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O país está a um pequeno passo de ir novamente a eleições, mas não se assuste, senhor ouvinte, não pense que esteve em coma alguns meses. Tudo mudou em apenas uma semana. Neste espaço de tempo, Luís Montenegro pediu clarificação à oposição, ameaçou com uma moção de confiança. Essa possível crise política durou apenas umas horas, porque o PCP anunciou uma moção de censura que soava a salvação do governo, mas não foi bem assim. O primeiro-ministro deu um murro na mesa, fartou-se de dar justificações e prefere ir a eleições do que ficar a arder em lumbrando. Luís Montenegro fez all-in, arriscou tudo e espera voltar a vencer as eleições. Eu sou a Inês André Figueiredo e neste Fora do Baralho também vamos apostar tudo num episódio inteiramente dedicado à crise política com os ases Jorge Fernandes, Luís Aguiar Conraria, João Marques de Almeida e Susana Peralta. Para começar com o protagonista disto tudo, uma carta de paus para Luís Montenegro. Começo por ti, Jorge. O primeiro-ministro podia ter gerido tudo isto de forma diferente? A oposição acusou-o de ser o único responsável pela crise política. Como é que se vai descolar desse rótulo?

Olá, Inês. Eu acho que, sem dúvida, o Luís Montenegro é o grande responsável pela crise política. Há um pressuposto que eu tenho sempre quando penso em políticos, em atores políticos, que é o da racionalidade. Eu acho que, infelizmente, Luís Montenegro, neste momento, está vivendo uma realidade paralela. Em primeiro lugar, as notícias que vieram a público até agora sobre o modo como ele geria as relações com os clientes da sua empresa são, no mínimo, inquietantes. Eu vou ser absolutamente claro, vamos deixar de rodriguinhos. A empresa, para todos os efeitos, é dele. Nenhum grande grupo econômico paga a uma educadora de infância ou a dois miúdos recém-licenciados os valores que sabemos que estavam a ser pagos para defender os interesses legítimos desses grupos. É evidente que a pessoa que estava a ser contratada ali era Luís Montenegro. Não vamos fingir que as coisas são diferentes do que são. Em segundo lugar, e para mim o mais surpreendente desta história toda, foi o que se passou no sábado passado. Luís Montenegro não percebeu a gravidade da situação e achou que passar a empresa para os filhos poderia eventualmente resolver a coisa. A única maneira que ele poderia sonhar matar o assunto era fechar completamente a empresa, dar explicações com alguma razoabilidade, e aí, eventualmente, a coisa resolver-se-ia, e mesmo assim não era garantido. Portanto, eu fiquei verdadeiramente perplexo e sem perceber o que se passa na cabeça do primeiro-ministro para achar que faz aquele discurso e consegue safar-se. Quer dizer, a única explicação para isto é que Luís Montenegro estivesse à procura, e temos sempre que manter esta possibilidade em aberto, de uma situação em que poderia levar o país às eleições e dizer que a culpa é da oposição.

E é uma fezada Luís Montenegro dizer, como fez ontem, esta quinta-feira em Bruxelas, que o país vai recuperar a estabilidade política no máximo daqui a dois meses?

É evidente que não. Isso é uma fezada no sentido em que eu acho que Luís Montenegro está apavorado. A única explicação que eu encontro é que ele está apavorado pela Comissão Parlamentar de Inquérito e prefere sujeitar-se a eleições do que ter o escrutínio da Assembleia da República. Aconteça o que acontecer daqui para frente, dificilmente podemos estar perante um cenário de estabilidade política, porque das duas, uma: ou Luís Montenegro ganha as eleições, e se as ganhar, ganhá-las-á provavelmente nas mesmas condições que ganhou em março de 2024, portanto, eventualmente com uma pequena margem para o PS. Vamos admitir que até consegue aumentar essa margem. Mas as eleições aí tornam-se num plebiscito através do qual o primeiro-ministro limpa a sua imagem. E, portanto, o que é que acontece aí? A empresa continua aberta, os filhos continuam a gerir a empresa? E há aqui uma ideia de que indo a eleições e se uma parte dos eleitores disser que sim, o primeiro-ministro pode fazer tudo o que quiser? O caucionamento eleitoral permite tudo? Isto é um cenário. E depois há o outro cenário, que é o cenário do PS ganhar as eleições, mas pelas sondagens atuais, a direita ter uma maioria, o PSD e o Chega. E o que acontece aí?

E há o cenário também de Luís Montenegro voltar a vencer as eleições e o PS continuar com a Comissão Parlamentar de Inquérito, como Pedro Nuno Santos já disse.

