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Por exemplo, vamos ver o caso dos Jaquinzinhos. Obviamente que tem que haver uma regra para nós conseguirmos que os Jaquinzinhos tenham Jaquinzinhos daqui a 20 anos.

Os Jaquinzinhos estão a salvo. Tempo para o quarto e último episódio do Eurovisões Especial Summer Camp. Olá, eu sou a Vanessa Cruz e comigo ao longo desta semana tem estado o Rui Pedro Antunes. Rui, pronto para voltar a Lisboa?

Sim, Vanessa, não vou conduzir, mas estou pronto.

Eu pego no volante, não te preocupes.

Ok. Os Jaquinzinhos que estão a salvo, já voltamos mais descansados. Com toda a apetência que Carlos Moedas, o autor da frase, tem para certas expressões em inglês, já estou a ver o comissário a criar um movimento chamado Save the Little Joaquins.

Também em inglês, foi o nome do evento onde Carlos Moedas disse essas palavras, um roast à União Europeia e na defesa da Europa, não deixou de atacar os youtubers, o Wuant.

Os memes, eu lembro os meus filhos dizerem que a internet ia acabar por causa do Wuant, que é outro que a Sofia aqui também já deve ter falado. E realmente tudo isso é extraordinário, porque nós nunca tínhamos falado em casa sobre copyright, nunca tínhamos falado nada daquilo e de repente há um youtuber que vem e consegue.

Antes de fecharmos este capítulo do Roast e porque muitos dos nossos ouvintes podem ir à praia neste fim de semana, têm a garantia do comissário Carlos Moedas de que as bolas de Berlim não vão ser proibidas por Bruxelas.

O caso das bolas de Berlim é outro caso em que não houve nenhuma regra que se dissesse que não se podia vender bolas de Berlim na praia. A Sofia fartou-se de andar a dizer isto, a pregar, até vendemos bolas de Berlim. Demos bolas de Berlim.

E se me permites, vou voltar às expressões em inglês, é que summer camp não é um termo muito consensual.

Então explica-me lá, é summer samp ou summer camp? Pelos vistos a doutrina diverge, pelo que percebi.

Sim, depois de Paulo Santos já ter criticado a forma como se lê summer camp, agora foi a vez do Ministro da Educação atravar na palavra.

Se for em inglês, é summer samp. Se for em português, é summer samp. Agora, em summer sampês, pode ser summer camp. Entendes? Mas isso é porque elas dizem. Mas tem que ser em summer campês.

Pronúncias à parte, o Ministro da Educação também foi desafiado a responder a uma pergunta com sim ou não. E agora, atenção, que é hard politics. E a pergunta foi se está motivado para um segundo mandato. Sobre se iria aceitar ou não o convite de António Costa, o ministro respondeu assim:

Eu sempre me sinto motivado para servir. Para servir e para fazer serviço público. Tinha uma vida fantástica, estava na Disneylândia dos cientistas e onde era feliz. Depois de ter os graus de liberdade todos para dizer que não, eu disse que sim. Por isso eu nunca disse que não.

E com o evento a chegar ao fim, é tempo de balanços. A falta de pluralidade foi a pior crítica que os estudantes, os 40 jovens universitários que estiveram por estes dias em Monsaraz, fizeram.

É das pouquíssimas críticas que eu aponto. É que eu acho que às vezes, nestas discussões, temos caído um pouco no erro de simplesmente explicar os problemas da União Europeia com recurso à argumentação, como as pessoas não sabem o suficiente sobre a União Europeia, e isso eu acho que de alguma forma infantiliza. Ou seja, eu acho que as pessoas que são eurocéticas têm preocupações que são legítimas e que não se deve só reduzir isso a "não sabem o suficiente sobre o projeto fantástico e incrível que é a União Europeia."

Talvez mais o esquivo. Se calhar, a volta ao problema.

Eu gostava que houvesse menos filtros. Não sei, filtros. Mesmo assim, não sei, não apanhámos ainda ninguém abertamente eurocético e não sei se calhar existem, se calhar não existem.

E o espírito de grupo, o maior elogio.

É, sem dúvida, conseguir-se inspirar uma geração de pessoas a fazer mais e a procurar tornar as suas vidas uma ferramenta de melhorar o mundo.

Discutir, ou seja, nós podemos fazer as questões mais inconvenientes possível neste clima, sobretudo reconfortante e bastante informal.

A melhor parte do Summer Camp é o convívio, que são as pessoas.

Parte do networking, como sabemos, é feito nas famosas beer calls, de que aqui deixamos, de resto, um breve registo.

Eu vou dançar mais a quem não cheira, amiga. Tenho que levar de trabalhar. Elas à tarde, se não apanhar três horas, vou chegar a acordo, está lá de fora.

