Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Som do Youven Sorê das manhãs 360, que você também pode acompanhar através do YouTube, Facebook ou no site do Observador. E esta manhã estão conosco, aqui com o José Manuel Fernandes, a Filomena Martins e o Rui Pedro Antunes. Carla. E hoje temos "E o que?" Avaliamos Pedro Nuno Santos, mas começamos pelo grande tema da atualidade, o ataque do Hamas e a reação de Israel, e agora também as reações que se vão seguindo, como, Paulo, a reação, o artigo de opinião de hoje do ministro português dos Negócios Estrangeiros no Público.
Sim, é um artigo que nem é muito extenso, mas onde João Gomes Cravinho explica de uma forma cristalina, a meu ver, obviamente, pode-se sempre concordar ou não concordar com esta posição, o que é para mim uma posição equilibrada, baseada em fatos e onde não são precisos "mas", nem "no entanto" e por aí fora. E eu acho que qualquer pessoa com a antiga quarta classe, isto é, dominando o básico do português, se quiser ter uma posição deste gênero sobre este conflito, pode fazê-lo. Portanto, não há qualquer dificuldade. A origem da divisão neste assunto é que as pessoas pensam de forma diferente e valorizam de forma diferente, de uma forma tribalista, quase, aquilo que se passa de um lado ou do outro. Em cinco ideias muito básicas do ministro de Negócios Estrangeiros. Primeiro, o que aconteceu no dia 7 de outubro foi um brutal choque de um ataque terrorista que matou centenas de inocentes, perpetrado pelo Hamas. Segundo ponto, Israel tem direito à sua defesa. Este direito resulta do direito à existência do Estado de Israel, que é reconhecido. Terceiro, este exercício de defesa de Israel inclui o direito à eliminação da capacidade militar do Hamas, porque o Hamas é uma fonte de repressão e não de defesa dos civis de Gaza, e são uma ameaça permanente ao Estado de Israel. Quarta ideia, é igualmente certo e seguro o direito do povo palestiniano à paz e à segurança, e cito o artigo: "Portugal tem sido vocal e coerente na defesa de uma solução de dois Estados, com base nas fronteiras de 1967 e Jerusalém como capital de ambos os Estados". Quinta e última ideia, não há vidas mais sacrossantas do que outras e a via militar deve respeitar o direito internacional humanitário e privar, em Gaza, civis inocentes do acesso à água, comida e combustível é um castigo coletivo inaceitável. O ministro conclui depois, como epílogo, que não havendo uma solução militar duradoura, como as últimas décadas o demonstram, a solução terá que ser diplomática e, obviamente, dentro destes princípios. Eu olho para estes pontos, não consigo encontrar outros, não consigo discordar de nenhum, e eu diria que basicamente é uma posição equilibradíssima, bem explicada, nem é preciso gastar muita página de jornal para isto, de João Gomes Cravinho, e por isso eu dou-lhe aqui um 16 por esta clarividência e por explicar a quem anda com dificuldade com as palavras, que isto nem é assim tão difícil, se quisermos.
E por isso um 16 para o ministro português dos Negócios Estrangeiros. Como é que classificas, Filomena, a posição de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, precisamente sobre o mesmo assunto e o mesmo conflito?
Sequer deviam ter falado com Gomes Cravinho antes de falar ontem. Depois de ler as conclusões do Comitê Central, que primeiro fez um comunicado antes de Paulo Raimundo falar dessas conclusões, porque no comunicado oficial do PCP, onde se propunha uma condenação aos acontecimentos, o texto falava de tudo, mas de tudo mesmo, desde a União Europeia à NATO, de Israel dezenas de vezes, mas do Hamas zero vezes, ao contrário do que faz Gomes Cravinho. E depois Paulo Raimundo, quando falou dessas conclusões, também nunca referiu o Hamas, nem sequer fez uma única referência ao que se passou naquele sábado, dia 7 de outubro, que acho que não vale a pena eu referir aqui, mas foi seguramente o pior ataque de sempre sofrido pelos israelitas desde o Holocausto. Foi o pior ataque aos judeus desde sempre. E Paulo Raimundo reforçou aquela posição atacando toda a gente e dizendo tudo e mais alguma coisa, sem nunca falar daquilo, sem nunca fazer uma referência àquilo que todos vimos, aos vídeos que todos vimos, e passando por cima de tudo que