Exatamente. Eu vou calar já. A única solução digna para Luís Montenegro neste momento era demitir-se a liderança do PSD e deixar que um outro líder do PSD fosse liderar o partido às eleições e desse aos portugueses, de facto, duas opções entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Até porque sobre Luís Montenegro, na ausência de Comissão Parlamentar de Inquérito e de esclarecimentos de Montenegro, os portugueses, os eleitores, vão às eleições, no mínimo, e estou a ser generoso, com informação altamente incompleta sobre qual é a situação real do primeiro-ministro e a sua relação com o conjunto de empresas, o que nos deixa no mínimo perplexos.

Há outro protagonista que até poderia ter uma palavra a dizer sobre essa não ida de Luís Montenegro ou uma tentativa de substituição do primeiro-ministro, que é Marcelo Rebelo de Sousa. As copas do Luís Aguiar Conraria vão exatamente para ele. O presidente da República contribuiu de alguma forma positiva para esta gestão de crise ou este naipe é apenas para a clareza quando vem dizer logo datas possíveis, quase já anunciou as eleições?

O naipe foi a pensar na clareza. Acho que depois de tanta ambiguidade, com tanta incerteza que está em cima da mesa, aquela conferência de imprensa, não sei se lhe devo chamar assim, mas aquela comunicação de Marcelo Rebelo de Sousa a dizer exatamente o que ia fazer com os prazos direitinhos e com os cenários mais prováveis, acho que, de facto, no meio de tudo isto, é aquilo que nos dá alguma certeza. Nós sabemos o que é que vai ocorrer. E na verdade, algumas das hipóteses que o Jorge estava a colocar, o primeiro-ministro demitir-se, penso que a consequência disso seria novamente eleições. Não estou a ver como é que o PSD conseguiria tão rapidamente arranjar um líder, mas teria de ser. As minhas copas foram por esse motivo. Agora, em relação ao resto da pergunta que me estavas a fazer, ele não teve um contributo positivo, mas uma pessoa está tão habituada a ver Marcelo Rebelo de Sousa como uma fonte de instabilidade, que só o facto de não o ser, já quase que surpreende pela positiva.

Mas não ter sido, não contribuiu também para arrastar o assunto durante as semanas em que Luís Montenegro não prestou esclarecimentos?

Claramente, Luís Montenegro não quer falar com ele. Isso é perfeitamente claro. Aliás, naquela comunicação que Marcelo Rebelo de Sousa fez, ele até fez questão de dizer que Pedro Nuno Santos lhe comunicou que ia propor a comissão de inquérito antes de anunciar ao país. Até fez questão de dizer que Pedro Nuno Santos falou com ele antes de comunicar ao resto dos portugueses. Agora, se Luís Montenegro não quer falar com ele, ele não tem grandes alternativas, ele também não pode andar a telefonar e a querer falar com alguém que não quer falar com ele. Eu acho que ele é inocente naquilo que era os poderes dele, que era ser claro e dizer como é que seria o percurso agora a seguir a estas eventuais moções de confiança rejeitadas, ele foi claríssimo e acho que isso ajuda a clarificar um bocadinho o debate. Senão estaríamos aqui a discutir até a possibilidade de ele não convocar eleições, ia ser muito mais ruído e estaríamos aqui com muito mais cenários.

Era isso que te ia perguntar. Perante o histórico dos últimos anos, tinha outra opção sem ser as eleições?

Olhando para o histórico apenas e só, não. O histórico claramente diz que havendo uma demissão do primeiro-ministro, que ele tem de convocar eleições. Poderia aqui usar uma desculpa diferente, que é pela primeira vez, ele já convocou eleições antecipadas duas vezes, uma na sequência do chumbo do orçamento de Estado e outra na sequência da demissão de António Costa. Pela primeira vez, uma pessoa tem a sensação de que as eleições não vão servir pra alterar o atual quadro. Eu acho que aqui a previsão do Jorge é mais provável, que é o PSD voltar a ganhar por pouco e, de qualquer forma, pra formar maiorias no Parlamento, continuará a depender ou do Chega ou do PS. E portanto, nesse sentido, podia não convocar eleições, mas isso é tão especulativo que acho que face ao histórico, ele tinha mesmo que convocar eleições.

João Marques de Almeida, trazes uma carta de espadas, que também estão relacionadas com esta crise política, e vão para a SIC Notícias. O nome de Manuel Pinho tem alguma coisa a ver com a tua escolha?

