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Luís Montenegro tinha prometido dar mais esclarecimentos sobre a empresa familiar e a avença da Solverde, mas afinal as declarações ao país, sábado à noite, não tiveram direito a perguntas. Entre a ameaça de uma moção de confiança e o avanço com uma moção de censura, a segunda em pouco mais de uma semana, eis que a política portuguesa se tornou num jogo de táticas. Nada melhor, por isso, do que chamar os nossos ases para uma edição extra do "Fara do Baralho". O João Marques de Almeida não pode estar presente, mas a Susana Peralta, o Luís Aguiar Conraria e o Jorge Fernandes acordaram mais cedo para lançar cartas. Bom dia a todos. Jorge, vamos começar por ti, que tens ouros para Luís Montenegro. Explica-nos porquê. Ao sugerir uma moção de confiança, o primeiro-ministro conseguiu de facto aliviar a pressão?

Olá, bom dia, Carla.

Bom dia.

Eu tenho ouros para o Luís Montenegro, porque o Luís Montenegro é um enormíssimo jogador de pôquer. Nós estamos aqui num programa que até faz alusão às cartas. Luís Montenegro é um grande jogador de pôquer e fez aqui um bluff magnífico, porque de facto ele tem uma mão, como se costuma dizer, muito fraca. E eu acho que o Luís Montenegro fez uma jogada que é aparentemente inteligente. Veremos qual é o resultado, porque no sábado à noite, tal como disseste ao lançar o programa, de facto, ele não disse rigorosamente nada sobre a matéria de fundo a que se propôs. Portanto, toda a informação que veio sobre a Solverde, sobre a avença que existe à sua empresa, etc., não disse rigorosamente nada sobre isso.

Vitimizou-se.

Vitimizou-se puramente e, no fundo, disse uma coisa muito interessante, que é: "Vocês têm que confiar em mim." Quer dizer, ele não acredita na ideia de controle democrático, na ideia da necessidade de prestar contas. Ele diz: "Confiem em mim, confiem que quando houver, por exemplo, necessidade de haver decisões que possam ter qualquer tipo de conflito de interesse, eu simplesmente saio da sala." Bem, eu lamento imenso, mas a democracia não funciona assim, como é evidente. Em democracia, ele, como primeiro-ministro, é obrigado a dar explicações. Não é opcional o primeiro-ministro dar explicações sobre este tipo de matérias. Ele é obrigado a dar explicações aos portugueses, porque o caso é demasiado grave e ele está a tentar fazer bluff. Infelizmente, a oposição, especialmente o maior partido da oposição, caiu exatamente no bluff de Luís Montenegro. O Pedro Nuno Santos, aparentemente, para a mesma pergunta, à pergunta de a Assembleia da República tem ou não confiança no governo, Pedro Nuno Santos, se a pergunta for feita pelo governo, diz que não. Se a pergunta for feita pelo PCP, diz que sim. Isto é um enorme paradoxo. Eu acho que no fundo, quer um quer outro, estão a ter comportamentos absolutamente erráticos e estão a ter comportamentos que não estão remotamente à altura daquilo que seria expectável nos seus papéis institucionais.

Ora, Jorge, isto leva-nos para o naipe que trouxe o Luís Aguiar Conraria. Avança, dá as copas ao PCP, que foi muito rápido a reagir à declaração do primeiro-ministro e a anunciar uma moção de censura. Como é que vês esta jogada do PCP?

Antes de falar do PCP, posso responder aqui à parte final do Jorge?

Podes.

Em relação ao comportamento errático de Pedro Nuno Santos. O Pedro Nuno Santos está a fazer o que sempre disse que ia fazer. Desde que este governo é governo, que o Pedro Nuno Santos disse que não viabilizaria moções de censura e não viabilizaria moções de confiança. Portanto, pode ser incoerente, aqui na opinião do Jorge, mas errático não é. Está a fazer exatamente o que sempre disse que fazia. E já agora, a mim não me parece incoerente. Acho que uma coisa é dizer: "Eu não mando o governo abaixo e, portanto, não vou votar moções de censura." Outra coisa é dizer: "Mas não me peçam para dizer que o governo é muito bonito."

