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Este é o Som do Juventude, que para além da rádio, também pode acompanhar através do YouTube, Facebook ou pelo site do Observador. E Carla, hoje, além do José Manuel Fernandes, temos casa cheia. Juntam-se à equipa das manhãs 360, o Ricardo Conceição, o Rui Pedro Antunes e também o Carlos Diogo Santos. As listas às europeias, as listas de redução do IRS, as listas de comentadores do novo canal de televisão que aí vem. Vamos olhar para isto tudo, mas não podemos deixar de começar pela demissão de Fernando Araújo. Carlos, era inevitável que o diretor executivo do SNS se demitisse?

Bom dia. Começava a ser cada vez mais difícil a continuidade de Fernando Araújo. E é interessante, falámos aqui em algumas situações que a direção executiva não prestou esclarecimentos suficientes, sempre que iam surgindo notícias menos agradáveis na saúde. Neste caso, Fernando Araújo fez um comunicado, na primeira pessoa, um comunicado de três páginas e que acaba por ser muito esclarecedor. É uma nota que foi enviada ontem às redações. Dizia-se que na primeira e única reunião que foi tida com a nova ministra, foi transmitida a abertura da equipa liderada por Fernando Araújo para a continuidade em funções, de modo a terminar a reforma que estava em curso desde o início de 2023, quando a direção entrou em funcionamento, mas também que havia a total disponibilidade para, caso a nova ministra entendesse mudar as políticas e os rostos no sistema, a equipa sair. E portanto, terá sido perante o que ali foi dito pela ministra, que foi então tomada esta decisão anunciada ontem, uma decisão que Fernando Araújo considera difícil e que diz que é tomada para que esta equipa não seja um obstáculo às políticas e às medidas de Ana Paula Martins. Nós fomos tentar perceber o que é que teria então sido dito pela nova ministra e aquilo que percebemos é que em momento algum Ana Paula Martins tenha manifestado de forma clara a intenção de demitir o atual diretor do SNS, bem pelo contrário, disse que havia linhas gerais da política do novo governo para o setor e portanto, que para pôr isso em marcha, queria também perceber qual era o estado da reforma que estava em curso, para que pudesse então pôr essas políticas e essas medidas em marcha. Mas poderia ser com esta equipa. Parece, até aqui, legítima tanto a decisão de Fernando Araújo de colocar como condição para a sua continuidade que nada mudasse, assim como também legítima a posição da ministra, que necessariamente tem políticas diferentes do anterior executivo, para querer aqui operar uma mudança em algumas áreas. É, aliás, Fernando Araújo que diz isso no comunicado, como digo, é um comunicado extenso, quando refere que este organismo tem de estar acima das questões políticas ou das agendas partidárias e que apenas executa políticas públicas que são determinadas pelo governo. Portanto, acho que aqui com esta frase, é o próprio Fernando Araújo a dizer que é legítima a decisão da ministra. O que eu acho que é um pouco estranho neste comunicado? Aqui há uns dias falámos sobre um parágrafo de um comunicado da PGR que era estranho. Hoje falo num tempo verbal que é estranho nesta nota. É que Fernando Araújo diz: "Irei apresentar à senhora ministra, em conjunto com a equipa que dirige, o pedido de demissão." Ontem, Ana Paula Martins, quando esta nota sai, estava em Bruxelas numa reunião com os ministros da Saúde dos outros Estados-membros. E portanto, aqui parece que há uma dúvida. Este comunicado foi feito antes de a decisão final ser dada a conhecer à ministra, ou seja, Ana Paula Martins ficou a saber de tudo isto pelos jornais, quando estava no meio de uma reunião com outros ministros da Saúde em Bruxelas. Bom, pelo menos é isso que parece ter acontecido. E se foi isso que aconteceu, não fica aqui uma boa sensação, muito menos aquela lealdade institucional que Fernando Araújo refere na nota e que acaba por dizer que justifica esta decisão, parece aqui ter sido colocada um pouco em causa. E portanto, queria dar aqui uma nota negativa à equipa da direção executiva, apenas pelo tempo verbal. Hoje, nada tem a ver com problemas que não foram resolvidos na saúde. Aliás, Fernando Araújo, nesta nota, também dá uma pequena nota sobre o fato de nem tudo aquilo que tinha sido programado ter sido possível de pôr em curso, mas também diz que há sinais muito positivos do seu trabalho, mas portanto queria aqui focar neste "irei comunicar esta decisão." Se a ministra ficou a saber pelos jornais, não foi bonito e portanto vai um nove para a direção executiva, para esta equipa de Fernando Araújo.