E como estamos numa de balanços, além do Miguel Fontes, que foi o responsável pela vertente técnica ao longo da semana e também pela ausência de café, e hoje até nos foi retirada a máquina. Além do som, também houve uma componente de imagem. Ao longo da semana, a Melissa Vieira tirou as fotografias para o site do Observador. Aproveitando termos aqui a Melissa, eu queria perguntar, Melissa, com a tua sensibilidade para a imagem, houve o cuidado da Comissão Europeia quando montou os spots aqui ao longo dos sítios aqui na vila?

Para além dos spots, a produção teve alguma preocupação com a imagem, porque colocaram bandeiras da União Europeia por toda a aldeia. A aldeia em si já é bastante bonita, mas isso acabou por ajudar. E mesmo os spots dos debates foram escolhidos a pensar na imagem.

Obrigado, Melissa. Feitos os balanços, ficam as histórias para contar. Recordo que na quinta-feira, quando veio aqui ao estúdio improvisado do Observador, Francisco Correia, eurodeputado do PAN, enquanto te esperava, apanhou várias beatas na igreja e estou a falar-

Depois fez um montinho.

É verdade. Estou a falar, para esclarecer os ouvintes, obviamente, dos restos de cigarro. E também quando chegou à mesa, havia duas garrafas de água de plástico que colocámos aqui por cortesia, e Francisco Correia disse de imediato: "Não, eu quero água de alcão." Não havia e acabou por não beber água. A garrafa de água foi retirada da mesa.

Sendo que estavam 37 graus.

É verdade. Vamos então ouvir esse minidebate

Tempo para mais um minidebate neste Summer Camp. Desta vez temos Francisco Guerreiro, eurodeputado do PAN e há poucas semanas eleito primeiro vice-presidente da Comissão de Agricultura e de Desenvolvimento Rural, e ainda Rita Tomás, uma estudante de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Obrigada e bom dia a ambos. Vamos começar. É um debate sobre veganismo. Há um relatório deste mês das Nações Unidas que aconselha a redução do consumo de carne. Aliás, os cientistas recomendam mesmo uma dieta à base de plantas. O Francisco é vegan. E tu, Rita, também és?

Não.

Não és? És estudante de Medicina. Do ponto de vista médico, pensas que estas recomendações dos cientistas fazem sentido? O que pensam os dois?

Podem começar.

Primeiro gostava de saudar o Francisco e congratulá-lo pelo seu trabalho que tem vindo a desenvolver. Tudo o que vou dizer é do meu ponto de vista pessoal, das minhas crenças pessoais. Eu acredito que o mundo está cheio de informação. Nós temos que reduzir o consumo de carne. Eu própria não como carne, por opção. Acho que a questão é que estamos a falar de questões pessoais, de crenças pessoais e, portanto, entramos sempre no campo da autodeterminação, da escolha pessoal, e são questões sensíveis, até do ponto de vista médico e do aconselhamento. Acredito que pode haver uma evangelização nesse sentido, mas também existe uma evangelização mediática contrária e perigosa. Não sei se a média da população portuguesa tem a informação necessária para receber toda a informação disponível. Não sei se me faço entender.

Eu queria acrescentar e acho que é extremamente relevante nós não nos focarmos nesta questão de ser. O veganismo é uma filosofia de vida, portanto, não é só deixar de comer produtos animais e derivados, mas também é deixar de os usar, é deixar de ver, por exemplo, espetáculos que tenham animais. Portanto, é uma multiplicidade de fatores. No que toca à questão nutricional, e ainda bem que temos aqui uma estudante de Medicina, que é fundamental termos a ciência do nosso lado. A Direção-Geral de Saúde já emitiu dois manuais, um para crianças em idade escolar e outro para adultos, que claramente indica que é exequível fazê-lo. E tem, obviamente, um certo caminho, tem certas variáveis, como qualquer estilo de vida nutricional. Por exemplo, nós temos um dos grandes problemas da nossa sociedade, a obesidade infantil, e ela não advém de pessoas que escolhem este estilo de vida, o vegetarianismo ou o veganismo. Portanto, tudo tem que ser equilibrado. E o que nós, especialmente eu a título pessoal, sou vegan há 10 anos, aconselho sempre é, obviamente, escolham a informação, falem com os vossos médicos, falem com nutricionistas e façam esse caminho, caso o desejem. A mensagem fundamental, pelos relatórios que têm sido feitos e por Harvard também fez um estudo recentemente.

A Mayo Clinic.

Exatamente.

Com a Mayo Clinic.

