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Eurovisões. Não há nada como a varanda do Alqueva, ou da vista, que é simplesmente assim: Monsaraz és o parapeito, por onde eu espreito, até onde a vista me leva. Ai Monsaraz, ai Monsaraz, quem diria, meu rapaz, que serias Monsaraz, a varanda do Alqueva.
Olá, segundo episódio do Eurovisões Especial Summer Camp. Começamos com a voz de Serafim Silva, que faz parte do grupo Canta Alentejano. É uma história que vamos conhecer mais à frente. Por agora, um apanhado fresco, neste calor alentejano, dos debates entre os 40 jovens universitários e os protagonistas europeus que vieram até aqui ao Alentejo. Eu sou a Vanessa Cruz, comigo está o Rui Pedro Antunes. Vamos começar, Rui?
Vamos a isso. Começamos com a história do primeiro painel da manhã desta quarta-feira, que começa assim: um muçulmano, uma mórmon e um português entram num castelo conquistado pelos cristãos aos mouros.
O dia começou assim no castelo, já vamos perceber melhor. Começou com fardos de palha e com o alto comissário para as migrações, que vinha decidido a não encher com palha o painel matinal. Pedro Calado deu o palco aos sinais da diversidade.
Sim, em vez de ocupar o espaço apenas com a intervenção que tinha planeado, Pedro Calado trouxe dois jovens, Selu Dijal, guineense muçulmano, que contou a sua experiência. No fundo, ele diz que tem que dizer muitas vezes: "Não sou terrorista", mas já teve também problemas por ser muçulmano. Não tanto em Portugal, mas ainda recentemente tentou ir até à Geórgia e acabou por ser deportado para Portugal e teve detido. Portanto, foi uma situação complicada. Para os ouvintes conseguirem visualizar, tem rastas, como ele próprio disse, não usa hijab, como ele também disse por graça, que só as mulheres é que usam, obviamente. E disse que está perfeitamente enquadrado em Portugal e trabalha no banco BNP Paribas, e diz que a sua cultura até o ajuda no mundo dos negócios, porque tem outra sensibilidade. Também tem clientes muçulmanos, como é óbvio.
A outra história, a outra protagonista deste painel foi Marta Dionísio, que é mórmon.
Sim, muitas vezes é a desinformação que cria alguma confusão à volta das religiões. E o que ela contou é que muitas vezes acham que ser mórmon é fazer parte de uma seita. E ela explicou que não, que é uma cristã, que tem rituais que são perfeitamente normais.
Os dois jovens, então, que acompanharam o alto comissário para as migrações. Pedro Calado, o comissário, lamentou aqueles que querem um regresso ao passado na civilização, mas diz que o erro de todos foi não ouvir aqueles que destilam ódio nas redes sociais. Pedro Calado defende que é preciso confrontar essas pessoas com factos.
Acho que um dos erros que tivemos nos últimos anos foi não ouvir estas pessoas que estão relativamente descontentes com a situação global, com a sua vida, com o seu país, que andam nos Facebooks desta vida a mostrar essa revolta. E acho que se os ouvirmos e respondermos a essas expectativas e frustrações, de formas pragmáticas, de formas efetivas, eu acho que talvez possamos voltar a recuperar a confiança.
Depois, é preciso destruir mitos.
A primeira frustração dessas pessoas é uma ideia, é um mito, é um medo de que toda a gente quer ser migrante e que toda a gente quer vir para a Europa e que toda a gente quer vir para o nosso país ocupar os nossos postos de trabalho. Se nós perguntarmos, e o Eurostat fez isso recentemente aos europeus, qual é o número que estimam de estrangeiros na Europa, em média, as pessoas respondem quatro vezes mais do que a realidade.
Pedro Calado, que lembrou também que um dia foram os portugueses os migrantes.
Disse até que essa história devia ser contada nas escolas.
