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E o "Vencedor é..." na Rádio Observador e também no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite França, a Helena Garrido, o Alexandre Borges e hoje temos no menu a Câmara de Coimbra, que deu €15 mil a uma associação criada três meses antes por uma apoiante de Ana Abrunhosa na corrida autárquica, mas o apoio esfumou-se rapidamente. Temos também os exames nacionais e o ministro da Administração Interna, que pode vir a responder por crimes de descaminho e abuso de poder, no caso do outro lado, são crimes que estarão a ser, nesta altura, investigados. Já lá vamos. Temos uma garantia, Alexandre, isto está assim, está meio dormido, mas o primeiro-ministro não vai de férias.
Sim, eu queria começar por aí.
Queres agradecer ao primeiro-ministro o empenho?
Antes de mais, fica implícito, fica a nota. Apercebi-me esta manhã, de repente havia notícia de última hora a correr em todos os canais de notícias. "Última hora, este ano o primeiro-ministro não vai de férias." Seria para a nossa noção de última hora, de breaking news. Sendo que é a não notícia. O que é que vai acontecer? Não vai acontecer. Não vai de férias. Última hora, parem tudo, isto é urgente. E depois, nalguns casos, acompanhado da nota: só vai tirar alguns fins de semana e um ou outro dia esporádico, se a agenda o permitir, e sem se ausentar do país.
Eu acho que ele vai tirar fins de semana prolongados.
É capaz.
Vai juntar ali.
Vais ver ali no meio. Mas se a agenda permitir, e sem se ausentar. Faltou assim dizer alguma coisa do género: "Ele vai dormir com um olho aberto e outro fechado. Ele vai estar sempre aqui atento a tudo, não se preocupem."
Com o telemóvel debaixo da almofada.
Isso, super. E preocupado sempre. Há várias coisas. Evidentemente, foi o gabinete do primeiro-ministro que fez saber esta informação de última hora, este acontecimento. E cola e funciona. Isto é o resultado. No fundo, somos todos parte disto. Isto é o resultado do: "Eu vou muito à bola, eu fui a muitos jogos de futebol, eu fui a um festival de música, o ano passado estava a beber gins, ou o pessoal do PSD estava a beber gins na festa do Pontal, então agora este ano não vou de férias de verão." Eu acho que está mais ou menos tudo errado nisto, honestamente. Isto funciona, eu não tenho dúvidas que isto funciona, e depois quando der a nota, concluo por aí, mas significa que tudo o que está para trás está errado. Eu acho muito bem que o primeiro-ministro tire férias, toda a gente deve tirar férias. Quanto mais trabalharem, mais férias merecem e devem tirar, que é para estarem descansados e devem ter uma vida pessoal e quanto mais descansarem, melhor estão para os seus trabalhos. O resto é pura demagogia, é puro populismo.
Helena, faz lembrar os maridos que dão flores quando as mulheres dizem: "Há muito tempo que não me dás flores." E aí que eles dão flores.
Desculpa, mas estou estranha, não consigo sequer apanhar.
Estás com o Ricardo, não se quer falar de qualquer coisa. Ricardo, estamos aqui.
Tens que comprar flores.
Não, digamos que sou criativo.
Pois, não sei.
É aquela desculpa de: "Agora sou um bocadinho a plástico." Era isso.
Eu diria que isto é péssimo, porque parece que as férias não são uma forma de as pessoas recuperarem da intensidade do trabalho. O que querem dizer com isto? O primeiro-ministro não vai de férias. E então, o que querem dizer com isto?
Nós já sabemos que o primeiro-ministro nunca terá umas férias muito descansadas.
Claro. É preciso dizer isso. E depois é muito importante, e para nós todos, é muito importante que o primeiro-ministro esteja descansado para tomar decisões conscientes, e não decisões precipitadas, esgotado. E depois este tipo de anúncios raia o populismo, mas agora queremos todos ser populistas? Todos dizer às pessoas: "Ele que sacrifica-se muito e foi ao futebol, mas quase não dormiu para ir ao futebol." O que é isto? O poder tem de se assumir como poder e como distanciado do resto da população em geral. Há rituais de poder que são muito importantes, há distanciamentos que se têm de manter. Agora, dizer que não vai de férias, tem que objetivo? Ficarmos todos com muita pena do primeiro-ministro porque ele não vai de férias? É esse o objetivo? Eu não fiquei com pena, porque continuo a achar que ele vai juntar as folgas aos fins de semana e portanto vai ser tudo seguido. Eu também acho que isto é uma espécie de reclame um bocadinho mal amanhado.
