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E agora é vez de Jerónimo de Sousa. Já votou, o secretário-geral do PCP, em Piroskos, no pavilhão desportivo do agrupamento de escolas de Santa Iria da Azanha.
Acto tão importante para a vida dos portugueses, para a vida da própria democracia. Vir votar tem, de facto, um significado maior, já que realizamos esta votação num quadro de epidemia. Mas aquilo que eu gostaria de transmitir aos portugueses é que tenham confiança. Vir votar é seguro. Estão criadas todas as condições para essa segurança e que venham votar, tendo em conta a importância do ato que estamos aqui.
Passou a maior parte da campanha numa cama de hospital. O que é que faria diferente? Que sugestões é que ficou, que notas é que tomou enquanto estava hospitalizado?
Para ser sincero, não tomei grandes notas, tendo em conta a pressão do próprio isolamento, de estar ali com a situação de saúde precolitante. Não tive nenhuma saudade, de facto, do internamento, apesar do trato magnífico que tive, não tive grandes saudades do hospital e não deu para reflexões muito profundas.
Quais são as expectativas na rua?
Sim, essa saudação vai muito para além dos membros do meu partido. Aliás, é uma manifestação que me surpreendeu, tendo em conta que são centenas de mensagens, de e-mails, de posicionamentos, de telefonemas, desde a figura mais institucional até ao cidadão comum, que passa, que cumprimenta, que pergunta. Foi um fenómeno que não sou capaz de explicar, mas que naturalmente me confortou e me ajudou. Mas agora já está ultrapassado, creio. A vida não para, as eleições estão a realizar-se, vai haver uma nova assembleia, enfim, um mundo de tarefas que se vão colocar, mas cá estou, pronto para aquilo que o partido entender que eu deva fazer durante os tempos mais próximos.
Quais são as expectativas para logo à noite? Vai agravar a abstenção este ano, tendo em conta a situação pandémica que o país enfrenta.
É evidente que muitas vezes se exercita e se abusa do princípio do medo. A sensação que temos é que, de facto, as condições que estão criadas no plano técnico, no plano logístico, têm um valor que eu queria aqui sublinhar e que, nesse sentido, as pessoas devem ter essa segurança. Foram tomadas medidas especiais, mesmo para aqueles que estão em isolamento. Vir votar é de facto um ato seguro, uma afirmação de segurança e, naturalmente, uma segurança maior para a própria democracia.
Mas teme que a abstenção, mesmo assim, possa agravar este ano?
O ano passado se agravou. Os níveis têm sido altos, excessivos, nestas últimas eleições legislativas. Então, aproveitemos agora o bom tempo, já que não chove, infelizmente, para preencher este ato democrático.
Jerónimo de Sousa, quais são as expectativas para logo à noite?
Naturalmente, agora, finalmente, almoçar com a família e dirigir-me à sede central do partido.
E as expectativas para logo à noite? Para as pessoas que estão isoladas e eventualmente infetadas. Estivemos num pavilhão com seis mesas de voto, com pouca distância entre cada uma das mesas. Teria alguma sugestão a fazer, se lhe tivessem perguntado, para evitar eventuais situações mais complicadas?
Eu próprio não reparei nesse nível do distanciamento. O apelo que faço é para que se mantenham todas as regras de segurança, para que as pessoas venham votar com tranquilidade. Tranquilidade deve ser o sentimento prevalecente. De qualquer forma, ainda podemos verificar que, no essencial, as pessoas respeitam aquelas normas de segurança que estão em vigor e elas próprias tomam a iniciativa para a sua própria segurança. Creio que não há aqui nenhuma situação dramática. Há segurança, vamos votar, é importante eleger os deputados para a Assembleia da República. Da nossa parte, é o apelo que fazemos. Votem, não se esqueçam.
Dizia há minutos que aproveitou o tempo também enquanto esteve hospitalizado para refletir. Refletiu na forma como eventualmente poderá negociar já na próxima semana, seja qual for o resultado do dia de hoje?
Para lhe ser franco, a minha preocupação maior era sair dali. Era a preocupação maior, mas não tive nenhuma reflexão em relação a estas eleições, aos resultados. Sabemos o que está em causa, reafirmamos isso, mas não fiz cenários antecipados.
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