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O eurodeputado do PS, Manuel Pizarro. Obrigada também por estar conosco. Já aqui ouvimos também o eurodeputado Paulo Rangel destacar como a morte da Rainha Isabel II é uma prova de fogo também para o sucessor, para o filho Carlos III. Estará à altura do cargo que vai ter de desempenhar e que de fato recebe aqui uma herança de grande peso?
Boa noite. Primeiro, deixe-me destacar a figura da Rainha Isabel II. Mesmo um republicano como eu sou, não pode deixar de admirar o extraordinário percurso público e cívico desta rainha, que acompanhou desde logo toda a minha vida, toda a vida da maior parte daqueles que ainda estão vivos hoje e que com muita dignidade soube conduzir os destinos do Reino Unido, respeitando os princípios do parlamentarismo democrático, que no caso do Reino Unido, manifestamente não são incompatíveis com o regime monárquico. Eu diria que nos tempos presentes, suceder-lhe será seguramente um grande desafio, porque também no Reino Unido tem havido muitas divisões e muitas tensões. Aliás, vimos a forma como foi conduzido o Brexit, o que aconteceu no pós-Brexit com o governo durante o primeiro-ministro Boris Johnson e diria que há muitas tensões no Reino Unido e veremos se Carlos III, que já agora toma posse do lugar de rei, será entronizado rei numa idade que já não se pode dizer que seja um jovem, é já um septuagenário. Vamos ver se tem energia anímica para dar continuidade a este extraordinário reinado que foi o de Isabel II.
E a nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, também tem aqui um teste difícil, logo na semana em que se estreia em funções, a Rainha Isabel II acaba por perder a vida. Aliás, o último ato oficial de Isabel II foi mesmo indigitar a primeira-ministra, que além desta transição que vê na monarquia, também tem um contexto de guerra, de aumento do custo de vida, de Brexit. É muita coisa para gerir.
Sim, eu diria que dificilmente os britânicos podem esperar alguma coisa de muito positivo da governação dos conservadores. Está hoje bem visível que a decisão do Brexit, sendo uma decisão legítima, que eu respeito absolutamente, mas foi uma decisão na qual políticos populistas e oportunistas enganaram o povo britânico, prometendo ou criando a expectativa de que a saída do Reino Unido e da União Europeia resolveria todos os problemas do Reino Unido. Hoje é visível que o Reino Unido está numa situação económica, por exemplo, no que diz respeito à inflação, aos custos da energia, ao desemprego, está numa situação económica bastante pior do que a situação média da União Europeia e do que a situação da generalidade dos países da União Europeia, o que demonstra que no mundo do século XXI, não é o isolacionismo que resolve os problemas, antes pelo contrário, é a cooperação entre povos, é a cooperação entre Estados. E desse ponto de vista, eu diria que não há muito a esperar desta nova primeira-ministra. Aliás, muito pouco coerente do ponto de vista político, como os nossos ouvintes porventura saberão. Ela foi uma oposicionista do Brexit enquanto lhe convio e agora passou a adepta feroz do Brexit. Enfim, tudo isto é no mínimo muito estranho para alguém que quer ter credibilidade política.