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Começa agora o fact-check da Rádio Observador com o jornalista Aníbal Rebelo. Bom dia, Aníbal.

Bom dia, Maria João.

Hoje vamos falar de diferenças de números por causa de acidentes com ciclistas.

Isto por causa de uma publicação que está a ser difundida aqui nas últimas semanas nas redes sociais, onde é dito que os números do INEM com ciclistas em acidentes no ano passado não coincidem com aqueles que são apresentados pela Autoridade de Segurança Rodoviária.

E a diferença é assim tão grande, Aníbal?

Segundo esta publicação, é quase o dobro. Ou seja, segundo os números que aqui são apresentados, nesta publicação, em 2022, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no mapa de acidentes, tem na área dos velocípedes 2272 acidentes. Já o INEM declara que no mesmo período transportou 4254 acidentados. O autor da publicação, depois de confrontar estes números, diz mesmo que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo.

Mas estes números são verdadeiros?

São verdadeiros. O autor revela mesmo uma tabela da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária com estes dados. Os números são oficiais, fazem parte do Relatório de Sinalização, Fiscalização e Contraordenações Rodoviárias de setembro de 2022. Foi publicado a meio de janeiro deste ano. São dados que não dizem respeito à totalidade do ano passado, ou seja, não revelam o cenário todo dos acidentes que envolvem as bicicletas.

Mas deixa ver, e no caso dos números do INEM, estamos a falar de valores sobre o mesmo período de tempo?

De números, vais percebendo tudo. Vais fazendo estas comparações e frases. É isso mesmo. Não coincidem. Não coincidem porque no caso do INEM, os valores que estão aqui a ser comparados por esta publicação referem-se ao ano todo. Os dados foram divulgados pelo presidente do Conselho Diretivo do INEM num seminário que se chama Mobilidade Ativa Futura em Segurança. É um seminário promovido pelo Ministério da Administração Interna e também pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Realizou-se no dia 12 de janeiro. E estes números, também reais, são de 4254 ciclistas transportados pelo INEM. São os mesmos números que surgem na publicação que estamos a analisar, referem-se aos 12 meses do ano de 2022. A diferença é essa mesmo. Esse número corresponde aos 12 meses de 2022 e não apenas aos nove da tabela da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Ou seja, essa discrepância de números é explicada aqui pelas datas. O autor da publicação não teve isso em conta, juntou tudo sem fazer bem as contas, não sei se de propósito, se por não saber fazer as contas como falo, e assim apresentar aqui uma conclusão que acaba por induzir em erro.

Então, Aníbal, vamos ao veredito final.

É falso que os números da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária são quase o dobro dos avançados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, com base nas informações desta publicação. Os dados não coincidem sobre as mesmas datas, não se podem por isso comparar. Ainda assim, os números são reais e assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é um conteúdo enganador.

Se é enganador, leva carimbo laranja. Este é o fact-check da Rádio Observador com Aníbal Rebelo. Amanhã voltamos a olhar para as notícias que circulam nas redes sociais.