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Olá, um som nostálgico da Eurovisão para o arranque deste podcast, até porque 20 anos depois parece que os Jogos Sem Fronteiras vão voltar. E Jogos Sem Fronteiras são verão, e verão é praia, e voilà, conseguimos a proeza de estar a 200 km do mar e mesmo assim ter praia. Bem-vindos a este Eurovisões especial. Até sexta-feira vamos estar por aqui todos os dias, depois das 16h30. Estamos no Alentejo, eu e o Rui Pedro Antunes. Olá, Rui.
Olá, Vanessa. Estamos na praia fluvial de Monsaraz e por falar em Jogos e Fronteiras, estamos muito perto da fronteira. É nesta zona que começou hoje o Summer Camp, que decorre até sexta-feira, que foi o que nos trouxe até cá. O Observador vai andar por aqui durante toda a semana a fazer a cobertura deste evento, que é organizado pela representação da Comissão Europeia em Portugal.
Exatamente, é uma iniciativa que junta 40 jovens universitários e mais de 70 oradores. É a terceira edição, a primeira foi em Monsanto, na Beira Interior, em Castelo Branco, e a segunda em Marvão, no distrito aqui ao lado, em Portalegre. Agora estamos bem instalados em Reguengos de Monsaraz, em pleno Alqueva. Vamos estar muito bem acompanhados, Rui, por estes dias. Já vamos falar sobre os oradores e sobre os temas que os trazem até Portugal e aqui até ao Alentejo.
Mas não pensem que vão ser só dias inteiros de conferências com temperaturas de 40 graus. Nada disso. É certo que vai falar-se a sério dos principais desafios europeus, mas também haverá conversas informais entre oradores e jovens universitários sobre a Europa, claro está. Já para não falar num sunset no Alqueva, uma prova de vinhos e uma beer call todas as noites.
A cerveja, já sabemos, ajuda sempre, porque parece que o verão finalmente chegou. Estamos à espera de muito calor por estes dias.
Enquanto se bebe uma mini ou várias, os participantes vão poder observar estrelas à noite, sem a poluição luminosa das grandes cidades. Mas conhaque é conhaque e trabalho é trabalho. Por agora vamos ao programa do Summer Camp, que vai animar Monsaraz por estes dias, não é, Vanessa?
É sim, vamos lá. Logo neste primeiro dia, o ministro das Finanças, Mário Centeno, que também é presidente do Eurogrupo, vai falar sobre a Europa vista por Portugal. Logo a seguir, outro painel que vai tentar responder à pergunta: onde chega a Europa? Com a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Maria do Céu Albuquerque, e também vai estar por cá, nesse painel, Ana Brilhosa, da CCDR Centro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que é, de resto, responsável pela gestão de fundos comunitários. Um debate, Rui, que ainda vai ter gin à mistura com António Cuco, da marca Sharis Gin, um projeto apoiado precisamente com fundos europeus.
É uma Europa da proximidade, não pelo gin, que também é próximo de muitos portugueses, mas tão próxima que este painel vai ser moderado pelo editor político do Observador, o Pedro Benevides, na antiga Igreja de Santiago, que agora é uma galeria de arte.
Tudo em pleno centro de Monsaraz, mas por aqui ainda a procissão vai no adro. Há arruada ao final da tarde desta terça-feira, uma arruada que junta Cátia Guerreiro e o grupo de cante alentejano de Monsaraz, que é Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Temos de os convidar para este podcast.
Parece-me muito bem.
Mas há mais. Esta primeira noite vai ter ainda direito a uma ida ao observatório e à tal beer call, seja lá o que seja esta chamada, sob as estrelas europeias. Não as estrelas da bandeira, mas as do céu do Alqueva.
Ninguém melhor do que a representação da Comissão Europeia em Portugal para nos fazer um retrato deste Summer Camp, desta terceira edição. Sofia Colares Alves e toda a equipa andaram muito atarefados por estes dias.
Olá, Sofia. Hoje temos conosco a chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Colares Alves. Olá, Sofia. Não resisto a começar esta entrevista por uma pergunta de atualidades, que foi hoje designada pelo primeiro-ministro, ou pelo menos deu essa indicação à nova presidente da Comissão Europeia, que a nova comissária será Elisa Ferreira. Isto é bom para Portugal?
