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Fale neste momento aos jornalistas. Vamos escutar o líder do Chega.

Temos um bom sinal hoje, que já votaram mais de 23% das pessoas, mais do que há quatro anos, que é um sinal muito positivo. Também estou muito confiante. Está um belo dia.

Mas mesmo assim, mais de um milhão de pessoas está em isolamento. Teme que isso contribua significativamente para a abstenção?

Evidentemente, é um perigo e é um risco, mas eu, por acaso, sinto, ao contrário do que senti nas presenciais, que vamos ter até mais gente a votar. Sinto que esta campanha foi mobilizadora, que as pessoas estão interessadas em dar uma palavra sobre o futuro e, por acaso, sinto, eu sei que é um pouco em contraciclo, que vai haver menos abstenção. Portanto, estou também confiante nisso.

Menos abstenção, porquê, André Ventura? Sente que os partidos, nesta campanha eleitoral, deram a confiança necessária aos cidadãos para virem votar, tendo em conta até que muitos têm receio, tendo em conta que foi permitido aos infetados que possam votar?

Por isso é que eu dizia, acho que é um risco, é evidente, sobre muita gente pensar, corro risco de ficar infetada, mas acho que, não falando de política hoje, porque também não posso, acho que os partidos, o senhor Presidente da República, todos fizemos a nossa parte para dizer às pessoas que tinham que vir votar, que é seguro vir votar, é um dever, mas que era seguro também. E sinto que as pessoas querem ter uma palavra a dizer sobre o futuro e perceberam a importância que estas eleições têm. Por isso, até sinto que podemos ter menos abstenção. Queria lamentar muito, e isso não vou deixar de o fazer hoje, mesmo sendo dia de votação, o que está a acontecer no estrangeiro. Queria lamentar mesmo muito. As informações que nos chegam são de muita gente que quer votar e não pode, em vários países, em Angola, em França, em Itália, e eu acho que tivemos todos tempo, não estou a atirar culpas para ninguém, mas houve tempo para se tratar desta situação. Mais uma vez, as nossas comunidades, os nossos imigrantes, não estão a conseguir votar. E eu acho que todos, a Comissão Nacional de Eleições, nós políticos, o governo, deviam ter feito por isso antes.

Já preparou o seu discurso para logo à noite?

Já preparei o discurso.

Tem um ou dois?

Só tenho um. Hoje só tenho um, estou, como digo, muito confiante. Não quero agora desabar nada.

E nesse discurso vai dedicar parte das palavras ao doutor Rui Rio, ao líder do PSD?

Não, vou dedicá-lo aos portugueses, que é isso que eu tenho que fazer hoje. Hoje é o dia dos portugueses, já foi o meu tempo, já foi o tempo do doutor Rui Rio, já foi o tempo de todos os outros líderes partidários. Hoje é o dia do povo português. Logo à noite veremos o que é que o povo português tem a dizer sobre cada um de nós.

André, em dia de eleições não podemos falar de eleições nem de política, mas este pode ser o dia mais importante da sua vida política.

Pode ser. Eu não gosto muito de dramatizar, mas também não quero retirar importância ao que este ato tem. Pode ser, vamos ver. Não quero antecipar cenários. Evidentemente, que um político está sempre nas mãos do povo e o povo português tomará essa decisão hoje. Eu, como político, também estou. Hoje, quero reiterar, não posso falar de política partidária, mas acho que não é só o meu, acho que hoje é, para a grande maioria dos líderes que se apresentam, um dos dias mais importantes da sua vida política.

E se nada mudar, que ilações vai tirar daí?

Vamos ver, falaremos logo à noite sobre isso. Eu não quero agora antecipar muitos dados, até porque não quero incumprir regras, nem estar neste momento a puxar por votos, nem fazer campanha. Acho que temos que ser leais nisso. Todos temos que tirar ilações do que acontecer hoje. Todos, desde o primeiro-ministro, aos líderes da oposição e aos partidos da oposição. Acho que se houver uma votação suficientemente forte, como se espera, portanto é por isso que eu dizia que acho que até pode haver menos abstenção, acho que mais motivos temos todos para tirar as devidas ilações. Se houver mais gente a participar, se houver mais gente a votar, mesmo neste contexto difícil de pandemia, eu acho que todos temos que retirar daqui as nossas ilações e portanto todos os políticos o têm que fazer. Hoje, acho que está um bom dia, acho que está tempo, está um tempo muito positivo para janeiro. Está um dia agradável, acho que está um ambiente muito positivo. Não tem havido problemas na maior parte das secções, tanto quanto sabemos. Saiam de casa, votem. O problema deste país é sempre que nós só nos queixamos depois e não votamos. Hoje é o dia em que podemos deixar de nos queixar e votar. E agora não vou dizer mais nada, senão daqui a bocado

Porque a abstenção pode claramente prejudicá-lo, é isso?

Não, a mim não. Pode prejudicar toda a gente. Eu acho que a abstenção prejudica a democracia, é má para a democracia. Não podemos é estar sempre, não estou a falar de nenhum partido, estou a dizer que passamos a vida a queixar-nos, mas depois chega o momento e não votamos. Portanto, hoje é o dia de sair de casa e votar, que é o dia em que a democracia nos permite fazer isso. Portanto, se querem ter uma palavra a dizer sobre o futuro, se não querem à noite estar todos a dizer por que isso ficou assim, ou continuou assim, ou mudou para ali, é votar, é sair de casa e votar.

Sente que à noite vai receber telefonemas?

Olhe, muitos telefonemas. Vou agora almoçar com a família, depois irei à missa mais logo e depois irei para a sede do partido.

Telefonemas de quem, doutor André Ventura?

Muitos telefonemas, mas sobretudo de amigos, familiares, muitos de companheiros que temos aqui e no estrangeiro, muitas chamadas também de alguns líderes estrangeiros, mas hoje está-me proibido aqui de dizer nomes e de falar de nomes, mas tenho recebido muitos. Muito entusiasmo também na Europa sobre esta nossa eleição hoje e isso dá-me muito ânimo. Encontramo-nos logo à noite na sede da campanha do Chega.

Então as declarações do líder do Chega.

André Ventura, que já votou. Votou no Parque das Nações.

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