Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Rádio Observador, emissão especial para acompanhar os efeitos do mau tempo das últimas horas. Vanessa Cruz. Temos nesta altura connosco o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta.
Obrigada por estar connosco, Basílio Horta, nesta emissão especial da Rádio Observador. Vamos começar por um ponto de situação daquilo que se passa em Sintra. Em Lisboa, para lhe dar conta, parou entretanto de chover, finalmente, não sei até quando, mas parou. Como é que está a situação por aí? Consegue traçar-nos também aqui um retrato dos estragos até agora?
Com certeza. Antes de mais nada, muito boa tarde. Muito obrigado pelo vosso interesse. Aqui está a chover, não muito, mas ainda está a chover alguma coisa. Ora bem, a situação que estamos a viver hoje é uma situação pior do que aquela que vivemos na semana passada, entre quarta e quinta-feira. Neste momento estamos com 415 ocorrências. Felizmente, nenhuma delas tem a ver com problemas ligados às pessoas. Ou seja, não temos pessoas em risco, nem pessoas que foram atingidas pela situação que estamos a viver, o que é muito bom, porque isso já é bastante bom. Agora, obviamente, que temos aqui situações graves que têm que ser, e que estão a ser controladas. Nesta altura, temos no terreno 822 operacionais, ou seja, serviços da Câmara, serviços das Juntas de Freguesia, os bombeiros, as forças de segurança. Temos 371 viaturas e para estas mulheres e para os homens que estão neste momento no terreno, é devida uma palavra de reconhecimento, porque realmente tem sido um trabalho notável que têm vindo a desenvolver a favor das comunidades. O nosso serviço de proteção civil aberto 24 horas sobre 24. Ou seja, em termos de prevenção, as coisas estão sob controle. Quero dizer que encerramos o acesso à serra.
Ia precisamente falar-lhe nisso, Basílio Horta. O perímetro florestal da Serra de Sintra está encerrado precisamente por causa desta questão do mau tempo. Sei que o senhor andou por lá. Que cenário é que pode descrever-nos?
É o seguinte, é que há muitas árvores caídas, ou seja, e há terra que se desprendeu, não só na serra, como nos acessos à serra. Caso, por exemplo, da Estrada de Monserrate e outras estradas. Era importante encerrar imediatamente a serra, os acessos e também o Parque da Liberdade, os parques públicos todos e também os monumentos. Por quê? Por causa dos acessos. E volto a dizer, para evitar desprendimento de terras e queda de árvores. Isso é fundamental. Nesta altura, as coisas estão sob controle, volto a dizer, há três escolas que foram encerradas. Estamos em ligação permanente com os agrupamentos de escolas. Quando os agrupamentos entendem que não há condições, as escolas têm de fechar imediatamente. Tudo aquilo que tem a ver ao que pode acarretar risco para as pessoas e para as famílias, é evidente que tudo isso está a ser monitorizado, encerrado ou acompanhado.
Mas hoje houve muitas escolas a fechar em Sintra, Basílio Horta.
Três escolas. É muito pouco no conjunto de escolas que temos em Sintra, que eu creio que é o maior do país. Nós temos aqui um conjunto de escolas, três, mas podem vir a fechar mais.
Mas deixe-me perguntar-lhe se foi uma decisão que ficou à descrição dos diretores de escolas.
Não, porque são parecer dos diretores dos agrupamentos. Ora, é evidente que um parecer do diretor do agrupamento tem uma enorme força, não é?
Claro.
Porque são eles que têm o contacto direto com a realidade.
Parecia-lhe mais seguro que o Ministério da Educação tivesse dado uma ordem mais concreta em relação a este tema?
Eu não posso falar pelo Ministério da Educação e não me compete a mim fazer apreciações de outras entidades que não aquela que eu dirijo. Portanto, se me permite, não direi nada.
Claro. Falemos então de instituições que lhe pertencem, que pertencem à Câmara. Por exemplo, os monumentos, o Palácio da Pena.
Estão todos fechados. Está a Regaleira fechada, está a Pena, está Monserrate, estão Os Capuchos, está o Palácio da Vila e está Queluz. Portanto, estão fechados. É evidente que qual é o risco? O risco é o acesso a estes monumentos. Ou seja, as pessoas para irem a esses monumentos, têm que andar nas estradas e quando andam nas estradas, podem correr riscos. Podem correr riscos de inundações súbitas, pode haver desprendimento de terras, pode haver uma árvore que cai. E isso nós temos que evitar a todo o custo. Pelo menos até amanhã às zero horas, isto será mantido. O Parque da Liberdade está pensado abrir quinta-feira. Vamos ver. Se tudo correr ou se tudo voltar à normalidade possível, nós quinta-feira retomaremos a nossa vida normal.
