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Começa agora o Geração V, o teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador, feito em parceria com o Ovoto. Eu sou o Vasco Galharde e hoje tenho comigo a Joana Zaguri e a Maria Vilarê. O nosso Zé Paulo está numas merecidas férias pelo Mediterrâneo e por isso hoje convidámos o Rui Lopo. Olá, Rui, bem-vindo ao Geração V e obrigado por te juntares a nós.
Olá, muito obrigado. É um gosto estar aqui e cumprimentar-vos a todos.
Deem as boas-vindas ao Rui.
Olá, Rui, bem-vindo. Espera só pelo teu anonimato.
Muito bem. O pacote laboral foi hoje, sexta-feira, chumbado pelo Chega e pela restante esquerda e vou obviamente querer ouvir a opinião dos meus comentadores sobre este desfecho. Soubemos também nos últimos dias que um grupo neonazi tinha uma lista de indesejáveis, maior parte deles figuras políticas de topo do nosso país. E para terminar, vamos falar das buscas que aconteceram na Câmara Municipal de Cascais pela Polícia Judiciária por suspeitas em contratos de obras públicas. Rui, começo por ti, o nosso convidado, e pelo tema do dia: esperavas este chumbo do pacote laboral?
Eu acho que ninguém sabia o que ia acontecer. Acho que foi algo muito discutido entre as cúpulas e por isso a informação não passou cá para fora. Em primeiro lugar, eu gostava de dizer que a opção fácil era não fazer nada. Repara, o salário médio sobe acima daquilo que era expectado. Tu tens o desemprego no mínimo. A The Economist considera a economia portuguesa a melhor economia do ano. Politicamente, o que era fácil fazer era gerir estas informações, era não avançar com uma reforma laboral. Mas esse não é o ADN do PSD e, portanto, se nós queremos que o país mude, nós temos de o mudar com maioria absoluta ou sem maioria absoluta. A verdade é que quando nós olhamos para uma reforma, temos de perceber ao que é que ela responde. E a reforma laboral responde a dois grandes problemas do nosso país. Em primeiro lugar, à tua falta de produtividade e depois aos teus baixos salários. A nossa produtividade está 28% abaixo da média europeia, se não me falha a memória, e os teus salários estão 35% abaixo da média europeia. E portanto, se nós queremos ter salários europeus, temos que ter produtividade europeia.
Alguma coisa era preciso ser feita, é isso?
Alguma coisa era preciso ser feita. E é por isso que eu não percebo, sinceramente, a posição do Partido Socialista, porque ok que na medida em que já não me surpreendem, porque são melhores do que nós a deixar as coisas como estão. Mas um país que não se reforma, não anda pra frente. E portanto, o Hugo Soares usou hoje uma expressão em plenário que foi: "Pelo menos com Pedro Nuno Santos, nós sabíamos o que esperar", que é estava mais junto à extrema esquerda, é a posição dele, e por isso sabíamos que nunca iria conosco. Mas José Luís Carneiro parecia ser mais moderado e vai fazendo quase o jogo do Calimero de finge que está minimamente disponível a, mas depois nunca avança, mas depois nunca dá em nada e passa o tempo todo a desmarcar-se de qualquer possível reforma laboral e outras que viessem a acontecer. Por outro lado, o partido Chega joga a vantagem de não ser governo. Aliás, eu estava hoje a discutir com amigos meus, pessoas da minha idade, o fato de como é que é possível um jovem hoje em dia votar no Chega. Como é que é possível? Quando nós falamos da produtividade e quando nós falamos, principalmente, da nossa Segurança Social, o Chega ativamente propõe coisas que vão hipotecar a minha geração e provavelmente a geração dos meus filhos. Não é sustentável. Capitalizar o fato de não ser governo para, em última instância, forçar medidas que são populistas, que toda a gente idealmente gostava que acontecessem no nosso país, mas que realisticamente não são aplicáveis, e disseram: ou aprovam algo que é impossível de ser aprovado porque as contas públicas não aguentam. Ou, por outro lado, bem, depois já trazes o teu tempo para dizer isso. Mas ou aprovam algo que é impossível porque as contas públicas não aguentam, ou então a reforma laboral é chumbada e como disse o Hugo Soares, foi à 25ª hora. Foi mesmo em cima da hora. Aliás, eu acredito que aqueles 30 minutos que o Chega pediu a meio do plenário ainda foi pra tentar reforçar uma última instância, isso ser passado. E portanto, quando de um lado o Partido Socialista desmarca-se completamente de fazer qualquer tipo de reforma, lá saberão por quê, e o Chega, por outro lado, vai fazendo o jogo político de estão a favor, mas depois são pressionados pela opinião pública e, portanto, já estão contra. André Ventura parece ser a favor do mercado livre num momento, mas depois há uma manifestação e há uma greve e já parece um, diria quase, um sindicalista de extrema-esquerda, porque esse foi o discurso que fez, igual à UGT em determinada instância.