Éramos os outros nos anos 60. Em 1957, com a erupção do vulcão dos Capelinhos, 10 mil portugueses foram acolhidos como refugiados nos Açores. Nós não aprendemos isso na escola. Devíamos aprender. A esses 10 mil, juntaram-se 90 mil nos anos a seguir. Uma lei que ficou conhecida como Azorean Refugee Act. Inclusive, há um artigo do Boston Globe que dizia: "What if they are communists?" Esta era a pergunta na altura, na América. E se estes 10 mil forem todos comunistas? Portanto, pormo-nos no lugar do outro. Relembrarmos nós, portugueses, que nos anos 60 íamos a salto para França, eufemismo para imigrantes ilegais.
Mas não só. O alto comissário para as migrações também respondeu com números nessa parte de apresentar factos para contrapor os mitos.
Os imigrantes no ano passado contribuíram com mais de 600 milhões de euros para a Segurança Social, contribuem com 10% dos nascimentos no ano passado, contribuem para a criação de emprego, etc.
Pedro Calado deixou ainda um apelo aos jovens para não deixarem de responder a essas manifestações de ódio em cada tweet ou em cada post do Facebook.
O sol foi ganhando, entretanto, espaço à sombra dentro do Castelo de Monsaraz, como o populismo, de resto, parece estar a ganhar à democracia e parece estar a fazê-lo sem pedir autorização e quase sem se dar por ele. No painel que tinha como tema "A Europa vence o populismo", estava Bernardo Ivo Cruz, do The London Brexit Digest, e também Daniel Oliveira, aquele que não faz chorar, é assim que costuma apresentar-se. Daniel Oliveira, que foi assessor do Bloco de Esquerda e que é um jornalista engajado com as causas da esquerda.
Apesar disso, Daniel Oliveira admitiu que o discurso de Sanders pode ser Considerado tão populista como o Trump, embora para ele haja um populismo bom e um populismo mau.
Utilizando este termo com rigor, um discurso dual, nós e eles, são os dois populistas. Num caso, o discurso do 99%, 1%, que é nós 99% no combate ao 1% de privilégio. Portanto, isto tecnicamente pode ser considerado um discurso populista. O discurso sobre os imigrantes, típico da extrema-direita, e nós contra os demais. Podem ser os imigrantes, podem ser os ciganos, depende dos países, podem ser só os pobres, como no Brasil.
Daniel Oliveira contestou também a ideia de que os extremos se tocam, que é uma frase que é dita muitas vezes, porque neste caso, nem todos os extremismos são iguais, como ele próprio tenta transmitir.
É uma ideia muito sedutora. Não é verdade. Entre um radical abolicionista da escravatura e um radical esclavagista, eles não se tocavam. Entre um judeu que esteve em Varsóvia, pegou nas armas contra os nazis, no gueto de Varsóvia, morreu, e um nazi, estão dois extremos que não se tocam.
O comentador identifica também uma crise de autoridade intelectual e contesta a ideia da política de proximidade. Não sei se o presidente Marcelo sentiu aqui as orelhas arder ou não, mas também deveria ser dirigido para ele.
Acho que há um limite de proximidade, que é o limite de proximidade que transforma o político no Manuel, e no António, e no Fernando, e no Bolsonaro, que deixa mensagens no Facebook a falar da mulher do Macron.
Pedro Mota Soares acabou por assistir, não sei se reparaste, Vanessa, que ele estava sentado nos fardos de palha, porque ia participar num painel a seguir, chamado Ser Europeu, e ainda ouviu uma farpa de Daniel Oliveira, que acusou os centristas de estarem a absorver o discurso da extrema-direita.
Nós, de repente, recuamos na nossa discussão e quando os partidos do chamado sistema, eles próprios começam a interiorizar parte desse discurso. Por exemplo, não é por estar aqui um deputado do CDS, quando começam a falar de ideologia de gênero e coisas desse gênero, começam a absorver o discurso da extrema-direita e a utilizá-lo para ver se não são devorados pela extrema-direita.
Quem também esteve neste painel foi então Bernardo Iwcrusz, do The London Brexit Digest. Ele que alertou que embora o Brexit seja um processo populista, as razões que levaram ao Brexit, essas não são.
O processo do Brexit é claramente populista. A razão mais profunda do Brexit não é tão simples. Nós não conseguimos reduzir o Brexit a um exercício puro do populismo ou de simplificação. A razão mais profunda do Brexit tem a ver com o facto de o Napoleão não ter conseguido invadir o Reino Unido.