Achas que é uma atitude responsável pelo maior partido da oposição?

Eu não sei muito bem se é responsável. Acho que obrigar alguém a votar uma moção de confiança é mesmo estar a dizer que gosta desse alguém. Uma coisa é não o detestar e não achar que deva ir para eleições, outra coisa é estar sujeito a uma chantagem do governo que diz: "Ou dizem que eu sou muito bonito ou vamos a eleições." Pronto, e eu acho que essa atitude dele é razoável, mas errática não é, de certeza, porque é a que já tem desde que este governo existe. Em relação ao PCP, o PCP merece copas porque, a bem dizer, foi uma prenda que o PCP deu a toda a gente. Isto é uma simpatia do PCP para com todos. Claramente, o Luís Montenegro não queria, ou pelo menos parece ficar mais claro que não queria apresentar uma moção de censura e assim ficou com a desculpa de que precisava para não apresentar uma moção de censura. Viu-se logo nas reações dos ministros nas televisões na própria noite. E portanto, o PCP deu aqui essa oportunidade. E é interessante isto, realmente, ver o PCP a dar uma mãozinha a um governo da AD. Por outro lado, também, na verdade, está aqui a dar uma opção ao PS.

Está a dar uma opção ao PS ou está a dividir o PS?

Está a dividir o PS, exatamente. Onde há opções, há divisões. Quando há opções, uns viram-se para um lado, outros viram-se para o outro. Naturalmente, há uma divisão. Mas de facto está a dar uma opção ao PS e o PS pode fazer o que quiser. Pode manter a sua coerência, aqui na linha do que estava a explicar o Jorge, que é votar contra e acabou-se. Mas se quiser mandar o governo abaixo, também tem essa opção. Portanto, eu acho que numa moção de confiança, o PS não tinha qualquer opção Era obrigado a mandar o governo abaixo, ponto final. Ou seja, não podia votar a favor, não podia concordar com o governo, não lhe podia dar a confiança. Mas, de facto, com uma moção de censura do PCP, agora o PS vai ter uns dias para refletir e pode analisar o ambiente político e tomar a sua decisão. E portanto, de facto, tem as duas opções em cima da mesa. Por muito divisivo que isto seja e por muito incômodo que isto seja, a verdade é que é sempre melhor ter opções do que não ter. E portanto, foi uma prenda que o PCP deu a todos.

Uma prenda que a Susana Peralta escolhe é também ouros, neste caso, para os filhos de Luís Montenegro. É uma forma de trazer a família aqui para a discussão ou é a solução que o primeiro-ministro encontrou para resolver este problema tóxico da empresa?

