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Muito obrigado, Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Deputado André Ventura. Evidentemente que não cabe ao Primeiro-Ministro de Portugal fazer uma análise sobre aquilo que são as decisões e as consequências das decisões dos seus colegas que lideram os governos pela União Europeia. Mas já agora, Sr. Deputado, convém só lembrar-lhe que o nível de ajuda de medidas adotadas pelo Governo de Portugal excede, em termos relativos, por exemplo, aquilo que acontece com as medidas do Governo italiano. É apenas só para uma curiosidade para o Sr. Deputado poder fazer uma apreciação, que não é direta, é relativa àquilo que é a dimensão de cada um dos países. Eu posso materializar, se quiser compreender. Em Itália, o conjunto das medidas adotadas pelo Governo é de cerca de 750 milhões de euros por mês, em Portugal é de 150 milhões de euros por mês. Atendendo à dimensão das respectivas economias, o peso relativo das decisões dos governos é superior em Portugal face àquilo que é em Itália. É só para o Sr. Deputado contextualizar as análises que faz, é só para o ajudar a fazer isso. Atenção que isto não tem nenhum juízo sobre a minha opinião, que não interessa, sobre aquilo que são as diretrizes, os fundamentos, os objetivos de cada governo. Eu tenho todo o respeito por aquilo que fazem os meus colegas e sei que eles têm todo o respeito por aquilo que eu faço. E já agora, Sr. Deputado, é a segunda vez num espaço de pouco tempo que invoca o exemplo de decisões do Governo de Espanha. Eu apenas posso recomendar ao Sr. Deputado que aproveite os seus encontros bilaterais com o Sr. Abascal e possa com ele fazer uma análise sobre as políticas desenhadas pelo Governo de Espanha. Creio que vai ter um debate muito complicado com o Sr. Abascal, mas isso é um problema que o Sr. Deputado enfrentará na sua família política. Sr. Deputado, eu devo dizer o seguinte: nós, em Portugal, guiamo-nos por aquilo que é mais favorável, importante e adequado à realidade de Portugal, aos nossos objetivos, aos nossos desafios, à proteção daquilo que está a acontecer agora e à proteção daquilo que pode vir a acontecer amanhã. Sr. Deputado, nós fomos o primeiro governo na Europa a decidir uma descida de um imposto, no caso o ISP, para compensar precisamente o aumento do preço dos combustíveis, ainda antes do aumento do preço se ter materializado. Sr. Deputado, nós temos hoje vigente um desconto por parte do Estado nos combustíveis em Portugal, de forma generalizada, que é de 21.65 cêntimos no gasóleo e de 19.92 cêntimos na gasolina. Evidentemente, incorporando aquilo que era o desconto antecedente, que ainda não foi eliminado, com aquilo que nós decidimos, porque se formos apenas à decisão deste governo, desde março, nós temos um desconto de 10,26 cêntimos no gasóleo e de 5,64 na gasolina. Em cima disto, decidimos um desconto adicional para o setor dos transportes de mercadorias e de passageiros de mais 10 cêntimos por litro. E, Sr. Deputado, não deixando, aliás, foi uma preocupação que o Sr. Deputado aqui manifestou num dos últimos debates, não deixando de fora um regime também mais favorável para as associações humanitárias de bombeiros, para o setor social. Nós temos um mecanismo extraordinário que vamos reforçar, já lhe direi como, Sr. Deputado. Mas temos o reforço também da ajuda do Estado na botija de gás, a botija de gás solidária. Temos medidas que representam um valor mensal, como lhe disse há pouco, de 150 milhões de euros, que é equivalente a muitos Estados membros da União Europeia, mas repito, cada um tem a sua realidade. Nós temos a nossa preocupação. Eu não estou a medir esse nível de preocupação que, naturalmente, cada um dos meus colegas na União Europeia mede em função da sua realidade. Nós lançamos uma linha de apoio de 600 milhões de euros para as empresas que têm maior impacto no consumo de energia no seu sistema produtivo. E vou lhe dizer, Sr. Deputado, amanhã mesmo o Conselho de Ministros vai reforçar estes apoios. Os Srs. Deputados reclamam apoio e quando o governo quer anunciar, os Srs. Deputados sorriem. Ah, é verdade, Sr. Deputado, hoje é quarta-feira. Tínhamos esquecido desse detalhe. O Sr. Deputado convive mal com a circunstância destes debates serem à quarta e o Conselho de Ministros ser à quinta. Pronto, é o que é. Para que não haja dúvidas, nós temos decidido todas as semanas. Esta linha de 600 milhões de euros para as empresas que têm uma maior necessidade do consumo de energia para o seu sistema produtivo foi decidida semana passada, não havia debate na Assembleia da República. Mas amanhã, Sr. Deputado, nós vamos decidir um adiamento do pagamento das contribuições para a Segurança Social devidas em abril, em maio e em junho, portanto, três meses, para o setor do transporte de mercadorias. Primeira decisão. Segunda decisão, vamos solicitar à Comissão Europeia a derrogação da diretiva que impõe um limite de auxílios de Estado de 300 mil euros por empresa para precisamente podermos ter descontos adicionais no âmbito da política fiscal de formação do preço dos combustíveis.E vamos decidir, terceira medida, um programa de apoio de 30 milhões de euros para veículos de transporte de mercadorias por conta de outrem e para veículos de transporte coletivo de passageiros afetos a obrigações de serviço público, pagos de uma só vez. Neste caso, do transporte de passageiros, é um programa de apoio de 10 milhões de euros. Portanto, senhor deputado, eu quero lhe dizer, em suma, que nós estamos atentos àquilo que são as consequências do aumento dos preços e àquilo que é o aumento do custo de vida. É por isso que eu vou recordar aqui ter finanças públicas equilibradas, como temos tido dois superávits seguido, ter um crescimento econômico superior à média da União Europeia e da zona euro, ter carreiras na administração pública com maior valorização salarial, ter o aumento dos salários, do salário mínimo, mas também do salário médio, de uma forma transversal na nossa economia, são os alicerces para podermos estar preparados agora para, de forma equilibrada, ponderada, tomar as medidas que são necessárias no tempo e na forma que é mais conveniente ao interesse do país de continuar a ser competitivo e continuar a ser uma referência de estabilidade, nomeadamente estabilidade econômica e estabilidade financeira. O senhor deputado muitas vezes diaboliza e com alguma razão, embora muitas vezes, enfim, ampliando no argumentário e na forma aquilo que diz, aqueles tempos em que um determinado governo e um determinado primeiro-ministro conduziram Portugal para uma situação muito desequilibrada. Não queira o senhor deputado fazer, por vias travessas, aquilo que conduziria a uma situação exatamente igual, porque isso aproximá-lo-ia dessa personagem que tantas vezes o senhor deputado invoca estar muito longe de si.