Exato.
O facto de ser reclame já é uma expressão um bocado antiga, mas parece-me, de facto, um engodo, porque não é o facto de não tirar férias que o faz ser mais ou menos capaz como primeiro-ministro. Aliás, ficará menos capaz por não descansar o período normal de férias. Que a notícia fosse, ou melhor, não seria notícia de todo.
Muito menos de última hora.
Muito menos de última hora. Mas que o primeiro-ministro, tendo em conta o que se espera neste verão, decidisse que não ia para fora.
De acordo.
Seria uma decisão prudente estar pelo país numa altura em que se sabe que o verão será um verão complicado, tendo em conta também que tem um governo, neste momento, com dois elementos muito fragilizados. Ficar por perto é avisado, mas pode ir para o Algarve tirar férias ou para outro sítio qualquer do país. Portanto, acho que isto, de facto, é uma nota.
Querem dar uma nota rapidamente?
Eu não vou dar nota a isto, porque acho que isto não merece nota.
Eu vou. Também revela um bocadinho o estado do jornalismo. Não damos a notícia e pronto, mas não vamos conseguir fazer esse tipo de coisas nunca. Porque isso é uma não notícia, como diz o Alexandre.
Eu dou, Ricardo, tu não me perguntaste, mas eu dou.
Eu ia perguntar.
Eu dou um 13. Muitas vezes dizem: "Ah, que a comunicação do governo é má". Não, eles sabem o que estão a fazer. Sabem que o país adora um mártir, adora um sofredor, e é isso que estão a fazer. Alguém, algures vai dizer: "Não, mas olha lá, o senhor primeiro-ministro está aqui, não tira férias."
E tu, Alexandre, vês algum problema no descaminho da galera? Que grande pergunta, desculpa lá.
Descaminho da galera.
Fica um romance de Ricardo Conceição quando ele daqui a muitos anos se retirar da área.
Dizes assim com um toque brasileiro. Descaminho da galera.
Podia ser uma grande canção, porque a palavra descaminho só me lembra isso, essa coisa do pedaço de mau caminho. É o que parece, aquela coisa.
Deixa-me enquadrar. Porque estamos a falar da possibilidade de crime de descaminho, no caso do ministro da Administração Interna, e galera é o nome do atrelado.
É outro nome para atrelado.
Daí este génio criativo, Helena, ter juntado tudo isto. O descaminho da galera.
Confesso que não tenho muito a dizer sobre este assunto, porque como já comentámos aqui, todos os dias há mais uma coisinha ou também a não notícia sobre este facto. Parece-me que hoje não há particularmente difícil.
Hoje falou para dizer que ainda não vai falar.
Falará mais tarde.
Exatamente, está a juntar tudo e pronto. Enfim, veremos, aguarde pacientemente. A gente às vezes diz: "Bem, eu não sou da PJ", mas nesse caso, não, ele é mesmo da PJ, portanto, convém que faça a si mesmo as perguntas todas e pondere quais são todas as respostas e tudo aquilo a que uma boa investigação deveria responder e que apareça com elas de uma vez. Mas eu, acerca deste caso, como já comentei aqui, também me faz alguma impressão a forma como vai sendo gerido. Um dia é: "O atrelado está ali. E estavam os bidões dentro do atrelado." No outro dia: "E estavam as coisas dentro dos bidões do atrelado." Acho estranha também esta forma como estas notícias têm sido geridas. Parecem ter ali um objetivo de dissolução, de facto, do próprio ministro, que tem muito que explicar, não há dúvida.
Judite.
Eu, por acaso, aqui discordo, porque eu acho que hoje há notícia, porque hoje estamos a falar de um inquérito do Ministério Público, a partir da investigação da Polícia Judiciária. Portanto, estamos a falar de possíveis crimes tipificados, o tal de descaminho de abuso de poder, e estamos a dizer que, segundo várias fontes ouvidas, este tipo de procedimento de movimentação, neste caso, de um atrelado ou de uma galera, só podia ser feita pelo diretor nacional da Polícia Judiciária, só podia ser autorizada pelo diretor nacional da Polícia Judiciária.
Desculpa, Judite, eu concordo contigo, mas cá estou enganado. Parece-me que isso já se sabia nos últimos dias, que ia ser aberta uma investigação.