Olá, bom dia, Carla e restantes. Não fui eu que trouxe a família para a discussão, quem trouxe a família para a discussão foi o primeiro-ministro, em primeiro lugar. E a segunda, isto não resolve problema absolutamente nenhum, como é patente para qualquer pessoa com espírito crítico que olhe para esta história. Porque, de facto, aqui a questão é: vamos lá ver, Luís Montenegro não detinha, por hipótese, uma rede de lavandarias. Essa rede de lavandarias, desde que não vendesse, obviamente, não participasse em concursos públicos, não havia problema nenhum. Não é um negócio que vá agora colocar-nos perante um cenário de tráfico de influências, que é o que aqui nós temos em cima da mesa. E depois, por exemplo, vamos imaginar que Luís Montenegro tinha um negócio de pastelarias e que um dos filhos tinha efetivamente cursado um curso de uma escola superior de hotelaria qualquer e era realmente ou pasteleiro ou trabalhava nesse âmbito. No caso dos Montenegro, eles não estão em zona cinzenta nenhuma, mas quando há uma zona cinzenta, que é aquilo que Luís Montenegro nos quer fazer parecer, também exige de nós um certo espírito crítico e uma avaliação da situação. Não é disso que se trata. Nenhum dos filhos do Luís Montenegro, até pela tenra idade que têm, têm, que se saiba, competências especiais neste negócio de consultoria. O que é que é o negócio de consultoria de uma pessoa que é chefe de governo? E portanto, parece-me evidente que esta empresa foi criada por Luís Montenegro, e bem, quando estava fora da política, com todo o seu direito, para estender o seu negócio de advocacia, para providenciar serviços mais especializados às empresas com quem trabalhava. Enfim, isso ele estava no seu direito. E agora os filhos são obviamente testas de ferro. Quer dizer, quem não vê isto, eu acho que o Luís Montenegro sabe disso perfeitamente. O âmbito em que esta empresa foi criada, a natureza da sua atividade e a natureza, já agora, dos seus clientes, designadamente da Solverde, é uma natureza na qual os filhos do Luís Montenegro não trazem qualquer capital humano específico, tal como a mulher do Luís Montenegro não trazia. Portanto, isto é de facto uma grande sorte quando Luís Montenegro vem. Sabemos, já agora, quer dizer, o governo dos jovens, o governo que ia fazer realmente aqui uma grande revolução. Eu sou bastante contra, como é sabido, a maior parte das políticas que o governo anunciou para os jovens, mas isso agora não interessa. O governo que estava tão preocupado assim com o futuro dos jovens, ele tem o topete de ir à televisão em horário nobre, num fim de semana, para dizer que realmente não pode prejudicar os interesses econômicos dos filhos, quando é evidente que esta empresa, os filhos estão a herdá-la de uma empresa que foi criada pelo pai, que é um jurista com influência e que hoje em dia é primeiro-ministro, e que eles estão a herdar esta empresa, que é uma empresa bastante lucrativa dentro do contexto nacional e dentro dos serviços que ela providencia. Não estamos a compará-la com grandes empresas de distribuição ou outras. Apenas porque realmente tem um pai com ligações tão poderosas, que é inclusivamente o primeiro-ministro deste país. Eu acho que aquela cena foi a cena mais patética de todas de Luís Montenegro. E depois, como é evidente, a partir do momento em que nós exercemos este espírito crítico sobre a tal solução encontrada, percebemos que isto não é solução nenhuma. A única solução que Luís Montenegro tinha, obviamente, era dissolver a empresa, acabar com a empresa, não sei o termo jurídico para isso, era fechar aquilo amanhã, dizer segunda-feira essa empresa morreu. Pronto. E já agora, isso não sanava um outro problema, que é um vício fundamental desta história, que é o facto de Luís Montenegro, na sua declaração de interesses, aparentemente, segundo as notícias que têm vindo a público, não ter declarado este problema. Portanto, quando ele diz: "Não, mas eu ia pedir escusa." Para já, um primeiro-ministro que pede escusa num assunto tão importante como concessões de cassinos, estamos a falar de meia dúzia no país todo, contam-se pelos dedos das mãos, ele é o chefe do governo. Toda essa história, tudo isto é muito mal contado. É como se nós tivéssemos de acreditar que realmente ele não tem influência sobre os filhos, que realmente ele não tem influência sobre o seu governo pedindo escusa. Mas a única maneira disso ser credível era o primeiro-ministro, quando se tornou primeiro-ministro, na sua declaração de interesses, ter lá efetivamente dito: "Olha, há aqui uma empresa, que agora não é minha, é da minha mulher", só que ele sabia que não podia dizer isso, porque isso era nulo e, portanto, estava a dizer que a empresa era dele. E tem aqui um problema com uma empresa que detém jogo, negócios do jogo, e isso ficava logo claríssimo e toda a gente ficava a escrutiná-lo. Portanto, Luís Montenegro geriu isto do ponto de vista político, do ponto de vista ético e até provavelmente do ponto de vista legal, é verdadeiramente grotesco. E eu acho que estas fugas para a frente e esta vitimização de Luís Montenegro, como disse o Jorge Miranda, "Não, confia em mim que eu realmente sou uma pessoa íntegra, sim, senhor." Não é assim que funciona a democracia. Lamentamos. E eu acho isto mesmo muito grave, o que está a acontecer, e espero que a oposição não deixe agora esta jogada de pôquer e que Montenegro passe entre os pingos da chuva desta pouca vergonha.