Tu vais falar, justamente, da pressão das redes sociais. Achas que isso funcionou?
Sem dúvida que funcionou. Acho que o Chega politicamente joga muito pro lado onde vai o vento em determinada instância e consegue fazer isso porque faz isso sucessivamente e aparentemente nunca acontece nada, portanto, nunca tem a penalização política. Mas essa estratégia também tem limites. Aguardo esse dia.
Muito bem. Maria, o Chega fez bem em votar contra?
Eu acho que sim. Eu gostava de começar por nós termos a economia agora mais forte e eu acho que os portugueses não sentem esse ímpeto da economia no seu dia a dia e mesmo que sentissem, não era com esta reforma laboral que nós íamos criar competitividade e um mercado liberal. Eu acho que este governo peca um bocadinho por não perceber muito bem se quer ser uma economia verdadeiramente liberal como a Suíça.
Que tu conheces bem.
Para isso tem que ter em conta outras variáveis, como por exemplo, o Estado não poder ficar com uma fatia tão grande dos impostos como fica hoje, e oscila entre querer ter um mercado completamente liberal ou fazer reformas que absolutamente na prática não fazem sentido. Estou me a lembrar da questão do outsourcing. Não consigo perceber como é que um governo Acha que acabar com os 12 meses em que uma empresa, quando despede trabalhadores, deixa de poder fazer o outsourcing desses postos de trabalho que extinguiu, não percebo como é que isto vai ajudar a economia. Se fosse para empresas que estão em dificuldades, eu ainda conseguia compreender, não era o caso. E portanto, eu acho que o governo está a tentar fazer uma reforma ao contrário. Acho que as coisas importantes neste momento para Portugal se afirmar como uma economia forte seria, por exemplo, uma discussão séria sobre a carga fiscal, tanto do lado das empresas como do lado dos trabalhadores. Esta reforma não tinha pernas para andar, acho que isso ficou claro. Concordo, em certa medida, com a questão de ser necessário poder haver uma reforma do Código de Trabalho, que acho que o Código de Trabalho, em alguns casos, está bastante obsoleto, mas acho que este não era o caminho. Em relação ao Partido Socialista, estou completamente de acordo. A Joana está ali muito calada, mas estou completamente de acordo. Acho que o Partido Socialista nunca quer fazer reformas para nada, quer deixar tudo como está, está tudo muito bem. Agora acho que André Ventura fez bem, fez aquilo que tinha a fazer. Voltando também à questão das reformas, das pensões.
Eu ia te perguntar isso.
Acho que é perfeitamente possível.
Como?
Acho que uma das coisas que André Ventura falou inicialmente tinham sido os 65 anos de idade ou 40 anos de descontos, portanto recalibrar o tempo em que uma pessoa faz descontos versus só a idade que a pessoa tem. Nós temos outras economias muito mais fortes que a nossa, que têm idades da reforma inferiores, e portanto eu acho que não é impossível. Acho que, por exemplo, em corrupção, este país perde muito dinheiro todos os anos e já podemos falar a seguir do caso das buscas da Câmara de Cascais. Portanto, acho que é uma questão de saber gerir melhor o dinheiro que temos, de saber fazer reformas onde elas são precisas e acho que esta reforma não tinha absolutamente nenhuma razão de ser.
Muito bem, Joana, feliz com este chumbo, presumo? Conta-nos tudo.
Eu acho que para quem nos está a ver no vídeo, eu acho que hoje eu estou no sítio certo. Tu reclamas muito que eu me sento aqui, mas de facto eu hoje estou aqui no sítio certo. Entre as duas direitas que não se conseguem entender. Não há união entre a direita, não é verdade? Isto para dizer, evidentemente que estou feliz. Acho que esta reforma laboral era, e falámos sobre isso aqui, era um espetáculo de tristeza. E gostava de citar a ministra, que citei da última vez que falámos da reforma laboral. Há mais vida para além da reforma laboral e espero que a ministra faça um melhor uso do seu mandato do que fez neste último ano e meio, sensivelmente, que esteve a discutir estas medidas.
Essa era a próxima pergunta que eu ia fazer.
E acho que os meus dois queridos colegas de painel estão profundamente enganados, mas acho divertido. Nós durante muitos anos fizemos o...
Tu és do Partido Socialista.
Eu não enfio nenhum dos dois hoje.
A Joana aguenta.
Eu hoje, desculpa, ia dizer que tu és do Partido Socialista, tens sempre as respostas todas. Eu guardo aqui para ouvir.
Fala o Chega.
Força.