Olá. Bom, eu acho que a Comissão Europeia não deve opinar sobre as escolhas feitas pelo primeiro-ministro, mas conhecendo, obviamente, o passado e a experiência da Elisa Ferreira, quer no Parlamento Europeu, quer aqui depois no Banco de Portugal, é uma pessoa com muita experiência europeia, é uma pessoa que fez um excelente trabalho no Parlamento Europeu, que tem uma enorme reputação, com certeza uma grande rede já na Europa. E claro que eu, sendo mulher, tenho que também enaltecer e agradecer ao primeiro-ministro por ter designado uma mulher para exercer um cargo que nunca uma mulher exerceu no passado por Portugal. Nunca houve uma comissária. Acho que Portugal e a Finlândia eram os únicos Estados membros, dos Estados membros mais antigos, que nunca tinham designado uma mulher para ocupar este cargoPortanto, esse facto é de celebrar e o facto de termos uma mulher como a Elisa Ferreira, com a experiência e com o conhecimento dela em assuntos europeus, é também de celebrar.
Isso é, claro, uma vantagem, o facto de ser uma mulher, porque também é um sinal de abertura de um país que até agora só tinha indicado homens para aquele cargo, não é?
Eu acho que sim. E eu acho que desde o mandato passado, desde o mandato do comissário Juncker, que se está a tentar ter uma comissão paritária e igualitária, acho que vários candidatos a presidentes da Comissão Europeia puseram isso na agenda como um objetivo e fico muito contente que a presidente designada tenha tido esse fito e esse objetivo também, e que possamos, pela primeira vez, e já no século XXI, bastante avançado, ter uma Comissão Europeia mais paritária, com mais mulheres no colégio.
Eu lembro-me, quando o presidente Juncker estava a formar a atual comissão ainda em vigor. Na altura, foi pedido a Portugal uma mulher, porque senão teria uma pasta mais irrelevante. Não foi bem o que aconteceu, porque a pasta de Carlos Moedas não é uma pasta irrelevante, mas podia ser ainda uma pasta com mais relevância ou até uma vice-presidência. Julgo que até foi isso que na altura Juncker propôs a Pedro Passos Coelho. O que lhe pergunto é que o facto de ser uma mulher, e eu sei que isto não está diretamente relacionado, pode também ser sinal que Portugal pode ter uma grande pasta e isso, de facto, também a merece.
O facto de ser uma mulher com a experiência que a Elisa Ferreira tem na Europa e dos assuntos que ela tem, e com a reputação que ela já tem na Europa, eu acho que seria de esperar que lhe dessem uma pasta de relevância, mas essas coisas dependem de negociações muito complicadas e claro que depois vai depender muito do resultado dessas negociações. Mas o que eu gostaria de dizer, eu acho que os comissários também fazem a pasta. Claro que há pastas à partida que são relevantes. As pastas não são necessariamente recortadas da mesma maneira. Há pastas, há assuntos que se vão unindo e desunindo em função dos presidentes e da visão que eles têm para o trabalho da comissão, mas os comissários fazem a pasta. E eu gostaria de destacar o trabalho que o Carlos Moedas fez na pesquisa, na ciência e na inovação, que não é de todo uma pasta em que se gere muito dinheiro, uma grande parte do orçamento, mas era uma pasta com pouca visibilidade. E o Carlos Moedas fez dessa pasta uma pasta com enorme visibilidade por toda a Europa e pô-lo na estratégia do futuro da Europa.
Muito bem, passando agora para o Summer Camp, que não sei se irá manter, mudando a presidente da comissão e o comissário, se há a garantia que no próximo ano temos também edição.
Há garantia, porque este é um projeto da representação da Comissão em Portugal, que tem tido um imenso apoio da Comissão em Bruxelas. Aliás, temos tido vários colegas noutros Estados-membros de outras representações que querem replicar o modelo. Nós é que não divulgamos a fórmula, que é secreta. Aliás, temos colegas que vieram no ano passado, a colega sueca também este ano vai participar, porque gostariam também de replicar o modelo. Portanto, é um modelo com muito sucesso. Porque isto de se debater sobre Europa fora dos círculos políticos e fora dos círculos acadêmicos é pouco usual. E é um esforço que nós, em termos de comunicação, a Comissão Europeia, em geral, em toda a Europa, temos andado a fazer, é tentar ir para os festivais jovens, é tentar ir para as feiras onde os jovens estão, onde os jovens empreendedores estão. E, no fundo, não é tentar trazer as pessoas a nós, é ir onde as pessoas estão. Isto é um formato ligeiramente diferente, mas a ideia é exatamente essa, desde o início, era debater Europa num quadro muito informal.