E que se canse destas notícias, como é aquilo que vai sendo dito a investidores da parte do governo. Luís, como é que vê esta solução que o primeiro-ministro encontrou para continuar a governar, livrando-se da empresa e entregando-a aos filhos?

Pois, eu concordo com tudo que a Susana disse e acho que, na verdade, esta solução foi a forma que ele teve, contra a sua vontade, de garantir que não vai passar pelos pingos da chuva. Porque uma coisa era fechar a empresa e, via moção de confiança ou moção de censura, voltar a ganhar legitimidade política, portanto, relegitimizar-se na Assembleia da República, e de fato aí eu penso que o assunto ficava arrumado. Havia a questão realmente das declarações não terem sido bem feitas no passado, mas havia aqui um ponto zero que é: vocês já sabiam destas minhas falhas no passado quando me voltaram a reeleger ou relegitimar, melhor dizendo. Neste momento, com a empresa ainda em funcionamento, isto de fato me choca. E essas são as explicações que a mim me faltam. Ainda não consigo perceber o que aquela empresa faz. E, portanto, enquanto eu não consigo perceber o que aquela empresa faz, eu olho para aquela empresa como a forma de o primeiro-ministro receber uma avença de alguns grandes grupos econômicos portugueses. E isso não ficou sanado. Não é por dizer que são os filhos, um que ainda está a estudar e outro que é recém-licenciado, que o assunto fica resolvido. Portanto, eu, neste momento, continuo a achar que tenho um primeiro-ministro avençado.

Sim, tal como na sexta-feira.

Tal como na sexta-feira. Só que na sexta-feira fui apanhado de surpresa. Agora, nos próximos três meses, quatro meses, cinco meses, quando estivermos aqui no Fora de Baralha comentar este governo, enquanto pelo menos isso não for esclarecida para mim a atividade da empresa, eu vou estar, a partir do princípio, que estou a comentar um primeiro-ministro que continua a ser avençado e a receber uns milhares de euros por mês de uma empresa privada. Isso para mim me choca e acho que deixa o governo num estado de fragilidade. Portanto, eu acho que as notícias de hoje é que o governo estará um bocadinho aliviado, eu acho que não estão a ver bem no que se estão a meter.

O que sabemos hoje, Jorge, é que aparentemente o governo não deve cair. Já aqui falámos da moção de censura que o PCP vai apresentar e que, de acordo com o governo, é suficiente para que não apresente a moção de confiança, mas temos um primeiro-ministro e, por arrasto, um governo fragilizado.

Penso que sim, penso que estamos numa situação claríssima de pântano. Se Montenegro não agir de forma absolutamente rápida e de forma definitiva, digamos assim, estamos numa situação de pântano. Convém recordar, aliás, que Luís Montenegro, as suas condições de governo, quando ele formou o governo, tudo assentava numa lógica em que este tipo de casos tinha que ser absolutamente mínimo, na medida em que a sua maioria é uma coisa muito precolitante. E, portanto, um primeiro-ministro que já assenta numa maioria tão precolitante, tão curta, estar perante este tipo de suspeita, é muito delicado. E eu penso que o primeiro-ministro, realmente, nesta situação, não tem condições para continuar, até porque o país não se pode dar ao luxo. No fundo, está paralisado para todos os efeitos.

Porque há esse risco de o governo ficar efetivamente paralisado e sob suspeita. Pantanoso, como dizias há pouco.