Esta equipa demissionária, o diabo pode estar nos detalhes. Ricardo, como é que vês esta demissão?

Olha, eu dou um sete a esta ideia peregrina de criar um CEO para a saúde. Acho que isto estava na cara desde o primeiro momento que não ia dar bom resultado.

Que ia ser vida curta.

Sim, quer dizer, esta ideia de ter uma liderança bicéfala, em que temos uma liderança política e depois temos uma liderança executiva, um CEO para organizar a saúde Desde o início que pareceu estranha e acho que mais uma vez estivemos a perder tempo. Em vez de resolver problemas, estivemos a perder tempo. As lideranças políticas e os ministros são políticos por alguma razão. Porque nós precisamos de orientação política para aquilo que queremos das nossas vidas. A política é necessária e o Ministério da Saúde deve ter uma ideia política para aquilo que quer para o Serviço Nacional de Saúde e para a saúde. Isto estava na cara que ia acontecer. Já não sabíamos quem mandava no anterior governo, com a mudança de governo, acho que ainda estivemos aqui a perder semanas em conversas e companhios quentes para saber se saía, se continuava, se ficava, se alterava, se mudava, quando já toda a gente tinha percebido que nada disto ia continuar. Portanto, eu dou um sete a esta ideia peregrina, mas, no entanto, e agora talvez surpreendendo, dou um 14 a Fernando Araújo. E por quê? Porque Fernando Araújo, apesar de tudo isto e de todas as críticas, deu aquilo que eu acho que é um bom exemplo cívico, que é: se o país nos chama, se o país precisa de nós, nós devemos estar disponíveis para servir o país. E acho que, posso estar a ser muito ingênuo, aqui quando estamos a 50 anos do 25 de abril, posso estar a ser muito ingênuo, mas acho que Fernando Araújo terá sentido esse sobressalto cívico de vontade de servir o país e aceitou este cargo que todos percebemos à partida que era uma questão de tempo até acabar.

Deixe-me só dizer que quando é políticas públicas, muitas vezes nós criticamos, fazemos artigos, porque depois há uma tomada do aparelho do Estado pelo partido que está, seja o PS, seja o PSD e o CDS. E acontece isso muito em vários setores, na saúde, na segurança social, etc. É normal que se o CEO do SNS não está de acordo com as políticas que o governo quer implementar, que de alguma forma saia, que se calhar até devia ter saído logo. Agora, só mais uma coisa sobre isso, que a Ana Paula Martins foi presidente do Conselho de Administração de Santa Maria, é uma gestora. Na orgânica do governo, Luís Montenegro, de certeza também em conjunto com a ministra, criou o cargo de Secretária de Estado da Gestão da Saúde. O problema já não era haver um CEO, era haver três.

Exato.

É que a ministra está direcionada para a gestão. E aí o PS também não pode dizer que não, porque o PS sempre disse: o problema não é dinheiro, o problema é a maneira como é gerido esse dinheiro e da organização do SNS. Depois tem uma Secretária de Estado da Saúde, mas ainda tem outra, há uma adjunta da saúde, que tem esta designação Secretária de Estado da Gestão da Saúde. Isto é quê? A CEO do CEO, portanto, obviamente cabe cada vez mais espaço e até a própria estrutura estará em causa, porque é para manter, não é para manter. E portanto estava na cara que ia dar nisto, porque com tantos CEOs é natural que aquele que tem o nome de CEO saísse.

Estamos aqui a falar em mudanças de ciclo político e tudo o que elas acarretam. É assim também, Rui Pedro, que se pode olhar para a lista que Pedro Nuno Santos escolheu para os eurodeputados. Isto é também uma mudança de ciclo político dentro do próprio Partido Socialista.

Ontem falou-se um bocadinho de quem eram os candidatos cabeças de lista do PS, do PSD, e a Rita Tavares, que na noite da Comissão Política Nacional já tinha aflorado um bocadinho a ideia, ontem foi aprofundar e ver aquilo que a expressão que ela escolheu no texto, expressão jornalística, não opinativa, foi que houve uma razia na lista anterior. Eu diria que além de uma razia, também houve uma azia.

E uma vassourada.