Claro que tem. Antes de mais, boa noite a todos e olá, Inês, e bem-vinda. É a segunda vez que faço o programa contigo. Tenho muito gosto em fazê-lo esta semana. Claro que tem, vamos lá ver. Um órgão de informação tem como sua principal obrigação informar as pessoas que o ouvem, ou que assistem, ou que leem, e não alimentar suspeitas infundadas. Ora, o que a SIC Notícias fez foi claramente uma comparação entre o caso Manuel Pinho e o caso de Montenegro, e que não tem nada a ver um com o outro. E eu digo já duas diferenças que são absolutamente fundamentais e que fazem com que os dois casos sejam completamente diferentes. A primeira diferença é que muita gente acha que as avenças que Luís Montenegro teve e a empresa e tudo isto, só foram do conhecimento público agora. Não. Luís Montenegro declarou tudo à autoridade de transparência quando se tornou primeiro-ministro. E isso, quem quiser, pode consultar. A imprensa pegou no assunto agora, mas era público. Manuel Pinho nunca declarou a relação profissional que continuava a ter com o grupo Espírito Santo depois de se tornar ministro. Portanto, isto é uma diferença fundamental. A segunda diferença fundamental, e mais grave neste ponto, é que a SIC Notícias, no fundo, está a insinuar que Montenegro praticou atos de corrupção, porque Manuel Pinho foi acusado disso. Manuel Pinho já foi acusado. Montenegro nem sequer é suspeito, nem arguido, não há qualquer indício que ele possa ter praticado atos de corrupção. E portanto, estar a comparar um caso Em que não há qualquer tipo de sinal de atos de corrupção e até a ver, nós temos que partir de presunção de inocência, e acho que um órgão de comunicação social como a SIC deve fazê-lo. Estar a comparar com um caso que já foi condenado, que está em prisão domiciliária, acho que é uma coisa verdadeiramente extraordinária. Acho que é espantoso como é que um canal de informação que tem responsabilidades perante a sociedade portuguesa faz uma coisa destas. Acho uma coisa absolutamente extraordinária.

João, deixa-me perguntar se este tipo de opções, por parte da comunicação social de que falavas, pode incentivar a um discurso ainda mais feroz do governo face aos jornais, às rádios, às televisões. Deixa-me só dizer, na semana passada falámos aqui que foi publicado um texto no Observador onde o núcleo duro de Luís Montenegro se queixava de uma cabala. Estamos a ir por esse caminho?

Não, eu não vou falar de cabalas, eu estou a falar de um facto concreto, estou a falar de uma comparação concreta. Não quero tirar conclusões dessa comparação concreta, nem quero falar de cabalas, nem nada disso. Não é esse o meu ponto. O meu ponto é que eu gosto de falar de coisas concretas. Eu estou a criticar fortemente uma comparação concreta que acho que foi um exercício de absoluta demagogia, irresponsabilidade e populismo do pior por parte da SIC Notícias. A SIC Notícias, que muitas vezes critica bastante os partidos populistas, os argumentos populistas, no fundo, teve um comportamento absolutamente populista e demagogo. E, portanto, eu acho que isso é de condenar. Não estou a falar de cabala, estou a falar deste caso concreto. E é este caso que eu dou espadas, e bem negras, porque acho que a SIC Notícias não está a contribuir para uma informação isenta, para informar os portugueses. E mais, acho que este tipo de comportamento por parte da comunicação social, agora indo um pouco além da notícia, contribui para degradar a democracia em Portugal.

Jorge, concordas com este naipe do João e com esta acusação de um exercício de populismo por parte da SIC, neste caso?

Não, por acaso não concordo. Eu achei a ida de Manuel Pinho à SIC Notícias um episódio risível. Não tem qualquer sentido chamar Manuel Pinho pra comentar o que quer que seja. Na verdade, ele foi chamado, pra sermos justos, porque ele agora tem um livro novo em que explica a sua perspectiva do caso dele, etc. Mas, na verdade, ele foi chamado pra isso e já que estavam ali, sendo ele um especialista em avenças, e ele diz que não. Acho que apesar de tudo, no meio do caos que foi esta semana e da incompetência total da AD a gerir tudo isto, acho que apesar de tudo, Manuel Pinho foi um momento divertido, como houve outros ao longo desta semana.

Vamos aqui continuar com os naipes.

Agora eu posso responder.

Claro.

Jorge, eu digo sinceramente, eu acho estranhíssimo tu achares um momento divertido uma comparação destas. Acho muito estranho que aches isto um momento divertido, que é o mesmo que dizer que há momentos divertidos quando o Trump ou qualquer populista diz disparates. Se isso é divertido, está bem, pronto. Não sei quais são os seus critérios para divertimento.

Jorge, se quiseres, dois segundinhos, tenho mesmo de passar aqui pra Susana pra fechar a nossa parte dos naipes.

É só divertido na medida em que, sendo irrelevante no grande esquema das coisas, permitiu-me pelo menos rir um pouco ao ver o Manuel Pinho dando a sua opinião da avença de Luís Montenegro.

Não é irrelevante. Jorge, é que não é irrelevante. Está-se a comparar uma pessoa que foi acusada de corrupção com uma pessoa que não há indícios nenhuns que praticou corrupção, não é arguido, não está a ser investigado. São coisas completamente diferentes. Tu achas isso divertido, essa comparação? Está bem, pronto.