Eu acho que sim. Acho claramente que estamos num cenário de pântano político, porque Luís Montenegro recusa, o próprio primeiro-ministro recusa-se a resolver a situação. Ele recusa fazer uma moção de confiança, recusa demitir-se e desafia os partidos da oposição a dizer: "Bem, se tiverem coragem, tirem-me daqui". No fundo, o que ele diz é: "Eu mantenho como estou, mantenho a minha empresa aberta." Ele usa um argumento que ele diz bem, ele no fundo apela ao coração de quem é pai e mãe e diz: "Bem, eu não posso prejudicar os meus filhos", etc. Mas sejamos realistas, são dois miúdos que estamos a falar, certamente, pessoas estimáveis, que não têm qualquer tipo de problema. Mas um miúdo de 19 e um miúdo de 23 anos não têm avenças com um grupo como o Solverde simplesmente porque são muito competentes. Têm avenças com um grupo como o Solverde, por exemplo, porque naturalmente têm ali algum tipo de ligação política ou algum tipo de capacidade de fazer benefícios que derivam das redes sociais e redes familiares onde se movem, naturalmente. Portanto, não vamos fingir que as coisas não são o que são. E portanto, no fundo, o Luís Montenegro diz: "Eu estou aqui. E eu estou aqui e a situação mantém-se. E portanto, se tiverem coragem, deitem-me abaixo." Na verdade, o que ele está a beneficiar é do enormíssimo medo que os partidos da oposição têm de o mandar abaixo. Porque sabemos bem, parece, na minha opinião pelo menos, que o PCP está apavorado com a ideia de eleições, porque tem quatro deputados e tem medo de perder ainda mais deputados e tornar-se ainda mais irrelevante. E Pedro Nuno Santos está também com muito medo de ir a eleições, porque no fundo o Pedro Nuno Santos, a aposta dele é: "Bem, vamos desgastar Luís Montenegro, manter o caso em lume brando durante cinco, seis, sete meses e depois, eventualmente, vou a eleições." Porque para Pedro Nuno Santos é evidente que se perder novamente umas eleições, chega ao fim da linha a sua liderança no PS, pelo menos neste momento. Portanto, para ele o ideal é: vamos desgastarDesgastar Luís Montenegro, e desgastamos, e quando ele estiver mais desgastado, então vamos a eleições. Mas pulma aqui uma pequena coisa chamada Portugal e chamada país, e portanto, se calhar o pântano não é o melhor. E ao mesmo tempo temos um presidente da República que está desaparecido em combate.

Está ausente. Jorge, deixa-me ouvir nos dois minutos que temos a Susana Peralta sobre a ausência do Presidente da República e esta notícia do Observador de ontem à noite de que Luís Montenegro também não falou com o Presidente da República antes da comunicação de sábado. Tudo isto torna as instituições aqui um mal-estar entre instituições também.

Para dizer a verdade, eu até estou contente com a ausência do Presidente da República, no sentido em que eu percebo que ele espera um bocadinho que assente a poeira, espero que ele faça uma comunicação ao país rapidamente, nos próximos dias. Era fim de semana. Eu percebo, enfim, estou aqui a defender Marcelo Rebelo de Sousa, atenção, tomem nota disto, que antecipando aquela desgraça e aquela falta de noção da gravidade da situação e da gravidade realmente do país ver este primeiro-ministro como aventado, que Marcelo Rebelo de Sousa, se tivesse atendido o telefone, de alguma forma ficava engajado naquela comunicação na qual ele depois não tinha qualquer controle. Portanto, eu acho que ele fez muito bem em não atender o telefone, porque assim é claro para toda a gente, ou pelo menos nós podemos acreditar que Marcelo Rebelo de Sousa, de algum modo, não caucionou aquele exercício de retórica patético do nosso primeiro-ministro. Patético e vagamente desonesto. Aliás, bastante desonesto.

Ainda bem, e aguardemos.

Ainda bem que ele está calado e espero que ele rapidamente faça alguma coisa, porque isto de facto é muito grave. Agora, também me parece que Marcelo Rebelo de Sousa se destrunfou a si mesmo bastante durante os governos de António Costa e agora está aqui numa situação um bocadinho encalhado, por assim dizer, porque de facto esta situação é bem mais grave do que outras nas quais ele interveio com aquela sua hiperatividade durante os governos de António Costa. Ele certamente não quer voltar a dissolver o Parlamento, mas dissolveu, por exemplo, num governo de maioria absoluta. Estamos aqui numa situação muito complicada, mas por enquanto eu estou contente que ele esteja calado.

Muito bem. Susana, Jorge Luís, muito obrigada por esta jogatana pela fresca. O Fora do Baralho, nas regras habituais e com o tempo habitual, está de regresso na próxima sexta-feira. Boa semana aos três.