Não, soube-se na sexta-feira a investigação. Agora, a abertura do inquérito da PGR.
Agora há este indício concreto.
A abertura do inquérito no Ministério Público é uma notícia dois.
É a dois. A da PJ é que é sexta.
A da PJ, os indícios criminosos que estão na base da abertura do inquérito, começou-se a falar disso na sexta-feira, exatamente porque se começou a falar de que teria que ser uma decisão do diretor nacional da Polícia Judiciária. E portanto, há suspeita de crime, foram transmitidos ao procurador-geral da República e o Medel Guerra decidiu abrir o inquérito. E portanto, eu acho que agora o caso está mais grave. Já não estamos a falar apenas de obras, que em si está mal explicado e requer mais informação, mas acho que quando a PGR abre um inquérito, eu acho que é caso para dizer que Luís Neves parece estar em maus lençóis, mais do que estava antes da abertura do inquérito em si.
Helena.
Olha, feito o contexto todo, de facto, temos mais um passo nesta história. Nada do que se tem passado é muito edificante pelo que revela e também pelo que não revela. Pelo que revela em relação ao ministro, que já está muito explorada essa questão, a sua falta de bom senso em utilizar serviços de um fornecedor do Estado para a sua vida privada e de falta de cuidado em matéria tão importante como o transporte de químicos. Agora não encontram o papel. Aparentemente, foi por isso que a PJ, devia haver um papel, não há o papel, terá havido alguma informalidade, diz a PJ. Portanto, estamos a falar de químicos que foram transportados, penso que do Alfeite para Parcela. Não é uma brincadeira. Mas também a forma que tem assumido, e eu hoje estou para o lado de criticar jornalistas, esta investigação jornalística. Não se retira o valor da matéria, mas a forma Que se tenha usado e, sobretudo, o fato de se entrar em detalhes que não têm relevância jornalística, não são bons para o jornalismo. Usar drones para filmar a casa de um monte, que é tipicamente um monte bastante modesto, como todos vemos, não tem interesse jornalístico. E finalmente, revela implicitamente que o Luís Neves tem muitos amigos públicos, muitos inimigos privados ou clandestinos, diria eu.
Tens alguma nota?
Tenho uma nota para o Luís Neves, que é nove, para conseguir melhorar a nota, porque até agora tem muitos itens por corrigir e por apresentar nesta onda de itens.
Alexandre, vamos à tua nota para a galera.
Para o teu título, dou um 15.
Obrigado.
Antes que a minha galera: "Vá, mas tens margem ainda para fazer melhor".
Obrigado.
Vamos ver o livro.
Vou me esforçar.
Eu vou dar um 14 à PGR por ter aberto o inquérito.
Alexandre, começamos agora por uma história de um apoio a uma jovem associação, um apoio que foi cancelado duas horas depois, é isso? Conta-nos lá essa história.
Exatamente. Foi ontem. Já há algum tempo não tínhamos notícias de Coimbra. Houve ali uma época muito regular e é sempre bom saber coisas de lá.
O nosso abraço para Coimbra.
O nosso abraço para Coimbra, evidentemente. Reunião de câmara ontem, a câmara decide dar um apoio financeiro de 15 mil euros a uma associação fundada em abril. Três meses, já estão a receber o reconhecimento camarário, é importante. Uma câmara atenta. Só que a associação é dirigida por uma apoiante que integrava a comissão de honra da candidatura de Ana Abrunhosa nas últimas autárquicas, chamada Hélia Ramalho. O espaço em que esta associação está instalada, que se chama A Fábrica, foi cedido para iniciativas da campanha eleitoral de Ana Abrunhosa e ainda por cima a associação chama-se Maré Dialética. Eu acho que só este nome corria o risco de desqualificar. Estou a brincar. O que importa, evidentemente, é tudo o resto. Teve os votos contra só da coligação enormíssima Juntos Somos Coimbra, que está em PSD, CDS, IL, Nós Cidadãos, etc. Não teve o voto contra da antiga vereadora do CHEGA independente, que foi viabilizando muitas propostas da câmara, portanto, pelos vistos, ou pelo menos neste ponto particular, também já estava novamente de acordo com o executivo. Acontece que, naturalmente, a oposição levantou estas questões todas. A associação diz que nos próximos 12 meses vai fazer uma série de coisas, jogos, ioga, teatro, residências artísticas e outras atividades, diz a Lusa. Mas o que a oposição levantava era dizer que estava pouquíssimo detalhado, não havia um plano concreto de ação, nem metas quantificadas, nem indicadores de avaliação, nem se percebia exatamente quem seriam os beneficiários desta medida. A notícia saltou, ou digamos, o facto saltou rapidamente para a imprensa ontem e duas horas depois a Câmara de Coimbra revogou a decisão. Revogou a decisão, revogou o apoio e diz que é após os serviços terem detectado a necessidade de reanalisar o processo. É fantástico. Por acaso calhou que ao mesmo tempo que esta notícia estava a saltar para a imprensa, os serviços também estavam a analisar e a reparar: "Espera, há aqui um ponto que precisa de..."