É esse equilíbrio que eu vos pergunto, porque conseguem ter pessoas que podiam estar em Davos, no Fórum de Davos, mas ao mesmo tempo os eventos são organizados quase como se fosse um unicórnio ou uma startup altamente moderna e nesse aspeto, como é que é esse equilíbrio? É propositado, certamente. Trazer essas pessoas para um contexto completamente diferente das salas fechadas das universidades. É isso, no fundo, que tentam fazer.
Eu acho que os estudantes que participam, imagino que o grande incentivo que eles têm, aquilo que os atrai, é também o facto de termos um programa com oradores fantásticos. Não é todos os dias que se tem, que se almoça ou que janta ou toma um café, ou se tem a possibilidade de contactar diretamente, falar diretamente com comissários, com ministros, com secretários de Estado, com pessoas que ocupam altos cargos nas organizações internacionais. Enfim, acho que é um bocadinho pelo programa e pelo facto de ser num sítio diferente, num sítio bonito, num sítio mais remoto, no pico do verão, quase. E os oradores, eu ainda me pergunto hoje em dia porque é que eles vêm. Não, é verdade, eu já descobri. No primeiro ano, nós ficamos muito surpreendidos com o número de comissários e de ministros, por exemplo, que quiseram participar. E eu penso que estamos todos um bocadinho fartos. É a minha interpretação, muito pessoal, mas acho que estamos todos um bocadinho fartos do mesmo modelo. Acho que estamos todos muito fartos, mesmo os ministros, falarem e debitar discursos em conferências, em workshops, em que não há grande interatividade, não há grande interação e debate. E este formato permite isso. Tanto que, por exemplo, o ministro Tiago Brandão, da Educação, veio o primeiro ano e agora não o conseguimos tirar de cá. Ele quer vir todos os anos e agradeço muito. Eu quero fazer um agradecimento, se me permite, a todos os oradores, sejam eles ministros ou comissários ou pessoas que não exerçam cargos tão importantes, mas a todos eles por terem tirado parte do seu tempo, muitos deles de férias, estão cá de férias e aproveitámos que estavam cá de férias. Cá não em Monsaraz, necessariamente, mas, por exemplo, em Portugal, estou a falar, por exemplo, do embaixador João Vale de Almeida e outros, e tirar parte das suas férias para vir cá a Monsaraz. Eu acho que o Summer Camp tem uma energia gera uma energia muito especial. E eu acho que as pessoas que já participaram nas outras edições perceberam isso e isto vai-se contagiando.
Isto é ingrato perguntar, mas vou perguntar na mesma, que é se há algum ponto alto que consiga destacar ou algum momento que consiga destacar.
Olhando para o programa, não. Se me disser hoje, o debate sobre a inovação e ciência que se vai fazer no observatório, claro que por si tem algo diferente. Quer pelo tema, que falar com o Messias ou com outras pessoas que são astrónomas e trabalharam para tirar aquela fotografia do buraco negro, e que é um jovem. Falar sobre temas um bocadinho diferentes num sítio que tenho a certeza que eu ainda não vi, mas que é muito bonito, será com certeza um ponto alto. Claro que ter uma pessoa como Mário Centeno ou Carlos Moedas, o João Limpkin ou outros ministros, claro que são pessoas que nós sabemos que à partida são excelentes oradores, que vão fazer com certeza um debate muitíssimo interessante. Até porque nós vamos puxar por eles, no sentido de não nos darem o debate ou o discurso institucional, mas darem-nos mais as suas perceções e as suas opiniões pessoais. Os highlights, vai ter que me perguntar depois no fim. O programa é este, acho que tem muito para dar, mas vão ser os restantes participantes que vão definir os momentos altos e os grandes debates, porque vai ser a interação deles que depois vai definir isso.
Consegue explicar-me mais ou menos o que é a Beer Call?
É, no fundo, um momento de descontração, em que depois de um dia muito intenso, começa muitas vezes às 08:00, 08:30 da manhã, e depois do jantar, em que nos juntamos todos para descontrais, para tomar um copo. Vai ser ao luar, com certeza, sob as estrelas, numa terraça simpática em Monsaraz com esta vista absolutamente extraordinária. E vamos todos fazer networking, porque nós somos muitos, não sei mesmo com a organização, estamos cerca de 130. Não estarão todos 130 em Monsaraz ao mesmo tempo, mas precisamos de um momento também de descontração e de: "Olá, como é que te chamas?", "Eu vi que tu trabalhavas aqui, eu venho desta universidade, eu também sou daquela".
Eu reparei que, por acaso, a seleção de alunos não é paritária, porque há 24 mulheres e apenas 16 homens.