Não sobrou sequer um eurodeputado da lista anterior, sendo que um até tinha bastante peso lá no Parlamento Europeu, que era o Pedro Silva Pereira, que era vice-presidente do Parlamento Europeu, e ainda tinha um vice-presidente da bancada, que era o Pedro Marques. Além de outros deputados que também tinham trabalho, como a Margarida Marques, Isabel Santos e muitos outros do PS que podiam não ser tão conhecidos aqui, mas que tinham um trabalho muito ativo em Bruxelas. E Pedro Nuno Santos decidiu e teve finalmente contestação. E algumas pessoas falam em off e outras falam em, eu não sei quem são, mas há umas que falam em on e criticam abertamente, da maneira que se pode criticar um líder em funções, Pedro Nuno Santos. Eu só queria chamar este exemplo em específico para perceber que o estado de graça de Pedro Nuno Santos também está a acabar. E, portanto, se ele vencer as europeias, está tudo bem, porque venceu e neste contexto difícil.

Se correr mal.

Se correr mal, há uma pressão adicional sobre o líder do PS, porque é verdade que, para já, há mais ou menos uma ideia comum de que ele merece ir de novo a eleições, porque perdeu muito em cima, teve muito pouco tempo para se preparar, mas essa tolerância do partido vai se encurtando. E quando se fazem rupturas como esta, e já se percebeu que Pedro Nuno Santos, nesse aspecto, é um líder com decisão, com coragem.

Não vai arrastar os pés.

Não arrasta os pés de todo, mas toma este tipo de decisões que obviamente lhe tiram suporte. Podia ter mantido dois, três pessoas na lista, não quis, quis mostrar que é ele quem manda. Isso também tem um efeito, que é quando houver uma derrota, a derrota será dele. Se a vitória for dele, então aí também lhe poderá ser imputada essa característica, até porque quando toda a gente dizia que era Ana Catarina Mendes, que podia ser por nomes habituais, ele teve, de facto, este rasgo de convidar Marta Temido e ela ter aceitado para ser cabeça de lista às europeias. Vamos ver se resulta. O que me parece agora é que Pedro Nuno Santos está a jogar alto e quando assim é, pode correr mal, mas também pode correr bem. Não me parece que fique também claro que é ele quem manda no PS.

Até apetece perguntar se a tua nota fica em suspense até ao dia 9 de junho.

Não, vou dar um 10 a Pedro Nuno Santos, porque ele o que está a fazer é colocar pressão nele próprio e portanto fico na expectativa sobre como é que lhe correm as eleições europeias para depois baixar ou rever em baixa ou em alta esta nota.

Um 10 então para já, para Pedro Nuno Santos. Estamos aqui a falar de novas vidas, José Manuel Fernandes, António Costa também está numa nova fase da sua vida. Agora vai ser comentador, embora não seja essa a designação que se queira dar.

Não sei. Eu acho que nós estamos perante uma situação que há muito tempo esta parte critico, que é o fato de nós, jornalistas, estarmos a ceder o espaço de comentário a políticos, sendo que políticos que fazem comentário não é exatamente a mesma coisa. Todos eles têm, de uma forma ou outra, agenda. Uma agenda que pode não ser apenas arredondar os rendimentos da reforma, coisa que é legítima, todos têm direito a isso, mas preparar um regresso, tratar de ajustar contas com quem lhe fez a vida negra e por aí adiante. No caso concreto, enfim, essas coisas têm tido fases, tivemos aquelas situações que eu diria que são sempre mais discutíveis. Sabes que eu não sou particularmente apreciador da forma como Marcelo Rebelo de Sousa tem exercido a presidência da República, mas sempre achei que Marcelo Rebelo de Sousa, como comentador, pertencia a uma classe diferente, quer pelas suas características, quer pelo fato de ele ter nascido para o espaço público como jornalista. Portanto, por isso é uma espécie de direito especial, uma espécie de naturalidade a fazer aquilo. E poderemos dizer que de alguma forma o mesmo se passa ou pode passar com Paulo Portas. Agora, quando de repente nós passamos sobretudo pelos canais noticiosos e quase só vemos políticos a comentar. Ainda há pouco se falou de Francisco Louçã, por exemplo, que já teve espaço de comentário. Tivemos Manuela Ferreira Leite depois de ser líder do PSD. Temos Marco Mendes, outro ex-líder do PSD. Eu podia continuar por aí adiante, há mais, toda a gente os conhece, Fernando Medina foi comentador, temos aquele espaço que tem umas características, sobretudo do lado do Partido Socialista, tem sido sempre políticos.