E Vanessa, ontem tivemos uma noite diferente e acabamos a ver as estrelas no Observatório Lago Alqueva. Que estrelas foram essas? As da bandeira da União Europeia?
Não, são literalmente estrelas. Não batemos com a cabeça, até porque aprendemos que a maior parte das constelações desenhadas pelos gregos são figuras sem cabeça. Os 40 alunos terminaram o dia a observar planetas e constelações, depois de um painel onde se falou dos desafios do financiamento da exploração espacial ou, por exemplo, da própria Agência Espacial Portuguesa. Ainda está longe de ser uma NASA, mas está a dar os primeiros passos.
Isto não foi uma hesitação, era um silêncio, porque era um espaço e como estamos a falar de espaço, quis usá-lo. Sobre a observação, vale mais deixarmos o Fred, que trabalha no observatório, explicar um pouco sobre isso.
Tudo vocês conseguem ver com os vossos olhos. Nós vamos usar telescópios. Alguns destes objetos nós vamos mostrar, vocês conseguem ver a olho nu. Por exemplo, temos mesmo ali Júpiter.
Rui, conseguiste ver Saturno e os anéis?
Consegui e posso dizer, para tentar transmitir aquilo que vi aos nossos ouvintes, que Saturno é muito parecido com uma edição especial dos cereais Estrelitas, que em vez de estrelas de trigo, havia pequenos Saturnos de trigo. Além disso, eu que não sou grande desenhador, acho que conseguia fazer um Saturno um bocadinho melhor no Paint.
Confirmo, também vi o mesmo e senti algum regresso à nossa infância. Visitámos dois observatórios em dois dias e acho, Rui, que tivemos contacto com mais telescópios do que horas de sono por estes dias. Até sexta-feira ainda havemos de falar também do Observatório Dark Sky. E ontem, que também está com uma reputação estratosférica, tivemos aqui em Monsaraz, Mário Centeno, um entre vários Centenos.
Agora não sei se respondo o ministro das Finanças, se o economista de serviço, o presidente do Eurogrupo, se o membro do Ecofin.
Centeno, o sem medo.
Eu diria que temos que olhar para as crises económicas, preparando-nos para elas e também não tendo pânico. Não há nenhuma razão para que com as instituições que nós temos, que gerem esse pânico. Elas têm que ter uma resposta, mas não podem estar associadas ao pânico.
Centeno, o requisitado.
As mais de 80 vezes que eu passei mais de cinco horas na Assembleia da República.
E finalmente, Centeno, o paciente.
Só há um agente económico que é responsável pela oferta de toda essa paciência, que é precisamente o Estado.
Está na hora do primeiro minidebate, um debate entre um aluno e um orador desta terceira edição do Summer Camp. Hoje conosco temos a Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Maria do Céu Albuquerque, e Tiago Oliveira, um dos alunos do Summer Camp, de 22 anos, natural de Évora e que estuda no ISEG. Acho que é assim, que não errei nada. E começava por lançar o tema a debate, que é: as diferenças que existem hoje entre as regiões muito pobres, como temos no interior, e as regiões muito ricas, é o falhanço do projeto europeu?
Em primeiro lugar, não há regiões do interior. Quando estamos a falar do projeto europeu e quando estamos aqui em Monsaraz, nós estamos na Europa, porque do lado lá, estamos em Espanha. Já hoje disse isso e vou repetir. Até há muito pouco tempo, fazia-se contrabando, porque havia fronteiras. Hoje não há fronteiras, hoje somos um espaço aberto, onde queremos que todos e todas tenham a sua oportunidade. Eu acho que não há um falhanço daquilo que está definido do ponto de vista das políticas europeias, antes pelo contrário. E, portanto, aquilo que nós precisamos continuar a fazer é colocar os ovos no cesto certo, ou seja, continuarmos a ter uma política pública que respeite a especificidade de cada um dos territórios, que respeite a diferença de cada um dos Estados-membros e com isso possamos, com a política de coesão, favorecer aqueles que ainda precisam convergir para um desenvolvimento a par dos mais desenvolvidos, passe a redundância, de toda a Europa. É isto que é absolutamente determinante que continue a ser feito.