Se calhar as candidatas, o mundo está a virar, o que eu quero que te diga? Está a virar ao contrário. É o woman power. Com certeza que tínhamos dois terços de candidatas femininas e um terço de candidatos masculinos. Portanto, a seleção reflete um bocadinho a proporção de rapazes e raparigas que tínhamos como candidatos, como universo que se candidatou. Não foi de propósito, não é por ser mulher que favorecemos as mulheres.
Eu sei, certamente.
Ajudamos, mas não favorecemos.
Julgo que a primeira edição foi no distrito de Castelo Branco, depois tem sido no Alentejo. Há outras regiões do país igualmente esquecidas ou mais para o interior. Vão continuar por esta zona? Já pensaram nisso?
Isto é um bocadinho também como as personalidades que estão no programa. Nós lançamos a call, nós lançamos a proposta e depois vemos quem é que agarra nela. Nem todos agarram ou nem todos têm condições de agarrar. Tem havido propostas de vários outros distritos, quer do centro, não sei se já tivemos do norte, e do sul, com certeza, mas depois nós temos de ter algumas condições, nomeadamente alojamento para cerca de 80 pessoas por noite, num sítio relativamente pequeno. Nós não queremos a ideia que as pessoas não estejam muito dispersas, porque depois torna este networking e este convívio, que é muito importante entre as sessões e depois à noite, mais difícil e as pessoas acabam por se dispersar. As vilas onde isto, ou as aldeias onde isto tem acontecido, foram aquelas que responderam à nossa proposta e que tinham as condições para o fazermos. Eu tenho consciência que temos que diversificar, nomeadamente. Temos que diversificar porque estamos a ficar aqui muito concentrados na raia e no centro-sul, mas isso é um desafio que fazemos depois às outras autarquias e às outras aldeias, mas nós à partida dizemos quais são as condições, temos que ter o mínimo de condições logísticas para o fazer.
Muito obrigado, Sofia.
E amanhã temos dia cheio, Rui.
Sim, vamos falar de migrações e populismos, segurança e alterações climáticas. Logo pela manhã, Pedro Calado, do Alto Comissariado para as Migrações, é o orador de um painel que tem como tema "We, the People", nós, as pessoas. Isto numa altura em que a Europa ainda não conseguiu criar soluções para acolher os refugiados e resolver os problemas.
Basta pensarmos nos exemplos recentes do Open Arms e do Ocean Viking, que ficaram uma série de dias em alto-mar à espera de autorização para atracar. Estas embarcações tinham dezenas e dezenas de refugiados a viver em condições muito difíceis.
É de prever que os jovens universitários vão questionar o alto comissário sobre esses exemplos e sobre o resgate de migrantes que ocorre todos os dias. E vamos ter outros temas igualmente quentes, como é o caso dos populismos. Será que a Europa é capaz de os vencer? Um dos oradores é este.
Daniel Oliveira, o que não faz chorar.
Daniel Oliveira, o autor do podcast Perguntar não Ofende e antigo assessor do Bloco de Esquerda.
Fácil. Temos de dificultar estas adivinhas. Bom, esse painel conta também com Bernardo Ive Cruz, do The London Brexit Monthly Digest. É assim mesmo. Amanhã, antes do almoço, o Summer Camp vai ainda discutir o que é ser europeu com a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, Mónica Ferro, do Fundo das Nações Unidas para a População, e ainda, vê lá se adivinhas agora, Vanessa.
Como sabem, eu tenho uma ligação muito especial ao Paulo Portas. É, porventura, a minha maior inspiração.
É fácil, porque ouvi o Vichy Soares aqui na rádio com ele e foi nesse programa que disse precisamente essas palavras. Estamos a falar de Pedro Mota Soares.
Continuas a marcar pontos, estou a ver.
Ainda só chegámos à hora de almoço. Vamos digerir o que é ser europeu. E depois, Rui?
Ainda vamos falar de inovação e de segurança com o comissário europeu Julian King. E ainda, não resisto outra vez, já adivinha, Vanessa.
Há um investimento grande que está a ser feito por parte da União Europeia neste processo de certificação, neste processo de validação dos peritos nacionais. E eu penso que Portugal tem estado muito ativo, esteve sempre muito ativo, não só naquilo que foi a criação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mas depois também naquilo que é a resposta que temos dado aos consecutivos apelos que são feitos de cada vez que existe uma emergência.
É uma voz que ficou na memória de todos, sobretudo depois dos incêndios de Pedrógão Grande, Patrícia Gaspar da Autoridade Nacional de Proteção Civil. E depois ainda vamos dar um pulinho aqui à praia fluvial, não é, Rui?
