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Um ano depois, dois confinamentos muito difíceis, com todo o conhecimento acumulado pelos técnicos que estiveram sempre ao lado do governo e disponíveis para prestar os esclarecimentos aos deputados desta assembleia, com os números a diminuírem de forma consolidada, este é o tempo de se olhar para o futuro. Os Verdes consideram que já não é tempo de estarmos a debater mais um estado de emergência. Este é o tempo de se encontrarem medidas preventivas e implementá-las para que possamos retomar a vida em segurança nas mais variadas áreas: na educação, no emprego, na cultura, no desporto, no turismo. É o tempo de, continuando muito atentos à situação epidemiológica, não vacilando perante o perigo, nem desvalorizando por um minuto sequer os riscos de uma doença estranha e ainda não dominada, dar início a uma avaliação séria sobre a situação económica, social e de saúde dos portugueses. Saber quais as suas necessidades, reforçar os apoios para que os micro e pequenos empresários possam continuar com as portas abertas ou reabri-las, garantindo os postos de trabalho. É tempo de conter os despedimentos em massa realizados, mesmo quando prevalece o estado de emergência e o governo anuncia medidas umas atrás das outras de apoio às empresas. É tempo de perceber se esses apoios estão a chegar às empresas e se as empresas os estão a aplicar naquilo que é o mais importante: a defesa das condições de vida dos seus trabalhadores. É tempo do governo português fazer uma de duas coisas ou eventualmente as duas. Assumir o seu papel na presidência da União Europeia, procurando alargar a oferta das vacinas, enfrentando os poderosos interesses das farmacêuticas, exigindo-lhes o cumprimento dos contratos. Ou garantir, no plano nacional, a compra de mais vacinas a outros fornecedores. Se há aspeto que não se entende é por que há tantas exceções justificadas pela situação extraordinária que estamos a viver para o que é essencial. É preciso seguir todas as regras, todos os passos, respeitar todas as ordens que vêm de Bruxelas. É tempo de se dar esperança aos portugueses, garantindo a vacinação, ultrapassando os problemas que possam existir, designadamente no plano da contratação dos enfermeiros necessários, garantindo a testagem em massa, tão prometida e que ainda não se deu por ela, garantindo o rastreio e, sobretudo, garantir as condições de isolamento. O isolamento necessita de acompanhamento próximo da pessoa infetada, diário por parte dos profissionais de saúde. Necessita de condições de habitação para que não se coloquem os membros da família em risco. Necessita de condições económicas para que ninguém deixe de dizer que está infetado, porque financeiramente isso é incomportável. Voltamos ao mesmo. Senhores membros do governo, senhoras e senhores deputados, este já deveria ser outro tempo. O tempo em que cada um sabia como andar na rua para não criar riscos ao outro, mas sabia estar também numa sala de espetáculo, num estabelecimento comercial, num transporte público, num local de trabalho, num espaço desportivo, num evento ao ar livre, numa cerimônia religiosa. Como apesar de tudo, neste tempo que passou, aqueles que resistiram e não se resignaram, provaram que é possível. Mas este é principalmente o tempo de cada um saber que pode lá estar, porque são criadas as condições de segurança. Que pode andar nos transportes públicos, porque se multiplicou a oferta. Que pode estar descansado no seu emprego, porque as entidades competentes têm meios para fiscalizar o cumprimento das regras. Que pode ir ao centro de saúde porque vai ser atendido em segurança. Estamos por estes dias a celebrar o Dia Nacional do Estudante, ontem, e o Dia Nacional da Juventude no próximo domingo. Este é o tempo de abrir horizontes aos jovens, de os fazer sair das conchas onde estão fechados há demasiado tempo, com todas as consequências económicas e sociais, mas particularmente na saúde mental, de permitir que com todos os cuidados e as regras de segurança, socializem, contactem, troquem afetos e cresçam. É para esse tempo que queremos convocar os portugueses, mas em primeiro lugar, queremos convocar o governo. Disse.

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