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O terceiro, não é? Eu nunca sei dizer isto Summer Camp. Acho que alguém se enganou.
Olá, terceiro Eurovisões Especial Summer Camp. Já vamos desvendar de quem é esta voz. Também tivemos dificuldade em perceber como é que se dizia o nome deste evento. Escreve-se Summer Cempe, para ter o CE de Comissão Europeia, mas lê-se Summer Camp. Eu sou a Vanessa Cruz e como sempre, parece que já estamos aqui em Monsaraz há muitos dias, acho que já podemos dizer, como sempre, partilho este podcast com o Rui Pedro Antunes. Olá, Rui. Arrancamos com histórias para não adormecer.
É verdade, o melhor para não adormecer é mesmo, às vezes, beber um café e quando o presidente da Junta de Monsaraz descobrir que lhe roubamos o café que ele tinha na sala da junta, que é o nosso estúdio improvisado, também vai ser bonito. Não usamos mais vezes, porque o Miguel Fontes, o nosso técnico, que tem feito toda a parte técnica do podcast, desligou a máquina do café para ligar o equipamento dele, o que eu acho lamentável. Mas pronto, Paulo Santos, que é isso que nós estávamos aqui a falar, tentou contar ontem histórias para não adormecer. E nós para garantir também que ficam os nossos ouvintes despertos até o final do programa, no final vão ter direito a um gin. Não é assim? Pronto, Paulo Santos, como todos sabem, é assessor do Presidente da República e foi o candidato pela Aliança Às Europeias.
Contou duas histórias, não é?
É verdade. Contou duas histórias. Histórias de quando chegou a Bruxelas, onde ele trabalhou vários anos. A primeira foi de um colega dinamarquês que o convidou para almoçar no primeiro dia de trabalho, que é curiosa. Vamos ouvir.
E o restaurante era basicamente uma esplanada, que estava completamente ao sol. Ele sentou-se, eu sentei-me e pensei: "Quando é que vem qualquer coisa para tapar isto?". Bem, a verdade é que tive um almoço durante uma hora e meia, com um calor desgraçado, eu suava em bica, e o dinamarquês fazia assim: "Ah". E eu percebi: "Pronto, já cheguei a outro mundo em que eles acham que estar ao sol durante duas horas a torrar é muito bom".
A segunda história também é com o colega nórdico, isto é como os móveis, os escandinavos são melhores. Um finlandês e um hotel. Paulo Santos teve dificuldade em se lembrar do nome.
Já não me lembro o nome do hotel, mas é o Botanic. Estava a traduzir. No Jardim Botanic. Estão a ver, os eurocratas é assim.
Esclarecimento feito, contou a história. Apareceu no bar uma americana que falou para o português e para o finlandês.
Ela dizia assim: "You educated Europeans". E a certa altura, o que eu senti foi: "Espera aí, eu estou aqui, de facto, é cúmplice, é a partilhar, é ser europeu com este meu colega finlandês, com o qual não tenho nada a ver. Até porque com a Finlândia nem sequer há muita história comum". E esta é a realidade da Europa, é a partilha com gente. Dentro de todas as diferenças, há qualquer coisa que nos une.
A noite acabou com essas histórias para não adormecer e nós finalmente fomos à beer call ao fim de duas noites de beer call. Lá aparecemos.
Que teve direito a música, aquele trompete que ouvíamos no início deste podcast foi o início dessa beer call. E esperamos ir novamente hoje, neste último dia.
Na verdade, a única pessoa que bebeu cerveja foste tu, não é? Porque nós só optamos pelo gin.
Sim, eu sou fiel aos eventos.
Exatamente. Se é beer call, é cerveja que eu vou beber.
Durante o dia, esteve por cá o comissário europeu Julian King, que tem a pasta da União da Segurança. Os jovens fizeram várias perguntas, muitas delas sobre terrorismo e Brexit. Julian King constata que o terrorismo mudou na última ano e meio, deixou de ter como protagonistas grupos organizados que viajam para a Europa. Nos últimos tempos, a radicalização faz-se em casa, literalmente em casa, foram mesmo estas as palavras do comissário europeu, ele que apontou qual é agora a prioridade.
"É preciso ir à raiz do problema. Temos de atacar melhor a radicalização. Esta radicalização faz-se online. Uma das prioridades de ação é conseguir fazer melhor para acabar com a radicalização online."
Julian King lembrou que o Estado Islâmico também é ainda uma ameaça.
