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E para avaliar a prestação dos candidatos à Câmara do Porto neste debate, estão conosco em estúdio o João Fernandes, o Miguel Pinheiro, o Pedro Jorge Castro e também o Miguel Santos Carrapatoso. Miguel Santos Carrapatoso, se calhar começava já por ti. Há pouco tinhas uma expectativa de 10 moderada em relação a este debate. Que avaliação faz àquilo que fomos ouvindo na última hora e meia?
E começo precisamente por Pedro Duarte, porque tinha, e tem, atendendo às sondagens, a obrigação de correr mais que Manuel Pizarro e acho que perdeu uma oportunidade de o fazer neste debate. Teve alguma dificuldade em descolar-se do governo em muitos momentos e não conseguiu explorar aquilo que era o seu trunfo para este debate e para esta campanha, que é a alegada colagem do Manuel Pizarro a Filipe Araújo. É verdade que tentou explorar o tema, mas assim que se prestou a fazer alguns comentários sobre essa alegada aliança, foi rapidamente engolido pelos adversários. E depois, também não conseguiu fazer aquele apelo ao voto útil à direita que nesta campanha pelo Porto, atendendo às sondagens que existem, será essencial para que Pedro Duarte possa roubar a Câmara ou impedir, melhor dizendo, que Manuel Pizarro consiga vencer. Portanto, acabou por ficar a meio da ponte, não conseguiu dizer em que medida é que o seu projeto de cidade é melhor do que aquele que Manuel Pizarro defende e também não conseguiu fazer um apelo claro ao voto útil do eleitorado de direita. Manuel Pizarro, pelas razões inversas, tinha que estar neste debate sem correr grandes riscos e conseguiu, de uma forma ou de outra, passar pelos pingos da chuva sem ser muito pressionado pelos adversários. Uma palavra para Miguel Corte-Real, o candidato do CHEGA apresentou-se muito articulado, construtivo, muito diferente daquilo que estamos habituados a ouvir e a ver de candidatos do CHEGA. Lá está, aqui é a questão que se coloca, se esta atitude mais polida é eficaz junto dos eleitores do CHEGA ou não. Corte-Real está apostado, e aliás até foi muito elogiado por Rui Rio, estranhamente, está apostado em ter esta postura e esta atitude mais construtiva, mais focado nas ideias. Isso pode ser vantajoso. A última sondagem publicada pelo Expresso dá-lhe 10% em termos de projeção. É um resultado interessante para o CHEGA, mas acaba por não apelar ao sentimento mais comum dos eleitores do partido de André Ventura. Filipe Araújo também tinha aqui uma oportunidade relevante de tentar sobressair, no fundo, é o vice-presidente de Rui Moreira, portanto tem atrás de si-
Tem conhecimento de causa até em relação ao que se passa na Câmara
E tem um legado, e portanto, representa aquilo que Rui Moreira fez pela cidade de alguma forma. Conseguiu a espaços-
Começou nervoso.
Exato. Conseguiu a espaços puxar essa herança para si próprio, criticou PS e PSD, portanto aquele discurso antipartidos que também animou muito os 12 anos de Rui Moreira.
A espaços não, Miguel, sempre. Ele só dizia: "Nós conseguimos, nós fizemos, nós negociamos". Quer dizer, eu achei que estava ali Rui Moreira.
Eu digo conseguiu a espaços porque eu não acho que ele tenha sido muito eficaz.
Tentar perceber ali pelas imagens se era Rui Moreira que lá estava.
Mas eu acho que ele devia ter feito mais isso.
Mais ainda?
E em certa medida-
Só se ele se apresentasse como Rui.
É o único trunfo que ele tem, Miguel.
Poxa.