Mas voltando ao que eu estava a dizer. Acho sempre muito engraçado, antigamente era a culpa é do PASS, agora a culpa é do PS. Isto vai girando e tem muita graça. Agora a culpa é do PS, da reforma laboral ter sido chumbada. Não, a culpa é da arrogância do PSD. O PSD continua, tanto no mandato anterior como neste, porque tivemos eleições, e portanto são dois mandatos, sem aceitar a inevitabilidade que é um governo de minoria parlamentar. E portanto, ou aprende que tem que negociar de forma igual com todos os partidos, ou não vale a pena ver as coisas a ser chumbadas e vir dizer: "O PS é todo mimimis". Não. O PS foi completamente excluído destas negociações há meses e portanto agora não pode.
O PS autoexcluiu-se.
O PS autoexcluiu-se.
O PS autoexcluiu-se? Não, desculpa, o PS não se excluiu, não foi uma autoexclusão. O PSD estabeleceu quem é que queria que fosse o seu parceiro. E é um parceiro que por mais do que uma vez já nos provou que não é um parceiro fiável. Não é a primeira vez que o Chega faz isto ao PSD e não será certamente a última, seja por causa de um vídeo do TikTok ou porque tem, como dizia o Paulo Núncio hoje, que tem medo do público e tem medo da reação das pessoas. Bom, é bom que o Chega tenha medo da reação das pessoas e que todos os partidos tenham preocupação com o que as pessoas pensam. E por isso aprovar esta reforma laboral seria ir contra aquilo que as pessoas pensam e ficou evidente. Aliás, Vasco, desculpa, mas como estamos num podcast do Eu Voto, eu convido toda a gente a ir ver a sondagem que está a decorrer no Eu Voto agora, que como é evidente, é uma amostra que não é fiável.
Mas é uma amostra grande.
Mas é uma amostra grande e que mostra que a grande maioria é contra este pacote laboral. E só fazer aqui uma nota que eu acho muito engraçada aqui de uma das coisas que o Rui disse, além do PS, que é dizer, eu hoje falava com amigos meus sobre como é que os jovens votam no Chega. Eu acho que o problema não é esse.
Mas podem-me perguntar, eu estou aqui.
O meu partido deve-se fazer a mesma pergunta: como é que os jovens estão a votar no Chega e não estão a votar em nós? Só que isso aí, desculpa, mas não vem.
Essa é fácil de responder.
É em nós, nos nossos dois partidos, porque não estão a votar nem no teu, nem no meu.
Estão, sim.
Não, não estão. Essa é que é a questão. Quem leva a taça neste momento, quem demonstra, desculpa...
Dos 18 aos 35 é PSD.
PSD em primeiro lugar, acho eu, e Chega em segundo.
Sim, o PSD.
O PS lá para baixo, ao pé da Iniciativa Liberal.
Nas últimas eleições, não foi nas anteriores. E portanto, acho que a pergunta deve ser essa e acho que falta ao PSD um bocadinho mais de humildade na forma como se apresentam e principalmente, tendo em conta as circunstâncias em que estão, dizer que agora todos os outros partidos são culpados desta falta de ambição para o país, quando já falámos aqui que a produtividade não se mede por esta reforma laboral, não é por aqui que vamos aumentar a produtividade, não é a aumentar os contratos a termo, não é a piorar as regras do banco de horas, porque vamos falar com alguém a quem o empregador aplica as regras do banco de horas atuais e que dizem que as horas não são pagas, portanto, votarmos a aumentar e a criar mais discricionariedade da parte do empregador é pior. Portanto, parabéns aos trabalhadores, parabéns à classe trabalhadora.
E parabéns ao Chega.
E parabéns ao PS.
Maria, a pergunta é para ti, então, por que um jovem vota no Chega?
Eu comecei por votar no Chega porque foi o primeiro partido que começou a falar abertamente sobre a questão de termos uma imigração descontrolada. O PSD agora já apanhou um bocadinho que isto realmente é uma prioridade Para o país, porque o ritmo a que estávamos a crescer era insustentável. E a segunda razão, e esta era a principal razão, foi que o PSD e o PS estiveram alternados no governo nos últimos 50 anos e as coisas continuam mais ou menos na mesma. Eu, enquanto jovem, quando comecei a trabalhar, não tive qualquer tipo de oportunidades que eu achasse que eram relevantes.
Joana Maria, não podes dizer isso.
Só para fazer um aparte, ainda bem que hoje tivemos a notícia que o preço das casas no Porto desceu e em Lisboa estagnou. Vou só deixar esta aqui. Mas ainda bem que correm tanto passar a narrativa de que o PS e o PSD são iguais. Com o PS, o preço das casas disparava. Com o PSD, o preço das casas no Porto desce e em Lisboa estagnou.