Uma ameaça também de outra ordem, mas que também preocupa bastante estes jovens universitários, em particular os alunos aqui do Summer Camp, até porque alguns ou estudam ou querem ir estudar para o Reino Unido, é o Brexit.
Por exemplo, a questão do backstop, do futuro da fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda. O comissário europeu está confiante de que a cooperação vai continuar. Ainda assim, se houver uma saída sem acordo, pode haver um desafio extra, foi aquilo que explicou o comissário europeu.
"Não é totalmente claro para mim que essa situação, caso a saída do Reino Unido seja sem acordo, e não temos ainda a certeza como vai funcionar a cooperação na segurança e partilha de dados. Não sabemos como é que os mecanismos entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda vão funcionar. E isso pode ser um desafio extra."
Logo no início da sessão ficámos a saber, aqui para aligeirar um bocadinho a coisa, que se não fosse diplomata, Julian King teria sido barista. Portanto, agora tem aqui um grande coquetel de segurança com que lidar. E mais do que isso, no bar em que ele gostaria de servir bebidas, gostaria também de ouvir Abba, que pelos vistos é a música ou a banda favorita dele.
Exatamente. Julian King confessou que gosta mesmo de quase tudo dos Abba. Quem também nos confessou os gostos musicais que tem foi Francisco Guerreiro, eurodeputado do PAN, que amanhã vai ter um minidebate aqui no nosso podcast com uma estudante de Medicina. E ao final da tarde, depois de um passeio de barco no Alqueva, houve um outro debate sobre o planeta, o planeta A, que é preciso preservar, porque não há planeta B. Esse debate foi na praia fluvial. Os 40 participantes apanharam 5 mil beatas na praia.
E falou-se de economia circular. Perguntaram a Joana Balsemão, vereadora da Câmara de Cascais e que tem experiência na área da sustentabilidade, se será possível em 10 anos reverter a situação que temos agora no que toca às alterações climáticas.
Por exemplo, o que aconteceu ao nível do plástico é realmente muito interessante. Eu nunca vi uma proposta legislativa ser adotada tão depressa em Bruxelas, tão complexa. Num ano, todas as negociações foram concluídas. E não estamos a falar de uma legislação soft, é uma legislação realmente com metas para aplicar rapidamente, que vai à responsabilidade do produtor, que toca no design, que toca na rotulagem, que toca na investigação e desenvolvimento. É muito completa, é muito exigente. Eu tenho esperança.
Joana Balsemão, vê assim uma mudança de paradigma na sociedade.
Já temos treinadores de bancada sobre as questões climáticas, e isso é extremamente positivo. Eu sou da altura em que muitas vezes sentimos o desespero de ver as grandes potências a desistir, a abandonar o barco e a pôr em causa a ciência. Depois ficamos mais acalentados quando vemos que em substituição desses grandes poderes, emergem empresas que levam esta matéria muito a sério e emergem as cidades.
Vamos continuar a falar de treinadores de bancada, mas noutra área, já a seguir. Ouçam até o final a entrevista que aí vem para perceberem, uma entrevista do Rui Pedro Antunes à segunda comandante nacional da Proteção Civil. É uma entrevista editada, a versão na íntegra vai estar disponível no site do Observador.
Hoje temos conosco Patrícia Gaspar, a segunda comandante da Proteção Civil, mas o rosto mais conhecido, pelo menos assim muitas vezes referido. Eu ia começar a perguntar: depois dos incêndios de 2017, que tiveram uma mortalidade chocante, e em 2018, Pedrógão Grande, que teve também uma grande área ardida, embora sem os mesmos custos humanos. Em 2019, ainda não aconteceu nada de muito excepcional, esperemos que não aconteça, naturalmente. E muita gente diz que isto é mais responsabilidade do clima ou do tempo que não tem sido muito quente, esta semana está a ser, por acaso, do que propriamente da eficácia da proteção civil. Quem é o principal responsável por estarmos a ter um ano mais descansado em matéria de incêndios?
Eu acho que é um conjunto de tudo. Ou seja, é óbvio que 2017 foi um ano de viragem, foi o ano que ninguém queria ter vivido, era o ano que nós gostávamos que não tivesse acontecido, mas infelizmente aconteceu. Tentamos retirar de 2017, nós, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, mas sobretudo o país. Tentamos retirar aquilo que se costuma chamar das lições aprendidas. O que é que podemos identificar aqui como passível de ser melhorado, corrigido, alterado? Estas alterações e grande parte destas mudanças não se conseguem fazer do dia pra noite. Todos sabemos também, obviamente, que a condição meteorológica é decisiva na questão dos incêndios florestais.