É o único trunfo que Filipe Araújo tem neste momento, é ser alguém que trabalhou de perto com Rui Moreira. Foi tentando, mas não acho que tenha sido particularmente eficaz. A estratégia era essa, e acho que é a estratégia correta, mas não sei se sobressaiu o suficiente para que quem estivesse a ouvir o debate percebesse que este tipo, de facto, era o número dois de Rui Moreira. Depois em relação à tal aliança com o Partido Socialista, também, que é a grande fragilidade do Filipe Araújo, conseguiu passar adiante e até fez algumas insinuações sobre Pedro Duarte, que teremos a oportunidade seguramente de falar sobre isso. À esquerda, dois comentários muito rápidos. Diana Ferreira seguiu o guião do PCP sem grande brilho, mas também sem grandes erros. Sérgio Aires, do Bloco de Esquerda, acho que entrou neste debate com alguma tentativa de ter graça e acho que acabou por desviar muito do foco. A ideia dos comprimidos e da medicação. À primeira, pronto. À terceira, se calhar já é demais. E acho que Sérgio Aires podia e devia ter tido outra abordagem a este debate.
Miguel Pinheiro, o Manuel Pizarro esteve à vontade neste debate?
Se as sondagens estiverem certas, e temos sempre que dizer isto porque temos tido surpresas, mas se as sondagens estiverem certas, ele só precisava de não se espetar neste debate. Precisava que o debate acabasse o mais rapidamente possível e sem grandes ondas. E conseguiu, não cometeu nenhum erro. Nenhum dos adversários foi extraordinário Pedro Duarte realmente embrulhou-se outra vez naquela confusão sobre se quer ter mais pessoas na cidade, se não quer ter mais pessoas na cidade. Eu ainda não percebi muito bem o que ele quer. E isto já vinha do debate na SIC e prolongou-se agora para este. Eu acho que se ele quer ter uma ideia diferente, então ela tem que ser uma ideia clara e tem que se conseguir explicar numa frase. E isso acho que o prejudicou.
Posso interromper, Miguel?
Então, não.
Ainda por cima tu és do Porto, portanto, tu tens propriedade para falar sobre isso. Eu acho que Pedro Duarte, embora não tenha conseguido executar bem a ideia, fala muito àquele sentimento muito portuense dos filhos do Porto. Ele usa a expressão filhos do Porto, aquela coisa de uma cidade pensada para os portuenses de gema. Eu acho que ele está a tentar ir por aí.
Acho que há ali um ponto que é: quem vota nestas eleições é quem vive no Porto. Quer dizer, claro, as pessoas podem manter-
Quem vive no Porto também quer que as pessoas que não conseguem viver no Porto e que são da sua família, que são seus amigos e que tiveram que sair, que voltem a conseguir morar no Porto. E não estou de acordo com essa ideia de que ele quer a cidade para os filhos do Porto, porque aliás, isso é contraditório.
Foi o que ele disse.
Não, hoje falou em filhos do Porto no debate da SIC. Não era esse o ponto dele. Quem fala dos filhos do Porto até era Manuel Pizarro. Portanto, acho que isto não lhe está a correr muito bem este ponto. Desculpa ter interrompido, Miguel.
Mas eu acho quem falou em filhos... quem é que falou em filhos do Porto?
Ele hoje falou em filhos.
Segundo as minhas notas, foi Pedro Duarte. Espero não estar errado.
Foi o Pedro Duarte, de certeza?
Hoje falou, sim.
Vamos lá ver. Foi sim, senhor. Onde é que nós estávamos? Antes desta interrupção, eu sem ser interrompido, não consigo.
Vamos seguir.
Não consigo chegar lá. Queres ficar para os outros?
Pode ir seguindo. Exato. Vamos seguindo.