Exatamente, com muitas amostras, com uma análise muito grande de dados, clarificou também, a nível científico, que é possível fazer e que tem um impacto muito grande na nossa forma de estar na sociedade. É isso que nós achamos que é relevante, é também chamar à colação a nossa responsabilidade como pessoas e não estar sempre à espera dos partidos, dos Estados e das instituições supranacionais para fazer algumas decisões que muitas vezes são tão lineares como nós escolhermos o que pomos no prato.

Mas há alguns mas. Acho que para levar uma alimentação vegan equilibrada, ainda é necessário dispor de mais capacidade financeira do que para uma alimentação equilibrada, se calhar, não vegan. E acho que aí, sim, podemos dar muitos passos. Quando estamos a falar, por exemplo, de deficiência de cálcio, que é muito associada ao veganismo. Não se for compensada, como é óbvio.

Há também a questão do ferro. Muita gente se questiona como compensar o ferro.

Ferro que através da proteína animal é mais facilmente absorvido e que deve ser associado a alimentos com vitamina C, há todas essas questões. E às vezes estamos a falar de alimentos como o tofu ou a soja desidratada, que são alimentos mais caros à proporção. E se calhar para uma família normal portuguesa, eu compreendo que o veganismo não seja sempre uma opção do ponto de vista económico.

Eu também gostava de chamar aqui a atenção que é importante mesmo as políticas públicas, que logo a priori condicionam este acesso de muitas pessoas a determinados bens. Por exemplo, nós temos uma indústria altamente subsidiada de leite e de carne, que faz com que, obviamente, esses produtos sejam extremamente baratos em comparação a outros que não têm subsídios e apoios. E é natural que as pessoas que queiram ter opções tenham dificuldade nesta fase de transição.

Que mudanças é que deveria haver em termos de canalização de subsídios e de fundos comunitários também?

E nós até já fizemos essa alteração, nos quatro anos que estivemos nesta última sessão legislativa, conseguimos reduzir a taxa de IVA de bebidas vegetais para a mínima. E hoje vemos o efeito dele na prática. Temos muito mais oferta de bebidas vegetais, sejam elas de soja, de aveia, etc.

Mas, de novo, são mais caras.

São mais caras, mas se tu reparares, por exemplo, se fores ao Pingo Doce, a bebida de soja deles está quase ao mesmo preço que o do leite, e o do leite é altamente subsidiado. E nós nem estamos a integrar os custos ecológicos desses produtos, porque se incluíssemos esses custos ecológicos, posso garantir que um pacote de leite não estava a 0,70 € . Isso é claro. E eu acho que esta distorção também tem que ser trabalhada no sentido em que deve haver as opções e as pessoas devem ter as opções. Economicamente, devemos caminhar para que essas opções sejam o mais barato possível. A implementação da opção vegetariana nas escolas públicas também é relevante, por uma questão de opção, mas lá está, falta o aconselhamento nutricional, falta que haja maior preparação.

Preparação do Sistema Nacional de Saúde.

Nem mais.

Se nós pensarmos em média, se falarmos com populações, por exemplo, como aqui a de Monsaraz, quanto tempo em média demora a marcar uma consulta no médico de família? Muito, imenso. Desmesurado.

Se tiverem médico de família.

Se tiverem médico de família. Por exemplo, uma senhora desta população adere hoje a uma dieta vegan Daqui a quanto tempo terá uma consulta no médico de família para lhe permitir fazer essa transição responsável, fazer análises, ver como está a ser todo o processo de adaptação. Eu acho que ainda há alguns desafios em implementação. Acredito que já estamos mais preparados para uma dieta vegetariana, mesmo nas cantinas.

São mais urbanos, que têm maior capacidade de fazer essa transição, mas também são fundamentais.

Há muitos países onde o veganismo é chamado a epidemia da fome oculta, da falta de nutrição, mas também existem outros países que não o veganismo, a falta de outros alimentos, por exemplo, uma não dieta mediterrânea. Não acho que esteja automaticamente associado ao veganismo, também há outras dietas que muitas vezes incluem mesmo a carne, até em demasia, não compensa assada com outros produtos.

Às vezes há aqueles comentários menos positivos que fazem com que muitas vezes se afaste pessoas que até estão interessadas em reduzir o consumo, em alterar e fazer algumas escolhas mais responsáveis. Eu acho que esse é o caminho e não devemos nem ostracizar algumas pessoas que até possam ser vegetarianas e depois mudem. Ou seja, temos é que ter todos uma responsabilidade e partir do pressuposto de não conhecer.

E compreender o quão multidisciplinar é o assunto, sempre tendo em conta que nunca deve ser uma opção minha com as minhas compras no supermercado, com a minha alimentação. Existem pessoas com mais formação, com mais experiência, não só a consulta de pessoas que já o são, como do médico, do nutricionista. Acho que a ciência existe e temos que nos apoiar nela.