O clima tem sido uma ajuda, é isso?
O clima é parte também desta ajuda este ano. Ou seja, nós temos tido períodos de menor severidade, ou pelo menos com condições meteorológicas menos favoráveis à progressão dos incêndios e, portanto, temos tido, tirando aquele episódio em Vila de Rei, portanto há umas semanas, temos tido menos condições para que os incêndios se desenvolvam com dimensões ou com proporções mais catastróficas. Mas isto também é o resultado das medidas que têm vindo a ser implementadas e, sobretudo, fundamental. Queremos acreditar que é também o resultado de uma alteração de comportamentos. Porque quando nós sabemos que mais de 90% das ignições têm origem no comportamento humano, quando nós sabemos que grande parte dos incêndios, por exemplo, são provocados por queimas e queimadas, e verifica-se que tem havido diariamente um decréscimo do número de ocorrências, queremos acreditar que os portugueses ouviram a mensagem, incorporaram a urgência de adaptar o seu comportamento ao espaço florestal.
E as alterações climáticas? Tem-se falado muito até a propósito da Amazônia, se são queimadas, se são alterações climáticas, se há ali alguma influência do Estado. Mas aqui em Portugal sempre houve problemas de incêndios e há registo também de tempo seco e de às vezes ventos fortes no verão, ao longo, se calhar, do último século. A severidade destes incêndios e a gravidade, está ou não associada a alterações climáticas? É possível fazer essa relação já?
É, eu penso que sim. Aliás, todos os estudos apontam muito nesse sentido. Não só aqui em Portugal, como em todo o espaço europeu e no resto do mundo. Ou seja, se durante algum tempo se questionava se esta questão das alterações climáticas era uma realidade ou era um mito, eu penso que neste momento já não há dúvidas. Eu não sou meteorologista, mas nós trabalhamos de forma muito próxima com a comunidade científica. Por outro lado, é adaptar os sistemas de resposta a estas situações, ou seja, estarmos cada vez mais preparados, ter territórios mais resilientes, apostar cada vez mais na proteção, na prevenção, na preparação das comunidades. E isto começa na minha comunidade local, começa na minha junta de freguesia e vai até ao governo central, à administração central do Estado. Portanto, isto não é algo que se consiga fazer de forma isolada ou de forma em caixinhas ou em gavetas. Não, isto é um trabalho que só vai funcionar se for feito de forma integrada. E esta A preparação das populações é absolutamente fundamental para mitigar o efeito destas situações quando elas acontecem, porque não consigo ter um bombeiro atrás de cada pessoa.
Falou há pouco, no painel em que participou aqui no Summer Camp, falavam disso. Às vezes é a insuficiência que existe, por exemplo, nas Forças Armadas e também, eventualmente, nos meios de proteção civil ou pessoas capazes, que possa existir ou não, o sistema de recrutamento é completamente diferente. Mas defendeu ali uma coisa que a sala ouve logo um burburinho, porque são jovens e porque a realidade do serviço militar obrigatório é muito distante, quando defendeu que, pela sua opinião pessoal, não vinculando a proteção civil, devia haver um serviço militar obrigatório, que até podia ser um serviço civil obrigatório. Quer explorar um pouco essa ideia?
Eu acho que criar aqui condições para que num determinado período de tempo, sem obviamente prejudicar aquilo que é o desenvolvimento acadêmico, o desenvolvimento formativo dos jovens, portanto, que não seja um empecilho, como em tempos chegou a ser o serviço militar obrigatório. Lembro-me de colegas meus que perderam oportunidades de emprego que tiveram, porque tinham que ir cumprir o serviço naquele momento. Portanto, acredito que um período mais curto de tempo, como eu tive a oportunidade de dizer que podia ser nas Forças Armadas ou nas forças e serviços de segurança ou até nos corpos de bombeiros, permitia trazer os jovens para uma dimensão cívica que eu acho que é absolutamente fundamental.
Claro, a Patrícia tem os valores e a ética militar e falava nessa crise de valores, muitas vezes, dos jovens, mas também não a choca que na estrutura de proteção civil, quando sabe, por exemplo, que houve uma secretaria de Estado em que por, não diria nepotismo, mas por conhecimento ou por ser mais próximo de determinada empresa, houve ajustes diretos para adquirir materiais da estrutura de proteção civil, ou quando, por exemplo, é noticiado que alguém sem experiência para um cargo, por ligação partidária, vai para uma estrutura da proteção civil, também não a choca esses valores quando chega à casa e também tem que transmitir à sua família que é na estrutura de trabalho que isto acontece?