sejam as posições de um lado e do outro que possam estar erradas. Não houve uma única condenação ao que se passou. Ele só condenou apenas a escalada de violência de Israel contra o povo palestiniano, confundindo muitas vezes o povo palestiniano com o Hamas, e é preciso separar muitas vezes as duas coisas. Voltou a ignorar o que se passou no festival de música, o que se passou naquelas pequenas aldeias, como aliás se têm intensificado, nunca pensou nisso, os ataques do Hamas nos últimos meses. E subiu o tom das críticas, acusou a União Europeia de hipocrisia e de cinismo. Pediu uma forte voz de condenação para travar aquilo que ele chamou uma ação de massacre na Faixa de Gaza. Ignorou todos estes dias em que, como fala Gomes Cravinho, se tentou impor a democracia e se prolongou o prazo para deixar sair os civis. Considerou as visitas das presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu a Israel como hipócritas e cínicas, porque para Paulo Raimundo a solução é isolar Israel. Ele acha que mandar sair os civis é ridículo, é algo como mandar uma pessoa a quem se vai bombardear a casa, eu estou a citar: "Mudar da sala pra casa de banho não é nada útil, é absolutamente cínico e hipócrita." Nós já conhecemos há muito tempo as posições ideológicas do PCP. Ficou claro por tudo o que se tem dito sobre a guerra na Ucrânia. O PCP acha que os ucranianos deviam estar quietinhos, sem se defender da intervenção russa, porque um dia a Rússia provavelmente foi comunista. Eu acho que é por causa disso só e mais nada. Provavelmente dirão o mesmo se a China entrar em guerra contra a Taiwan ou com qualquer outro país. E agora estamos a perceber o que o partido pensa sobre os terroristas do Hamas na Palestina, porque o que temos aqui em causa é o Hamas. E convém que Paulo Raimundo saiba uma coisinha. Além de Palestina e Hamas não serem a mesma coisa, a causa palestiniana, como já foi bem esclarecido, não é a mesma coisa. Porque Paulo Raimundo acabou a defender que a solução do conflito passa pela criação de dois Estados, a criação do Estado da Palestina independente e soberana. Ora, isso não é possível com o Hamas. É exatamente esse o problema em Gaza, onde o Hamas lidera. Foi eleito em 2006. O Hamas não reconhece Israel e não sei se Paulo Raimundo sabe isso. E deve ser por isso também que o Bloco considera o Hamas de extrema-direita, mas o Hamas não admite Israel, não admite o Estado israelano soberano. E não percebo onde é que Paulo Raimundo foi tirar esta ideia e esta sua tão dita solução.
Portanto, do 16 de João Gomes Cravinho, tu vais dar uma nota mais baixa a Paulo Raimundo, claro.
Eu não considero sequer que Paulo Raimundo saiba, eu acho que lhe podemos oferecer uns livros para que ele possa ler este conflito que existe há tantos anos, desde que a solução encontrada para o povo judeu depois do Holocausto foi esta. É um conflito que se estende sem solução à vista e que agora sofreu este impacto tremendo e provavelmente a pior agressão desde o Holocausto. Está ali e não é com o Hamas, como Gomes Cravinho diz, o que está ali é tentar acabar com o poder militar que o Hamas tem. E o que interessa é, obviamente, conseguir que a população civil sofra o menos possível, com uma solução diplomática, e tentar acabar com o poderio militar que esta força, que não é de extrema-direita, como defende o Bloco, é uma força terrorista, acabe com o seu poder militar para que desde uma vez por todas.
Constituir uma ameaça. Que nota dás então, Filomena? Só falta isso.
A Paulo Raimundo?
Sim, a Paulo Raimundo. Caralho, que é a Paulo Raimundo que vais dar nota, não é?
É, parece-me que não tenho outra hipótese de voltar aos meus eternos zeros redondinhos, muito redondinhos.
Um zero redondinho para o secretário-geral do PCP. Vamos agora a assuntos um pouco mais comezinhos. O IUC, José Manuel Fernandes. Não sei se é, às vezes poluem-se. O IUC, o imposto que vai...
É redondinho também.
É mais redondinho. O imposto que vai ficar mais caro para os carros mais antigos. Há uma petição que já tem cerca de 120 mil assinaturas contra esta ideia do governo, que consta do Orçamento do Estado. José Manuel?
Tem 120 mil desde ontem.
Já tem 120 mil.
Não, tinha 119 ontem à noite, mas eu vi aqui em casa uma, acho eu.
Certo.