Vamos ver para a próxima semana. E depois outra coisa que nós não falámos aqui, não sei se vocês querem dar muito rapidamente a vossa opinião, que é que eu gostava de saber, principalmente tu, se achas que o governo vai sobreviver a estar isolado neste momento, que é aquilo que está a acontecer, e se vai ter alguma capacidade de saltar para fora deste assunto da reforma laboral, se vai conseguir fazer alguma coisa acerca disso.
O mundo não acaba na reforma laboral.
Não, há mais vida para além da reforma laboral, a ministra é tuata.
Era o que faltava agora, por causa de uma lei não ser aprovada, uma ministra desaparecia e o governo ia todo abaixo.
Não é uma mera lei, desculpa. É um pacote e uma reforma criadas por esta ministra que não estava incluída no programa eleitoral, portanto, a sua imagem de marca deixa muito a querer, mas estamos cá para ver, a ministra e agora a proteção social única.
Quando o país precisa, não preocupa com esses assuntos.
Rui, muito rápido, em 30 segundos, o que é que achas que a posição em que fica a ministra do Trabalho neste momento?
Acho que fica na mesma posição, acho que isso não muda absolutamente nada. A ministra é extraordinária e conhecedora da pasta e por isso está como está e há de continuar. Se o governo da AD mantém a sua posição, isso consegue consolidar. Tem muita carreira na vida académica, sem dúvida nenhuma.
A teoria não na prática.
Eu acho que o governo da AD está bem, porque quando alguém faz aquilo que o país precisa, o julgamento depois é das pessoas. Não é meu, não é teu, não é da Joana, é das pessoas. As pessoas depois vão descobrir quem é que de fato tentou mudar o país e quem é que bloqueou.
Muito bem. Está feita a primeira parte do "Geração V". Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Geração V". Nos últimos dias soubemos que o grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano, que tinha uma longa lista de personalidades nacionais e que alegremente estava a preparar, alegadamente, peço desculpa estava a preparar ataques a muitos deles. Joana, sei que querias ser tu a começar neste tema. Surpreendeu-te a lista de indesejáveis, que entretanto foi partilhada?
Eu nunca disse que queria ser eu a começar neste tema.
Não, sugeriste.
Mas tendo em conta a minha ascendência judia, começar eu a falar sobre neonazis, acho que é alguma restituição histórica. Este assunto é profundamente preocupante, mas não acho que seja motivo de um alarme profundo do ponto de vista de sociedade, porque estes movimentos existem, sempre existiram estes movimentos. Ou seja, acho que não estamos aqui neste grupo em específico e neste setor em específico, a ver o crescimento de movimentos terroristas, como se passa noutros países da Europa e do mundo. Temos que estar atentos e também dar os parabéns às nossas forças de segurança por terem interceptado este movimento a tempo. Ao mesmo tempo que o alerta à Polícia Municipal e à PSP em geral, para verificar aquilo que já temos vindo aqui a falar sobre o crescimento de determinados ideais dentro da polícia. E efetivamente, o que aconteceu aqui é que temos um polícia municipal que foi quem forneceu os dados que viriam a ser o ataque a Luís Montenegro. Depois há um detalhe, que é a razão pela qual o Vasco acha que queria ser eu a começar. A CNN lançou há poucas horas a lista completa, ou pelo menos dos indesejáveis, e eu estou aqui com uma grande curiosidade, que é o que os nossos terroristas portugueses têm contra o Marco Paulo e o Nuno Markl. O Marco Paulo está alegremente a descansar, e ainda hoje na mesa de cabeceira de várias mulheres deste país. Que mal é que este homem fez à lei?
Realmente.
E depois não consigo perceber aquela extensa lista de políticos no clima atual e tendo em conta os políticos que são, e não está o José Sócrates. Eu acho isto absolutamente inacreditável. Eu não percebo o que se passa ali neste grupo do Signal deles, acho que falhou, se calhar. Isto também dizer que já dois deles estão em prisão preventiva e esperemos que o processo tenha uma condução adequada e que sirva de exemplo para quem tiver este tipo de ideias, até porque foram encontrados explosivos e um conjunto de coisas nas casas dos visados. Portanto, que isto sirva de exemplo de que este tipo de movimentos não são toleráveis em circunstância alguma.
Claro que não. Rui, a violência política está a aumentar em Portugal?
Acho que a violência política está a aumentar em Portugal. Mas a minha perceção não conta, o que interessa é olhar para os relatórios, que às vezes é importante relembrar.
Sem dúvida.
Isso foi uma resposta ao ministro da Administração Interna. Foi uma ótima resposta ao ministro da Administração Interna.