Então. De facto, Miguel, Corte-Real é um caso especial. Eu tenho curiosidade em perceber, acho bastante interessante perceber se isto vai resultar. Ele não berrou sobre corrupção, nem sobre imigrantes. Na verdade, apoiou aquilo que André Ventura descreve como subsidiodependência, porque ele quer dar mais dinheiro ainda para a iniciativa Porto Solidário, que no fundo é um subsídio mensal para as pessoas conseguirem pagar a renda ou a prestação a um banco. E por isso, quer dizer, se nós não soubéssemos que ele se estava a candidatar pelo Chega, podia ser do PSD. Aliás, de facto, ele era do PSD até ontem. Era uma das figuras autárquicas do PSD. Ao contrário do que aconteceu com outros, ele mudou de partido sem mudar de discurso. É verdade que um dos sítios onde o Chega tem dificuldade de implantação é no Porto e naquela zona e, portanto, o raciocínio pode ser: bem, esse discurso aqui não funciona, vamos ter aqui um outro discurso, mas isto causa, de facto, estranheza. E Filipe Araújo, o Miguel diz que o grande trunfo dele é apresentar-se como o vice de Rui Moreira. E eu acho que até é mais do que isso, é apresentar-se como se Rui Moreira não existisse. Acho que ouvindo, parece que Rui Moreira não existiu, só existiu Filipe Araújo. Foi Filipe Araújo que ali esteve, que fez tudo, que tratou de tudo, que governou a cidade. Rui Moreira devia andar lá a apagar e a acender luzes e pronto, e o Filipe Araújo é que fez tudo. Acho que é curto como argumento de candidatura. Admito que não haja outro, como diz o Miguel Santos Carapatoso, admito que não haja outro, mas não deixa de ser curto. À esquerda, de facto, Diana Ferreira é cassete, cassete, cassete. Não há mais nada. E Sérgio Aires realmente tem graça. Eu acho que ele tem graça e é informado. Eu acho que iria ver um espetáculo de stand up dele, pagava para isso, mas eu acho que ele também já percebeu que não vai lá.
Está só a marcar presença.
Não vai conseguir e por isso, já que isto está perdido, então vou incendiar isto.
Até por contraste, o Bloco chegou a apresentar João Teixeira Lopes como candidato à Câmara do Porto.
Eu não pagaria para ir ver um espetáculo de stand up de João Teixeira Lopes.
Admito que não. Mas era um candidato combativo, no sentido mais literal do termo. Era alguém que ia para um debate e tentava ocupar o espaço do Bloco de Esquerda e não fazia estas graçolas. Quer dizer, eu acho que isto não é muito bom para o Bloco de Esquerda, mas enfim, é o candidato que o partido escolheu.
Pedro, estes momentos de tensão maior a nível da discussão mais política, digamos assim, acabam também por marcar este debate.
Acho que sim. Acho que isto correu muito mal a Pedro Duarte para aquilo que ele precisava e para o ponto de partida dele. Nas principais polémicas, isto não lhe correu bem. Basicamente viraram-se todos contra ele e ele não conseguiu virar a narrativa em momentos chave. Esta questão dos portuenses a mais, ele tenta desmentir que tenha dito isto, depois atiraram-no com entrevistas e frases que ele próprio deu em entrevistas. Portanto, para quem está a seguir esta campanha do Porto, está a ficar colada a ele esta ideia de que ele
Quer preservar a cidade para quem está e não criar condições para quem viva à volta e não consegue viver no Porto, sendo que eu tenho dúvidas sobre a eficácia eleitoral disto. É verdade, claro, quem vota é quem está registado neste momento, quem está recenseado no Porto, mas as pessoas que estão à volta, ou mesmo essas pessoas, provavelmente gostariam de ter perto de si os familiares, os filhos que não conseguem morar no Porto e portanto também estão muito atentos a estas propostas. E depois estão a colar os outros candidatos que conseguiram colar esta ideia de que ele defende um Porto provinciano e pequeno, em vez de um Porto moderno, dinâmico, com espaço para acolher a juventude. Portanto, esta ideia não lhe está a correr bem. Na história do Metrobus, onde as maiores responsabilidades vêm de trás, ele está-se a deixar enredar e estão a conseguir com eficácia, e ele não se está a desembaraçar bem disso, apontar as responsabilidades do governo desde que é governo, mesmo com a demissão do governo e com a dificuldade depois de nomear uma nova administração.
Mas ele mesmo aí foi pessoalmente contraditório. Ele começou por dizer: "Nós não vamos estar a mudar a administração da empresa, senão iam dizer que isto era partidarismo." E a seguir diz: "Nós não mudámos porque ficámos em gestão." Então afinal iam mudar?