Vamos então deixar aqui outros divertimentos para a segunda parte e regressar aqui às cartas mais escuras, neste caso, paus, que foi a carta escolhida pela Susana Peralta. Uma das pessoas que também tem dado muito a cara nesta crise política é Hugo Soares, que é líder parlamentar do PSD e braço direito de Luís Montenegro. Susana, Hugo Soares tem falado em muitas ocasiões, mas passou os limites, foi mal-educado. O que esta carta significa?

Esta carta significa que, de facto, o PSD tem tentado fazer um papel muito triste nesta história, até porque nos está a fechar uma porta, que é a porta do Presidente da República, salvaguardado as questões que o Luís aqui trouxe e que são importantes relativamente ao comportamento do Presidente da República, mas dizia eu, a carta do Presidente da República decidir não dissolver o Parlamento e nomear outro primeiro-ministro, porque a forma como estão a defender esta situação perfeitamente indefensável de Luís Montenegro, várias pessoas do PSD, claro que não são todas, mas digamos, há ali uma guarda avançada que vai pras televisões e que vai pras rádios e depois excitam-se muito e gritam e vêm com grandes tiradas filosóficas e não sei o quê, estão a fazer um péssimo serviço. E o Hugo Soares é, de facto, um deles. E neste caso, o que eu gostava de falar era da entrevista do Hugo Soares a Nelma Serpa Pinto, na SIC Notícias, alguns desta semana, em que o líder parlamentar do PSD é confrontado com o facto de Luís Montenegro viver num hotel de cinco estrelas, num hotel de luxo, em Lisboa, caro, cuja diária na internet está entre os 300 e 500 euros, e que o primeiro-ministro adotou como residência enquanto está a fazer obras nas duas casas, juntar os dois apartamentos que comprou, também no centro de Lisboa. Enfim, a Nelma Serpa Pinto faz perguntas de jornalista. Como é que ele está a pagar esta conta, sabendo que o preço mensal deste hotel é superior ao salário de primeiro-ministro. E o Hugo Soares tem uma atitude de verdadeira sobranceria, de desqualificar as perguntas da jornalista, de praticamente até achincalhar as perguntas da jornalista E quando a jornalista pergunta quem é que está a pagar, ele responde já num tom de total sarcasmo, de gozo, a dizer: "Sou eu quem está a pagar, sou eu". E depois também diz que o primeiro-ministro não tem onde dormir, que é de facto extraordinário, tendo em conta que o primeiro-ministro tem, e bem, uma residência oficial. Eu não tenho nada contra que o primeiro-ministro opte por não viver na residência oficial, ele resida onde quer. Agora, é evidente que nós, enquanto eleitores, eu fico feliz e queria deixar aqui já agora umas copas à jornalista Nelma Cerpa Pinto, por ter colocado estas questões, porque eu enquanto eleitora, isto é uma coisa que me preocupa, que o primeiro-ministro vá viver para um hotel de cinco estrelas e que não seja muito claro. E depois no meio desta teia, de facto, de situações pouco claras, é de facto algo que nos preocupa. Eu acho que as perguntas eram honestas e genuínas da parte da jornalista e o papel de Hugo Soares é de responder simplesmente que realmente o primeiro-ministro tem rendimentos, tem poupanças que lhe permitem pagar isto. Mas foi o tom de desprezo e é de facto um tom que se tem repetido ao longo destas semanas, de achincalhar a comunicação social e de desqualificar as legítimas dúvidas relativamente à integridade destes vários comportamentos de Luís Montenegro, que são inaceitáveis em democracia. A democracia é o escrutínio.

Fica então essa carta de paus para o tom de Hugo Soares. Fazemos agora uma curta pausa e sem nenhuma surpresa, na segunda parte do Fora do Baralho, vamos continuar a falar da crise política. O país está em crise política, Luís Montenegro ameaçou com uma moção de confiança e uns dias depois acabou mesmo por avançar para esse cenário e fê-lo numa altura em que o posicionamento dos outros partidos já ditava que esta opção ia provocar a queda do governo, até porque o PSD já deixou bem claro que não equaciona avançar com um novo substituto para Montenegro. João Marques de Almeida, pergunto se o primeiro-ministro esgotou mesmo todas as hipóteses que tinha para não arrastar o país para esta crise política.

Eu posso só fazer um comentário ao que disse a Susana no final da primeira parte, antes de ir a essa pergunta?

Podes, se for muito rápido.

É muito rápido. Porque tem a ver com isto, a Susana disse que o primeiro-ministro poderia afastar-se da liderança do PSD e o presidente da República podia escolher outro líder do PSD para primeiro-ministro sem eleições. Eu acho que isso é inviável e mais, acho que ninguém no PSD estaria disponível para isso, para ser primeiro-ministro sem eleições. Acho que isso é um cenário absolutamente impossível de acontecer. Não há ninguém disposto para isso. Indo agora à tua pergunta.

Se esgotou mesmo as hipóteses.

