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Junta-se a nós em direto ao telefone também de Paris, Hermano Sanches Ruivo, é vereador português na Câmara de Paris. Muito boa noite, obrigado por se juntar também a nós em direto. Hermano Sanches Ruivo, sabemos que à Frente Nacional é projetada uma vitória nesta primeira volta. De que forma é que estes resultados estão a ser recebidos? Com que impacto é que estão a ser recebidos aí em França e em Paris?

A questão já não estava em saber se o Rassemblement National podia chegar e podia ganhar as eleições. Ganharam as eleições hoje. E de facto, o Vítor disse, embora eu acho que o caso a caso vai ser fundamentalmente importante e analisar e ver como é que a pressão em cada uma dessas 577 circunscrições a elegerem os deputados, realmente as coisas vão acontecer. Portanto, não é tanto a questão da vitória, era mais saber se por trás havia realmente um reforço dessa esquerda, que embora multifacetada, não deixa de ser uma realidade. A esquerda e o agrupamento dessas forças está a dar resultado, é uma confirmação da mesma forma que os resultados deram para as eleições europeias. E, portanto, toda a problemática num jogo muito difícil de compreender, embora eu acho que esteja cada vez mais claro por parte do président Macron, é de saber se um país como a França, que é governado tradicionalmente ao centro, vai conseguir encontrar suficientemente força, não só para lutar contra uma maioria absoluta da extrema-direita, o que nesta altura é pura e simplesmente possível. E de resto, muitos dos estudos, daqueles que não saem precisamente para fora e que já fazem uma projeção sobre essa possibilidade das triangulares que vão acontecer e que vão ser um dos dados mais importantes desta semana. Onde é que há triangulares, até pode haver quadrangulares, e qual a decisão para cada uma delas. E bem, muitas dessas projeções fazem chegar a Frente Nacional, o Rassemblement National, aos 289 deputados que constituem a maioria absoluta. Portanto, essa capacidade da sociedade compreender que mesmo com atitudes como a do Jean-Luc Mélenchon, que atualmente é a principal fraqueza dessa Frente Popular, o homem é o que é. No entanto, uma grande parte da população não quer justamente esses extremismos. E aí é que a nossa situação é das mais paradoxais, porque, de facto, a normalização do Rassemblement National, a normalização dessa extrema-direita foi, de uma certa forma, ou está, de uma certa forma, a ser plenamente conseguida. E as palavras da Marine Le Pen, as palavras do Jordan Bardella hoje à noite, foram exatamente as que devem ser pronunciadas para continuar a normalizar um partido que é de extrema-direita, que é antissemita, que é anti-imigração, utilizando palavras como: "Nós é que somos a segurança, nós é que somos o social, nós é que somos o futuro para uma França que pode vir a recuperar espaço." Lembremo-nos, no entanto, que a França não poderá vir a ganhar espaço se não tiver uma ligação forte e uma dinamização forte no seio da União Europeia, que é justamente um dos pontos em que o Rassemblement National não concorda. Portanto, para responder à sua pergunta, a situação hoje à noite é relativamente clara sobre as percentagens, mas entre hoje e sobretudo terça-feira, no fim da terça-feira, quando os diferentes candidatos, aqueles que podem passar para a segunda volta, vão confirmar se o fazem ou não, e portanto apelar ou não a outro tipo de volta, é que nós queremos com muito mais visibilidade uma última palavra, se calhar. Nesta altura, como no dia 7, com mais ou menos força, a imagem da França fica profundamente enfraquecida. E isso é um problema para nós todos, inclusive para os portugueses a viverem em França. E muitos daqueles que pensaram e que até podem ter votado, franceses de origem portuguesa, pela extrema-direita, porque pensam que a imigração não é com eles, que os problemas ou as limitações binacionais, não é com eles. Sim, também é com eles, porque se não for diretamente, é indiretamente. E no indiretamente está claramente como é que uma parte do programa da extrema-direita francesa não tem viabilidade, como de resto não tem nenhum programa das extremas-direitas em qualquer país onde são implementadas. E aí é que se vê depois como é que alguns aguentam mais ou menos tempo, Viktor Orbán, Meloni na Itália, mas de facto, é outro risco que se corre, é que essa normalização possa dar uma visão num espaço de tempo relativamente curto, que depois, infelizmente, por X razões, e não posso dizer o que será o futuro, mas posso imaginar como já aconteceu muitas vezes, que claramente o resultado não será aquele que corresponde às promessas que foram feitas. E portanto, aí é que está uma grande parte da problemática para a França, que perdeu espaços, que continua a perder espaços e que no ano em que recebe os Jogos Olímpicos, todos colocam a pergunta: qual é o poder ainda do presidente Macron? A não ser que estamos num sistema presidencialista forte e, portanto, ele mesmo numa coabitação com o primeiro-ministro da extrema-direita, poderá fazer alguma coisa e poderá até preparar uma espécie de reequilíbrio. Mas nesta hora apenas podemos, pelo menos para aqueles que têm essa visão sobre a união republicana, é de lutar contra os extremos. Os extremos, para nós, da extrema-direita.

E Hermano Sanches Ruivo, as projeções e os resultados que conhecemos dão a União Nacional à frente, isso é claro nos números, e sabemos que Jordan Bardella é o nome proposto para primeiro-ministro. O nome que a Frente Popular de Esquerda venha a manifestar ou a dar conta de que poderá ser o candidato a primeiro-ministro deste lado da barricada, digamos assim, pode também fazer a diferença para a segunda volta destas eleições?

Claramente sim, porque já é uma das razões pelo resultado desta primeira volta. Eu tenho a certeza que se a Frente Popular tivesse indicado um candidato a primeiro-ministro que não fosse o Mélenchon, claramente que não fosse o Mélenchon, e além disso que também tivesse alguma capacidade, é o que podemos esperar do Bompard, eu acho que uma parte do eleitorado não teria esse sentimento que há um risco bom. Portanto, é uma das grandes apostas nesses dias que vêm e provavelmente até à última hora antes do voto, é não só afirmar alguns pontos onde a diferença com a extrema-direita é fundamental, é forte, é preciso ir sobre o terreno deles e combater, cortar a relva por baixo dos pés, porque há dados, há informações, há promessas que são claramente impossíveis de realizar, mas depois também tranquilizar sobre nós temos uma capacidade, somos partidos que já participamos de alguma forma numa governação, mas quem é que nos poderá representar? E isso é claramente uma das, se não a principal fraqueza que eu também sinto nesta semana para ficar resolvida.