Houve um período em que podiam ter mudado. Depois houve um período em que já não podiam ter mudado.
Não, mas ele disse que não mudaram porque não quiseram mudar, porque seria uma demonstração de partidarismo. Ora, então se é assim, estando em gestão ou não estando em gestão, nunca iam mudar.
E se há coisa que este governo fez, como aliás todos os outros, foi mudar administrações de empresas públicas.
Claro. Até isso é bonito.
Mas de forma bastante inusitada, até se calhar. Em termos de substância, as maiores responsabilidades no caso do Metrobus até virão do tempo do governo do PS, mas está a passar a ideia neste momento de que ele não fez o que podia e devia enquanto membro do governo para travar isto, para cobrar isto, de alguma forma. E depois esta polémica final também não correu nada bem, com este bate-boca com Filipe Araújo sobre se foi ou não foi convidado para ser número dois, em que ele garantiu taxativamente que ele não convidou. Mas sabemos, até por notícias aqui do nosso melhor capataz, que Montenegro envolveu-se pessoalmente nisto para que Filipe Araújo fosse o número dois na lista do PSD. Teve muito baixo fogo e não conseguiu sacar eficazmente das mangueiras para apagar estes incêndios e fazer um fogo de artifício que trouxesse eficácia para inverter a situação em que está neste momento nas sondagens. Ele é que tinha que fazer pela vida. Pelo contrário, Manuel Pizarro, que está ligeiramente à frente de Pedro Duarte, conseguiu desviar-se da maior parte das polémicas, incluindo desta história de ter os seus apoiantes a fornecer assinaturas para a candidatura de Filipe Araújo, com suavidade, com graça, até com alguma ligeireza, de certa forma, mas conseguiu escapar disto sem comprometer. Não perdeu aqui a vantagem que tinha. Creio que podemos dizer isso dessa forma.
José Manuel, que notas é que retiraste deste debate?
Primeiro que tudo, um ponto prévio. Eu conheço mal o Porto. E como conheço mal o Porto, há algumas questões deste debate que eu tenho dificuldade em avaliar, exceto pelo aquilo que é, de alguma forma, o fogo de vista político e combate de boxe. Por exemplo, para dar duas coisas que me parecem ser bastante substantivas. Eu não consigo ter nenhuma avaliação da forma como hoje os eleitores do Porto olham para os 12 anos de Rui Moreira. Uma coisa é notoriedade, outra coisa é outra, mas se há ou não um balanço positivo disto.
Se há uma obra que fica.
Se há uma obra que fica e uma imagem positiva dessa obra e um sentido de continuidade. E isso é válido não apenas para a candidatura de Fernando Araújo, como de alguma forma para a própria candidatura de Manuel Pizarro, que fazia parte da equipa de Rui Moreira. Isto às vezes é uma coisa que nós só conseguimos perceber no dia do voto. E no Porto, particularmente, em que já houve pelo menos duas vezes, que eu me recorde, brutais enganos nas sondagens. Lembro-me quando Rui Rio ganhava, o seu adversário do Partido Socialista ia ganhar com maioria absoluta, quando Rui Moreira ganhava, o seu adversário do PSD ia ganhar não direi com maioria absoluta, mas ia ganhar tranquilamente. O Porto é muito imprevisível no que diz respeito a isto. E há o outro aspecto, que tem a ver com o meu não conhecimento da realidade do Porto, que é: há, de facto, ali uma pessoa que parece-me ter uma proposta para o Porto um bocadinho diferente das outras. Do ponto de vista daquilo que acha que são as soluções, da equipa de Pedro Duarte. Eu não sei se aquilo cai bem ou mal no Porto. E não sei se sou capaz de avaliar se as pessoas do Porto votam deixando estar aqui fechado, não venha para cá mais gente, ou se votam de outra forma. Não tenho uma avaliação disso, não sei se é uma boa estratégia. Agora, dizer como ele diz que não quer construir mais habitação e que quer recuperar os devolutos é muito diferente daquilo que dizem todos os outros. Praticamente todos os outros. E isso depois traduz-se noutros detalhes, que têm a ver com o trânsito, por aí adiante. Dito isto, fazendo isto, quem estiver do Porto a ouvir, eu não sei o que é que saiu daqui melhor. Até ao momento, Pedro Duarte tem saído pior no que respeita à dinâmica, à dialética, ao boxe do debate.