Pronto, leva com o elogio. Aceito o elogio. O que eu ia dizer? Em primeiro lugar, estou absolutamente de acordo com a Joana. Acho que é extraordinariamente preocupante, mas se começamos a criar um alarme geral sobre o assunto, aí temos um problema, porque começamos a criar caos social e isso também não é de todo saudável. Quanto a estes movimentos nazis, no geral, aquilo que me assusta e me preocupa um bocadito é a questão de como é que eles começam. E quando nós olhamos, há um padrão, há uma lógica de muitas vezes são jovens, que têm problemas sociais e depois autoexcluem-se e a sociedade exclui, seja por questões económicas, seja porque depois tiveram más notas na escola. Existe todo um caminho.
Tentarmos ir à raiz do problema, não é?
Acho que nós enquanto sociedade devemos mesmo começar a pensar o que nós estamos a fazer.
Como é que as pessoas se radicalizam.
Como é que as pessoas se radicalizam. Porque depois a questão é: nós temos exemplos como Mário Machado e outros. As pessoas cometem atos errados, são presas, são condenadas, são ostracizadas, tudo e mais alguma coisa. Aquela pessoa sai, a vida dela vai continuar a ser aquilo, dentro da prisão, fora da prisão, onde quer que seja. Portanto, em primeiro lugar, evitar que essa radicalização da pessoa aconteça. E depois perceber como é que nós podemos efetivamente dar-lhe uma vida diferente pra ela não ter a necessidade de se sentir aceite num grupo desses e continuar toda a lógica do ódio e alimentarem-se e viver numa bolha.
E até contrariar esses próprios ímpetos mesmo depois, numa lógica de reintegração social.
Que nós não temos em Portugal.
Exato. E temos um sistema penal que prevê a ressocialização do condenado e que depois, na prática, deixa muito a desejar e isso é muito preocupante, até deste ponto de vista que o Rui estava a dizer.
Maria, isto sim, é a verdadeira extrema-direita?
Sim, lá está, aqui é um exemplo perfeito de um grupo que é um grupo de extrema-direita, é daqueles casos que as pessoas-
Isso foi uma pergunta mesmo fácil para a Maria.
Não, mas é uma pergunta relevante, porque nós vemos muitas vezes muitas pessoas na nossa sociedade, sem qualquer consequência, apelidar o Chega de um partido de extrema-direita, estão sempre a gritar ao lobo e aqui temos o lobo verdadeiramente e temos aqui pessoas que realmente têm potencial para serem perigosas. Eu concordo com a Joana na parte em que ela disse que aquela lista, eu sinceramente, aquilo não tem piada nenhuma, mas aquilo até me deu um bocadinho vontade de rir, porque era uma lista que não fazia sentido nenhum. Quer dizer, não estar lá o José Sócrates e estar o Marco Paulo, essa do Marco Paulo eu não consigo passar à frente.
O Marco Paulo é um autor de violência obstétrica.
Foi um homem que deu tantas alegrias.
Mas isso é por causa da questão do aborto e outras pessoas que lá estão provavelmente é pela questão de serem homossexuais, de serem judeus. Portanto, aquilo é qualquer pessoa que tenha um estilo de vida ou tenha crenças que não são iguais àquelas que aquele grupo acha, é para terminar. O problema hoje em dia é que nós temos uma sociedade que está radicalizada. Temos estes grupos de extrema-direita, temos também grupos de extrema-esquerda, temos grupos de extrema-esquerda, aqueles que tu te recusaste quando a atirar o coquetel Molotov para cima da manifestação, a chamar de extrema-esquerda.
Eu não sei qual é o dia do programa.
Não, tu disseste que era um anarca, era simplesmente um anarca. E é preciso chamar os bois pelos nomes, como diz a minha avó. E este caso é extrema-direita e espero que sejam investigados, que sejam punidos, que os elementos das forças de segurança que estão implicados tenham também uma investigação interna e as consequências devidas numa circunstância destas. Acho que é também, vou na linha do que tu disseste, eu acho que é preciso compreender as motivações destas pessoas. É preciso compreender de onde é que vem este ódio pelos outros e pelas opiniões diferentes das nossas.
Como é que isso se faz neste ponto?
Maria, tu sendo do Chega, falar sobre o ódio pelas opiniões dos outros.
Ia dizer que a sociedade portuguesa está radicalizada.
E está.
E o ódio aos imigrantes é um dos pontos de partida.
Tu estás a ver, eu alguma vez disse aqui alguma coisa que demonstrasse ódio aos imigrantes? Ou falei de uma imigração controlada?
Pronto, mas a Maria está cá a representar-se ela própria.
Mas sabes quem é o maior culpado destas questões dos ódios aos imigrantes e da radicalização? É o PS, porque o PS deixou entrar-
Isso é uma inversão de narrativa que eu não esperava.