Olhe, eu por questões políticas, obviamente, não estou em condições de me pronunciar.
Nem é a sua função, eu estava a falar sobre a questão dos jovens.
Nem é, eu percebo a sua questão. Espero que entenda também que sobre esse assunto, até porque ele já foi suficientemente debatido, não me vou obviamente pronunciar, até porque não acompanhei esses processos e, portanto, não estaria em condições de o fazer.
Se quiser que eu alargue o âmbito, pode até nem ser da estrutura atual da proteção civil, mas ao longo dos anos, essa parte de nepotismo ou da nomeação de boys ou de pessoas ligadas a ligações partidárias, foram sendo noticiadas na estrutura da proteção civil. Isso também cria uma imagem para o exterior, não é?
Eu acho que o importante, sinceramente, e a mensagem que eu gostava de passar aqui, é que nós temos um sistema de proteção civil que é um sistema, eu diria, quase único na Europa, que terá os seus aspetos, eventualmente, menos positivos, mas que no cômputo geral, é um sistema que funciona muito bem, é um sistema que está muito integrado, quer no patamar local, quer distrital, quer nacional, que envolve parceiros da sociedade civil, da comunidade científica, dos diferentes agentes de proteção civil, das diferentes áreas governativas do Estado. Acho que se tem feito um trabalho absolutamente excepcional, que tem dado frutos.
Sim, eu pergunto-lhe agora, a propósito da estrutura, e falou disso há pouco, se Portugal já utilizou este ano meios do Sistema Europeu de Proteção Civil?
Não, este ano ainda não foi necessário ainda solicitar ou fazer nenhum pedido de assistência internacional, nem no âmbito bilateral, aliás, não no âmbito da União Europeia.
Mas já vieram aviões de outros países.
Veios de Espanha, sim, por isso é que eu corrigi. Portanto, ao nível bilateral, houve uma situação em que pedimos ajuda, efetivamente, porque era um caso muito pontual e os meios de Espanha estavam aqui mais próximo e acionamos o mecanismo bilateral, o protocolo que nos permite solicitar ajuda diretamente à Espanha, sem ter que abarcar o universo da União Europeia. Portanto, ao nível europeu, ainda não foi necessário.
Defendeu ali que é uma das defensoras de uma autoridade europeia.
Uma capacidade europeia.
Não a autoridade. É que eu ia perguntar, eventualmente, às vezes já nos próprios comandos temos o comandante de bombeiros da zona do Gerês que se queixa que vêm de fora e que não conhecem, ou temos o comando do Algarve que deixa de ser do Algarve e passa para Lisboa quando o fogo está há vários dias ou mediante certas características, uma autoridade europeia criaria mais confusão ou não?
Não, pois sim. Vamos lá ver, não foi nunca isso que esteve em causa, nem nunca isso se debateu.
O programa do PSD das europeias falava claramente de uma autoridade europeia de proteção civil.
Não, eu digo ao nível da União Europeia, nos documentos e todas as propostas legislativas que têm sido apresentadas em termos de proteção civil na área europeia, essa questão nunca se levantou.
Houve aqui algumas situações em maio, foram utilizadas até politicamente, não sei se exatamente correspondem de forma rigorosa à verdade, mas primeiro em maio, quando começou a época oficial de incêndios, falou-se que dois terços dos meios que deviam estar disponíveis, não estavam, também não foram necessários. E depois, já no caso do incêndio de Vila de Rei, que falava há pouco, também houve um deputado na televisão que disse que havia três helicópteros Kamov que estavam também parados. Neste momento, é possível garantir aos portugueses que todos os meios que existem, tirando manutenções que são imponderáveis, estão ao serviço e estão disponíveis se houver um incêndio?
O dispositivo neste momento está completo. Todo o dispositivo especial de combate a incêndios florestais está operacional, está no terreno. Felizmente, não tem havido constrangimentos maiores. Houve algumas situações, acidentes com algumas aeronaves que aconteceram, mas isso são incontornáveis e ninguém consegue prever se vão ou não vão acontecer. Mas a garantia que vos posso deixar é que obviamente, neste momento, temos o dispositivo todo operacional.
Última pergunta, sei que já lhe estou a tomar mais tempo do que pedi. Há pouco falou na questão das fake news e tem muito esse papel da comunicação na Proteção Civil, que as fake news até perturbam o trabalho e mais do que isso, às vezes ajudam a descredibilizar o trabalho dos agentes de segurança e de proteção civil. Até disse, por graça, que às vezes apetecia-lhe criar um perfil falso para responder a algumas pessoas. Tem crescido esse tipo de situações, de fake news?
