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Muito bom dia, Miguel. Bem-vindo.

Olá, Carla. Bom dia.

Vamos começar pelo Médio Oriente. Um dia haveremos de deixar de contar, mas estamos na nona noite consecutiva de ataques, com a Guarda Republicana Iraniana a ser muito vocal e a afirmar que se a agressão norte-americana continuar, nem mais uma gota de petróleo voltará a passar pelo Estreito de Ormuz. Já estamos perante um agravamento da situação com um enorme impacto global.

Sim, muito bom dia. Nós estamos a ver exatamente aquilo que nós esperávamos, que é o Irão a tentar escalar esta guerra para os limites que sabe que os Estados Unidos não podem ou, neste momento, não querem atingir. E portanto, estão a ser cada vez mais vocais, cada vez estão a ser mais firmes naquilo que são as suas intransigências, aguardando, efetivamente, que os Estados Unidos elevem este conflito a um nível que seria uma intervenção militar muito mais alargada, possivelmente até uma intervenção militar que ocupasse o estreito e que, ao ocupar o estreito, obrigasse à deposição, por exemplo, de tropas no terreno. O que neste momento seria praticamente impossível isso acontecer, porque vai haver baixas, vai obrigar a uma intervenção por parte do Congresso norte-americano, autorizando o presidente dos Estados Unidos a fazer essa intervenção, e nós estamos a poucos meses das eleições intercalares. Tudo isto é um bolo, digamos assim, quase explosivo nas mãos do presidente norte-americano, que ele sabe que não pode, neste momento, fazer essa intervenção. Tem capacidade militar? Tem. Isso já todos os analistas militares nos disseram, que o que tem naquela região seria suficiente para ter uma intervenção militar que permitisse abrir o estreito, permitisse a passagem normal de tudo o que era os cargueiros que levam todos os hidrocarbonetos, mas lá está, isso obrigaria a ocupar o espaço. E a ocupação do espaço vai trazer efeitos negativos, como baixas e tudo mais.

Claro. E basta ver o que aconteceu este fim de semana já com as notícias de mortes de militares. Miguel, Marco Rubio já pediu que outros países devem também assegurar as condições de navegação do Estreito de Ormuz. A questão também passa um pouco por isso, não é? Quem é que vai ouvir o secretário de Estado norte-americano e quem é que quer entrar num conflito desta dimensão?

Lá está, isso leva-nos à última reunião da NATO. Nessa reunião da NATO, houve vários países e vários líderes europeus, nomeadamente, que vocalizaram o fato de que achavam muito bem aquilo que estava a ser feito por parte dos Estados Unidos, porque efetivamente, o Irão não podia bloquear a economia mundial. E nessa altura, o que acima de tudo o presidente norte-americano procura não é a deposição de mais meios navais de guerra para a região, porque os Estados Unidos não precisam. Neste momento, o que Marco Rubio fala e J. D. Vance falou, e acima de tudo, na última conferência da NATO, aquilo que o presidente norte-americano pediu, de alguma forma, é que houvesse um mandato internacional, nomeadamente por aquilo que são os países da NATO, e afirmando politicamente o apoio a Donald Trump, que é isto é que está a faltar neste momento. Nós vemos que é uma intervenção dos Estados Unidos, já nem é mais de Israel. Israel neste momento está focalizado entre dois aspectos que são as suas próprias eleições internas e a questão do Líbano. Neste momento, temos os Estados Unidos a tentarem, de alguma forma, que este gargalo econômico não volte a acontecer, apesar de já estar a acontecer. E, portanto, precisaria, e Rubio vai nesse sentido, era imaginarmos o que seria um mandato oficial de quatro, cinco ou seis países da NATO, vamos dizer França, Inglaterra, Alemanha, Canadá, por exemplo, a vir dizer que apoiam politicamente a intervenção dos Estados Unidos naquela região e oferecem apoio militar, caso necessário. Isso daria um respaldo e uma força à intervenção norte-americana muito maior. Nós sabemos que Espanha é contra. Eu acho difícil que aconteça neste momento.

Miguel, estamos com muito pouco tempo, mas isto se calhar vem a propósito ou não. Ontem terminou o Campeonato Mundial de Futebol. Isto do ponto de vista da reputação dos Estados Unidos e até daquele aperto de mão que vimos muito brevemente Trump fazer com Pedro Sanchez, isto pode trazer algum benefício?

Para Pedro Sanchez?

Ou para Trump. Para um ou para outro.

Só para Trump. Muito rapidamente, eu acho que os dois vão tentar tirar proveito desta situação, possivelmente Pedro Sanchez também vai dizer que isto foi mais uma intervenção vitoriosa.

Mais uma grande vitória.

Do PS contra uma quantidade de situações. No entanto, Trump tentou tirar desde o princípio proveito deste campeonato do mundo, demonstrando que os Estados Unidos têm essa capacidade global e de que as pessoas vão aos Estados Unidos, de que as nações vão aos Estados Unidos. É muito nesta procura de voltar a centralizar os Estados Unidos como o centro do mundo, onde os países mais investem, onde os países vão comprar, o líder que volta a ser o grande líder mundial, que decide guerras, que decide paz, que decide quem fica com quem, que decide se vai intervir nesta ou naquela situação, que decide, por exemplo, se um país como a Groenlândia tem que agora deixar de ser da Dinamarca e passar a ser dos Estados Unidos. Portanto, esta centralidade global que ele quer ocupar no mundo político, o futebol também lhe traz isso. Um país que efetivamente não tem uma tradição de futebol, um presidente norte-americano, principalmente, que não conhecia nada de futebol. Inclusive ele disse a Ronaldo que o filho é que estava muito interessado nestas questões de futebol, mas obviamente que este espetáculo que se passou nos Estados Unidos, principalmente neste ano, tentou centralizar esta ideia de que o presidente norte-americano, de que os Estados Unidos, de que esta administração americana voltaram a centralizar em si a política global. Se possivelmente isto lhe vai render votos dentro de portas, acho que não. Acho que não e acho que nós vamos ter algumas surpresas nestas midterms. E com isto termino, mas ele também já abriu a caixa de Pandora quando na semana passada disse que o sistema eleitoral norte-americano não era seguro.

Exato, que era muito vulnerável. Portanto, todas as interpretações podem ser feitas.

Exatamente, já antevendo o que pode acontecer em novembro.

Miguel Baumgartner, muito obrigada pela análise. Um bom dia e uma boa semana. Obrigada.

De nada. Um bom dia. Muito obrigado, igualmente pra vocês também.