Pois, claro, vocês não esperavam.
A culpa é sempre do PS.
A culpa é das pessoas acharem que uma pessoa, e terem andado durante anos a chamar a alguém que dissesse: "Eu acho que esta imigração está descontrolada", chamavam-lhe racista, porque era racista, quando ser racista não é a mesma coisa que defender uma imigração controlada e legal.
O Chega não se limitou a defender.
Acho que depois também varia nos atores do Chega, mas há muitos atores do Chega que cativamente colocam vídeos de imigrantes nas redes sociais.
Mas novamente, tu estás aqui outra vez a fazer aquilo que é típico da esquerda, que é nós estamos a falar de um grupo de extrema-direita. Eu estou a dizer que a sociedade está radicalizada. Eu estou a dizer que há grupos de extrema-esquerda que operam em Portugal. E tu a primeira coisa que dizes é: o Chega. Isto não é um grupo do Chega.
Estás a ser completamente desonesta.
Não estou. Estou a dizer é uma coisa que tu não gostas, que é diferente.
É que começaste e que trouxeste uma questão de um programa anterior quando nós estamos a falar sobre um grupo de extrema-direita.
Porque eu acho que é importante chamar ao 1143 e chamar a este grupo.
Eu deixo a opinião dos nossos ouvintes, até porque temos um tema a seguir. Não, Maria, desculpa.
Não, Joana, desculpa, eu gosto de te contrariar. Isto é um grupo de extrema-direita e eu chamo aqui. Tu quando estivemos aqui a discutir um grupo de extrema-esquerda, não conseguiste chamar extrema-esquerda. Era só esse o meu ponto.
Era uma pessoa.
Ah, não era, não.
A técnica é que o Chega está sempre a jogar na linha, não é verdade? Está sempre a jogar na linha. Há uns que são mais de extrema-direita do que os outros, mas há aqui uns que nós ainda aceitamos e há outros que nós rejeitamos.
O PS, se tivesse tentado fazer esta lei da nacionalidade há cinco anos atrás, era extremista. Era extremista, porque nessa altura qualquer pessoa que falasse que a nacionalidade tem que ser
Uma coisa dada com critérios objetivos e de forma controlada, ou a imigração tem que ser controlada, era automaticamente um racista. Hoje em dia o PSD já evoluiu e já percebeu que não é bem assim.
Muito bem. No início deste mês, a Câmara Municipal de Cascais foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária num processo onde há suspeitas de prática de crimes econômico-financeiros associadas à contratação pública. Rui, o atual presidente da câmara era o vereador do urbanismo à data dos factos. Está a presidência de Nuno Pita Lopes em risco?
Não, de maneira nenhuma, como é evidente.
Nunca está ninguém em risco no PSD. Nunca está ninguém em risco, não está a ministra. Nunca está ninguém. Não há ninguém em risco.
Não, desculpa, para se estar em risco é preciso fazer alguma coisa de grave ou um falhanço extraordinário. Não parece ser o caso.
Tipo o pacote laboral.
Estamos a ver, Rui.
Acho que é importante irmos por partes. Primeiro, isto parte de uma denúncia anônima. Eu confesso, compreendo perfeitamente o nosso sistema judicial. Acho que não está horrivelmente mal montado, mas a forma como os atores reagem ao nosso sistema judicial é um problema. A função do Ministério Público, que é baseada numa denúncia anônima, se considerar, ir à procura da verdade, portanto, perceber se há fundamento ou não há fundamento. Para isso, pode recorrer a buscas. Até aqui tudo certo. O problema depois é a capitalização política que muitas vezes é feita sobre buscas que podem não ter fim à vista. E muitas vezes o que acaba por acontecer é que a montanha vai parir o rato. É sempre isto que acaba por acontecer. Depois, do que percebi, existe um arguido que é o presidente da Câmara Municipal de Alcobadeç.
Câmara Municipal, não.
Junta de Freguesia, peço desculpa. Junta de Freguesia de Alcobadeç.
Mas a Câmara Municipal de Alcobadeç é já eleito.
Às tantas, como profissão é advogado e portanto para estas buscas acontecerem, em primeiro lugar para proteção do indivíduo, tinha de ser constituído arguido e depois para proteção dos seus segredos de profissão. Portanto, também me parece lógico que tenha sido constituído arguido na medida em que as buscas tinham de existir, etc. Mas um arguido não é acusado. Peço desculpa, estou a te a dizer alguma.
Não, eu não disse nada, João.
Olharam uma pra outra.
Foi, porque eu acho que...
Não estou a olhar para o Rui.
Eu estava a pensar na questão de ter sido constituído arguido.
Se eu disse alguma coisa que estava errada.