Concorda, Tiago?
Eu concordo 100% com tudo que a senhora secretária de Estado disse, mas acho que faz falta segmentar um pouco mais a conversa. Como disse, e muito bem, a coesão e a convergência não se procuram só entre Estados. É importante, e acho que não preciso te explicar por quê, apostar nessa convergência dentro do país. E acho que é também um pouco esse o propósito desta conversa. Em Portugal, apesar de tudo, continua a existir uma grande discrepância entre o desenvolvimento dos centros e da periferia, por assim dizer, neste caso, quase todo o interior português. E era uma das questões que eu gostava de ter feito se tivéssemos tido mais tempo há pouco no painel.
Pode aproveitar agora.
Exatamente. Por que não há, da parte do Estado português, um esforço maior para desacentuar estas assimetrias?
Tiago, sabes por que não há possibilidade e por que tu achas que há uma dependência tão grande do país em relação aos fundos europeus? Porque, em bom rigor, nós saímos muito recentemente do procedimento de déficit excessivo e porque nós temos uma dívida nacional brutal, o que significa que pagamos só em juros um montante de tal maneira absorvente daquilo que são os recursos nacionais, que muito dificilmente as coisas podem ser feitas de outra maneira. E quando o governo tomou posse, há quatro anos, e pegou num quadro comunitário que estava desenhado, que estava negociado, e ainda muito recentemente nós tivemos a oportunidade de alterar algumas coisas que não estavam colocadas nos sítios certos. Aquilo que importa olhar é que foi possível sair do procedimento de déficit excessivo, foi possível diminuir a dívida e tem que ser possível continuar a fazer este ajustamento nacional para poder haver uma folga orçamental, para nos possibilitar ir para além daquilo que são os fundos estruturais. O que o país tem que fazer, claramente, é criar condições.
Exatamente. Daí a importância daquilo que eu estava a dizer da narrativa e de passar a mensagem que é uma prioridade.
E é uma prioridade.
Mesmo que já esteja a ser feito, e eu concedo que possa estar a ser feito em parte, a mensagem é fundamental, porque a razão pela qual eu tomei a opção que tomei, e muitos dos meus colegas o fizeram, foi por não sentir que isso existia, essas oportunidades existiam.
Olha as empresas que estão no Fundão.
Mas precisamente, isso vem dessas situações.
Empresas de ponta. Agora, que propostas é que tu tens, concretas, é que nós também temos que começar a materializar, porque de facto, o regime de incentivos fiscais existe para favorecer as empresas que se queiram instalar no interior do país. Criaram-se as melhores acessibilidades.
As melhores acessibilidades em que sentido?
Físicas.
De quê? De transportes?
Também. Não é perfeito.
Tenho que discordar nesse aspeto.
Não é perfeito.
A ligação de Beja a Évora é feita por um comboio a gasóleo.
Mas tu sabes tão bem quanto eu que a prioridade das últimas décadas não foi a ferrovia, é a prioridade atual.
Não sei se lhe chamaria prioridade atual. Compreendo que foram feitos esforços agora de novos troços no norte do país.
Não, eu não estou a falar de prioridade daquilo que está a ser feito. Há um programa Ferrovia 2020, mas que é apenas o início daquilo que está previsto fazer no Portugal 2030, da modernização, até porque estamos todos imbuídos daquilo que é absolutamente determinante, que é diminuir a nossa pegada ambiental. E, portanto, somos obrigados a ter políticas públicas, também do ponto de vista dos transportes, transporte coletivo, e a ferrovia claramente assenta nesse paradigma, para fazer diferente. É isto que nós precisamos. Agora Não tenhamos ilusões. Podemos ter as melhores estratégias de política pública, que temos e que queremos continuar a fazer essa aposta para as regiões de baixa densidade. Não nos podemos esquecer que o país só poderá crescer e ter a dimensão internacional se crescermos todos e se tivermos a capacidade de puxar todos uns pelos outros. Eu disse isso na minha intervenção há pouco. A ideia tem que ser sempre os pequenos a serem puxados pelos maiores e os maiores a serem solidários. Isto tem que se passar dentro da Europa, com os estados membros, mas tem que se passar também dentro do próprio país. Isso é absolutamente determinante. Não nos podemos esquecer que nós vivemos de pessoas. Nós precisamos de massa crítica e que não se vai fazer estritamente com o aumento da natalidade. Daí aquilo que, por exemplo, o governo criou muito recentemente com o programa Imigrante, para criar condições para quem teve a necessidade ou desejo de ir para fora e que hoje queira voltar e que encontre aqui a sua oportunidade, tenha as condições desenhadas para tal.