Acho que, para ser sincero, acho que isto vai ser um daqueles pontos que provavelmente vai ser revisto na discussão no Parlamento, porque provavelmente deve ter sido um daqueles pontos em que o governo seguiu a sua tática habitual, e aí não há novidade, que é dar com uma mão e tirar com a outra, mas ao mesmo tempo não deve ter feito bem as contas. Aliás, isso percebe-se bem, porque há aqui dois problemas, basicamente. O primeiro problema é que estamos a falar de penalizar veículos que, por regra, são aqueles que são utilizados por pessoas com menos posses, os que compram carros em segunda mão. As pessoas com mais posses não têm carros tão antigos, portanto, estamos a falar de carros com mais de 15 anos. Em Portugal não são poucos, são três milhões os carros com mais de 15 anos. E não são donas Elviras que estão na garagem para sair aos domingos. São carros que muitas pessoas utilizam todos os dias. E utilizam porque não podem ter outros, não podem ter carros mais modernos. A forma de cálculo do imposto para estes carros era relativamente benévola, porque eram carros que tinham pouco valor e portanto pagavam pouco imposto. Era esta a lógica. Agora tudo muda, os carros passam a ser penalizados por serem antigos e penalizados por causa da taxa de carbono. E os aumentos não são meigos. Estamos a falar de poder haver aumentos para carros que nem são particularmente caros. Quer dizer, até para os carros de valor mais baixo, portanto, sei lá, carros com 1000 centímetros cúbicos de cilindrada, que é um carro pequenino, poder haver um aumento de 1000%. Não estou a exagerar, 1000%. Quem paga hoje oito ou nove euros, passar a pagar 900 euros. Novecentos euros para muitas das pessoas que têm estes carros antigos, vivem no interior ou vivem no subúrbio de Lisboa É impraticável. E depois deve haver no orçamento uma daquelas aldrabices do costume. Há umas contas que foram feitas por uma associação das energias renováveis que fez uma proposta de aumento mais moderado deste imposto e essa associação que punha um aumento na casa de, em vez de 1000%, aumento de 50%, 70%, para o dobro, o que é razoável, é uma progressão, mas não é uma loucura. E essa associação calculava que o impacto em termos orçamentais seria de mais 150 milhões de euros. Podemos estar aqui perante não 150 milhões de euros, mas muitíssimo mais do que isso, numa altura em que o governo finge que está a dar a algumas destas pessoas, através da eliminação parcial das portagens no interior.
O aumento do desconto nas portagens.
Sim, o aumento do desconto. Está a dar um bónus, esse bónus custará 70 milhões de euros e por outro lado vai buscar 150, 200, 250, 300 milhões de euros, ninguém sabe exatamente quanto é que é. Mesmo as contas do governo falam em 94 milhões de euros, que é mais do que o desconto para as portagens do interior. Nem sei bem o que dizer, sobretudo porque não percebi ainda bem se este dinheiro vai para o fundo ambiental. O fundo ambiental é um saco sem controle orçamental como deve ser, é uma coisa que fica na mão do Ministério do Ambiente, que faz dele o que quiser. É um verdadeiro saco azul que foge ao controle do Parlamento. Se isso acontecer, ainda é mais grave, mas isso não consegui tirar a limpo, não consegui ver todo o noticiário. Eu só fico na expectativa, não vou dar um para o chumbo direto precisamente porque vou ficar na expectativa.
Achas que vai ser menos. Achas que vai cair.
Achas que vai ser mesmo bom ambiente.
Só para dar de exemplo. Os carros elétricos, os Tesla que por aí andam, que são carros que podem custar 100 mil euros, não pagam imposto. Não estamos a falar dos carros elétricos mais acessíveis. Estamos a falar de carros de luxo.
Mas isso é para favorecer a transição energética.
Estou-te dando limites.
Para quem for.
Só para teres uma ideia. Haviam recentemente sido feitas no Expresso umas contas sobre quanto é que custava 100 quilómetros num carro elétrico e num carro a gasóleo, mas pode também ser a gasolina, porque o consumo é quase o mesmo. Um carro elétrico, se for carregado num daqueles postos que estão na rua, de uma daquelas empresas que andou a ganhar umas concessões, às vezes nem se sabe bem como, é mais caro.
É mais caro do que 100 quilómetros.
José Manuel, que nota então vais dar aqui para ouvirmos o Rui Pedro ainda?
Para não ir para o chumbo direto, vou dar um seis.
Um seis, porque achas que...
Se dá a volta no Parlamento.
Se dá a volta no Parlamento. Se calhar, Rui Pedro Antunes, é por estas e por outras que Pedro Nuno Santos foi ontem dizer no comentário na SIC Notícias que podia fazer um orçamento diferente daquele que foi apresentado por Fernando Medina. Não sei se é isso que tu queres escolher da intervenção de Pedro Nuno.