À política pura.
À política pura, digamos assim. Agora ataquei eu, agora atacaste tu, agora libelei eu, agora libelaste tu. Pedro Duarte não se saiu muito bem, claramente. E desse ponto de vista, Manuel Pizarro, que estava com vantagem, com alguma tranquilidade Sem me parecer que em muitos aspectos tinha sido galvanizador para a cidade do Porto, continuou com vantagem. Há claramente dois candidatos que estão a atrapalhar os debates, que é o da CDU e o do Bloco. Diferentes. A CDU tem uma longa experiência no Porto, teve vereador de impacto durante muito tempo, mas Hilda Figueiredo era uma coisa diferente do que é esta candidata. Agora, da memória que eu tenho, de outros tempos, que tenho a ter, já nem sei quantas décadas de variação ao partido que ela teve no Porto. Curiosamente, o Bloco parecia conhecer mais até alguns problemas do Porto do que a própria candidata da CDU. Dito isto, eu acho que a eleição vai ser muito decidida por saber se estes eleitores que agora estão ainda, ou porventura ainda não chegaram lá e que podem ser atraídos por Corte-Real e por Filipe Araújo, se eles vão votar neles porque ponto final parágrafo ou se vão fazer voto útil. E isso, da maneira como as coisas estão e com o número de indecisos, é absolutamente determinante. Eu não creio que hoje, em relação a esses eleitores, Pedro Duarte tenha feito aquilo que eu precisava fazer, que era dizer: "Eu estou aqui para vocês".
Vamos a notas, temos quatro minutos para fechar este Venceré, Miguel Santos Carapatoso. Dois Migues aqui na mesa.
Só muito rapidamente.
Também tens de voltar atrás.
Não, prometo que não. Só porque o Rui Moreira, para dar uma nota, estava agora a pesquisar isso mesmo, tinha essa ideia, mas não tinha a certeza, Rui Moreira conseguiu perder a maioria absoluta no terceiro mandato. Portanto, quando falamos da avaliação que se faz de Rui Moreira e o sentimento que existirá nos eleitores do Porto, talvez isto seja-
Ele ganharia esta corrida?
Talvez, não sei. É um incumbente e terá sempre essa vantagem, mas um presidente da Câmara perder a maioria absoluta no terceiro mandato é algo muito-
Sim, não é habitual.
Não é habitual.
Repara, não há um único candidato.
Mas eu estou mal lembrado, o Cruz Abecasis aconteceu-lhe o mesmo.
Mas tirando a esquerda, não há um único candidato que se apresente contra a herança de Rui Moreira. Aliás, todos eles querem ser os herdeiros de Rui Moreira. Eu acho que isso mostra um bocadinho o que as pessoas pensarão.
Todos eles estão um pouquinho ligados àquilo, não é?
Está bem, mas Manuel Pizarro podia dizer: "Enquanto eu lá estive, foi ótimo e depois foi um descalabro". Não, ele teve muito cuidado, foi vagamente crítico. Pedro Duarte seguramente quer aparecer como alguém na área de Rui Moreira. Filipe Araújo, nem se fala. E o próprio Miguel Corte-Real não aparece como um grande opositor de Rui Moreira. Acho que isso nos dá algumas pistas.
É o candidato do Rui Rio.
O Rui Rio tentou inventar muitos candidatos, acabou por ser este. Manuel Pizarro, 15; Pedro Duarte, 13; Filipe Araújo e Corte-Real, 12; Sérgio Aires, 8; e Diana Ferreira, 10.
Miguel Pinheiro, tens notas também?