Eu agradeço a ambos, principalmente na cordialidade que tiveram na discordância.
Nós não discordamos. Peço desculpa, mas agora esse registo tem que ficar. Nós não discordamos. Fomos complementares. Eu percebo a insegurança e a irreverência do Tiago, como jovem que é, tenho filhas da idade dele. Agora, não podemos, como dizia há pouco o ministro da Economia, nós temos duas formas de olhar para o copo. Ou o copo meio cheio ou o copo meio vazio. E na idade em que o Tiago está, aquilo que eu espero da geração dele, que é a geração das minhas filhas, é que olhe para o copo meio cheio, mas que se sinta responsável por acabar de o encher.
Muito obrigado a ambos, a Tiago Oliveira e à Secretária de Estado de Desenvolvimento Regional. Acabamos, ou quase acabamos, como começamos, com o canto alentejano.
Que não há nada como a varanda do Alqueva, ou da vista, que é simplesmente assim: Monsaraz és o parapeito, por onde eu espreito, até onde a vista me leva. Ai Monsaraz, ai Monsaraz, quem diria, meu rapaz, que serias, Monsaraz, a varanda do Alqueva.
Voz de cantador, Serafim Silva, um antigo operário fabril que sempre viveu com o canto. Era uma coisa do ouvido e saía uma canção.
Ia com os meus pais quando era tenra idade, ia para a monta, ia para as ceifas, para a apanha da azeitona, e eles aí cantavam, cantavam todos em conjunto. Depois vinham no caminho para casa e vinham cantando. Chegava a casa, as mulheres iam tratar da lida da casa, da lida doméstica, os homens, regra geral, iam para a taverna beber um copo. Bebiam um copo, cantavam. Por exemplo, na apanha da azeitona, veem um pássaro fazendo um ninho ou está no ninho, e começam a improvisar e depois dali nasce uma moda, uma canção.
Já reformado, Serafim Silva dedica-se agora a tempo inteiro à arte, já na nova sede, numa antiga escola primária abandonada que foi reabilitada com fundos europeus.
Nós não tínhamos sede, este edifício estava aqui abandonado e estava degradado. Começámos a espicaçar, a roer. E como município foi feito um projeto, foi candidato a fundos da Europa.
31 mil euros foi mais ou menos a ajuda europeia no investimento do município de Reguengos de Monsaraz. Serafim diz que a Europa é bem-vinda, os fundos comunitários ajudaram os cantadores a terem um teto com todas as condições. Ser património imaterial da humanidade pela UNESCO também foi um marco importante.
Mudou em vários aspectos. A quantidade de solicitações dos grupos aumentou. Os grupos são solicitados muito mais vezes. Por outro lado, isso implica também, por parte dos grupos, o incrementar a própria qualidade deles, tanto do canto como na apresentação em palco. Muitos grupos de rapaziada jovem começaram a ser criados, a ser formados de novo. Portanto, é uma forma de manter o canto e passá-lo para a posteridade.
A fotografia com o Presidente da República de há dois anos também está na parede para a posteridade. Marcelo Rebelo de Sousa vestido a rigor, como um cantador. Aqui a rima sente-se em casa.
Mesmo sem jeito de cantador.
Amanhã está de volta o Observador.
A partir de Monsaraz com factos, histórias e opiniões.
De mais um Eurovisões.
Mas a cantiga há quem sabe. Fechamos este podcast especial com a versão do Hino da Alegria de Cátia Guerreiro, a partir do adro da Igreja de Monsaraz.
Até amanhã.
Bela e celeste alegria, fonte veia da divindade. Bebemos em cada dia toda a tua santidade. Onde tu espalhas magia, nunca há separação. Soubesse a tua harmonia, cada homem amo irmão.