É difícil se o primeiro-ministro esgotou as hipóteses todas. Quer dizer, o primeiro-ministro está convencido que continuaria a ser atacado durante bastante tempo por este caso da sua empresa. Continuaria a ser atacado pela comunicação social, haveria uma comissão de inquérito e o primeiro-ministro, de certo modo, as pessoas podem argumentar, e acho que quem quiser argumentar isso pode argumentar com toda a razão, fez uma fuga para frente e decidiu basicamente perguntar aos portugueses se os portugueses também o culpam ou se não o culpam. Agora, dito isto, o Jorge disse isso também na primeira parte e eu aí concordo com o Jorge. Se ele tiver uma vitória eleitoral, se, e eu não tenho segurança nenhuma que ele a tenha, devo dizer já, acho que o resultado é absolutamente incerto. Mas se ele tiver, é óbvio que ele ganha uma legitimidade política nova, mas isso não afasta problemas que estejam relacionados com esta empresa. E a verdade é que nós ainda não temos a informação toda. E mais, na minha opinião, o Luís Montenegro cometeu um erro político, e é um erro político de início. O Luís Montenegro deveria ter feito o seguinte quando ganhou as eleições em março do ano passado. Deveria ter escrito uma carta a todos os clientes da sua empresa dizendo o seguinte: "Eu vou suspender a minha empresa, tendo em conta as minhas novas funções. Quando acabar as minhas funções no governo, voltaremos a conversar. Se tiverem disponíveis para continuarem a ser meus clientes, muito bem. Se não, paciência." Era o que teria feito no lugar de Montenegro. E acho que era este o comportamento mais correto. Portanto, eu acho que ele cometeu um erro político.

O primeiro-ministro tem carregado muito no argumento da vitimização e queixou-se que os esclarecimentos para a oposição nunca são suficientes. Mas está desorientado? Pedro Nuno Santos chegou a sugerir que estava mal habituado.

Não sei se ele está desorientado. O argumento de vitimização também não é um argumento que leve um político muito longe. As pessoas não se têm a vitimizar. Pelo contrário, eu acho que Montenegro Embora discordando, e eu já falei aqui na primeira parte, de muitas acusações que têm sido feitas, acho que ele tem toda a legitimidade para discordar e para se defender delas, mas também acho que Montenegro tem que ter a lucidez suficiente para reconhecer que cometeu erros, errou. Errou, no caso que eu disse, não ter suspendido a empresa, errou quando passou as suas ações também para nome da mulher, estando casado em comunhão de adquiridos, e são erros políticos, e em política as pessoas pagam pelos erros que cometem. Ele decidiu perguntar aos portugueses: "Vocês acham que eu cometi erros ou não?" E eu acho que é uma jogada muito arriscada. Mas também, neste momento, não sei se ele tinha outra solução.

Susana Peralta, Montenegro diz que deu todos os esclarecimentos, a oposição diz que não chegam, o PS avançou para a comissão parlamentar de inquérito, o primeiro-ministro respondeu com uma moção de confiança. No meio de todo este imbróglio, o que ficou por responder que pode deixar Montenegro em maus lençóis até se ganhar as eleições?

Vamos lá ver. Em primeiro lugar, há aqui um problema insanável, que foi o comportamento de Montenegro até aqui. Ele não declarou antecipadamente o conflito de interesses. O fato de ter declarado que a mulher tinha uma empresa, que nós sabemos que é a mesma coisa do que ele ter uma empresa, uma vez que são casados em comunhão de adquiridos, não o impedia de declarar o conflito de interesses relativamente a qualquer decisão que envolvesse, desde logo, o grupo Solverde, e porventura outros que façam parte da sua carteira de clientes e que nós ainda desconhecemos. Isso aconteceu e quebra a relação de confiança que nós temos, certamente que eu tenho, com o primeiro-ministro. Pronto, agora, o que é que faltou esclarecer? Não nos podemos também esquecer daquela figura patética e desonesta que o primeiro-ministro fez durante o debate da primeira moção de censura, no qual optou por não trazer a lume nenhum destes problemas, que depois mais tarde dependemos realmente da comunicação social para chamar a atenção para estas questões, e esteve a falar da criação da empresa enquanto veículo para uns terrenos que herdou no Douro e da sua paixão pelo Douro e da tradição vitivinícola daquela região. Eu convido, sinceramente, quem nos ouve, os jogadores aqui do "Fora do Baralho", os ouvintes que também jogam conosco, a irem agora revisitar aqueles momentos de Luís Montenegro, à luz do que nós sabemos hoje em dia acerca da atividade da Spinum Viva, acerca desta atividade de consultoria, e irmos rever aquele debate da primeira moção de censura. Esses dois momentos de Luís Montenegro são momentos de grande quebra, verdadeiramente, da nossa confiança no primeiro-ministro. Agora, o que é que ainda falta esclarecer? Falta esclarecer várias coisas. Acho que falta esclarecer como é que uma empresa fatura 800 mil euros só com dois ou três clientes. Que tipo de serviços é que esta empresa verdadeiramente presta? Será que os serviços alegadamente de compliance com a lei, com o Regulamento Geral de Proteção de Dados, são assim tão valiosos? Parece-me pouco claro. Quer dizer, sobretudo sabendo nós que esta empresa pertence a uma pessoa que é primeiro-ministro deste país e que os primeiros-ministros são pessoas com muito poder. E portanto é legítimo nós colocarmos questões relativamente aos serviços que verdadeiramente aquela empresa presta. E de fato, nós ainda sabemos muito pouco. Nós sabemos aqui de volta da Solverde, mas de fato nós não sabemos outros clientes e outros problemas. E portanto, há aqui um conjunto de problemas verdadeiramente essenciais relativamente à atividade desta empresa. Estou a ter o momento do José Manuel Fernandes, peço desculpa. Como é que Luís Montenegro, alegadamente, passa a empresa aos filhos.