Sim, mas antes disso, muito rapidamente. Nós vamos chegar ao fim disto e a uma conclusão. O Metrobús ou o Metrobus, Metrobús para a esquerda, Metrobus para quem é mais de direita, acho que também percebemos isto nestes debates. Mas enfim, o Metrobús ou o Metrobus não foi ideia de ninguém. Não foi ideia de ninguém. Ninguém teve a ideia. Ninguém decidiu gastar 80 milhões de euros. Não foi ninguém. Houve um engenheiro qualquer, maluco, que pôs aquilo e começou a fazer obras sozinho. Portanto, ninguém tem nada a ver com isto. Eu tenho pena de, no final disto tudo, não sabermos quem é que devemos culpar, se acharmos que aquilo tivesse sido uma má ideia. Foi Deus. Deus desceu ao Porto e pôs lá o Metrobús ou o Metrobus. Consoante Deus seja de direita ou de esquerda. Em relação ao resto, Manuel Pizarro, 11; Miguel Corte-Real, 10, só porque não sei no que isto vai dar. Genuinamente não sei mesmo no que isto vai dar, se o eleitorado do Chega se vai mobilizar ou não. Pedro Duarte, 8. Ele precisa de dar a volta a isto, senão não vai lá. Filipe Araújo, um sete pelo esforço. Sérgio Aires, seis, porque apesar de tudo tem graça. E Diana Ferreira, cinco, porque terá o seu eleitorado, vamos ver. Ela diz que a CDU está desde 76. O PCP está desde 76 na Câmara, vamos ver se se mantém.
Continua. Pedro.
Vou de trás pra frente. Não vou voltar atrás, mas vou de trás pra frente. Vou dar um três a Sérgio Aires. Esteve muito pior do que no debate da SIC, isto não lhe correu bem. Não sei se é enfado ou se é excesso de confiança. Esta coisa da medicação não lhe correu de facto bem. À candidata da CDU vou dar um cinco. Pronto, é cassete, não há nada aqui de extraordinário, nem surpreendente. É o que é. A Araújo vou dar um oito. Caramba, então estamos todos de acordo que não devia haver Metrobús, que aquilo é tudo um disparate.
Dizes Metrobús?
Metrobús. Isto é linha amarela.
Esquerda.
Pronto, ok.
O espanhol é que pronuncia tudo Metrobús.
Quem esteve na Câmara foi ele. Destes candidatos é o que esteve lá nestes últimos anos e permitiu que isto acontecesse na cidade. Não é responsabilidade da Câmara do Porto, já sabemos, é o governo e tal, mas isto foi feito na cidade e, portanto, ele é cúmplice disto. Pelo contrário, Corte-Real pareceu-me o mais eficaz a destruir este disparate do Metrobús. Pedro Duarte vou dar um 11, apesar de tudo, é o único outro que tem a hipótese de ser eleito presidente da Câmara, como Manuel Pizarro, mas está muito para trás e desperdiçou de facto aqui a oportunidade. E Pizarro, 14, porque não comprometeu. Não fez nenhum erro grave que o tenha comprometido as suas aspirações.
José Manuel, queres dar notas apesar dessa tua dificuldade em avaliar?
Sim, ia fazer já tudo. Dito isto, não volto atrás, mas dou notas. Dou quatro aos dois candidatos mais à esquerda, quer o do Bloco, quer o do PCP, porque de facto é a mesma graça do Bloco. Sérgio Aires não me pareceu que colasse. Filipe Araújo vou dar um oito. Miguel Corte-Real vou dar um 11. Apesar de tudo, teve um discurso surpreendente para o Chega, que é capaz de segurar um eleitorado que fará muita falta a Pedro Duarte. Pedro Duarte fica com 10, que é muito insuficiente e vou dar 14 ao Manuel Pizarro.
E fica claro neste "O Venceré" que Manuel Pizarro é o vencedor deste debate que transmitimos aqui em direto na Rádio Observador, entre as 21:00 e as 22:30. O "O Venceré" que está de regresso mais logo na edição alargada, na tarde política depois das 18:00.