Não, o que tu estás a dizer relativamente a ser advogado, já vamos ao resto do tema e vou te deixar falar, mas o que estás a dizer em relação a ser advogado não se pode aplicar neste caso, porque na altura, e isto reporta a crimes cometidos eventualmente entre 2018 e 2021, neste caso o presidente da junta teria a cédula suspensa por iniciativa própria, por ser presidente da junta e estar no seu terceiro mandato. Portanto, não se poderá aplicar aqui questões de segredo de profissão, até porque se se aplicar, nós temos aí um problema de corrupção ainda maior e temos um problema maior. Portanto, aí só fazer esse reparo.
Sim, obrigado, Joana.
Pronto, depois a Câmara de Cascais é uma câmara bastante escrutinada. A verdade é que as buscas que foram sendo feitas também nunca resultaram em nada. Normalmente eu nestas questões costumo dizer que não tenho memória de peixe. Às vezes dá jeito em política ter essa memória de peixe. Quando nos dá jeito, uma coisa é boa, quando não nos dá jeito, já é má. E por isso eu gosto sempre de deixar a ressalva às oposições que não capitalizem estas situações de buscas que são processuais, normais, ainda bem que existem, porque depois, um dia, podem ser essas mesmas oposições naquela circunstância e não vão querer que lhes aconteça o mesmo. E se nós criamos este clima constante de suspeição, depois temos o autêntico caos político, não é verdade? Pronto, isso agora a Joana que responda.
Joana, estas contratações decorreram, como disseste, e bem, entre 2018 e 2021, no mandato de Carlos Carreiras. Estás surpreendida com estas notícias?
Como é por demais evidente que não. Acho que estamos todos é surpreendidos é de ainda não existir efetivamente um megaprocesso de corrupção e tráfico de influências na Câmara de Cascais, tendo em conta os casos que vimos, as várias diligências processuais que têm vindo a ser efetuadas ao longo dos últimos 15 anos e a quantidade de vezes que transações feitas na Câmara de Cascais ou que passaram pela Câmara de Cascais já passaram por outros megaprocessos. Há aqui uma questão que se prende com aquela que se falou quando das buscas no rato, de o Ministério Público e o PSD. O Ministério Público não gosta de ir atrás de autarcas do PSD.
Clima de suspeição que eu não quero que seja criado.
Pimenta na língua. Eu acho isto de uma desonestidade intelectual, vir alguém do PSD dizer que não podemos cair nestas lóres.
Eu falo por mim próprio. Não estou aqui em representação do PSD.
Está bem, mas da mesma forma que eu pago muitas vezes pelo meu partido, tu também pagas pelo teu e desculpa.
Não, eu não vou atacar as buscas na sede do rato. Mas se quiseres também podemos abordar essa questão.
Tu não vais, mas 90% dos comentadores e de toda a gente que falou do teu partido sobre isso, atacou e atacou fortemente. Acho isso absolutamente surreal. Apesar de eu concordar contigo. Aliás, já fizemos aqui um Eu Explico precisamente sobre o que é ser constituído arguido. E já falámos sobre as diligências processuais e há bocado até te fiz aquela correção, não foi com qualquer mau intuito.
Sim, ainda bem.
Tu tinhas uns papéis pra nos mostrar?
Tenho, era isso que eu queria entrar lá. Eu hoje decidi imitar a Maria pra ser assim do lado dela.
Dizem que a imitação é a maior forma de elogio.
Tu me imitaste noutras circunstâncias. E mostrar aqui um bocadinho sobre como isto foi.
Além de ver a casa do Observador.
É, primeiro começa com a casa, é claro. Depois vem aqui o amigo da Maria, o Público.
O Público. O que é que diz o Público?
O Público também diz: Câmara de Cascais abre buscas por causa de suspeitas de contratação pública, novamente a casa, a explicar aquilo que foi falado e a citar o Público. Porque eu estava a ver hoje que o Observador citou o Público. Maria, temos que ter uma conversa sobre isto. Dito isto, não está só em causa o presidente da Junta de Alcobidece. Está em causa um antigo secretário de Estado e cerca de €450 mil em contratos públicos celebrados entre membros da mesma família. Eu acho que todo este caso é muito interessante do ponto de vista do grande nepotismo do Partido Socialista, se calhar fica mais aqui do meu lado laranja, e dos autarcas falhados do PSD, do que chega.
Só faltava. Buscas desse tipo-
Ainda
...é, depois aquela magnitude no Rato.
E dizer que, mais uma vez, este assunto passou por entre os pingos da chuva, mas se amanhã for uma junta de freguesia de outro partido qualquer, e aqui falo do meu e da Maria, vai abrir os telejornais. E isto aqui foi elemento de discussão em alguns jornais, por escrito, mas o resto não apareceu, e fica mais um inquérito à Câmara Municipal de Cascais que não deu em nada. Até hoje não sabemos que nenhum tenha sido fechado.