Vamos lá ver, eu não tenho dados estatísticos. Eu não sei quantas fake news já existiram à volta da Proteção Civil. As fake news aqui são, de facto, uma realidade. Eu peço desculpa pela simplicidade da expressão, mas é uma área com muitos treinadores de bancada, é uma área em que, de repente, toda a gente virou perito e há, literalmente, muitas coisas erradas escritas e ditas sobre a Proteção Civil.
Pode acontecer agora aqui uma situação ingrata de lhe fazer uma última pergunta que fica sem resposta, mas vou fazer na mesma, sobre o caso das golas inflamáveis. Se pudesse ter evitado a distribuição destas golas no programa Aldeia Segura?
Em relação à questão das golas, eu não vou falar mais sobre esse assunto, até porque ele está a ser devidamente investigado por quem de direito. Há um processo de averiguações em curso e não seria correto da minha parte estar a falar nisso. O que de mais importante me parece, relacionado com este tema, que eu gostaria de deixar aqui, a mensagem mais importante, tem a ver com o programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras. Foi das coisas mais bem feitas neste país nos últimos anos. E não podemos deixar, honestamente, como portugueses, todos, temos a responsabilidade de garantir que este programa não fica manchado por este episódio das golas. Estando nós no Summer Camp, falamos de Europa e, naturalmente, Rui, de fundos comunitários.
Fomos fazer uma visita a um dos projetos para terminar este terceiro podcast. Conta como foi, Vanessa, essa visita agradável.
Tudo começa com uma panela de pressão para destilar o gin. O que ouvimos aqui já é a fase final, o Gin Xaris a ser engarrafado. Um negócio de Reguengos de Monsaraz, que tem cinco anos e que inovou na produção com a ajuda de fundos europeus. Um investimento elegível de 650 mil euros. Atualmente, 60% da marca já é para exportação. Neste concelho onde decorre o Summer Camp, há negócios, cada vez mais, com fundos comunitários.
Às vezes a grande tristeza que um responsável político sente é as pessoas não terem esse reconhecimento, porque nós aqui em Monsaraz respiramos fundos comunitários. Monsaraz, neste momento, está a reconstruir uma das últimas partes de muralhas num projeto que está orçamentado em 1,4 milhões de euros. Tivemos a aprovação recente para mais 1,2 milhões de euros para a recuperação da Igreja Matriz, que fica no centro de Monsaraz e antes destes valores, muitos outros foram aqui empregues para que a vila esteja hoje como está.
José Calisto, o presidente da Câmara. Áreas principais que beneficiam de fundos: o vinho, o ambiente e o turismo aqui no Alqueva. O presidente da CCDR Alentejo, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, garante que dos maiores aos mais pequenos projetos, todos têm um contributo importante. Roberto Grilo também nos falou do Xaris Gin e deu ainda dois exemplos de projetos de maior dimensão.
Cada um à sua dimensão, todos os projetos são importantes para a região. Poderemos aqui dar dois exemplos, talvez, desses maiores projetos. Um projeto relevante, nomeadamente ao nível privado, que até foi promovido pelo Esporão e consiste na criação de uma adega inteligente no Esporão para os vinhos tintos de maior volume. São os vinhos que não são premium, segundo os princípios da Indústria 4.0. Este é um projeto que envolve cerca de 7 milhões de euros de investimento total. Ao nível do setor turístico, existem vários exemplos, mas existe aqui um talvez que gostaria também de deixar, que é a Aldeia Futura de Alqueva, que é promovido pelo Domínio Imaginário. É também um projeto que é muito influenciador no setor do turismo.
O último balanço aponta para 54 projetos já com investimento direto, 12 milhões de euros aprovados e 8,5 milhões do fundo FEDER, o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. A CCDR não tem dúvidas de que o carimbo alentejano mudou. Já não é o Alentejo estático do sobreiro e da azinheira, soube inovar. António Cuco, o criador do Gin Xaris, concorda, mas aproveita esta imagem histórica para o slogan "Lentamente destilado no Alentejo".
É tudo. É a brincadeira com o facto de as pessoas normalmente considerarem os alentejanos lentos. E é a brincadeira, porque basta olhar para o processo de destilação para verificar que ele alenta em qualquer parte do mundo.
A Comissão Europeia tem a oportunidade de provar. À nossa.