Mas as eleições resolveriam esse problema?

Se as eleições resolvem esse problema? Eu percebo que não há muita tradição em Portugal de nós nomearmos novos governos, irmos a eleições, etc. Mas essa possibilidade, do ponto de vista constitucional, existe. Agora, o que eu acho é que neste momento é impossível, nós não podemos manter um primeiro-ministro em São Bento que entendeu manter uma atividade empresarial de consultoria. Não era uma atividade empresarial qualquer, era uma atividade empresarial de consultoria, em cuja carteira de clientes consta pelo menos uma empresa com quem a atividade do primeiro-ministro, a atividade de Luís Montenegro, tem um conflito de interesses que é verdadeiramente gritante, que é esta questão dos casinos e de Solverde. Eu acho que isto fere a legitimidade de uma pessoa que quer ocupar o cargo executivo mais elevado do país e, portanto, se a forma de o substituirmos é irmos a eleições, isso é necessário, porque de fato o Luís Montenegro manter-se em São Bento sem perguntar ao povo português se ele cauciona esse tipo de comportamento, eu acho que isso é de fato muito problemático. Agora, vamos lá ver é se o povo português efetivamente tem este entendimento e se não tiver, é porque de fato tem também critérios éticos pouco exigentes. E eu gostava de acreditar que não é o caso.

Olhando aqui um bocadinho também para a oposição, que teve aqui uma palavra a dizer sobre tudo isto, Luís Aguiar Conraria. Pedro Nuno Santos decidiu avançar com uma comissão parlamentar de inquérito a Luís Montenegro, ao governo, já depois de não ter gostado da ideia quando o CHEGA falou disso inicialmente. Foi uma estratégia para manter o primeiro-ministro alumbrando até o próximo presidente da República poder dissolver a assembleia?

Eu não consigo perceber a estratégia do PS e qualquer perspectiva que eu use para a ver parece-me inconsistente, porque se é essa a estratégia, para eu responder sim a essa pergunta, então a implicação lógica era que se iria abster da moção de confiança. É a implicação lógica. E portanto, se o objetivo é manter o primeiro-ministro alumbrando durante mais uns meses ou um ano, ou até vir o próximo presidente da República, a solução era absterem-se da moção de confiança, mas já puseram isso de parte. Por outro lado, claramente não estão assim tão interessados em que se chegue ao fim da CPI antes de haver eleições. E nesse caso, dado que não estão assim tão interessados, se estivessem assim tão interessados, geralmente bastava a abstenção na próxima moção de confiança, mais valia terem votado a favor da moção de censura e mandado o governo abaixo. Eu não consigo perceber a posição do PS, acho que está a ser inconsistente.

Mas deixa-me só olhar para essa questão.

Luís, posso só fazer um ponto muito rápido? Eu acho que tu tens razão, eu concordo contigo na apreciação do PS, mas mesmo que o PS votasse a favor da moção de censura do PCP, não seria suficiente para derrubar o governo se o Chega se abstivesse como fez.

Claro. É verdade, mas ficava o sinal político na mesma e se calhar nessa situação até o Chega se poderia rever.

Mas deixa-me só perguntar-te, Luís. O PS tinha um calendário próprio, que foi apresentado pelo próprio Pedro Nuno Santos, com Estados Gerais a começar em abril, uma preparação que alegadamente podia ser feita com calma para umas eleições antecipadas. Isto vem acelerar tudo. Pedro Nuno Santos fica em risco se o PS perder as eleições, ainda por cima depois de tudo o que levou à queda do governo e que em teoria poderia beneficiar a oposição?

