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Miguel Santos Carrapatoso, editor adjunto de política, ligou a Carlos Moedas.

Boa noite.

Sim, boa noite, Carlos Moedas.

Então Miguel, está bom?

Tudo bem.

O candidato do centro-direita descreve as últimas horas.

Fui buscar a minha filha ao aeroporto.

Quando é que veio?

Ela está a estudar em Inglaterra, mas agora está a fazer um estágio em França e veio para votar. Então fui buscá-la.

Para o acompanhar nos últimos dias de campanha.

Exatamente.

O que costuma fazer quando termina o dia? Tenho essa curiosidade.

Para descontrair, normalmente gosto de me sentar e de ver uma pequena série, não costumo ver uma coisa muito longa.

Ainda vê.

Uma série americana que se chama "The Chair", que é uma história numa universidade, entre professores universitários numa universidade americana e essas dinâmicas que tenho visto. Depois vi também aquele documentário extraordinário sobre o 11 de setembro.

Miguel Santos Carrapatoso e Carlos Moedas falaram ao telefone três vezes em três noites. Carlos Moedas não evitou a análise aos pontos fracos da campanha.

Tenho que perguntar. Obviamente, a campanha teve aspetos positivos e negativos. Se pudesses escolher, e queria toda a sinceridade, qual foi o aspeto mais negativo nesta sua campanha? O que acha que correu menos bem?

O que correu menos bem? É difícil dizer. Eu acho que ao princípio havia pouca cobertura mediática e, de certa forma, eu pensei que teríamos mais cobertura mediática. Portanto, eu acho que isso não correu bem, no sentido que não tive a cobertura que estava à espera e eu precisava dessa cobertura mediática, porque tinha menor notoriedade do que o meu concorrente. Depois, acho que realmente o comentário político estava visto muito no ângulo de que se eu era ou não um político como os outros. E as análises que se faziam era sempre: "bom, então se ele não fez isto ou se ele não teve esta atitude, não é bom". Em vez de analisar de uma maneira diferente.

Mais ao debate, até.

Por exemplo, ao debate e a outros comentários que foram saindo. Não sei, veremos se isso foi um problema ou não no domingo.

Vem aí uma luta interna no PSD. Hoje, na altura em que falamos, Pinto Luz e Paulo Rangel estiveram em Odivelas numa ação de apoio a Marco Pina, candidato do PSD Odivelas. Já sabe se vai querer intrometer-se nesta luta ou não?

Com toda a sinceridade, eu era incapaz de responder qualquer coisa desse género no momento em que estou. Eu prometo que se quiser para a semana, tenho convicção que vou ganhar, mas seja o que for, mas se quiser para a semana respondo isso com sinceridade. Mas eu agora, Miguel, mesmo que eu quisesse te dizer, estou tão cansado e com tanta coisa na cabeça, que isto é uma coisa que está para mim muito longe. Portanto, qualquer resposta que eu desse, por mais sincera que eu quisesse que ela fosse, não era uma boa resposta. Mas aqui o intuito é Lisboa, eu vejo aqui muita dificuldade na minha cabeça de outras lutas. A minha luta é Lisboa, imagine o que é meter-se numa coisa durante sete meses, só a lutar por essa coisa. E agora o Miguel diz: "Então e agora não quer ir para a esquerda ou para a direita?" Isso está tão fora do meu radar, que eu nem conseguia responder à pergunta, mesmo com sinceridade, não é para estar aqui a fazer género político ou não querer responder.

O editor adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso, e um excerto de uma conversa feita ao longo de três noites ao telefone com Carlos Moedas, candidato a Lisboa pela coligação Novos Tempos.

Obrigado, Miguel. Obrigado.

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