Catarina Martins também.

Catarina Martins é agora, mas atenção, há sítios que são de debate, de confronto entre pessoas que estiveram na política, a SIC tem um programa desses, há programas tipo Parlamento, coisas desse género. Isso aí são programas de debate.

Mas há monólogos.

Estamos a falar de monólogos, estamos a falar de monólogos sem contraditório. E desse ponto de vista, ter todas as semanas António Costa num canal de televisão, eu nem sei para quem vai ser mais desconfortável, se para o primeiro-ministro que o acabou de substituir, se para o líder do Partido Socialista, que também o acabou de substituir. Pode ser desconfortável para os dois. Isto já não é a primeira vez que acontece. Recordemos que José Sócrates, pouco antes de ser detido, também tinha direito a um espaço de comentário. São espaços de comentário em que ninguém lhe está a fazer perguntas difíceis. Estão-lhes antes a estender a passadeira vermelha para dizerem o que querem. Eu acho que isto é um sinal de menoridade. Provavelmente dá algumas audiências, quando os comentadores são bons, dá mesmo audiências, sabemos isso, as pessoas ficam ali a ver, mas é preciso ser muito claro que aquelas pessoas não estão ali na mesma condição de um jornalista que no dia seguinte pode estar a dizer bem de um e vai dizer mal dessa mesma pessoa, porque não tem um cálculo político. Ou um comentador, há muitos comentadores que até podem ter tido efémeras vidas partidárias, mais ou menos longas, mas que durante a maior parte da vida não tiveram na vida política no sentido de fazer uma carreira e de fazer um cálculo. Porque a lógica é de fato diferente. A lógica do comentário político e a lógica do envolvimento na política são coisas diferentes. Quando estão em espaços de debate, eu acho que apesar de tudo, enfim, é um espaço de debate, quando estão em espaços a solo, é complicado.

Mas olha, José Manuel, ele disse ontem que aquilo não é propriamente comentário, mas um espaço de otimismo e boa disposição.

Irritante ou não irritante?

Agora tem que ser comentador. Passar a fase de comentador requer algum tempo, alguma distância do processo.

Uma espécie de treinador do dar de riso, treinador do sorriso.

Eu estou a imaginar aquele programa do Pacheco Pereira.

Olha o Ricardo Araújo Pereira que se ponha a pau, não é? Vai ter concorrência.

Estou a imaginar aquele programa do Pacheco Pereira.

Ó Rui Pedro, e vocês, journalistas da política, não vão estar a ver e a tentar encontrar nas entrelinhas das entrelinhas os recados.

O que eu estou a imaginar é algum programa do gênero daquele do Pacheco Pereira, do Ponto Contra Ponto, a dizer: "Isto que está aqui neste jornal é mentira." Com gráficos em PowerPoints a António Costa a dizer: "Bom, estes 1500 milhões que o Luís Montenegro fala não são 1500." Assim uma espécie quase de fact checking, Polígrafo Costa. Estou a imaginar uma coisa deste género. Não sei, estou só a fantasiar.

Mas com sorriso.

Mas com sorriso otimista.

Não faço ideia, acho que não é por aí.

O formato vai ser interessante, era o que eu queria dizer, provavelmente, pelo que estás a dizer.

Veremos, não é? Veremos. Porque apesar de tudo, nem todas as pessoas são um one man show. Por exemplo, no tempo em que esteve na quadratura do círculo, como se chamava na altura, António Costa não era particularmente interessante E não era particularmente interessante porque nunca saía da batuta do Partido Socialista. Ele esteve lá anos com José Sócrates primeiro-ministro. O que ele disse de pertinente sobre o José Sócrates? Sobretudo sabendo nós à distância tudo o que se passou. Não saberia nada, não poderia ter dito nada, não poderia ter sido distante do Partido Socialista. Sabemos que não foi isso que aconteceu. Vai acontecer agora? Sentir-se-á livre como uma andorinha e dizer o que lhe apetece sobre as listas europeias do seu partido, se tivesse já um comentário no ar. É que o comentário vai para o ar antes das eleições. Vai ignorar as eleições? Ele diz que vai ter uma página sobre temas europeus no Correio da Manhã. Para quê? Para ser presidente do Conselho Europeu, para não deixar cair essa... Tudo isto é equívoco e tudo diria o mesmo se em vez de ele se chamar António Costa, se chamasse Luís Montenegro ou, como já disse muitas vezes relativamente aos espaços de outros comentadores, particularmente Marques Mendes, neste momento, como ex-líder. Mas já falei disto muitas vezes. Acho que isto chegou a um nível... A nota vai para quem tem a responsabilidade principal disto, que são os nulistas e as direções dos órgãos de informação que alimentam este circo. E vai um chumbo direto, um quatro.