Sim, afinal estamos a falar de Summer Camp, uma conferência em formato XL que tem uma série de momentos de descontração. E apesar de irmos à praia, também vamos falar de coisas sérias no painel Planeta A, que pelo nome é fácil prever que vai falar de sustentabilidade, plástico nos oceanos, enfim, sobre uma série de problemas que o mundo enfrenta e que precisam de ações urgentes. É um painel que conta com o eurodeputado Francisco Guerreiro do PAN.
E depois disso vamos ter um passeio de barco aqui pela praia fluvial, jantar também aqui na praia. Come-se muito bem nesta zona do Alentejo. E ainda...
Histórias para não adormecer com Paulo Sande. É isto mesmo que está escrito no programa, na fonte Comic Sans. Sim, ela ainda existe e foi escolhida pela representação da Comissão Europeia. E Paulo Sande foi cabeça de lista pela Aliança Às Europeias e entretanto retomou a atividade de assessor político do Presidente da República.
Histórias para não adormecer, porque o dia não vai terminar sem a beer call.
Os jornalistas são neutros ou imparciais, ou assim se dizem, mas acho que já mencionámos este ponto da cerveja três vezes, talvez, ao longo deste programa. Uma coincidência, por certo.
Talvez. Até sexta-feira vamos dando aqui conta da agenda de todos os dias, mas fica já aqui um cheirinho. Será esta uma Europa para os jovens ou não? Até vamos ter direito a um roast sobre a União Europeia. Vamos contando tudo por aqui. Para a despedida deste primeiro podcast, Eurovisões Especial Summer Camp, já que escolhemos a praia fluvial de Monsaraz para este arranque, vamos conhecer uma história.
É a história de Pedro Pinheiro, um jovem estudante de Geografia e Ordenamento do Território, que é nadador-salvador na praia fluvial de Monsaraz. Como é que é isto, Vanessa, de ser nadador-salvador alentejano e a 200 quilómetros do mar?
Há uma vantagem clara de vigiar uma praia longe da costa.
É ligeiramente interessante. Lá está, não temos as ocasionalidades dos peixes aranha, nem dos agüeros, nem das correntes de retorno, mas temos um bocadinho de evidências no que toca a feridas, cortes e pequenos percalços acerca das pedras do rio.
Pedro Pinheiro estuda na capital, mas os verões são da terra, não à beira-mar, mas à beira-rio. Regressa nesta altura do ano, mas depois da universidade quer fixar-se aqui.
Agora temos já mais serviços, mais acessibilidade, temos mais coisas que cativem o pessoal jovem a voltar para cá, porque qualidade de vida não há comparação. Comparar o Alentejo com Lisboa, eu, por exemplo, estudei em Lisboa, há cinco anos estudei em Lisboa. Gosto muito de Lisboa, mas gosto muito das minhas açordinhas de alho. Gosto muito de ir à pesca ao fim de semana. Gosto muito da paz e sossego que o Alentejo traz.
Apesar das queixas de centralismo, este jovem estudante de Geografia vê um Alentejo menos isolado, turistas de dentro e de fora, muitos franceses, noruegueses, ingleses, mas este ainda não é o Alentejo que quer mostrar ao mundo. Ainda há muita coisa em falta e Pedro aponta caminhos.
De conseguir arranjar mais atratividade e demonstrar o que de bom há no Alentejo, neste caso. Conseguir que se fornecessem mais infraestruturas, mais meios, mais conectividade em relação às estradas e mais alguma coisa. O elemento ferroviário, que outrora já foi aqui imprescindível e agora não está. Gostava de poder mudar isso.
Caminhos para que Reguengos de Monsaraz se desenvolva a todo o vapor. E estar na Europa. Pedro Pinheiro olha a partir do Alqueva, a praia que também vai receber os alunos do Summer Camp.
Uma pergunta complicada. Enquanto à inclusão na União Europeia, sou a favor. Por enquanto, sou a favor. Um dia mais tarde, se calhar, até posso vir a mudar a opinião, mas por enquanto sou a favor.
Vanessa, uma coisa engraçada nesta história do Pedro Pinheiro é que quando lhe falaste da Europa, ele pensou noutra ou noutro Europa.
Sim, é que o bar Europa, no Cais do Sodré, em Lisboa, vai organizar um sunset precisamente na praia fluvial de Monsaraz nos próximos dias.
O mesmo bar Europa que já foi conhecido pelos afters. Este foi o nosso e amanhã estamos de volta.