É isso mesmo, Carla. As intervenções, os comentários de Pedro Nuno faz-me lembrar um bocadinho aquele filme o "Big", em que ele queria muito ser grande e depois tem que recuar um bocadinho e percebe que afinal ainda tem que esperar o seu tempo. E Pedro Nuno Santos, o que fez ontem foi precisamente começar a disparar em todos os futuros adversários possíveis. Um deles, porventura, será Fernando Medina ou não. E pelo caminho, obviamente, também atingir António Costa, que pode ser um obstáculo que ele tem. E a certa altura, Pedro Nuno Santos, um dos problemas que levanta é sobre Carlos Moedas. Ninguém lhe pergunta, mas ele várias vezes no comentário tenta ir e atirar a Carlos Moedas, que ele deve achar que também deve ser um potencial adversário dele, legitimamente, com base nas leituras todas que se fazem. E critica, por exemplo, que Carlos Moedas esteve 90% da entrevista à SIC a falar de política nacional, critica Carlos Moedas por atacar os seus parceiros de geringonça, PCP e Bloco de Esquerda, e depois critica, obviamente, Luís Montenegro como potencial adversário, e critica, acima de tudo, Fernando Medina, que depois leva a essa frase de que era possível fazer diferente com o orçamento. Obviamente que a crítica também é extensível a António Costa.
Mas é um documento belíssimo.
É, primeiro ele disse que era muito bom.
Pipi.
Exato. Não foi até aí.
Ele disse que era ótimo.
Que disse não queria comentar, mas que era um bom orçamento e depois a seguir fez uma série de críticas. Então qual era a ideia de Pedro Nuno Santos? Como há um excedente orçamental, e ele estava se a referir apenas a 2023, porque a previsão do governo era 0,9% e vai acabar com um excedente de 0,8. Ora, Pedro Nuno é gestor, até ainda julgo ser sócio da Tech Macao, uma percentagem mínima, não tem poderes de gestão. A empresa é acima de tudo do pai dele. E dá 1,7 diferencial, que segundo ele são 4,4 mil milhões de euros que podiam ser aplicados.
Na economia.
Sim, andará aí perto.
De alguma maneira, na economia, boa parte disso ser pelo menos investido, porque para ele não é uma despesa, é um investimento na valorização da carreira dos médicos e dos professores. E aqui há uma nuance: Pedro Nuno Santos defende exatamente aquilo que Luís Montenegro defende para a reposição dos professores, que não é exatamente porque Luís Montenegro já disse como é que queria, que era 20% durante cinco anos. O que Pedro Nuno Santos diz é uma reposição gradual, mas total daquilo que falta. E portanto aí está na mesma linha do PSD, e é interessante esta dualidade de Pedro Nuno Santos, que por um lado até sai em defesa do PCP e do Bloco de Esquerda na questão, por exemplo, que falávamos aqui há pouco, da guerra entre Israel e o Hamas, principalmente sobre as posições deles sobre a Autoridade Palestiniana, e por outro lado, vem aqui defender uma ideia do PSD. Por quê? Porque quer valorizar a administração pública e já se viu também o tipo de governação de Pedro Nuno Santos, que é investir na administração pública e na função pública e, portanto, valorizar as carreiras do Estado. Isto para dizer o quê? Eu vou dar um 10 a Pedro Nuno Santos, porque espero que Pedro Nuno Santos seja coerente com aquilo que defende no programa à segunda-feira. Por receber o seu salário de deputado como representante eleito pelo círculo de Aveiro e encher o peito à segunda-feira e depois não ser consequente no Parlamento, eu acho que isso não é de alguém que quer governar o país. Nós tivemos Alexandra Leitão com coragem a dizer na Vichy Soares, na sexta-feira, a dizer o seguinte: se chamarem a privatização da TAP ao Parlamento, eu votarei em conformidade. Ou seja, ela é contra.
Contra, claro.
E, portanto, votará. Eu quero perceber que tipo de Pedro Nuno Santos temos. Tem coragem suficiente para votar contra o PS? Tem coragem para no orçamento, fazer uma declaração de voto a dizer que de facto estas coisas estão mal e que o estende devia ser aplicado. Aí sim é que vamos ver que tipo de Pedro Nuno Santos temos. Até lá, é só um 10, porque não percebemos se ele só enche o peito à segunda-feira para depois passar os outros quatro dias no Parlamento calado, a receber o seu salário e sem defender aquilo pelo qual foi eleito pelo povo português como representante pelo círculo de Aveiro.
Portanto, fica este 10 à condição. Vemos como Pedro Nuno Santos fará no Hemiciclo quando for a altura de votar o Orçamento de Estado. Amanhã há mais um E o Vencedor é. Até amanhã.