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Vamos ouvir Luís Montenegro, o presidente do PSD, na apresentação da Moção de Estratégia Global. Por norma, os primeiros discursos nos congressos são mais virados para dentro do partido, o discurso de encerramento mais virado para fora, para a iniciativa política. Ainda assim, veremos se nesta primeira intervenção, Luís Montenegro dará algumas pistas sobre como quer reagir à derrota de ontem com o chumbo da reforma laboral.

Muito bom dia a todas e a todos, caros congressistas, senhor Presidente da Mesa do Congresso, senhora Presidente do Conselho de Jurisdição, senhor Presidente da Comissão da Auditoria Financeira, senhor Presidente da Câmara Municipal de Anadia, senhor Presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro do PSD, restantes membros dos órgãos nacionais e distritais, caras e caros companheiros, delegados e observadores a este Congresso. Quero, em primeiro lugar, cumprimentar-vos a todos aqueles que aqui estão e neles cumprimentar todos os militantes e simpatizantes do nosso partido. Quero agradecer-vos profundamente a confiança, o estímulo que me transmitem e que se iniciou há quatro anos. Temos um percurso feito, mas estamos aqui, sobretudo, para tratar daquilo que ainda vamos fazer. Chegamos aqui unidos e tenho a certeza, vamos sair daqui ainda mais coesos. Quero desejar que possam fazer uma discussão livre, uma discussão aberta, com sentido crítico, com sentido construtivo e como é timbre e apanágio do PSD, sempre a pensar nas pessoas, nos nossos concidadãos, no nosso país. Há pouco, o presidente da Mesa do Congresso já o disse. Realizamos este nosso 43º Congresso, depois de termos ganho as eleições regionais nos Açores, o que não acontecia há mais de 20 anos, depois de termos vencido três eleições regionais na Madeira, depois de termos vencido duas eleições legislativas consecutivas e depois de termos vencido as eleições autárquicas e termos recuperado a liderança da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, da Associação Nacional das Assembleias Municipais e da Associação Nacional das Freguesias Portuguesas. Chegamos aqui também fiéis ao reformismo, ao humanismo, ao personalismo, ao interclassismo, que são a identidade e a matriz fundamental e fundacional do PSD e da social-democracia. E estamos aqui para dizer a Portugal que seguimos juntos, preparados, com humildade, com persistência, com resistência, com muita proximidade às pessoas e com muita ambição para Portugal. Com o foco colocado no futuro e nas pessoas, sem intrigas, sem equívocos, sem distrações, sem politiquice, com honestidade e com patriotismo, com verdade e com sentido de responsabilidade, com coragem e muita ambição. Caros congressistas, estamos a governar para todos, a pensar em cada um. Enfrentamos desafios externos que nos trazem ameaças e incertezas. Do ponto de vista geopolítico, do ponto de vista económico, do ponto de vista social. Guerra na Europa, instabilidade no Médio Oriente, conflitos comerciais, pressões migratórias e alterações climáticas são um conjunto simultâneo que nos impele a vivermos um tempo especialmente desafiante, mas um tempo onde, quero dizê-lo, não nos apresentamos para nos lamentar, apresentamo-nos para agir, para resolver, para encontrar soluções. Com uma ação e uma visão estratégica e estruturante, com a mobilização das empresas e do setor privado, das instituições e do setor social, do Estado e do setor público. Um tempo para trabalhar e fazer Portugal maior. Movidos por uma estratégia que coloca a pessoa primeiro, que promove a eficiência do Estado e que dá valor ao território. A pessoa primeiro na valorização dos salários, nas oportunidades de emprego, na diminuição dos impostos, no incentivo aos jovens, na cultura de mérito e na produtividade, na proteção e no aumento das pensões. Tudo para fazer do capital humano a centralidade do nosso modelo económico e da coesão social, para extrairmos o melhor de cada um e com isso podermos ganhar todos. A pessoa primeiro no acesso universal às creches e aos jardins de infância, na ação social escolar, na prestação social única, na gestão das unidades de saúde, nas parcerias com o setor social, nas políticas da habitação, da cultura, do esporte. Tudo para combater as desigualdades e para tornar universal as oportunidades. Um Estado eficiente, com menos burocracia, com processos mais simples e depois de simplificados, mais digitais. Um Estado eficiente, rápido a responder, transparente, que combate a fraude e a corrupção, que previne e reprime os fenômenos criminais e apoia as vítimas, desde logo, desse crime horrível que é a violência doméstica.