Vai um quatro.

É véspera de 25 de Abril, não devia ser, mas tem que ser.

A culpa é sempre dos jornalistas.

Nesse caso, é sempre da comunicação social.

Mas eu acho que a comunicação social pode dizer isso ela própria, aos outros é que não convém.

Paulo, estamos com pouco tempo, mas provavelmente vamos ter mais tempo ainda para falar sobre as listas, as propostas para a redução do IRS. Imaginas aqui, por exemplo, o comentador António Costa olhar para estas listas com otimismo?

Espero bem que sim. Pelo menos o seu partido também lá está, e ele próprio a promover uma descida de impostos agora deste orçamento.

Ou se for António Costa do Eco.

Exato. O próprio já o fez também. Queria só assinalar que, olhando agora para o Parlamento, toda a gente concorda com a descida de impostos.

É incrível.

É impressionante. É incrível. Então agora descobriu-se que os impostos podem descer.

Aquilo vai passar, não sabemos o que vai passar, mas alguma coisa vai passar.

É impressionante. Só para notar isso, há um ano, por esta altura, falava-se de uma eventual descida de 500 milhões de euros no IRS, proposta pelo governo na altura, pelo PS, obviamente, que ia estar no orçamento de Estado, porque era basicamente esse o número que aparecia no programa de estabilidade. Depois o PSD lá para o verão, final de verão, se não me engano, foi no Pontal. Veio falar de uma proposta para descer 1500 milhões de euros, sabendo à partida que estava condenada a ser derrotada, porque o PS tinha maioria absoluta. O governo acabou por fazer o orçamento de Estado com uma descida de 1300 milhões, portanto foi muito a reboque daquilo que era a proposta do PSD, o orçamento desenhado e apresentado antes ainda de sabermos que íamos para eleições. E agora nós sabemos também o que se passou nas últimas semanas, novo governo, AD, e a AD veio comunicando isto pessimamente, mas veio complementar entre aquilo que tinha sido feito pelo anterior governo socialista de António Costa e a proposta inicial de 1500 milhões de euros, e temos aqui números redondos, 300 e tal milhões que faltavam. E de repente, agora todos os partidos no Parlamento estão a apresentar propostas também para descida do IRS, muitos deles obviamente limitado a esta baliza que o governo impôs de 300 e tal milhões. O PS vai fazer a sua proposta ou já fez. A Iniciativa Liberal propõe só uma mudança muito radical, só com dois escalões. O Bloco de Esquerda vai fazer propostas, o PCP vai fazer propostas, no fundo, para utilizar estes 300 e tal milhões, e cada partido obviamente calibra a proposta da forma que entende, valorizando mais uns rendimentos do que outros. O Chega é que sai aqui fora da bitola, porque começou por falar de uma proposta de descer 1000 milhões de euros, mas já sabemos que o Chega é exagerado e pode prometer ou avançar com o que quer que seja, porque depois não tem como implementar. E eu só queria sublinhar isto. Agora toda a gente concorda que é possível descer impostos, coisa que era impossível há quase um ano. Por um lado, querem ficar na fotografia de uma coisa boa, mas por outro lado, também isto mostra muito que a política, de alguma forma, e aquilo que é possível e não é possível fazer, depende muito das iniciativas de outros. A parte boa disto tudo é que, felizmente, neste ciclo económico, estamos a falar de descida de impostos e da margem que temos ou não temos para o fazer, e não da necessidade de subir impostos, subir cada vez mais impostos de forma direta ou indireta, para equilibrar as contas públicas. Portanto, essa é a boa notícia. Já que o José Manuel acabou de isto com um quatro, deixa-me a mim dar um 14, pelo menos, a esta mudança de ciclo. É possível descerem impostos responsavelmente. Vamos a isso, porque há que devolver dinheiro às pessoas.

Vamos a isso. Um 14 a fechar este "E o Vencedor É..." que volta na sexta-feira. Bom 25 de Abril.