança, ainda que obviamente ninguém com responsabilidades no PSD o vá afirmar desta forma, de que estes temas foram colocados no topo da agenda graças ao Chega e graças a André Ventura, e que André Ventura e o Chega anteciparam e deram expressão a preocupações presentes em segmentos substanciais da população. E o PSD percebendo que era em boa parte por aí, ou em parte significativa por aí, que estava a perder terreno, quer num tema, quer no outro. Estou a pensar, por exemplo, no caso da imigração, no que tem sido o discurso de António Leitão Amaro. Agora este exemplo no caso da segurança de Carlos Moedas. Enfim, sem prejuízo da infelicidade pelas circunstâncias concretas do caso. Agora acho que o tom e a opção discursiva tem fundamentalmente a ver com isso, ou seja, com a tentativa de correr atrás. Aproveitar o momento para mostrar que há aquela expressão em inglês "tough on crime", nós somos duros com o crime. Portanto, pra alguém que tem a percepção que o seu próprio partido, historicamente, e nomeadamente por comparação com o Chega, não passa essa imagem, há a preocupação perante um episódio grave, naturalmente, em Lisboa, de ser bastante assertivo nessa comunicação. Eu neste caso vou dar a nota à Iniciativa Liberal pela iniciativa legislativa que foi apresentada e que me parece oportuna e correta, e portanto vou dar 15 valores à IL.
Eunice?
Eu alinho com dar nota à IL, mas dou apenas um 12, porque lembro que a IL neste mandato é parte do executivo da Câmara de Lisboa e, portanto, também pode fazer mais no executivo camarário, provavelmente, pela segurança.
Gonçalo.
Eu acompanho o 15 do André à Iniciativa Liberal com a possibilidade de subir caso consiga aprovar essa medida legislativa no Parlamento.
Ficam dadas as notas neste "E o Vencedor é..." de sexta-feira à tarde. Amanhã há mais, de manhã, na versão fim de semana, nas ME 360, um pouco mais tarde, às 10h30 da manhã, e amanhã com o Henrique Borné e o André Azevedo Alves.