Luís Montenegro, que tem sempre uma passagem sobre a violência doméstica nos congressos e aqui também a falar já muito para fora sobre a iniciativa política.

Um Estado eficiente perante as adversidades climáticas, as ameaças no ciberespaço, a resistência das infraestruturas críticas. Um Estado eficiente na política externa e na defesa, atuante na Europa, na NATO, na CPLP e nas Nações Unidas, na defesa do multilateralismo, da competitividade econômica, mas também dos direitos humanos e da preservação do planeta. Somos um país construtor de pontes entre culturas e povos, seja na relação entre as nações, seja na gestão regulada e humanista dos fluxos migratórios. E um Portugal que dá valor ao território, na parceria com as regiões autônomas e as autarquias locais, e na relação de proximidade às pessoas e às regiões, com as comissões de coordenação e desenvolvimento regional. Um Portugal que dá valor ao território, com uma economia forte no financiamento, na inovação, na ciência, na investigação, na inteligência artificial e na computação, com uma fiscalidade amiga do investimento e uma aposta estratégica no ensino superior e no ensino profissional, ambos conectados com a vida das empresas. Um Portugal que dá valor ao território, atuando de forma estruturante na política da água, da energia, das florestas, que concilia a sustentabilidade ambiental com a agricultura, as pescas, o turismo, e que alavanca e descentraliza a indústria, o comércio e os serviços. Caros congressistas, este Portugal está a acontecer. Tudo isto está em execução. Este Portugal não está igual e não vai ser o mesmo que encontramos há dois anos.

Luís Montenegro, discurso com o slogan "Fazer Portugal maior" nas costas, no ecrã gigante deste congresso, e para já rever aqui o programa do governo.

Estamos mesmo a trabalhar para fazer Portugal maior. Um Portugal moderno, arejado e arrojado, credível e atrativo. Um Portugal solidário entre gerações e entre regiões. Esta transformação, este reformismo está a acontecer. Nós respondemos com trabalho ao ruído, ao ressentimento, ao imobilismo e à falta de coragem. São tantos os que reclamam que mude tudo, mas verdadeiramente desejam que tudo fique na mesma.

Cá está a resposta também à derrota de ontem da reforma laboral e ao chumbo do Chega e PS.

Como ainda ontem se viu com especial nitidez, as oposições vibram com a politiquice e destratam a mudança. Falta-lhes a coragem, falta-lhes a firmeza e o sentido de responsabilidade.

Uma carapuça que agora serve também para o Chega, depois de vários dias a atirar apenas ao Partido Socialista, agora o voto contra do Chega também a motivar estas críticas de Luís Montenegro.

Caros amigos, para dizer mal de tudo ou bloquear soluções, não é preciso ter grande coragem Para ser teleguiado por comentadores mentores ou pelas tendências das redes sociais, também não é preciso ter grande coragem. Mas para ousar mudar, para convergir, para negociar, para saber ceder, para isso é preciso ter verdadeira coragem.

E este é claramente um recado para André Ventura e a acusação que o PSD faz de ter cedido à pressão das redes sociais.

