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Na quarta-feira, a jornalista Mariana Lima Cunha ligou a João Ferreira.
Estou?
Estou sim. Alô, boa noite.
Sim.
É a Mariana do Observador. Como está?
Viva, Mariana.
A conversa com o candidato da CDU a Lisboa acontece para lá das 22h.
Costuma ter muitas chamadas assim ao fim do dia ou já consegue descansar?
Algumas, nestes dias atribulados não dão para fazer durante o dia, têm que ficar para o fim do dia. Mas agora o que me atrapalhou foram que ia uns afazeres domésticos.
Quando chega a casa costuma conseguir pôr-se a par dos telejornais, das peças, do que aconteceu durante o dia nas outras campanhas, também?
Nem sempre. Nos últimos dias tem sido particularmente difícil, com a agenda mais intensa. Quando chego a casa, normalmente tarde, há sempre um conjunto de afazeres que não me permitem ficar agarrado às-
Estás a fazer os domésticos
Dois em particular que me dão água pela barba.
Eu ia-lhe perguntar: sente grandes diferenças entre as duas campanhas? Sendo certo que a última aconteceu quando estávamos em pico da pandemia. Aqui já é um bocadinho diferente.
E a Mariana também esteve numa e noutra. Não sei qual é a ideia que tem, mas eu acho-as muito diferentes. Há uma distensão e uma disponibilidade para o contacto, para a conversa, que em janeiro não se verificava. As coisas estavam muito mais limitadas desse ponto de vista. Felizmente, agora nós conseguimos a conversa, o tirar dúvidas.
Gosta dessa parte? Raramente desiste, mesmo que seja um debate na rua, raramente desiste de um.
Sim, eu acho que devo isso às pessoas. Se alguém me coloca questões ou se alguém me confronta com questões, acho que espera também uma resposta da minha parte. Mais do que um estender de um papel e um virar de costas.
Ou de uma caneta.
Canetas não temos.
Volta e meia pedem-lhe canetas na rua.
É verdade. Volta e meia pedem-me canetas, mas é um pedido a que não posso corresponder.
Isso não é.
Só temos mesmo folhetos.
Ali na campanha do lado, Fernando Medina. É uma campanha em que praticamente não se fala dos partidos da esquerda. Acha que isto é uma estratégia para tentar anular a perceção de que há mais partidos à esquerda em quem votar, uma estratégia de bipolarização?
Não faço ideia, nem sinceramente ocupo o meu espírito com reflexões dessa ordem. Eu acho que sob vários pontos de vista, não se sentiu nos últimos anos que o PS tivesse perdido a maioria absoluta. Houve um comodismo na governação, uma insistência nalgumas políticas erradas que vinham de trás, que o PS pôde continuar a levar à prática com algum conforto.
Certo. No início da campanha ouvimo-lo dizer muitas vezes que queria assumir responsabilidades diretas no governo da cidade e depois ouvimos Jerónimo de Sousa dizer que não queria coligações ou acordos formais pós-eleitorais. Há aqui ou não um desacerto de mensagem? Acha que isto esclarece os eleitores de esquerda sobre em quem é que devem confiar?
Vamos ver. Não há desacerto nenhum. A CDU quer ter responsabilidades no governo da cidade e tem capacidades para isso. Tem vindo a demonstrar ao longo destas semanas. Quanto mais força tivermos, quanto mais eleitos tivermos, mais próximo estaremos de poder ter essas responsabilidades diretas.
A jornalista Mariana Lima Cunha à conversa com João Ferreira, o candidato da CDU a Lisboa.
Bom trabalho e bom descanso.
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