É evidente. Ou Montenegro ou Pedro Nuno Santos, um deles não vai ser primeiro-ministro. E eu penso que esse que não for primeiro-ministro vai ter de se demitir da liderança do seu partido. Eu aí não vejo alternativas, nem num caso, nem no outro. No caso de Montenegro, porque se for Montenegro a perder, porque de facto isto é uma crise criada por ele e é da responsabilidade dele e, na verdade, teve até ao último momento a solução nas suas mãos. Se ele, no dia em que fez aquela comunicação ao país, tivesse anunciado o fecho da empresa, que era o que devia ali ter feito, eu penso que não estaríamos nesta situação. Apesar da quantidade enorme de disparates que fez ao longo de várias semanas, ele no último dia podia ainda ter remediado e portanto, se ele perder as eleições, ele terá de se demitir. No caso de Pedro Nuno Santos, será a segunda eleição consecutiva a perder. Também não vejo como é que pode sobreviver caso volte a perder. Isso para mim parece mais ou menos inevitável, quer num caso, quer no outro.

Jorge Fernandes, esta estratégia do PS fez algum sentido ou faz algum sentido numa tentativa de pensar no futuro?

Eu acho que faz, ao contrário do Luís, acho que faz, porque eu acho que o PS verdadeiramente percebeu que o primeiro-ministro, no seu ranking de preferências, apesar de tudo, preferiria eleições do que a Comissão Parlamentar de Inquérito, que a Comissão Parlamentar de Inquérito era a última coisa que Montenegro queria. Na verdade, a cartada da Comissão Parlamentar de Inquérito foi simplesmente para obrigar Montenegro a vir a jogo e apresentar a moção de confiança. Portanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito é uma coisa puramente instrumental, uma ameaça que obriga o governo a vir a jogo, porque para a narrativa que, na minha opinião, o PS vai tentar-

Tu achas que o PS quer eleições?

Acho.

Achas ou não?

Vamos ver. Eu acho que o PS... Isso é uma pergunta que me fiz.

Posso só dizer uma coisa? O que é evidente é que o PSD não quer a Comissão Parlamentar de Inquérito, porque Castro Almeida disse hoje ao Observador que se o PS retirasse a exigência, o pedido potestativo da Comissão Parlamentar de Inquérito, o governo tirava a moção de confiança. O PSD, o Luís Montenegro está a fugir.

Susana, isso é uma conclusão legítima, mas quer dizer, agora a questão é outra. O PS quer ou não quer eleições?

Antes de dizer isto, há um aspeto em todo este caso, que eu acho que é válido tanto para o Montenegro e para o PSD como para o PS, que é o seguinte: eu acho que há muitos mais dados que muito provavelmente a liderança do PS tem, a liderança do PSD tem, que nós não temos. Para ser completamente honesto. Há muitos mais dados sobre a situação real de Montenegro com as empresas, de eventuais informações que virão a público, que provavelmente nós ainda não temos e, portanto, a nossa avaliação aqui sofre de uma certa informação incompleta. Dito isto, eu acho-

Mas deixa-me só acrescentar, Jorge, relativamente àquilo que a Susana estava a dizer há pouco sobre o ministro Castro Almeida e que disse, de facto, que se o PS retirasse a Comissão Parlamentar de Inquérito, o governo podia repensar, mas depois Leitão Amaro já veio corrigir a mão e dizer que a moção de confiança é para manter e que o PS tem de se decidir. Portanto, estamos aqui a ver um governo mais interessado do que o PS, provavelmente, em ir a eleições, não é?

Eu li a entrevista de Castro Almeida, se quer que te diga Inês, numa dupla condição. Há um ponto lá, acho que até foste tu que fizeste a entrevista Há um ponto em que se escreve algures no texto: Castro Almeida é um dos maiores apoiantes de Marques Mendes. Eu acho que Castro Almeida, provavelmente, neste momento está a fazer contas não só aos prejuízos eventuais que isto terá causado ao PSD, mas aos enormes prejuízos eleitorais e que muito provavelmente pode até ter hipotecado completamente quaisquer vedações que Marques Mendes possa ter na presidência da República. Portanto, há um conjunto de pessoas que estão em volta de Montenegro, que estão a pensar simultaneamente neste jogo, mas também noutros tabuleiros. Eu acho que isso pode explicar esta suposta divisão dentro do governo. Mas voltando à questão do PS, eu acho que é muito possível que Pedro Nuno Santos tenha percebido que Montenegro iria cair de uma maneira ou de outra e que, ao obrigar o governo a fazer a moção de confiança, no fundo quis começar a moldar a narrativa para aquilo que vai ser a campanha do Partido Socialista, porque é muito diferente para a história que tanto o PS como o PSD vão montar, ser uma moção de censura e o governo demitir-se por causa disso, ou ser uma moção de confiança e o governo cair por causa disso. Apesar de tudo, são duas maneiras que podem parecer exatamente iguais em termos do seu objetivo final e daquilo que atingem, mas que são coisas ligeiramente diferentes. E esse é o motivo pelo qual eu acho que Pedro Nuno Santos utilizou a carta da Comissão Parlamentar de Inquérito meramente como uma jogada de blefe, se quisermos, na qual Montenegro caiu.