É uma boa altura para a Helena Garrido dizer bem do jornalismo.
Aqui está. Bem.
Muito bem do jornalismo.
Quem não ouviu a primeira parte, a Helena Garrido destruiu o jornalismo. Não é verdade.
Olha, eu sou jornalista, não me autodestruí.
Claro. Daí a teres uma autoridade redobrada.
Da minha parte, eu terminaria. Ou então eu termino, posso dar já uma nota que é: isto é a política em 2026. Isto não é democracia direta, é democracia indireta. E isto às vezes até tem bom resultado, como aqui, mas é profundamente perigoso.
O escrutínio é consequência do escrutínio indireto.
Indireto, e portanto, isso salta para a imprensa ou para os média, ou para os tradicionais, ou para os novos.
Cá está um bom exemplo.
Pelo que eu percebi, saltou diretamente para o Diário de Coimbra, não é?
Saltou diretamente para o Diário de Coimbra, exatamente.
O Diário de Coimbra é online, portanto, é de facto indireto. Ao minuto.
Eu, por exemplo, vi na comunidade Videarte, que é muito seguida no Instagram, etc. Isto rapidamente ganhou uma certa visibilidade e depois tem esta reação. Neste caso, corre bem, mas a ideia de uma democracia indireta não é a melhor do mundo, porque significa muitas vezes ir pela reação, pelo impulso, quando, em teoria, as políticas deviam ser definidas com reflexão, ponderação.
Ora bem. Revela o que se podia fazer se não estivessem lá os jornalistas.
Exatamente.
E Judite, por falar em ponderação.
Deixa eu só acrescentar uma frase em relação a isso, porque ia ser uma enorme trapalhada para Ana Abrunhosa e safou-se de boa.
É verdade. Pode agradecer ao Diário de Coimbra.
Isto ia ser muito complicado. E pode agradecer ao Diário de Coimbra ter mostrado que, afinal de contas, se calhar, esta associação não merecia 15 mil euros, tendo em conta que era de uma apoiante da Ana Abrunhosa.
Vamos falar de exames?
Vamos falar de exames.
Afinal...
Deixa-me ir buscar as minhas notas.
Afinal
Afinal havia outra.
Não estão digitalizadas.
Os meus não estão digitalizados.
Afinal, não há relatório. Há relatório sobre o que aconteceu no ano passado.
Falta sempre um papel.
É incrível.
Em Portugal falta um papel.
Pronto, e agora falta o papel, que é o diagnóstico do que correu mal no ano passado. Afinal, não há um papel.
O Fernando Alexandre, só para enquadrar, disse que não há nenhum relatório sobre o que aconteceu ano passado em Filosofia, que foi o tal teste piloto da digitalização. Culpou diretamente o ex-diretor do Júri Nacional de Exames dizendo que não deixou nada escrito sobre o assunto. Ora, entretanto, o ex-diretor do Júri Nacional de Exames falou à Rádio Observador e disse: "Também ninguém me pediu."
Ninguém me pediu um papel.
Ninguém me pediu. Não foi pedido nenhum relatório e ainda acrescenta que podia ter pedido, como fez para os exames do nono ano. Aparentemente, sobre os exames do nono ano, houve um pedido de relatório. Há aqui dois pontos. Como é que não há relatório também à partida? Como é que se faz um teste piloto e não há imediatamente, quer dizer, passa de boca em boca? Vai passar de boca em boca o que aconteceu? "Olha, foi assim, foi assado, quanto a este e quanto ao outro." Isso não faz sentido. Tem que haver alguma coisa escrita. Portanto, eu acho que não era preciso pedir pra que algo ficasse automaticamente feito. Agora, foi só com a informação do boca a boca que o ministro fez isto, sem nenhum relatório. Então aí também não está bem. Com relatório ou sem relatório, as coisas não correm muito bem pra Fernando Alexandre, que eu acho, ainda assim, que tem feito um esforço grande para que as coisas não sejam piores do que têm sido. E eu acho que esta época especial vai ajudar, independentemente de já sabermos que não há igualdade entre todos os estudantes, porque uns deles vão ter que esperar até esse tempo. Não há igualdade. Mas há um remendo para não piorar aquilo que poderia ser para os estudantes depois desta trapalhada.
