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Gabinete de Guerra na Rádio Observador. Vamos falar sobre os dois conflitos ativos no mundo, um na Ucrânia e outro no Médio Oriente, nos próximos minutos, com a ajuda do Vítor Gabriel Oliveira, secretário-geral da Sedes Europa, a quem desejo desde já muito boa tarde. Vítor Gabriel Oliveira, obrigado por estar conosco na Rádio Observador. Eu queria começar por lhe perguntar: vamos ter uma reunião em Haia no final deste mês, que vai reunir os aliados da Aliança Atlântica, da NATO. E há aqui novidades, pelo menos a Bloomberg conta hoje que o rascunho da declaração final dessa cimeira inclui duas novidades. Primeiro, os aliados vão passar a incluir apoios militares à Ucrânia no seu orçamento de defesa e este documento, este rascunho, pelo menos, já não vai incluir qualquer referência à adesão da Ucrânia à NATO. Vítor Gabriel Oliveira, o que quero perguntar é, dadas as negociações também mediadas pelos Estados Unidos, se o aproximar de uma solução de paz entre a Rússia e a Ucrânia pode ser sinônimo de cortar por completo esta intenção da Ucrânia aderir à NATO, uma vez que é uma linha vermelha para Moscovo.

Muito obrigado à Rádio Observador pelo convite, mais uma vez. Acredito que os Estados Unidos tenham tido um papel forte nesse desaparecimento dessa intenção de Kiev de entrar na NATO. Portanto, é uma intenção que ficará, pelo menos por agora, em standby. Temos que ter em atenção que a cimeira que ocorrerá no final de junho, nos Países Baixos, terá que ter um foco, ou seja, não pode estar demasiado desfocada e terá que ter resultados concretos. Ou seja, colocar lá que a Ucrânia pode, eventualmente, integrar a NATO, não sendo isso provável a curto prazo, pode desviar e, de certa forma, desvirtuar aqueles dois dias em Haia e as conclusões finais serem que não se chegou a consenso sobre a Ucrânia entrar ou não na NATO. Portanto, isso é uma gestão estratégica da própria comunicação da cimeira, na minha opinião, mediada entre Mark Rutte e os Estados Unidos. Portanto, sabendo que isso não é possível e que isso é uma forma até de conseguir trazer a Rússia mais facilmente à mesa das negociações. Mas como disse agora, não se abandona a Ucrânia na totalidade. Há um reforço do orçamento para entregar mais armamento à Ucrânia. Aquilo que se faz é um meio-termo e provavelmente, mesmo estando o Zelensky presente, esse não será o tema dominador da cimeira. O que eu acho, e pelas palavras que Mark Rutte tem dito nos últimos dias, ainda agora, dia 9 de junho, na segunda-feira passada, esteve em Londres, onde participou num think tank no Chatham House, onde falou sobre várias matérias de segurança e que teve a oportunidade de dizer que queria 400% de aumento de investimento na área da defesa aérea e antimíssil e também nos veículos. Falou de outra coisa que nós não estamos normalmente habituados a ouvir nestas questões, que é a questão das infraestruturas. Há uma preocupação da NATO, e acredito que isso será levado pra cimeira, com a questão das infraestruturas, ou seja, como é que nós transportamos, no momento de guerra, os tanques, os homens e as botas no terreno para a frente de batalha. Neste caso, é muito importante como é que transportamos, por exemplo, todo o armamento que estará em países do sul pras fronteiras com a Rússia no momento da agressão, por exemplo. E esse investimento em infraestruturas, nomeadamente estradas, linhas de caminho de ferro, etc, estará também sobre a mesa. Isso também é algo que pode entrar neste aumento de orçamento da NATO. Portanto, são estas questões que Mark Rutte quer focar e o fato de ter a questão da Ucrânia aqui poderia lhe tirar algum foco, e eu penso que essa mediação foi feita com os Estados Unidos de forma intencional.

Vítor Gabriel Oliveira, deixe-me também ouvi-lo sobre o que se passa na Faixa de Gaza e em Israel, precisamente hoje, porque os partidos da oposição israelita vão mesmo apresentar esta quarta-feira um projeto para dissolver o Parlamento israelita, o Knesset. E estou aqui a socorrer-me do Times of Israel, que tem um comunicado onde os vários partidos da oposição confirmam que decidiram retirar da agenda projetos de lei da oposição para concentrar todos os esforços num só objetivo: derrubar o governo de Netanyahu. O que eu quero perguntar é se isso pode ser o fim da linha para Benjamin Netanyahu, que está a liderar um Executivo, neste momento, que está em guerra na Faixa de Gaza.

Sabemos que Netanyahu tem tido várias vidas na sua capacidade de aguentar a pressão. Agora, também por aqui percebemos que, e como temos vindo a referir várias vezes na Rádio Observador, há provavelmente, e eu digo provavelmente porque é preciso ir muito mais profundo pra conseguir apurar isto em 200%, uma ligação entre a pressão que sente Netanyahu e a instabilidade que sente em o seu governo poder cair ou não, para as decisões que toma na frente de combate e nas decisões que toma, nomeadamente, para agradar mais ou não a setores que o apoiam dentro do próprio governo. E é isso que temos que ir percebendo. Ainda hoje, como sabe, houve bombardeamentos e tem havido bastantes problemas com a questão da chegada da ajuda humanitária a Gaza. E percebemos também que esse avolumar de tensão provocada até na comunidade internacional, assim o interpreta a comunidade internacional, não sou eu, por Benjamin Netanyahu, poderá também ter a ver com uma resposta àquilo que poderá estar a antecipar dentro da própria assembleia israelita. Portanto, teremos que aguardar nos próximos dias pra perceber o que se vai passar e também pra perceber qual é a configuração que tomará uma queda do governo, se haverá novas eleições, se não haverá e quem são os partidos e as figuras que se colocam e quais são as opiniões deles relativamente ao Estado palestiniano e à questão da ajuda humanitária e à questão da guerra que estão a travar contra o Hamas.

Exatamente isso que eu lhe queria perguntar, Vítor Gabriel Oliveira, num minuto. Que impacto direto é que isto pode ter no Hamas e na Faixa de Gaza? Há um consenso generalizado entre os partidos mesmo da oposição israelita na continuação desta guerra que estamos a ver na Faixa de Gaza

Sim, é aquilo que eu dizia. Uma queda do governo continuará depois provavelmente em gestão, mas terá consequências.

Poderá até condicionar as ações do próprio Netanyahu num governo de gestão a liderar uma guerra.

Exatamente. Isso é a primeira questão e depois é percebermos qual é o posicionamento, o que é que as sondagens vão indicar. Tudo isso levar-nos-á provavelmente para um tempo entre dois a três meses até haver novo governo e isso implicará um condicionamento de Israel no terreno, o que provavelmente até pode facilitar a acalmia dos ataques e a entrada de outra forma de ajuda humanitária. É preciso percebermos realmente o que vai acontecer para depois conseguirmos avaliar quem são os players, ou seja, quem é que se coloca e de que maneira Netanyahu vai gerir essa questão.

Quarta-feira, 11 de junho, decide-se o futuro do governo de Benjamin Netanyahu no Knesset israelita. Vítor Gabriel Oliveira, muito obrigado pela ajuda. O secretário-geral da CEDES Europa esteve conosco nestes últimos minutos no gabinete de guerra da Rádio Observador, a analisar um pouco o que se passa na Ucrânia e no Médio Oriente. Vítor Gabriel Oliveira, muito obrigado. Boa tarde.

Obrigado.