Porque não há nenhum acusado, não há nenhum condenado e, portanto, se calhar, não vale a pena tentar começar a construir uma-
Mas a minha pergunta é: até agora não sabemos se algum foi arquivado. Portanto, é essa a questão. E neste país, os inquéritos têm tendência a durar muito tempo.
Mas eu gosto de como tu falaste logo do Chega. Eu estou aqui a ver as notícias que tu trouxeste sobre a Câmara de Cascais.
A Maria não trouxe papéis.
Eu não trouxe papéis, eu geralmente trago, mas eu não vejo aqui em nenhum destes cabeçalhos quem é o partido que está em causa. Não vejo. O único que está aqui é daqui da casa, que meteram uma fotografia que diz PSD.
Mas no título não diz.
Não diz em lado nenhum. Naquele caso do Rato, não dava para fingir que não era o PS. Toda mundo sabe que eles estão ali, não há muito a fazer. Mas o que eu vejo aqui é realmente uma coisa que se repete, que é: quando estão em causa câmaras do PSD ou militantes ou filiados do PSD e do PS, há uma certa relutância em dizer de onde é que eles vêm. Ainda esta semana se estava a falar daquele a que toda a gente gosta de chamar o ex-adjunto de ministra da Justiça. Não dizem nem de qual ministra, nem de qual partido. É do PS, volto a relembrar, que está agora a ser julgado.
Maria, até certo ponto, não sei se isso é um bom exemplo, porque também tem a ver com a própria sensibilidade.
Não, tem. Desculpa, tem.
E é um caso escabroso.
Tem, porque eu já vi. Claro que é. Isso não está em causa. Joana, deixa-me terminar o meu raciocínio.
Desculpa, mas isso é uma coisa que-
Joana, estamos para terminar
...já tivemos casos, e eu digo aqui abertamente, de pessoas ligadas ao partido Chega, que estavam envolvidas ou em casos de violência doméstica ou em casos de abuso de menores, e automaticamente aquilo que eu vejo são manchetes a dizer: "Militante do Chega em casos de não sei quê, de violência doméstica". E eu tenho aqui um, dois, três, quatro artigos e não vejo uma única referência ao PSD. Portanto, acho isso preocupante. Acho que há aqui uma tendência dos jornais para omitir a informação que é relevante, e não me venhas dizer que é porque é um caso que é sensível. Acho que isso acontece. É importante dizer que é ex-adjunto de ministra socialista, porque até parece que é da ministra atual, e não é.
Rui, o PSD é protegido pelos mídia? Para terminar. Não, de maneira nenhuma. Acho que é um exagero aqui por parte da nossa colega do Chega. Mesmo de maneira nenhuma. É a tentativa de fazer o jogo do Calimero, é o habitual.
Ai, meu Deus, mas vocês, o jogo do Calimero.
Vocês e os Calimeros, isso é uma obsessão.
Não, eu acho que tu estiveste hoje aqui o dia todo a ser Calimero. "O pacote não é assim tão importante, eles é que são maus, não quiseram aprovar. Ai, aqui a Câmara de Cascais, isto não tem assim tanta importância." Isso é que é ser Calimero.
Isto é a posição de quem não tem responsabilidade nenhuma. Joana, 30 segundos para fechar. O que é que tens a dizer desta coisa?
Eu estou a rir porque eu adoro vê-los a discutir, acho que é divertido. Eu acho que é um dia para celebrar, porque eu acho que é uma vitória, acima de tudo, do Parlamento e do parlamentarismo. Acho que já tínhamos falado aqui que 2022 foi uma exceção e o tempo das maiorias absolutas acabou. Portanto, é uma forma de também dar aos partidos a oportunidade de perceber que é um ponto de viragem, e isto falo para o meu partido e para todos os outros partidos, é um momento de viragem e de aceitar que muito provavelmente não vamos voltar a ter maiorias absolutas de forma tão recorrente como tínhamos. E, portanto, ou aprendem o que é efetivamente a democracia e a negociar uns com os outros, e aqui viro-me para o PSD, que é de forma igual dando espaço a todos, ou então vamos ter sucessivamente este tipo de situações, seja com reformas, seja com outras questões.
Muito bem, mas por ora está feito o programa de hoje. Obrigado aos meus comentadores, Maria Vilarez, Joana Zaguri e Rui Lopo. Até à próxima.
Obrigada.
Obrigada.
O Geração V é uma parceria entre o Vou Voto e a Rádio Observador. Podes ouvir-nos na rádio, em podcast e ver-nos em vídeo no YouTube. Eu sou o Vasco Galhardo, muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.