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Há notas de 0 a 20 para dar no "E o Vencedor É?" nesta edição de sábado nas manhãs 360 de fim de semana. Juntam-se a nós a Mafalda Pratas, cientista política e colunista do Observador, e ainda o Henrique Borné, analista de assuntos europeus. A moderação é do Luís Soares.

E hoje com temas internacionais a marcar as escolhas da Mafalda Pratas e também do Henrique Borné. Bem-vindos a este "E o Vencedor É?" Começando pelo acordo de paz alcançado entre Israel e o Hamas. Mafalda, como é que avalias este acordo e também a intervenção que o Donald Trump teve nele?

Sim, bom dia. Acho que tudo indica que o cessar-fogo no Medio Oriente entre Israel e a Palestina, Gaza, será obviamente cumprido e os reféns israelitas ainda vivos e também os corpos dos reféns mortos serão entregues a Israel em troca de vários prisioneiros palestinianos. Isto é, evidentemente, uma coisa boa, na medida em que os ataques militares e os bombardeamentos param, e também na medida em que a ajuda humanitária necessária já começou a entrar em Gaza. Naturalmente, há muitas coisas ainda que ficam no ar após este cessar-fogo, porque este cessar-fogo não tem propriamente, de forma muito clara, pelo menos que seja público, o que irá ser feito agora depois do cessar-fogo se dar e depois desta primeira fase em que os reféns e há esta troca entre prisioneiros palestinianos e reféns israelitas. O que eu quero dizer com isto? Quero dizer que não há propriamente um plano sobre como é que se vai desarmar o Hamas. Netanyahu afirmou que a próxima fase a seguir a esta fase será o desarmamento do Hamas, que ele, e passo a citar, disse: "Será feito ou pela via fácil ou pela via difícil". Portanto, um bocadinho dizer a bem ou a mal, mas ninguém sabe muito bem o que significa este desarmar o Hamas a mal. Obviamente que há uma retirada de tropas israelitas de grande parte do território de Gaza, mas em grande parte do território continua a haver uma presença israelita militar e também ninguém sabe muito bem como será feito, não só o desarmamento do Hamas, mas o que eles chamam a desmilitarização da faixa de Gaza. E claro, ainda menos, não há nenhuma esperança, acho eu. Acho que ninguém tem propriamente uma ilusão de que há aqui um plano para uma solução para um Estado palestiniano. E talvez isso não fosse possível neste momento. Também é preciso dizer isso, eu acho que esta solução. Por quê? Porque a verdade é que ao fim destes dois anos de guerra, o Hamas e as lideranças do Hamas foram basicamente eliminadas. Mas também as lideranças do Hezbollah foram eliminadas. As elites iranianas também estão muito enfraquecidas e os aliados de Donald Trump na região, nomeadamente Donald Trump dos Estados Unidos, nomeadamente o Qatar, o Egito e a Turquia, estão a fazer pressão sobre o lado palestiniano e querem, no fundo, resolver este conflito da maneira mais rápida e não problemática possível. E, portanto, é evidente que eu acho que este acordo é, evidentemente, uma coisa positiva e foi uma vitória de Donald Trump. E eu creio aqui que uma administração de um presidente mais mainstream ou com um estilo e um modo de ação mais moderada, provavelmente teria mais dificuldade em conseguir este acordo. Por quê? Porque, por um lado, Donald Trump conseguiu pressionar Netanyahu e fica um bocadinho no ar a ideia de que Donald Trump forçou Netanyahu a aceitar este acordo e, por outro lado, porque países como o Qatar e a Turquia têm uma vontade extrema de fazer negócios múltiplos com os Estados Unidos, quer negócios no sentido monetário, quer no sentido militar e de defesa. Já foram também anunciados, por exemplo, planos para que a Força Aérea do Qatar tenha direito a um lugar em bases norte-americanas, etc. E, portanto, há um desejo destes outros países do Medio Oriente de fazer acordos com a administração Trump. E, portanto, ele consegue esta vitória que muito provavelmente, não digo só apenas um democrata, mas digo também um republicano mais mainstream ou mais clássico, provavelmente não teria conseguido. Agora, claro que fica aqui também no ar um bocadinho, para o conflito imediato e os reféns são entregues, mas ninguém sabe muito bem o que vai acontecer daqui para frente. Eu acho que nos próximos meses, o Hamas está tão enfraquecido do ponto de vista militar e estratégico que provavelmente não vai acontecer nada. Mas claro que fica sempre um bocadinho no ar a ideia de que esta guerra foi tão forte que provavelmente o conflito irá reemergir daqui a uns anos. E, portanto, eu vou dar obviamente uma nota bastante positiva à administração Trump e ao acordo de paz, nomeadamente também aos governos da Turquia, Egito, Arábia Saudita e Qatar, que conseguiram forçar este acordo de paz. E vou dar um 16, não dou mais porque, de facto, acho que fica muito no ar ainda e porque, isto está ligado aos meus outros temas, porque eu acho que tudo isto deve ser pesado em relação ao resto da ação dos vários países e dos vários atores.

E já vamos falar sobre isso, até porque o Henrique também quer falar sobre este acordo de paz entre Israel e o Hamas. Henrique, agora é a parte mais fácil, digamos assim, o problema será ou poderá vir mais tarde?

Bom dia, Luís. Bom dia, Mafalda. Bom, de qualquer maneira, a parte mais fácil não foi nada fácil, porque foi muito difícil até chegarmos aqui e foi um tempo difícil