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É em relação às creches. Há creches que se queixam de que não têm tido orientações da Direção-Geral de Saúde sobre como é que agir, porque as crianças agem umas com as outras, não têm a noção e tocam-se muito mais. Há algumas recomendações específicas para as creches?
As recomendações são as normais nas creches. É difícil, crianças pequenas, toda a gente sabe, toda a gente que tem crianças sabe o que é que se passa. As educadoras de infância têm habitualmente cuidados, não é só com esta infeção. Há medidas de higiene básica que são observadas em todas as creches, senão estavam permanentemente em surto, porque de facto o contágio em crianças pequenas é muito fácil pelos hábitos que essas crianças têm e pela propagação que as doenças seguem. Dito isto, as recomendações para uma creche, adaptadas obviamente ao tamanho das crianças, são as mesmas para qualquer outro sítio. É a higiene das mãos, é a higiene das superfícies, é a limpeza redobrada dos objetos, das mesas, dos utensílios. Os meninos obviamente que convivem uns com os outros. Felizmente também, como todos sabemos, aparentemente, e tudo indica com o que sabemos à data, que a doença não é muito frequente nas crianças. E se é frequente, não é grave, o que é um bom indicador. Temos que ter muita sensibilidade nestas coisas. Eu vou vos dizer: eu tenho duas netas num estabelecimento de ensino enorme. São pequeninas, têm três anos. Houve um caso de uma jovem, creio que de 17 anos, doente nesse estabelecimento de ensino, que tomou a decisão de encerrar. Pois as minhas netas, neste momento, que nunca viram ninguém de 17 anos do lado daquele estabelecimento de ensino, estão em quarentena em casa com uma mãe médica que está em casa para ficar com as duas gêmeas. Portanto, nós temos que ter muito cuidado nas medidas que tomamos. Devemos tomá-las sempre com a autoridade de saúde, adaptadas ao risco, porque isto depois tem consequências sociais grandes. Se há um estabelecimento de ensino em que as diferentes idades estão compartimentadas, podia ter sido encerrada apenas uma parte, mas sempre com o apoio das autoridades de saúde e por determinação da autoridade de saúde, porque estas medidas tomadas avulso podem não se justificar. Só geram desconforto social, ansiedade nas pessoas. Pois uma escola determina de uma maneira ou toma uma decisão de uma maneira, outra toma de outra. Não é concertado, não faz sentido, os pais preocupam-se. Nós temos que ter aqui o bom senso de perceber que além da epidemia que estamos a viver, não podemos ter uma epidemia ainda maior causada pelo pânico.
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