Vera.
Olha, eu começava exatamente pelo ex-presidente do Júri Nacional de Exames e dava-lhe o prêmio de como não deve ser um servidor do Estado. Como não se deve comportar um servidor do Estado. Eu não faço relatórios porque não me pedem ou porque me pedem. Ele saiu dois ou três dias antes do ministro anunciar que ia generalizar os exames, a correção digitalizada no ano seguinte, e vem dizer, não lhe fica bem dizer que não fez o relatório porque ninguém lhe pediu, e que a única coisa que fez foi dizer ao secretário de Estado: "Isto não vai correr bem pro ano." Mas o que é isto? É de uma falta de profissionalismo extraordinário. Seja como for, e como a Judite disse, não havendo relatório, não fica bem um funcionário público dizer: "Não fiz porque não me pediram", sabendo que era importante ter feito e sabendo que havia problemas, tipo, vou ficar aqui sentado a ver os problemas que vão acontecer.
O circo arder.
Exato. Também ao ministro, e como disse a Judite, não fica bem não ter pedido o balanço dessa primeira experiência piloto. Tinha que estar informado em relação a essa-
Quando foi um assunto falado o ano passado, ou seja, não foi uma coisa que passou despercebida.
Exatamente. Isto não pode ser uma desculpa. Fernando Alexandre devia ter feito um balanço. Aparentemente, corrigiram-se porque o presidente do Educa, não sei se é presidente, se é diretor.
É presidente.
O presidente do Educa, hoje no Parlamento, disse que foram feitas correções e retirados ensinamentos dessa primeira experiência. Há este ruído deste ex-presidente do júri que apenas vem alimentar também a teoria da conspiração, que também anda por aí em relação àquilo que se passou. Seja qual for o desfecho disto, que esperemos que corra bem a partir de agora, há aqui um ponto que Fernando Alexandre, mesmo do ponto de vista técnico, e já não estou a falar do ponto de vista político, é do ponto de vista técnico de gestão de uma mudança, que falhou. Tem de haver planos de contingência para o pior cenário, e não havia. É aquilo que nós concluímos. A partir do momento que ele coloca 300 mil testes a serem digitalizados, o risco tinha de ser elevado ou mesmo um risco mínimo, porque mesmo com o risco mínimo, o efeito correr mal era tão negativo, como se viu, que tinha de existir um plano de contingência. Há aqui algum facilitismo, alguma vontade de fazer coisas, não faço ideia. Eu também conheço o Fernando Alexandre, ele é da tribo da economia e conheço-o da tribo da economia, sei a consideração que ele merece de todos, incluindo eu, pelo percurso dele. Agora, tudo isto não correu bem, e não correu bem também por razões de não se ter feito aquilo que se tem que fazer quando se faz um plano de mudança, que é criar a um princípio qualquer que se uma coisa correr mal, se existir a possibilidade de uma coisa correr mal, ela vai mesmo correr mal.
É a Lei de Murphy.
Sim, é a Lei de Murphy.
É a Lei de Murphy, exatamente. Se existia aqui este risco, claro que-
E tende a haver uma redundância, pelo menos é o que-
Deixe-me só ajuntar o presidente.
Sim, porque o presidente hoje pronunciou-se sobre isso.
Exatamente. O presidente fez um comunicado, não sei se foi porque começavam a existir muitas opiniões que andava demasiado calado sobre este tema. Enunciou princípios gerais, é muito o nosso presidente atual. É assim, princípios gerais de que é preciso garantir a igualdade e a previsibilidade Pode-se ver aqui implicitamente críticas, porque se é preciso enunciar princípios gerais é porque eles não estão assim cumpridos. Mas eu gostava de deixar o alerta que me parece mais importante e que está relacionado com o que disse há pouco sobre Fernando Alexandre, que é que se devem retirar desta situação as devidas lições, de modo que processos de inovação tecnológica sejam acompanhados por mecanismos de prevenção. Foi isso que não aconteceu aqui.