Para trabalhar e fazer Portugal maior, para potenciar o talento de cada um, para fazer o que ainda ninguém fez, sem medo de errar, mas com a moderação e a responsabilidade de quem não quer, não vai hipotecar o futuro, é preciso ter verdadeira coragem. Por isso, caros congressistas, este também é o momento, no início deste congresso, para nos lembrarmos da pronúncia do povo português, do fundamento da legitimidade de todos para exercerem a sua função no atual contexto político. De todos, do Governo, dos partidos que o suportam e também das oposições. Vamos então recordar as mensagens do povo através da sua pronúncia soberana. Em primeiro lugar, o povo escolheu duas vezes a liderança do Governo e a linha programática essencial da governação. Mais, deu estabilidade a essas escolhas, porque as reconfirmou sem qualquer dúvida, aliás, reforçando precisamente a mensagem que tinha dado. Em segundo lugar, o povo, é verdade, disse que queria o atual primeiro-ministro, queria o programa da AD como orientação principal das políticas públicas, mas também queria que o Governo dialogasse e negociasse com as oposições, com as duas oposições. A mensagem foi, neste contexto, até muito clara, porque se deu uma circunstância muito curiosa, aquela que verdadeiramente é o melhor espelho daquilo que muitos costumam chamar o empate técnico, e que foi isto: o segundo e terceiro partidos, um teve mais votos e o outro teve mais mandatos na Assembleia da República. Isto é que é verdadeiramente um empate técnico. Foi o povo que decidiu. E foi o povo que deu aos dois igual nível de responsabilidade. Ou seja, o povo disse que os dois maiores partidos da oposição devem contribuir e dialogar com o Governo e caberá, em cada momento, em cada matéria específica, encontrar os pontos de contato com a força vencedora, a Aliança Democrática, e o Governo. Em bom rigor, também temos de o dizer, porque é verdade, o povo também decidiu que o Partido Socialista e o Chega podem pontualmente juntar-se e decidir coisas contra o Governo. É uma possibilidade aberta pela decisão popular. Eu só acho é que o povo, neste particular, queria que isso acontecesse apenas de forma excecional, mas está a acontecer muito mais vezes do que a ajuda que os partidos da oposição dão para cumprir o programa que o povo escolheu que fosse a orientação principal da governação do país.

E Luís Montenegro a equiparar agora o Chega ao Partido Socialista, ou seja, não reconhece propriamente um líder de oposição, diz que são os dois partidos ao mesmo nível e os dois têm a obrigação de cooperar com o Governo.

E há uma terceira mensagem, que é preciso também recordar, da pronúncia das pessoas, dos portugueses. Os portugueses sufragaram uma estratégia que foi assumida com convicção pela força política vencedora. A estratégia de que nesta legislatura não deve haver um acordo permanente de governação com o Partido Socialista, o famoso bloco central, e também não deve haver um acordo ou uma solução parlamentar permanente com o Chega. O também famoso não é não. Caros amigos, isto foi o que o povo decidiu e é a olhar para aquilo que foi a decisão do povo que todos temos de assumir as nossas responsabilidades.

A reafirmar aquilo que está escrito na moção de estratégia global, a tal história do não é não, nem bloco central.

Não só os nossos compromissos, como todas estas dimensões e determinações da vontade popular. Quando negociamos com o Partido Socialista os orçamentos do Estado, quando nos entendemos com o Partido Socialista sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, quando nos aproximamos na reforma do Tribunal de Contas, quando nos concertamos até para as eleições externas na Assembleia da República Isto não é uma violação do compromisso de não fazermos um bloco central. Isto é a democracia a funcionar. Isto não retira a identidade aos partidos, isto não significa uma adesão recíproca aos respectivos programas. Isto é a democracia a funcionar, isto é o exercício da responsabilidade política, isto é a salvaguarda do interesse nacional. E do mesmo modo, quando acertamos descidas no IRS e no IRC, ou quando convergimos nas políticas da imigração, ou mesmo na prestação social única com o Chega, isto também não é uma violação do não é não. Isto tem uma validade que é exatamente igual e equivalente àquela que tem com a nossa relação com o Partido Socialista.

Dedicar uma grande parte desta intervenção à relação com os dois partidos da oposição.

E hoje, eu quero, no início dos trabalhos do nosso congresso, recordar esta circunstância política para que ninguém se deixe enganar, porque vamos assistindo à afirmação de uma tendência, em particular do Partido Socialista, que basicamente tem como pano de fundo o seguinte: nós não estamos disponíveis para aprovar nada com o Governo, nós simulamos em palavras e em cartas o espírito construtivo da nossa ação política e assim vamos obrigar à adê o Governo a negociar exclusivamente com o Chega. E com esta atitude, pretende o PS depois dizer: "Eles estão juntos, eles são uma linha conjunta e nós somos a alternativa". E, claro, também aqui se mobilizam logo os comentadores mentores do Partido Socialista, que não querem outra coisa que não o fracasso do Governo, a virem proclamar, muitas vezes até com um tom compungido: "Isto é o fim do PSD. Temos de eliminar esta equipa que está no PSD". Chegam mesmo até a dizer às vezes: "Temos que salvar o PSD". Vejam bem, aqueles que não escondem desejar o nosso fim, estão tão preocupados que nós possamos acabar. É a forma mais visível de uma estratégia política manhosa, que é necessário que seja compreendida pelos portugueses, porque aquilo que nós temos que fazer e responder perante o país está sob avaliação de todos, do Governo e das oposições. A estes, em particular, nós bem percebemos que estejam sempre tão preocupados com o PSD. Pois se o objetivo político deles é que nós deixemos daqui estar a governar o país, de facto, olhar e ver o Partido Social Democrata a liderar o Governo da República, o Governo da Madeira, o Governo dos Açores, o Governo da maioria das Câmaras Municipais, é sinal de preocupação. Mas é um sinal de preocupação deles, não é um sinal de preocupação do país, porque todos estes mandatos têm como fundamento o voto das pessoas, a confiança das pessoas, a vontade e a ambição dos portugueses.