O acesso ao IC19 para Rio de Mouro estava cortado, entretanto, já reabriu?
Eu creio que já reabriu o acesso para Rio de Mouro. Eu creio que sim. Eu creio que esteve cortado amanhã, mas creio que já deve ter reaberto. Não sei.
Basílio Horta, há muitas pessoas, muitos milhares de pessoas que se deslocam diariamente entre Lisboa e Sintra, através de comboio. Qual é o ponto de situação que faz neste momento?
Neste momento, as pessoas estão a ter grandes dificuldades. Estão a ter grandes dificuldades em aceder a Sintra e por isso é que é necessário, hoje, as pessoas não saírem, não se deslocarem fora de Sintra. Dentro de Sintra, ainda é possível, com todos os cuidados, mas ainda as pessoas poderão fazer a sua vida. Para se deslocarem para fora de Sintra, têm que ter cuidado, não têm meios de transporte públicos.
E estava aqui a colocar esse horizonte temporal das 10h da manhã de amanhã. Enquanto autarca, aconselha as pessoas a que se mantenham em casa, pelo menos até essa hora amanhã?
Sim, eu acho que temos que ver, nós temos que monitorizar o que está a acontecer permanentemente. Os nossos serviços de proteção civil é o que estão a fazer. Quero lhe dizer que nós concentrámos Todas as iniciativas são concentradas no Serviço de Proteção Civil, que dão instruções a todos os serviços da Câmara. Todos. Nós estamos a atuar a uma só voz e estamos a atuar sobre o território no momento em que está a acontecer. Temos que ver se as coisas melhorarem e se amanhã houver condições, nós seremos os primeiros a aliviar essas condições. Agora, obviamente, como dizem muito bem, temos que estar em contacto com a REFER, temos que estar em contacto com as entidades que prestam serviços públicos, sem os quais nós não podemos fazer nada, como é imaginável. Por quê? Porque nós não dependemos só de nós, dependemos do que acontece na Amadora, do que acontece em Oeiras, do que acontece em Cascais, dependemos de tudo o que acontece nos conselhos periféricos em relação a Sintra.
Há esta realidade muito volátil e pessoas que cruzam vários conselhos, daí essa articulação de que falava. Basílio Horta, António Costa acaba de dizer no Parlamento que vai ponderar ajudas europeias depois de ser feito o devido levantamento dos prejuízos destas cheias, e isto a nível nacional. Acredita que esse apoio vai mesmo chegar e a tempo?
Espero que sim, espero que esse apoio chegue a tempo. Mas antes desse apoio, nós próprios, a Câmara, como fizemos aliás no Covid, estamos a fazer o levantamento de situações que existam, que careçam de apoio, e nós próprios, com o nosso fundo de emergência, poderemos responder a necessidades imediatas. Esse levantamento será feito. Nós, quando houve o Covid, como é sabido, todos os restaurantes de Sintra e todos os comércios de Sintra receberam outros 1.500€, no mínimo, em função dos trabalhadores que tinham. Estamos preparados para uma ação solidária, assim que ela se mostre necessária e convenientemente levantada, ou seja, identificada. Para além, obviamente, do apoio que vem do Estado, que é sempre bem-vindo. Há um apoio que vem do Estado, vai haver uma inscrição que será feita e que nós tomaremos a liberdade de fazer as inscrições das entidades que são prejudicadas e que sofreram prejuízos. Mas para além disso, a Câmara está atenta e intervirá imediatamente, logo que tal se mostre necessário, porque temos o fundo de emergência, que já está dotado com cerca de € 3 milhões, e está pronto. Esse fundo de emergência destina-se a pagar rendas de casa, a pagar prestações de casas que não podem ser pagas e a comprar medicamentos. É este o objetivo do fundo de emergência. E está aberto imediatamente a apoiar casos de urgência que se mostrem necessários.
Portanto, há esse fundo de maneio e não vai estar à espera do governo.
Não estaremos à espera, embora, obviamente, estaremos à espera, mas no tempo em que não estamos à espera. Ou seja, pode haver necessidades urgentes que nós temos que responder imediatamente.
Agradeço-lhe, Basílio Horta, por ter participado nesta emissão especial do Observador. Muito obrigada e bom trabalho. O autarca de Sintra esteve aqui a dar conta daquilo que está fechado, o perímetro florestal da serra de Sintra está encerrado, monumentos encerrados. Também aqui um pedido à população para que até amanhã de manhã, se possível, fique em casa. E aqui a dar conta de que não vai esperar pelo governo, tem dinheiro para fazer face a esta ajuda imediata de que as populações precisam, não havendo, pelo menos até agora, desalojados a registar.