Alexandre, também queremos ouvir-te.
Sim, sobre o ministro Fernando Alexandre, e concordando totalmente com a Helena, custa-me continuar a vê-lo tentar responsabilizar outras pessoas. Ele, por um lado, vai reforçando mais, e foi bom ouvi-lo hoje dizer, reconhecer que o Estado falhou, porque é isso, com máxima responsabilidade para ele neste caso, mas há ali uma série de falhas em cadeia, mas depois, por outro lado, não se consegue levar muito a sério, ou pelo menos eu não consigo levar muito a sério esse ato de contrição, na medida em que ele está constantemente a sacudir responsabilidades. De repente, apontam-lhe, isto na audição hoje na comissão parlamentar, questionam-no sobre as falhas nas pautas, os erros nas pautas, e ele diz: "Mas quem mandou fixar as pautas foi o Júri Nacional de Exames." Isto já é compulsivo sacudir a responsabilidade. Então agora não era para fixar as pautas, afinal de contas? E a culpa é de quem mandou fixar as pautas, não é que houvesse erros nas pautas, em que visivelmente se percebeu que se andou a ganhar tempo durante o fim de semana para ir corrigindo notas naqueles a quem ainda faltavam respostas. E depois esta coisa, sobre o ex-presidente do Júri Nacional de Exames, a Helena já falou e muito bem. Mas do lado do ministro também dizer: "Não, eu não tenho relatório nenhum, o governo não tem relatório nenhum do ano passado do teste, porque o ex-presidente não o entregou." De facto, faltava culpar esta pessoa também. Então não entregou e o ministro não pediu, não perguntou? E depois é a tal questão, dizem que os problemas que foram encontrados foram corrigidos, e foi a questão levantada por alguns partidos da oposição. Como? Quando? Exatamente onde é que está?
Temos a segunda chamada a começar.
Exatamente, e onde é que está esse processo relativamente ao teste do ano passado, se não havia relatório, como é que as falhas foram comunicadas e corrigidas? E sobre este ano, exatamente como estavas a dizer, Ricardo, ou seja, neste caso, o presidente do Educa, agora, Luís Pereira dos Santos, disse que o erro está identificado, teve a ver com a leitura dos QR codes. E depois disse: "Mais não vos sei explicar, isto não é a minha competência técnica. Temos que aguardar a auditoria externa." Mas ao mesmo tempo, tanto ele como o ministro garantem que a segunda fase vai correr muito bem. Oxalá que sim, mas acho que estamos aqui no campo da fezada. Sobre o comunicado do presidente. Sim, fez-me lembrar a minha santa mãezinha, que diz que a gente paga a azia aqui. Tão mal eu disse de Marcelo Rebelo de Sousa, ele está sempre a aparecer, que agora, olha, toma lá com que não aparece. E portanto, isto podia ser o líder supremo do Irão. Agora, olha, ninguém o vê, aparece um texto de vez em quando, um comunicado. O que o senhor presidente tem a dizer? O senhor presidente podia ter aguardado a reunião semanal com o primeiro-ministro para discutirem este assunto, em que há o comunicado. Ele dá a entender isso.
Foi hoje esta a esfera.
Exatamente, mas o que resultou daí? Ele diz: "Na sequência de várias reuniões, da reunião semanal ocorrida esta semana com o senhor primeiro-ministro, o Presidente da República reafirma o sentido de exigência que deve pautar todo o processo." Ele reafirma. Mais à frente, ele diz outra vez, o Presidente da República reafirma a sua confiança na qualidade das escolas portuguesas e, um bocadinho mais à frente, uma palavra de confiança e de solidariedade a todos os estudantes que aguardam a conclusão deste processo, fazendo o quê? Digam comigo: reafirmando que nenhum aluno pode ser prejudicado por dificuldades de natureza técnica.
E a sua nota, Sator?
A minha nota está suspensa.
Está suspensa. Judite?
Eu vou dar a esta sessão do Ministro da Educação o nove.
Helena.
Eu tinha aqui várias notas, mas olha, ao Fernando Alexandre dou um 12.
A Helena está à procura no documento.
Exatamente, pela sua combatividade. E ao Presidente da República, dou um 10.
E amanhã há mais e o vencedor é na manhã, depois das 08h30.