Claro, e ver as análises, tudo o que é o processo de acompanhamento com análises, saber se está tudo bem, se as coisas estão bem, se precisamos compensar alguma coisa, que também tem que ser feito noutros estilos nutricionais. Isso parece-nos que é uma matriz que deve acompanhar toda a classe médica e toda a população. E agora falta, obviamente, investirmos na prevenção e no SNS em termos mais recursos, sobretudo no interior, parece-nos que é algo que tem sido bastante esquecido.

E combater o sensacionalismo.

Sim.

Rita, dizias que não comes carne, mas comes peixe.

Sim.

Se deixássemos todos de comer carne, o problema ficaria resolvido?

Pois.

De um dia para o outro, parece-me difícil, como é óbvio, porque se tivéssemos milha zero e tivéssemos de comer X, mas isso, em princípio, não irá acontecer.

Se calhar para o outro lado, para a produção, por exemplo, de gado, será uma questão complicada de fazer a transição de um dia para o outro.

Sim, mas não se fará. Eu acho que aí são questões que às vezes são postas de um modo, como tu bem disseste, para combater o sensacionalismo, que são postas: "Não podemos virar todos vegan no dia para o outro". Ninguém espera que toda a gente vire vegan, nem é isso que se quer.

Até porque há pessoas que não podem virar vegan. Isso também às vezes é uma questão. Por certas condições de saúde, não podem. E por isso a equipa médica, por isso o nutricionista.

E se elas, por exemplo, tiverem só que comer o necessário e tiverem essa responsabilidade de dizer: "Ok, eu medicamente não posso fazer, mas responsabilizo-me, porque acho que é importante reduzir a minha pegada, comer só X".

Exatamente. E depois há outras questões, não só alimentares, porque como o Francisco disse, é um modo de vida e acho que aí todos temos que começar.

E é um modo de vida que tem cada vez mais adeptos. Há aqui um dado curioso na nossa amostra, que é reduzida, mas dos 40 alunos, os jovens universitários que estão aqui nesta terceira edição do Summer Camp, pelo que ouvi dizer, oito são veganos ou vegetarianos, portanto, são 20%.

E, por exemplo, eu não pedi vegetariano na minha ementa.

Claro. E se calhar muitos deles até são reducionistas, que é muito importante.

Sim, sem dúvida.

Eu acho que essa é a mensagem fundamental. A grande alteração de comportamentos não virá, pelo que eu sei, numa bandeira do "eu é que sou vegan, eu é que sou vegetariano", mas de toda a população que percebe os impactos das suas escolhas e vai reduzindo.

Obrigada, Francisco Guerreiro e Rita Tomás, aqui à conversa neste minidebate. Muito obrigada.

Obrigado.

E se na terça-feira à noite visitámos o Observatório Lago Alqueva, desta vez, Vanessa, também fomos ao Dark Sky, um outro observatório muito perto deste e também apoiado por fundos comunitários.

É um observatório que recebeu o World Travel Award este ano na área do astroturismo. E nós falámos com Miguel Claro, que é astrofotógrafo. Desde miúdo que ele comprava revistas de astronomia que vinham dos Estados Unidos e pedia a uma senhora para que as guardasse. E quando tinha a mesada que os pais lhe davam, lá ia comprar as revistas de astronomia. Contou-nos como é que foi quando teve o primeiro telescópio uns anos mais tarde.

Eu já comprava revistas de astronomia com a mesada que os meus pais me davam. Havia uma senhora que eu conhecia lá de um quiosque, que me fazia o favor de reservar a revista, vinham dos Estados Unidos. Eu, na altura, ainda não percebia muito bem aquilo, vinham todas em inglês e eu ia vendo, ia achando piada, sobretudo às imagens, fascinavam-me aquelas imagens, os telescópios em si, a estrutura, o instrumento propriamente dito. Achava muito giro.

Este observatório tem um minimuseu e nós pegámos num meteorito. Nunca na vida pensei que ia pegar num meteorito.

Eu também não, e não me transformei em Super-Homem.

Vimos também, claro, num observatório, claro que vimos telescópios para observar as estrelas.

Vamos colocar isto, fecha-se. Está tudo escuro e temos aqui um céu disponível depois. Fantástico, é possível ver a Via Láctea mesmo aqui por cima.

Não tivemos grande tempo para observar as estrelas, mas fica prometida aqui uma visita a Monsaraz para passar umas férias.

Este é o quarto e último podcast, que chega assim ao fim e deixo apenas um último conselho, creio que partilhas, Vanessa, para a organização do evento, da representação da Comissão Europeia em Portugal, que é desenvolverem um pouco a capacidade de rima, para que na próxima não se fique pelo rimar de Fas com Monsaraz.

Concordo.

Summer Camp em Monsaraz!

É six fas!