Luís Montenegro a puxar dos galões, que Miguel Albuquerque referiu logo no início, que o PSD lidera o Governo da República, dos Açores e da Madeira e também a maioria das Câmaras Municipais.

Por isso, eu quero dizer-vos que nós no PSD sabemos ouvir a sociedade. Escutamos com humildade aqueles que são os verdadeiros sinais da sociedade e dos cidadãos comuns. E os sinais da sociedade e dos cidadãos comuns estão muito longe, muitas vezes, dos sinais que alguns, por terem mais espaço mediático, querem representar sem legitimidade em nome das pessoas. Quero, portanto, dizer-vos que este comportamento é denunciado, é compreendido e está a ser avaliado. Como, de resto, aquele outro comportamento que se inspira na agitação permanente, na irresponsabilidade, quando não, muitas vezes, na imaturidade. Em ambas as circunstâncias, o que nós temos visto é permeabilidade aos interesses pessoais, aos interesses de determinados segmentos e não a preocupação com o interesse nacional.

Luís Montenegro a apostar nesta denúncia da estratégia da oposição de prejudicar o trabalho do Governo, diz o Primeiro-Ministro.

Por isso, caras e caros companheiros, eu quero aqui reiterar perante vós e perante o país e os portugueses: nós governamos com sentido estratégico Nós não governamos por causa das eleições, mas a causa de ganharmos eleições é governarmos bem. Nós não somos os donos da verdade, mas temos a obrigação de executar o nosso compromisso, o nosso projeto, o nosso programa, porque foi essa a responsabilidade que nos foi dada pelas pessoas. E eu quero, portanto, terminar dizendo-vos com muita clareza: foi a terceira vez que me elegeram presidente do nosso partido. Quase que me apetece dizer que vocês já sabem o que a casa gasta. Não tomaram essa decisão por engano. E creio que já perceberam que quatro anos depois de ter assumido a presidência do PSD, e dois anos depois de exercer as funções de primeiro-ministro, eu estou tudo, mas é que é mesmo tudo, menos preocupado com o meu futuro político. Sabem que eu sou de assumir o risco, de ousar, de sonhar, não sou de me intimidar. E não vos digo isto nem com arrogância, nem com soberba. Digo-vos por desprendimento e sentido do dever. Digo-vos pra confirmar. Estou aqui, estamos aqui pra cumprir a nossa missão de levarmos o país pra frente. Estamos aqui com firmeza, sem ceder a nenhum tipo de pressão, a pensar exclusivamente no interesse dos portugueses e no interesse de Portugal. Sabendo que somos um país cheio de potencial, que tem uma magnífica localização estratégica, que é tecnológico, que é inovador, carregado de talento, de recursos naturais, que é competitivo, que é solidário, que é seguro. A nós, PSD, cabe-nos transformar tudo isso em igualdade de oportunidades, em ambição, em esperança, em qualidade de vida e em felicidade pras pessoas. E podem ter a certeza: isso é mesmo possível, isso é mesmo viável e isso vai mesmo ser feito. Está a ser feito e vai continuar a ser feito. Nós vamos trabalhar pra fazer Portugal maior.

Luís Montenegro, neste discurso de abertura do Congresso do PSD.

Um grande congresso, uma boa reflexão, sempre e sempre, com os portugueses na única e exclusiva preocupação da nossa ação. Vamos ao trabalho, vamos fazer Portugal maior.