Eu discordo imenso disso. Eu acho que ele queria essa comissão.

Não, mas quer dizer.

E não quer nada em eleições.

E quer manter na próxima legislatura, não é?

Eu acho que ninguém quer eleições antecipadas. Isto despitou-se contra a vontade de todos os partidos.

Não, a ideia de que isto na próxima legislatura vai continuar, não acontece, isso é impossível, porque das duas uma: ou Pedro Nuno Santos ganha as eleições e não há comissão parlamentar de inquérito, Montenegro vai à vida dele, ou eventualmente, se Montenegro ganhar as eleições, será muito difícil. Pedro Nuno Santos primeiro será substituído à frente do PS, eu concordo com o Luís, sem dúvida nenhuma. Mas no fundo, são aqui duas legitimidades competitivas que estão em causa. No fundo, há a legitimidade do voto e Luís Montenegro e o PSD dirão sempre: "Bem, reparem, os portugueses sabiam sobre isto e escolheram mesmo assim legitimar Luís Montenegro."

Deixa-me só passar aqui a palavra ao Luís.

Eu posso só fazer uma coisa muito rápida em relação à tua pergunta. Eu acho que quando Pedro Nuno Santos diz que quer manter a Comissão Parlamentar de Inquérito na próxima legislatura, está implicitamente a assumir que Luís Montenegro vai ganhar as eleições e vai voltar a ser primeiro-ministro.

Achas que não há outra forma de olhar para isso? Não é tentar pressionar que o governo não caia desta forma.

Não, porque se houver eleições e Luís Montenegro perder as eleições, como disse o Luís.

Mas em que estado é que o PS ficaria se agora nesta perspetiva viesse retirar a Comissão Parlamentar de Inquérito depois desta chantagem, digamos assim? Estava a perguntar ao Luís.

Desculpe, estavas a perguntar se eu admito a hipótese do PS tirar a CPI? Não, isso não é possível.

Mas em que condições é que ficaria?

Algum recuo do PS será em abster-se da moção de confiança. Isso parece-me que será possível. Neste momento, retirar a Comissão Parlamentar de Inquérito não é sequer admissível, penso eu, aos olhos dos portugueses. Eu neste momento quero ser esclarecido sobre o que se passa e sobre as ligações daquela empresa. E não havendo eleições antecipadas e continuando a Assembleia da República a funcionar, eu quero que os esclarecimentos que Luís Montenegro não tem prestado, os preste. E penso que numa comissão parlamentar de inquérito será obrigado a prestá-los e não seria compreensível um recuo sobre isso.

João, peço-te só uma resposta muito curtinha, que estamos mesmo a terminar, mas já lançando aqui para outros voos. O Chega tem estado a festejar estas circunstâncias da queda do governo, crente de que pode vir a capitalizar numas novas eleições. Nas anteriores, o Chega conseguiu 50 deputados depois da demissão de António Costa. Isto tudo encaixa que nem uma luva no discurso de André Ventura.

Inês, eu vou ser muito sincero contigo e peço desculpa a ti, peço desculpa aos ouvintes, ao Observador, que me paga pra ter a opinião. Eu vou ser muito sincero, não faço a mínima ideia. Uma das maiores incógnitas pra mim, sinceramente, é qual será o resultado do Chega havendo eleições. Não sei se o Chega vai beneficiar disso tudo, pode beneficiar, mas também não sei se não ficou prejudicado por tanta coisa que aconteceu com a sua bancada parlamentar. E não só com o que aconteceu com alguns dos seus deputados, mas também com o comportamento errático e politicamente muito fraco de André Ventura e do Chega desde as últimas eleições. Eu não faço a mínima ideia o que é que vai acontecer ao Chega. E eles aparentemente andam felizes, pelo que tu dizes. O André Ventura também tem sempre um ar de quem anda bem-disposto e feliz. Mas não sei, sinceramente, não consigo perceber nem saber qual vai ser o resultado do Chega nas eleições. E digo mais, pra mim estas eleições são uma autêntica incógnita. Eu acho que nós podemos ter uma situação, e eu temo que isso possa acontecer como eleitor de direita, em que há uma maioria de esquerda e vamos ter um governo de Pedro Nuno Santos a primeiro-ministro, apoiado pelo Bloco, o Livre e o PCP. Não excluo nada isso, quer dizer, acho que está tudo em aberto.

Vamos ter tempo nas próximas semanas para outras leituras e talvez futurologia. Esta semana ficamos por aqui. Eu sou a Inês André Figueiredo e este é o "Fora do Baralho". Voltamos para a semana, aparentemente sem governo. Pode ouvir aqui na Rádio Observador, o "Fora do Baralho" todas as sextas-feiras depois das 19h, com repetições aos sábados depois das 9h e sempre em podcast nas plataformas habituais.